2 A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA COMO FORMA DE COMBATE A
3.2 O Dever do Estado de garantir o Direito a Saúde
Sendo a saúde um bem jurídico do direito a vida, tem o Estado o dever de garanti-la. Interessante frisar o que a redação do artigo 2° da Lei n° 8.080, de 10 de setembro de 1990 garante:
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. § 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade.
Ainda, sob as palavras de Camila Carvalho Rabelo (2011):
Deve o Poder Público, através das diversas esferas governamentais, proporcionar à população meios idôneos e eficazes para que tenha acesso a diagnóstico e prevenção de doenças, assistência clínica e hospitalar quando necessária, além de facilitar a obtenção de medicamentos e tratamentos adequados.
Agindo assim, o Estado está cumprindo com as normas estabelecidas na Constituição Federal que estabelece ser dever do ente público promover o acesso à saúde a todos que necessite de atendimento médico-hospitalar.
Nota-se que o dever do Estado com a saúde é garantir as pessoas o seu direito efetivado, promovendo a saúde, não só a cura dela, mas buscando sempre melhorar a qualidade de vida. Cabe ao Estado exercer essa construção inovadora, procurando garantir o bem estar físico e social, fazendo valer os direitos e garantias fundamentais que toda a sociedade necessita (RABELO, 2011).
Embora, muitas vezes o que o ocorre na busca pela efetivação do direito a saúde é que, este somente é concedido mediante ações judiciais, é o que nos apresenta as autoras Machado e Mateus (2014):
[...] ainda permanece a inaplicabilidade desse direito a todos. Para concretizar o seu direito à saúde a população, muitas vezes, tem recorrido às ações judiciais para o seu cumprimento, portanto, o desejo do Constituinte Originário não foi ainda plenamente efetivado.
A construção da cidadania (também preceito fundamental) requer uma participação efetiva da população na busca de soluções para os seus problemas – nesse caso a saúde-, e também, presença ativa nos espaços de poder decisório em todos os níveis dos entes federados.
Ainda, sendo a saúde um bem valioso para qualquer pessoa, é importante trazer o que o site trabalhos feitos apresenta:
[...] é cediço que à vida é o bem mais valioso e importante de todo e qualquer ser humano. E para que todo e qualquer ser humano possa usufruir de uma melhor qualidade de vida, é sem duvida indispensável que este tenha acesso irrestrito à saúde, bem como a condições sanitárias dignas, no meio em que vive.
Observa-se que a Constituição exerce um papel de extrema importância para a saúde no Brasil, uma vez que, de acordo com a Constituição Federal, a responsabilidade de promover a saúde a todos é do Estado, visto que este é um direito universal (TRABALHOS FEITOS...2014).
A Garantia do direito a saúde é de responsabilidade do Poder Público, é importante ressaltar o que nos traz o artigo 2° da Lei 8.212/91, que apresenta os princípios e diretrizes que o Estado deve adotar para a garantia e efetividade do direito à saúde.
Art. 1º A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social.
Parágrafo único. A Seguridade Social obedecerá aos seguintes princípios e diretrizes:
a) universalidade da cobertura e do atendimento;
b) uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
c) seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; d) irredutibilidade do valor dos benefícios;
e) eqüidade na forma de participação no custeio; f) diversidade da base de financiamento;
g) caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação da comunidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados (BRASIL, 2014).
Ademais, dispõe o artigo 197 da Constituição Federal de 1988:
Art.197: São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado (BRASIL, 2014).
Compreende-se que, a saúde é um dever que o Estado tem, suas ações e serviços para garantir a saúde são de relevância Pública e o Poder Público está vinculado em promover políticas sociais e econômicas para a efetivação do direito a saúde. E ainda, não se exclui a
participação de terceiros, e também de pessoa física e jurídica do direito privado nas ações e serviços de saúde (HUMENHUK, 2004).
As políticas sociais e econômicas exprimem o acesso igualitário e universal, assim, é importante abordar o que Hewerstton Humenhuk (2004), nos traz:
As políticas sociais e econômicas, devem também exprimir um acesso igualitário e universal para qualquer ser humano, independente de raça, credo, cor, religião etc. Assim, todo e qualquer cidadão, inclusive o estrangeiro tem o direito à saúde, direito de ser atendido pelo sistema Único de Saúde, justamente por ser um cidadão com direitos fundamentais inerentes a sua pessoa.
Essas políticas sociais e econômicas que são garantidas através das ações e serviços de saúde têm por finalidade organizar o Sistema Único de Saúde, de maneira acessível e igualitária, integrando uma rede regionalizada e hierarquizada, interligando princípios, diretrizes e normas. É o que nos apresenta a redação do artigo 198 da Constituição Federal:
Art. 198 - As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade (BRASIL, 2014).
Em relação ao dever do Estado com a saúde, fica este obrigado a garantir saúde de forma gratuita a todos, uma vez que, o Estado, quando investe em recursos públicos direcionados a saúde, visa prestar um serviço público básico ao direito fundamental da dignidade da pessoa humana. O direito a saúde é reconhecido como um direito a prestações, uma vez que busca a proteção da qualidade de vida (HUMENHUK, 2004).
Nota-se que o direito a saúde deve ser garantido a todos, de forma gratuita, procurando garantir a dignidade da pessoa humana, na busca pela melhoria da qualidade de vida de cada cidadão, por meio do Poder Público que em termos da lei, dispõem sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, procurando garantir o bem estar físico e social, através de ações e serviços que asseguram condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Devido à inaplicabilidade deste direito, muitas vezes, busca-se a garantia do direito a saúde por meio de ações judiciais.