O conhecimento deste Tribunal de 2.ª instância, quanto à matéria dos autos e quanto ao objecto do recurso, é delimitado pelas conclusões das alegações da recorrente como, aliás, dispõem os art.ºs 635.º, n.º 2 e 639.º 1 e 2 do C. P. Civil, sem prejuízo do disposto no art.º 608.º, n.º 2 do C. P. Civil (questões cujo conhecimento fique prejudicado pela solução dada a outras e questões de conhecimento oficioso).
Atentas as conclusões da apelação, acima descritas, as questões submetidas ao conhecimento deste Tribunal pela apelante são as seguintes; a) deve ser alterada a decisão em matéria de fato, declarando-se não provada a matéria dos pontos 1 a 6 e 100 a 103 (conclusões 1 a 25); b) uma vez que a apelante se limitou a revender parte das frações é aplicável o disposto nos art.º 913.º e segts., do C. Civil, nomeadamente o prazo de 5 anos previsto no art.º 916.º, tendo caducado o direito invocado pelas autoras pelo decurso desse prazo, pois, a denúncia dos vícios só ocorreu em 25 de novembro de 2009 e a apelante
revendeu parte das frações até 25/11/2004 pelo que esses condóminos podiam ter exercido os seus direitos em data anterior àquela em que o fizeram (conclusões 25 a 36); c) o direito que as AA invocam caducou também porque não propuseram a ação no prazo de 6 meses a contar da denúncia, como impõe o art.º 917.º, do C. Civil (conclusões 37 a 39); d) Não vislumbra a aqui Recorrente em que medida possa ser condenada por litigância de má-fé por ter “omitido” quem construiu os edifícios, quando, na realidade, alegou e fez prova desse facto por documentos emitidos, por duas vezes nos autos, por entidade idónea, Câmara Municipal de Lisboa (conclusões 40 a 49).
I.Quanto à primeira questão, a saber, se deve ser alterada a decisão em matéria de fato, declarando-se não provada a matéria dos pontos 1 a 6 e 100 a 103 da base instrutória.
Os factos que a apelante pretende que resultaram não provados devendo, em conformidade, ser alterada a decisão em matéria de facto, por referência à matéria de facto da sentença, são os seguintes:
-Pontos 1 a 6:
1.º-73º-A Ré foi a promotora do empreendimento em que se situam os lotes das Autoras.
2.º-74º-O Grupo a que a ré pertence foi o executor da construção do empreendimento.
3.º-75º-E tal construção foi também levada a cabo por terceiros a quem a Ré entregou os trabalhos de construção.
4.º-76º-Aquando das negociações entre o ... ... e a Ré, para a venda dos lotes o empreendimento apenas tinha as fundações construídas.
5.º-77º-Estando a construção ainda em estado embrionário.
6.º-78º-Tendo a Ré assumido a construção dos edifícios no estado em que se encontravam.
-Pontos 100 a 102, inclusive, da base instrutória:
100.º “A Ré iniciou os trabalhos de reparação da fachada poente em Julho de 2010; 101.º “Tendo colocado andaimes ao longo de toda a fachada”;
102.º “E retirou parte dos mosaicos que a revestiam na zona com empolamento”.
A pretensão da apelante quanto aos factos 1 a 6 estrutura-se, em geral, na ausência de prova e em prova contraditória sobre os mesmos e, em particular, na prova que em contrário, resultará das escrituras em que figura como adquirente e informações escritas prestadas pela Câmara de Lisboa, que não em contraprova que se tenha proposto e tenha produzido, como lhe impunha o art.º 346.º do C. Civil.
O tribunal a quo fundamentou a sua decisão sobre tais factos, dizendo, em relação ao primeiro grupo, que,
“Para a decisão dos pontos 2º, 3º, 4º, 5º e 6º, baseou-se o tribunal no depoimento de ... ..., que disse que a ré era a dona da obra e foi quem vendeu os apartamentos aos clientes, referindo ainda que a Jardins de ...
de ... não tinha pessoal próprio e, por isso, quem construiu os edifícios foram empresas do grupo Obras..., mas que a ré era a dona da obra; e que embora a licença de construção estivesse em nome da ... ..., a ré comprou os edifícios, logo no início da construção, apenas com as caves construídas e sem estruturas e
procedeu à conclusão das obras... Também ... Carvalho disse que foram empresas do Grupo Obras... que construíram os edifícios e, não obstante ter referido inicialmente ter sido o “... ...” o promotor do edifício, após confrontada com o documento de fls 463, admitiu que o promotor foi a ré ou o Grupo Obras...” e em relação ao segundo que “Quanto aos pontos 100º, 101º e 102º, baseou-se o tribunal nos depoimentos de Nuno ..., Fernando ..., Ana Paula ..., Hugo ..., Francisco ..., Ricardo ... e ... ..., que confirmaram esses factos”.
A apelante que, como referimos, não produziu contraprova pessoal a tal matéria, pretende que a prova testemunhal produzida pelas AA é insuficiente, mas o certo é que atento o seu modus operandi em relação aos prédios em causa nos autos, outra prova não era possível.
Como da matéria de facto supra descrita resulta à saciedade, a apelada agiu inserida no âmbito de um denominado “grupo Obras...” e que mais não seria que um conjunto de sociedade agindo indistintamente para o exterior, sem que os seus actos se encontrassem claramente subjetivados.
Isto posto, vejamos pois.
Em relação ao art.º 1.º, não sendo o conceito de “promotor” um conceito propriamente dito mas um vocábulo da gíria do urbanismo, o certo é que a testemunha ... ... declarou, claramente, que a apelante foi a promotora comercial.
A testemunha ..., por sua vez, refere “... ...” mas, ao fazê-lo, percebe-se que utiliza a palavra “promotor”
como “iniciador” ou “implementador”, passe o anglicismo.
Por sua vez, a informação municipal, no sentido de que “foram emitidos os competentes alvarás de construção e utilização em nome de “... ... – Hipermercados, ...”, pelos seus próprios termos, ao aglutinar informação independente e muito separada no tempo e no próprio “dossier” de licenciamento – alvarás de construção e utilização – não só é demasiado genérica, como também não permite compreender se
“promotor” é o requerente do licenciamento da construção, se é o requerente da licença de utilização, ou se é um qualquer “promotor comercial”.
Ante os dois depoimentos e a natureza equívoca da informação camarária, não só a decisão recorrida é perfeitamente plausível, não nos merecendo qualquer censura, como a pretensão alteratória da apelante se nos afigura infundada.
Em relação aos factos sob os n.ºs 2 a 6, relativos a quem executou a construção, o depoimento da testemunha ... ... revela o conhecimento que era possível a um terceiro, exterior à apelada e ao “grupo”
em que se inseria, atribuindo, inequivocamente, à apelante a qualidade de “dona da obra”, considerando seus empregados o diretor e o encarregado da mesma e imputando-lhe a construção, por si mesma ou
através de terceiros.
Também em relação a esta matéria a “informação” da câmara é equívoca uma vez que o que consta no
“processo” de licenciamento, e mais não pode constar, são os requerimentos nele apresentados e as decisões/deliberações que sobre os mesmos foram proferidas pela mesma câmara, e não quais as entidades que, na realidade, executaram a obra, e só isso mesmo pode ser e é declarado.
E foi esta a correta valoração que o tribunal a quo também fez ao declarar que ““Assim, o tribunal não considera relevante a informação dada pela Câmara Municipal, a fls 2150 e segs, de os alvarás de construção terem sido emitidos em nome do ... ..., porque essa emissão dos alvarás é meramente administrativa e formal e não coincidente com a realidade material relativa a quem efectivamente construiu e era dona da obra”.
Aliás, em face da informalidade do documento, não podemos deixar de realçar ainda que se trata de uma mera “informação”, sem a natureza de documento autêntico, pois, reportando-se a um denominado
“processo” de licenciamento, não tem a natureza de certidão, identificando o certificador, os atos processuais a que se refere, quem os praticou e em que folhas desse “processo”, numeradas e rubricadas, se encontrará a “informação” que presta.
Mais refere a apelante que o depoimento da testemunha ... se encontra em contradição com outros depoimentos, mas não explicita em que consiste e onde se situa essa contradição.
Aduz ainda a apelante “que se encontra provado nos autos, por documentos autênticos (Escrituras Públicas) que a construção dos empreendimentos em causa se encontrava concluída”, mas não lhe assiste qualquer razão.
Com efeito, como dispõe o art.º 371.º, n.º 1, do C. Civil, os documentos autênticos têm força probatória plena mas, como também dispõe o mesmo preceito, esse valor probatório só respeita ao que é praticado e percecionado/presenciado pela autoridade ou oficial público que o redige e não também ao que lhe é dito pelos intervenientes.
Atento este regime probatório legal, o facto de as escrituras públicas de compra e venda se reportarem a frações em vez de se reportarem a lotes urbanos, respetivos licenciamento e construções em curso, não faz prova plena de que as frações estivessem construídas, mas apenas que tal foi declarado pelos intervenientes perante o oficial publico que lavrou as escrituras.
Como da matéria de fato supra consta à saciedade, as frações não estavam construídas, foram construídas por sociedade do “grupo” a que a apelante pertence, o que esta obnubilou da lide, em termos tais que determinaram a sua condenação como litigante de má-fé.
Em relação aos pontos 100.º a 102.º da base instrutória o tribunal a quo fundamentou a sua decisão, dizendo que “Quanto aos pontos 100º, 101º e 102º, baseou-se o tribunal nos depoimentos de Nuno ..., Fernando ..., Ana Paula ..., Hugo ..., Francisco ..., Ricardo ... e ... ..., que confirmaram esses factos”.
A apelante discorda dessa decisão, mas não só não explicita os fundamentos da sua pretensão como, ao admitir, que foi produzida prova testemunhal de que os trabalhos em causa terão sido executados a mando do denominado “grupo Obras...”, a que pertencia, legitima essa mesma decisão, uma vez que perpassa por toda a prova e factos dos autos que era parte desse “grupo”, como acima declaradamente consta sob os fatos 62 e 74.
Improcede, pois, a pretensão da apelante, relativamente à alteração da matéria de fato.
II.Quanto à segunda questão, a saber, se deve proceder a exceção da caducidade uma vez que a apelante se limitou a revender parte das frações é aplicável o disposto nos art.º 913.º e segts., do C. Civil, nomeadamente o prazo de 5 anos previsto no art.º 916.º, tendo caducado o direito invocado pelas autoras pelo decurso desse prazo, pois, a denúncia dos vícios só ocorreu em 25 de novembro de 2009 e a apelante revendeu parte das frações até 25/11/2004 pelo que esses condóminos podiam ter exercido os seus direitos em data anterior àquela em que o fizeram (questão sob a al. b)) e o direito que as AA invocam caducou também porque não propuseram a ação no prazo de 6 meses a contar da denúncia, como impõe o art.º 917.º, do C. Civil (questão sob a al. c)).
A sentença identificou e julgou lapidarmente a exceção ao declarar que “...o início do prazo de cinco anos a que se reporta o art.º 1225º do CC ocorreu em 19/01/2006. Os autores tinham o prazo de cinco anos para denunciarem a existência de defeitos e, fizeram-no por carta registada recebida pela ré em 25/11/2010 (ponto 59º).
Além disso, os autores instauraram a acção em 17/11/2010”.
A apelante pugna por decisão de sinal contrário, estruturando a sua pretensão numa primeira premissa, constituída pela alteração da decisão em matéria de facto, segundo a qual, grosso modo, tinha adquirido as frações já construídas por outrem, continuando-a numa segunda premissa, qual seja, a de que os condomínios estavam constituídos desde 25/05/2004.
Ora, nem uma nem outra dessas premissas encontra apoio na matéria de facto da sentença, na qual consta:
-quanto à primeira, que “73º- A Ré foi a promotora do empreendimento em que se situam os lotes das Autoras. (1º)
74º-O Grupo a que a ré pertence foi o executor da construção do empreendimento. (2º)
75º-E tal construção foi também levada a cabo por terceiros a quem a Ré entregou os trabalhos de construção. (3º)
76º-Aquando das negociações entre o ... ... e a Ré, para a venda dos lotes o empreendimento apenas tinha as fundações construídas. (4º)
77º-Estando a construção ainda em estado embrionário. (5º)
78º-Tendo a Ré assumido a construção dos edifícios no estado em que se encontravam. (6º)”;
-e quanto à segunda, que “a primeira assembleia geral de condóminos do lote 6 teve lugar em 19/01/2006, tendo sido eleita a administração para esse ano (ponto 49º); a primeira assembleia geral de condóminos do lote 7 teve lugar em 20/01/2006, altura em que foi eleita a administração para esse ano (ponto 50º); e a primeira assembleia geral de condóminos dos lotes 5 e 8 teve lugar em 24/03/2008, tendo sido eleita a administração para esse ano (ponto 51º)”.
Falecendo as premissas em que a apelante estrutura a sua pretensão de procedência da exceção de caducidade não pode a conclusão, com base nelas extraída, a exceção da caducidade, deixar de improceder, ela mesma.
Improcede, pois, também esta questão.
III.Quanto à terceira questão, a saber, se não existe fundamento para a condenação da apelante por litigância de má-fé por ter “omitido” quem construiu os edifícios, quando, na realidade, alegou e fez prova desse facto por documentos emitidos, por duas vezes nos autos, por entidade idónea, Câmara Municipal de Lisboa.
Esta é, de fato, a questão que qualifica, pela negativa, o presente litígio.
A condenação da apelante como litigante de má-fé foi pedida pelos AA no seu articulado de réplica, mas a situação fática que a sustenta já está presente na contestação e respeita, grosso modo, à ausência de identificação da sociedade construtora dos edifícios, com a assunção das respetivas responsabilidades, com a disseminação de atos por um “grupo” de sociedades, com a mesma administração e sede no mesmo local (cfr., v. g. n.ºs 61 a 64 da matéria de fato supra), entre elas A apelante.
Como dos autos consta, essa opacidade é extensível ao “processo” de licenciamento camarário, no qual mais não constará que a identificação da primitiva requerente do licenciamento, como parece decorrer da
“informação” camarária a que acima nos referimos (n.ºs 1 a 41, da matéria de fato supra).
A sentença recorrida fundamentou a condenação da apelante nos seguintes termos:
“No caso dos autos, a ré agiu processualmente com uma postura de “omitir” quem construiu os edifícios,
“protegendo-se” sempre na invocação de que se limitou a comprar parte das frações para revenda, negando ter sido ela quem reparou a fachada ou que contratou terceiro para ao fazer, referindo sempre existir um terceiro respon...vel pela construção e pela eliminação dos defeitos que se foi verificando desde
a construção dos edifícios, mas recusando-se sempre a identificá-lo.
Ora veio a provar-se, a final, que a ré foi a promotora do empreendimento (ponto 73º) que o grupo a que a ré pertence foi o executor da construção do empreendimento (74º) e que a construção foi levada a cabo por terceiros a quem a ré entregou os trabalhos de construção (75º), quando a ré entrou em negociações para aquisição dos lotes a construção do empreendimento estava em estado embrionário (76º e 77º), tendo a ré assumido a construção dos edifícios no estado em que se encontravam (78º); além disso, apurou-se ainda que a ré fez os trabalhos de reparação da fachada poente do lote 6.
Além de má fé processual, a actuação da ré é igualmente contrária ao dever de boa fé contratual, previsto no artº 762º nº 2 do CC, que impõe que no cumprimento da obrigação não basta uma mera realização da prestação em termos formais, sendo antes necessário o respeito pelos ditames da boa fé, designadamente de protecção, informação e lealdade. O devedor não pode realizar a prestação em termos tais que, embora respeitando formalmente a vinculação assumida, a sua actuação se mostre inadequada à efectiva satisfação dos interesses do credor, podendo vir a causar-lhe danos.
No caso, mesmo que a ré tivesse sido a mera “revendedora” das fracções, o dever de boa-fé contratual impunha-lhe que protegesse os compradores e os autores, informando-os a quem podiam recorrer para reclamarem a reparação dos defeitos, não lhes sonegando o seu verdadeiro envolvimento na construção dos edifícios.
Consideramos, pois, que a ré agiu de má fé”.
Dispõe o art.º 542.º, n.º 2, al. b), do C. P. Civil que “Diz -se litigante de má -fé quem, com dolo ou negligência grave: b) Tiver alterado a verdade dos factos ou omitido factos relevantes para a decisão da causa”.
Ora, dúvidas não há de que a apelante omitiu fatos que eram do seu conhecimento pessoal, quais sejam, a identidade de quem construiu os edifícios e a sua autoria de atos de reparação, o que fez para se eximir às responsabilidades pela eliminação dos defeitos da obra, adotando uma conduta dolosa, recondutível, pelo menos, à figura jurídica do dolo necessário, tal como definida no art.º 14.º, n.º 2, do C. Penal.
Essa omissão, complementada pela alteração da verdade dos fatos, ao declarar que adquiriu frações já existentes, construídas por outrem, integra o elemento objetivo da litigância de má-fé e é imputável à apelante a título de dolo necessário, pelo que a mesma não podia deixar de ser condenada, como litigante de má-fé, como foi.
Improcede, pois, também esta questão e com ela a apelação.
C)EM CONCLUSÃO (art.º 663.º, n.º 7, do C. P. Civil).
1.Como dispõe o art.º 371.º, n.º 1, do C. Civil, os documentos autênticos têm força probatória plena mas, como também dispõe o mesmo preceito, esse valor probatório só respeita ao que é praticado e percecionado/presenciado pela autoridade ou oficial público que o redige e não também ao que lhe é dito
pelos intervenientes.
2.Atento este regime probatório legal, o facto de determinadas escrituras públicas de compra e venda se reportarem a frações urbanas, em vez de se reportarem a lotes urbanos, respetivos licenciamento e construções em curso, não faz prova plena de que as frações estivessem construídas, mas apenas que tal foi declarado pelos intervenientes pelos intervenientes perante o oficial publico que lavrou as escrituras.
3.A omissão, pela parte, de fatos do seu conhecimento pessoal, como a identidade de quem construiu determinados edifícios, e a sua autoria de atos de reparação desses mesmos edifícios, levada a cabo para se eximir às responsabilidades pela eliminação dos defeitos de construção, constitui uma conduta dolosa, recondutível à figura jurídica do dolo necessário, tal como definida no art.º 14.º, n.º 2, do C. Penal.
4.Essa omissão, complementada pela alteração da verdade dos fatos, ao declarar que adquiriu frações já existentes, construídas por outrem, integra os elementos objetivo e subjetivo da litigância de má-fé, previstos no art.º 542.º, n.º 2, al. b), do C. P. Civil.
3.DECISÃO.
Pelo exposto, acordam os juízes deste Tribunal da Relação em julgar a apelação improcedente, confirmando a sentença recorrida.
Custas pela apelante.
Lisboa, 17 de maio de 2016.
(Orlando Nascimento) (Alziro Cardoso) (Dina Monteiro)
Fonte: http://www.dgsi.pt