2.3 DUMPING E O DIREITO ANTIDUMPING
2.3.3 O Direito Antidumping no Brasil
A primeira regulamentação brasileira sobre dumping ocorreu quando o Brasil ratificou o Acordo do GATT de 1994, no qual está a definição brasileira para dumping e direito antidumping. Este momento veio ao encontro da abertura econômica do Governo Collor. (BAPTISTA, 2002; JOHANNPETER, 1996).
O Acordo sobre a Implementação do Artigo VI do Gatt – 194 (dumping) e o Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias foram aprovados pelo Decreto Legisltivo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgados pelo Decreto nº1.355, de 30 de dezembro de 1994. Paralelo a esse Decreto, foi editada a Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, que dispões sobre a aplicação dos direitos previstos no Acordo Anti-dumping e no Acordo de Subsídios e Direitos Compensatórios. Foram editados ainda dois Decretos que disciplinam o processo administrativo de aplicação de Direitos Anti-dumping e Medidas Compensatórias, quais sejam, o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995 (Anti-dumping). (BAPTISTA, 2002. p 47 e 48).
No Brasil, o direito antidumping, as outras medidas a serem investigadas e aplicadas e tudo que têm relação com o comércio internacional, competem ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio (MDIC), que conta com vários órgãos no processo de aplicação do antidumping, tais como: Secretaria de Comércio Exterior (Secex), Departamento Técnico de Taifas (DTT), Departamento Técnico de Intercâmbio Comercial (DTIC), Secretaria da Receita Federal (SRF) e Câmara de Comércio Exterior (Camex). (JOHANNPETER, 1996).
O MDIC, no início do ano de 2012, propôs melhorar o seu sistema de investigações para deixá-lo mais rigoroso e célere. Assim, para o Brasil, a investigação preliminar acontecerá dentro de 120 dias ou, no mínimo, 60 dias (estipulado pela OMC) para dumping provisório e a investigação deverá ser concluída dentro do prazo de 10 meses. (BRASIL, 2013).
Foi publicada, no dia 29 de dezembro de 2011, a Portaria n° 46/2011 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que altera as disposições sobre as petições de investigação de dumping estabelecidas na Circular Secex n° 21/1996. O novo modelo de formulário para pedir abertura de investigação entrou em vigor no dia 1° de janeiro de 2012. A partir dessa data, as petições somente podem ser submetidas no novo formato estabelecido pela referida portaria. (BRASIL, 2013).
A petição deve ser aberta na secretaria do MDIC, conhecida como Secex, dentro das novas regras por ela estabelecidas em 2012, que encaminhará a questão ao departamento de defesa comercial da própria Secex, conhecido como Decom, o qual reunirá os documentos necessários e dará o parecer sobre o caso. Após o parecer do Decon, compete à Secex decidir sobre a continuidade da investigação e o início do processo de revisão do direito definitivo ou sobre o compromisso de preços. Posteriormente, compete à Camex fixar os direitos conforme o Decreto nº 3.981 de 2001. (SILVEIRA, 2007).
A primeira parte da investigação consiste em recolher os documentos e provas para questionar a prática de dumping, o dano e o nexo de causualidade. A Secex pede inúmeros documentos que devem estar de acordo com o regulamento; na falta de algum deles, a secretaria indefere a petição. (BRASIL, 2013).
A Portaria nº 46, de 23 de Dezembro de 2011 (Publicada no D.O.U. de 29/12/2011), possui orientações gerais para abertura de requerimentos, na descrição da Portaria e para petição de antidumping no Anexo 1, conforme se verifica no excerto abaixo transcrito (BRASIL, 2013):
A SECRETÁRIA DE COMÉRCIO EXTERIOR DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, no uso das atribuições que lhe confere o art. 5o, da Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, e o
art. 3o, do Decreto no 1.602, de 23 de agosto de 1995, decide:
Art. 1o As petições de investigação de dumping de que trata o art. 18 do Decreto no
1.602 protocoladas a partir de 1o de janeiro de 2012 deverão ser elaboradas
utilizando-se exclusivamente do formulário que consta do Anexo I à presente Portaria.
Art. 3o Deverão ser protocoladas simultaneamente uma versão confidencial
impressa e uma versão reservada impressa da petição, bem como as versões eletrônicas de ambos os documentos, sendo uma protegida e outra normal. Os arquivos eletrônicos deverão necessariamente ter os formatos “.doc”, “.docx”, “.xls” ou “.xlsx”.
Art. 4o Petições que não atendam ao disposto nesta Portaria serão indeferidas.
(BRASIL, 2013).
Para a prática de dumping, são observados os documentos requeridos pelo Decon e pelo processo de importação.
O dano é determinado pelos indicadores de importação, valor e quantidade por país e origem, pela participação da importação do produto dampeado, no total importado e no
consumo com o preço aparente, pelos indicadores da indústria doméstica, pelas vendas e participação no consumo. Também é estabelecido pelo lucro, produção, capacidade, ocupação, estoque, empregos, salários, preços, entre outros fatores, juntamente com a margem de subcotação, que é a diferença entre o preço do produto doméstico pelo preço do produto importado. (SILVEIRA, 2007; JOHANNPETER, 1996).
No tocante à ameaça de dano material futuro são analisados: o crescimento das importações do produto dampeado, o aumento significativo da capacidade produtiva da empresa estrangeira, a redução nos preços domésticos em função do preço estrangeiro sem conseguir aumentar o valor e os estoques do produto investigado. (SILVEIRA, 2007).
O nexo de causualidade é verificado simultaneamente em cada item analisado. Para a aplicação da sobretaxa pela prática desleal do dumping, é calculado o montante de dumping, que será a diferença entre o valor normal e o preço de exprtação. A margem de dumping é calculada pela divisão entre o valor do montante de dumping pelo valor normal que não pode ser de minimis (abaixo de 2%) para a aplicação (JOHANNPETER, 1996).
Quando positiva a margem de dumping deverá ser aplicada no desembaraço da mercadoria no terrirório nacional e suficiente para eliminar o dano ou ameça de dano á indústria do país importador. O direito antidumping calculado mediante aplicação de alícota ad valorem sobre o valor aduaneiro da mercadoria e cobrado independentemente de qualquer obrigação de naturaza tributária relativa a sua importação (Johannpeter, 1996).
Abaixo, observa-se o Diagrama dos procedimentos, elaborado por Johannpeter (1996).
Ilustração 1 - Diagrama dos procedimentos
Fonte: Johannpeter, 1996.
Após a verificação da existência de dumping. o DTT analisará as questões administrativas e taxas, passando para a SRF, que recolherá os impostos sobre a importação. (JOHANNPETER, 1996).