As indústrias da construção civil vivem num universo coorporativo altamente competitivo, competindo por oportunidades negociais, sejam elas as mais diferente possíveis, indo desde acesso a recursos financeiros, aos melhores fornecedores de insumos, acesso a novas tecnologias, os mais talentosos recursos humanos para que seu produto final encante seus clientes e proporcione rentabilidade e longevidade para a corporação e, dentro dessa perspectiva buscar algo que o diferencie dos demais, ou seja a qualidade passou a ser uma estratégia negocial amplamente utilizada.
O conceito de qualidade surgiu com o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), e já na metade do século XX surgem os grandes estudiosos da qualidade como o Deming que define como melhoria contínua, Juran como próprio para o uso, Crosby em conformidade com os requisitos e Ishikawa o mais econômico, o mais útil e que sempre satisfaça o consumidor e até os dias atuais não existe um consenso sobre o conceito versa Pinheiro (2014).
A humanidade como um todo anseia pela qualidade, cuja presença do termo permeia os meios mais diversos imagináveis, atualmente é um modismo o uso do termo, mesmo sem o exato domínio do significado. No sentido denotativo trata-se de uma característica particular, um atributo um traço distintivo, talvez a busca por um traço que diferencie dos demais seja a justificativa para a popularização do uso coloquial do termo qualidade na cultura popular.
Partindo do pressuposto que qualidade é um traço que o distingue, o diferencia ela passa ser um termo subjetivo e utilizado para diversas modalidades, pode ser direcionado ao produto, ao processo produtivo, cliente, mercado consumidor, mercado fornecedor, relacionamento interno da empresa, relacionamento externo, meios de produção, e como algo subjetivo cada indivíduo avalia o bem, o serviço, a relação o processo como portador de qualidade ou não.
No meio científico qualidade passa por “zero defeitos”, à prevenção e ao controle de defeitos, atualmente o foco da qualidade visa atender às expectativas dos clientes, ou seja, para quem será o consumidor daquele bem, serviço ou processo; já no universo corporativo não é diferente o termo qualidade pode ser encontrado com diferentes interpretações dependendo do setor da empresa a ser pesquisado, precisando ser equalizado para evitar diretrizes antagônicas segundo Neves (2002)
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No universo corporativo acompanhamos a evolução desde o mundo antigo dos artesãos, as indústrias nascidas durante a Revolução Industrial e depois dela o mundo corporativo atuando em mercados internacionais, colocando uma pressão constante, concorrência em altos índices, e à frente de cada etapa desse processo produtivo estão as pessoas, serão elas os fatores fundamentais para o sucesso dos negócios ressalta Bicchuetti (2020).
Ao lançarmos um olhar mais minucioso no ramo da indústria da construção civil verificamos que ela se diferencia das outras indústrias, ela possui algumas características peculiares ela foi uma das últimas indústrias a sofrerem com o impacto da globalização, o processo produtivo não comtempla enormes e sofisticados maquinários, nem tão pouco grandes tecnologias de ponta, em contrapartida a quantidade de recursos humanos que se encontra em seu chão de fábrica não se compara a nenhuma outra indústria esse processo baseia-se fundamentalmente nas pessoas e nas suas habilidades laborais conforme versa Chiavenato (1999).
A indústria da construção civil diferencia-se das demais indústrias devido ao seu caráter dependente dos recursos humanos muito mais dos que dos maquinários e altas tecnologias de ponta, apesar do processo produtivo construtivo ser permeado de equipamentos, tecnologia, software todos de última geração; a indústria da construção civil é uma indústria de um produto único, não de uma série de cópias de um mesmo produto, ela tem prazo final para cada produto. Nesse contexto os recursos humanos destacam-se como um grande diferencial que impacta diretamente na produtividade de acordo com Martins (2007).
Devido à grande complexidade dessa indústria o mercado buscou ferramentas para auxiliar no gerenciamento e acompanhamento das várias realidades dentro dos estados brasileiros, uma dessas ferramentas cujo mote principal é servir de apoio para tomada de decisões tanto gerenciais como para o mercado consumidor, trata-se do Custo Unitário Básico – CUB.
Mensalmente a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC, através do seu banco de dados calcula o Custo Unitário Básico – CUB, ele representa o custo parcial da obra, é um indicador de custos no setor da construção calculado e divulgado pelos Sindicatos da Construção Civil Estaduais e regido pela Lei Federal 4.591/64O CUB Brasil é uma média ponderada dos indicadores de alguns dos principais estados da federação, objetiva disciplinar o mercado de incorporação
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imobiliária servindo como parâmetro na determinação dos custos dos imóveis, possui muita credibilidade pois atua a cerca de 40 anos. O CUB médio brasileiro em agosto de 2020 estava em R$ 1488,07.
Dentro dos insumos para cálculo do CUB temos o insumo recursos humanos discriminado como pedreiro (ajudante de armador, eletricista, encanador, armador, azulejista, carpinteiro, ceramista, eletricista, encanador, gesseiro, impermeabilizador, mestre de obras, operador de caminhão, operador de retroescavadeira, pedreiro, pintor, vigia, servente e engenheiro e, de acordo com o sistema Nacional de Pesquisas de Custos e índices da Construção Civil -SINAPI, o custo médio com desoneração da folha de pagamento dos salários em agosto desse ano era de R$
mesmo órgão para o mesmo período, ou seja, agosto de 2020 era de R$ 1.191,84 valor que equivale a 80% do seu custo total.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE o Brasil tinha em 2017 101.617.017 de pessoas ocupadas sendo que 7.692.147 pessoas ocupadas na construção civil, ou seja, participação relativa da construção civil na população ocupada perfaz o total de 7,57%.
A pujança e a força motriz da construção encontram-se vinculada a seus recursos humanos, tanto no aspecto de custos de produção quanto na quantidade, a cada 100 empregos diretor são gerados 275 empregos indiretos e induzidos e 80%
dos trabalhadores possuem apenas ensino fundamental o restante não alfabetizados, 56,5% possui menos de um ano na empresa e 47% estão no setor há menos de cinco anos segundo Villela (2012).
Esses dados revelam a importância que o item recursos humanos desempenham dentro da construção civil, a estratégia assertiva empresarial seria dar atenção diretamente proporcional aos números que falam por si. As organizações empresariais funcionam através das pessoas que elas fazem parte, que decidem que agem em seu nome, não existe separação entre o comportamento das pessoas e das organizações, existe uma relação duradoura e simbiose entre pessoas e organizações segundo Chiavenato (1999).
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