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ENTENDER E DEMONSTRAR A APRENDIZAGEM

4.7. O diário de campo

Este instrumento, em geral, demonstra um aprofundamento ponderado sobre as experiências vividas no campo de pesquisa e possibilita ações reflexivas na dimensão mental da própria pesquisadora.

Uma vez que esta precisa selecionar quais informações tem relevância, quais merecem destaque e quais serão desprezadas, enquanto contexto de trabalho de investigação científica, para então iniciar a confecção das matrizes de analise de conteudo.

Através do diário de campo foram registradas todas as falas dos sujeitos, bem como suas trocas simbólicas, relações interpessoais e também os projetos e execução dos mesmos, construções das práticas pedagógicas, criação e vivência de situações, enfim, ações contextualizadas nos espaços escolares e extraescolares.

Em realidade, a prática do diário de campo permitiu um melhor entendimento sobre o dia a dia da Escola de Frevo, as colocações, as reivindicações, as atividades em sala de aula e fora dela, a alegria, a aprendizagem, a postura dos alunos, enfim, todo um constructo43 deste

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‘construção puramente mental’, criada a partir de elementos mais simples para ser parte de uma teoria.

cotidiano escolar, possibilitando, assim, a oportunidade de melhor selecionar o que agregaria ao trabalho diante dos objetivos propostos. Embora se pudesse entender que, geralmente, alguns outros fatos seriam descartáveis, (nem por isso pouco importante), naquilo que são suas características explícitas e implícitas da Escola de Frevo, mas que não atendiam ao propósito desta tese.

Assim, o diário de campo teve uma função de extremo significado, pois verificou e documentou um mundo de implicações existentes no campo de pesquisa, inclusive o‘não dito’, mas que fez parte do contexto da cultura da Escola de Frevo, de modo bastante representativo, uma vez que se trabalhou com a gestualidade dos diversos movimentos corporais.

Na elaboração (no refletir) e na construção (na ação) do sujeito e do objeto, bem como do trabalho sobre aquilo que os constitui tanto em nível imaginário quanto ao nível da realidade, foi necessária, uma grande dose de perspicácia e entendimento do processo vigente, que foi se construindo entre as falas dos sujeitos pesquisados e as observações in loco, foi imperiosa uma habilidade de discernimento e uma sensibilidade para apreender e selecionar o que realmente importava para o trabalho acadêmico.

Assim, a prática da escrita do diário de campo levou a pesquisadora à possibilidade de compreender como o seu imaginário está implicado no labor da pesquisa, levando-a, também, a distinguir ‘quais’ os verdadeiros investimentos que ali foram elaborados e ‘como’ foram elaborados. Tudo isso requereu esforço, para melhor conscientizá-la da caminhada empreendida, assim como do processo pessoal e da construção da produção acadêmica.

Frente a estas questões, pôde-se constituir um sujeito entre outros sujeitos, e assim se humanizar, se dialetizar, ao aceitar a lógica do inacabado, da alteração, narrando de modo despojado e minuciosamente o vivido pelos atores pesquisados, porém, mantendo todo o cuidado requerido pela consciência acadêmica para a elaboração de uma produção etnográfica na área da ciência da Educação.

O diário de campo foi um instrumento largamente utilizado para colher as informações, elementos fundamentais da etnopesquisa, básicos para fazer as anotações das entrevistas etnográficas.

A pesquisa foi construída mediante observação, participação, entrevistas, conversas informais, perguntas, escutas, fotografias, filmagem e, como não podia deixar de acontecer, as

de excitação, mobilidade do processo nervoso, competência e habilidade no cotidiano. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 3.0

idas às apresentações fora da Escola de Frevo, nos diversos palcos, como, shoppings, teatros, praças e avenidas, todo um constructo com vista na futura análise descritiva e interpretativa.

Tudo isso com a preocupação de observar, também, a importância da tênue linha divisória dessa abordagem qualitativa etnográfica entre o ‘participar’ e o ‘observar’, de acordo com os autores Lapassade (2005) e Macedo (2000, 2010).

4.8. Em síntese

Na pesquisa foi utilizado o método etnográfico descritivo e interpretativo onde se pretendeu contemplar as diversas técnicas anteriormente citadas. Este estudo científico objetivou, fundamentalmente, pesquisar como se processa a aprendizagem do frevo pernambucano com vistas a uma Inovação Pedagógica.

Assim, buscou-se a compreensão dos motivos da Escola de Frevo, face às necessidades atuais de mudança, de transitoriedade, de aceleração do desenvolvimento sócio educacional, numa cultura popular do frevo, midiatizada pela corporeidade, pela fala dos atores sociais do grupo pesquisado e pelas práticas pedagógicas inseridas na escola palco.

Tal pesquisa foi sistematicamente planejada e levada a efeito segundo critérios rigorosos no processamento das informações. Na investigação etnográfica, a análise, descrição e interpretação dos dados começam na entrevista semiestruturada e aberta. Posteriormente, através das entrevistas etnográficas, das leituras imagéticas com técnica de decriptagem, e depois, com a demonstração de gráficos e quadros explicativos e as matrizes de análise de conteúdo, de acordo com Bardin (1997,1977).

Observou-se a necessidade de dados que possibilitassem o melhor entendimento sobre a realidade, não perdendo de vista o foco principal da pesquisa que foi a construção de práticas pedagógicas que pudessem vir a levar a uma Inovação Pedagógica; o estudo foi construído levando-se em consideração a objetividade, a validade, a exaustividade, a consistência, fatores relevantes e indispensáveis na presente investigação.

Com vistas no foco da pesquisa, iniciou-se uma trajetória da distinção do fenômeno em rudimentos significativos da análise meticulosa desses elementos, bem como da codificação e avaliação dos mesmos; continuou-se nesse procedimento que foi sendo construído na junção dos elementos por informações dos próprios atores sociais.

Esta sistematização textual do conjunto, produção de uma meta, levou a uma nova interpretação do fenômeno estudado, possibilitando, assim, o entendimento e a demonstração do ‘como’ as práticas pedagógicas foram se instituindo.

Baseada na observação, descrição, análise e interpretação verificou-se a existência de uma rede de significados e significantes latentes na permanência do observado, no loco da observação, nos conteúdos coletados, nas imagens captadas, os quais se tornaram passíveis dum desvelar os diversos significados e significantes existentes, numa abordagem emergente, numa investigação Etnográfica em Educação onde:

[...] a análise dos dados começa quando a observadora ainda está no cenário de campo e continua mesmo após tê-lo deixado. Geralmente o tempo que é necessário para a análise de campo deve ser tão longo quanto o tempo gasto fazendo o mesmo (Anotação no Seminário: Investigação Etnográfica em Educação – tornar o familiar no estranho, 2009).

Esta apreciação obedeceu ao eixo da análise: Comunicação dialógica - processo ‘bottom-up’.

Gráfico 02

Eixo de Análise: Comunicação Dialógica - Processo ‘Bottom-up’

Células norteadoras para a coleta de dados em campo e construção das matrizes

Com base na análise dessa técnica de integração do modelo dialógico intersubjetivo, verificou-se a possibilidade de uma rede de signos latentes na maturação dos significados e no desvelar do papel da Escola de Frevo, no processo de aprendizagem, mediante práticas pedagógicas integradoras, emergentes, de uma metodologia até então não codificada, porém amplamente divulgada, promovendo possibilidades de contribuição e extensão das experiências vividas na Escola de Frevo, em suas aulas e apresentações em cenários

Compreensão dos motivos da adequação e ou desadequação

da Escola de Frevo

Prática Escola de Frevo: Linguagem educacional da

corporeidade Inovação Pedagógica

Prática Escola de Frevo: A funcionalidade da Escola de Frevo na atualidade Necessidades atuais de compreensão da aceleração, transitoriedade e da bricolagem e matética Processo de aprendizagem e as Práticas pedagógicas

circundantes. Desse modo foi vital a busca dos motivos de adequação ou inadequação da Escola de Frevo face às mudanças contemporâneas.

CAPÍTULO V

5. CENÁRIO DA PESQUISA: ESCOLA MUNICIPAL DE FREVO MAESTRO