2 EM CENA, A PALAVRA DIVÓRCIO
2.3 O DIVÓRCIO ESTIGMATIZADO PELO CATOLICISMO
A história do sacramento do matrimônio existe desde o século XVI nos países da Europa. No período colonial, a Igreja seguia o sistema jurídico do Concílio de Trento e da Constituição Primeira do Arcebispo da Bahia, de 1707, iniciativa de D. Sebastião Monteiro da Vide. Pelo texto das constituições primeiras, cabia à autoridade eclesiástica conceder ou a recusar a realização do matrimônio. Muitas controvérsias surgiram quanto à melhor maneira de regular a união entre pares, cuja proteção veio a ser concebida pelo Estado, estabelecendo o casamento civil para todos os brasileiros e não apenas para os não- católicos. No entanto, o debate mais polêmico, no qual se envolveram escritores e intelectuais, diz respeito à indissolubilidade da união conjugal.
O movimento de D. Sebastião Monteiro da Vide seguia o Concílio de Trento, que, desde 1562, criou regras de como os fiéis e os clérigos, que deveriam condenar quem se desviasse da moral assinalada pela Igreja Católica. Sob tal ordem, o casamento entre católicos fundamentava-se pelos princípios da salvação pela fé e pela confirmação da indissolubilidade do casamento. Ao longo do século XIX, tais decisões do Concílio de Trento proclamavam o matrimônio como um sacramento e tais orientações favoreciam geralmente as classes mais privilegiadas, bem como delimitavam os arranjos entre parentes com o objetivo de preservar os bens das famílias23.
Terminado o Concílio de Trento, em 11 de novembro de 1563, no Brasil Colônia, postas em prática suas diretrizes, entre as quais as que disciplinavam o casamento. Para os católicos, a cerimônia matrimonial
23 Ler: Mona Ayala Saraiva da Silveira. Disponível em:
<www.ufpi.br/19sic/.../Mona%20Ayala%20 Saraiva%20da%20Silveira.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2015.
exigia inicialmente a idade mínima de 14 anos para o noivo e de 12 anos para a noiva. Isto mudou, mas a celebração em que os noivos confirmam o enlace, ainda é realizada pelo pároco. Desde então, o registro feito em livro especial deveria conter: a data do casamento, o nome de cada cônjuge e sua filiação, residência, naturalidade, além dos nomes dos padrinhos, com suas residências e naturalidades mais a assinatura do sacerdote. Casados, os pares deveriam guardar a inseparabilidade.
No Brasil, a Igreja Católica foi titular quase absoluta do direito de ministrar casamentos por muito tempo, uma vez que as decisões do Concílio de Trento continuaram a viger na República. Os representantes conservadores da elite intelectual consideravam a aliança Igreja e Estado condição indispensável para a manutenção da ordem e a promoção do progresso. De acordo com a instituição religiosa o casamento era considerado “O último Sacramento dos sete instituídos por Cristo Nosso Senhor [...] um contrato com vínculo perpétuo, e indissolúvel, pelo qual o homem, e a mulher se entregarão uma ao outro [...] significando a união, que há entre o mesmo Senhor e a sua Igreja” (CIARALLO, 2009, p. 259).
A proposta da indissolubilidade tornada oficial pela Igreja garante o interesse do Cristianismo em limitar o comportamento dos seguidores, entre os quais o abuso dos prazeres sensuais. Para a Igreja o matrimônio funda uma família cristã, na qual a moralidade da mulher em relação à do homem é muito mais vigiada. A cerimônia estabelece à mulher o dever de amar, respeitar e obedecer ao marido e, além disso, concede-lhe a responsabilidade da maternidade, da formação dos filhos na fé cristã e a administração da casa.
Em outras palavras, é a mulher que enfrenta mais dificuldades em razão do conceito do matrimônio vinculado às normas eclesiásticas, conforme Marlene de Fáveri24usa o pensamento do monsenhor Arruda Câmara:
matrimônio vem de mairis munin, ofício da mãe, porque a mulher não casa senão para ser mãe. Se a maternidade só podia ser exercida mediante o sacramento do matrimônio, o divórcio seria o fim da humanidade, com sua tendência ingênua a esterilizar, a instabilizar a família, vai aos poucos destruindo a veneração à mãe, a deferência à
esposa. Fica só a mulher, a mulher brinquedo, a mulher máquina de prazer, a mulher manequim de joias e vestidos (FÁVERI, 2007, p. 342).
É pela condição de mãe, que a mulher deve manter a família, cumprindo os deveres de boa esposa, cedendo “às leis das exigências sociais, calando-se, empedernindo-se, sepultando-se no pélago das conveniências, quando não o mundo, a moral, a família, os filhos, o marido, a apontariam como uma adúltera” (SABINO, 1999, p. 101). A condição feminina sustentada por uma concepção de sociedade rigidamente hierarquizada, em Lutas do coração (1898), de Inês Sabino, segue a Constituição de 1891, numa época marcada pela transição do regime monárquico para o republicano.
O Brasil tornou-se um Estado laico, ou seja, não possuía uma religião oficial. Mesmo após laicizar-se, o Brasil continuou a permitir a interferência do Catolicismo, como a que acontecia na luta pelo divórcio, contra o qual a opinião da Igreja ainda prepondera. O governo permanece condicionado a uma disciplina moralizante de obediência ao sacramento matrimonial, cujo vínculo indissolúvel segue o ritual perpétuo da união entre Deus e a Igreja Católica. Promulgada a Lei sobre o casamento civil, o Estado acata por interesse político a influência da Igreja Católica, como forma de concentração de poderes na figura do marido.
Um dos princípios é o homem continuar com o direito de governar a mulher e os filhos no contexto do lar e no que se refere aos negócios da família. Segundo Michelle Perrot, no registro civil, “Existe o fundamento religioso, mas também existe o laico”, cujos processos são complementares, ainda quando divergem do ponto de vista legal e da fé desenvolvida na história do catolicismo sistemático. De modo similar, um e outro foram ameaças à formação de novos lares, bem como, “ambos constituem uma das ameaças mais fortes às mulheres nos dias que correm” (PERROT, Entrevista, por Laura Greenhalgh).
No confronto entre o Estado laico e o clero, este obteve uma vitória. Conseguiu impor, influenciando nas lutas sociais do país, ao tipo de união estável recém-instituída sua atitude conservadora, que sempre propugnou pela concentração de poderes nas mãos do marido. Continuar o homem, no contexto do lar, com o direito de governar a mulher e os filhos, bem como os negócios da família pode ser interpretado como um arranjo conveniente para o Estado. O casamento é determinado pelo interesse na concentração da propriedade privada,
sobre o qual os juristas romanos construíram a base da lei matrimonial fundada na indissolubilidade.
Por se tratar de uma medida que interferia na tradição e nos dogmas católicos, a a sociedade precisava negociar com a religião oficial – a católica, apostólica, romana – que só reconhecia legítimo celebrado na Igreja, e, para todos os efeitos, indissolúvel, porque é um sacramento. São Paulo já no século I o chamava de Sacramentum magnum (Ef. 5,28-32) e, como tal foi tratado nos evangelhos do cristianismo, por representar a união de Cristo com a Igreja, que é indissolúvel, conforme registra O Paiz (Anexo 1).
O autoritarismo católico foi sendo questionado e, como sintetiza Durval Gomes Viana,
o divórcio foi sendo assimilado pelos diferentes ordenamentos jurídicos nos séculos XIX e XX. Na França foi implantado em 1792 e ratificado pelo Código Napoleônico em 1804. Foi extinto do ordenamento francês em 1816 para ser restabelecido em 1884. Na Alemanha, a esparsa e complexa legislação que disciplina o divórcio, apesar da antiguidade do instituto no país, só veio a ser completamente redefinida em 1976, a partir de alterações sobre a Lei Matrimonial de 1946. Na Inglaterra já havia a possibilidade do divórcio desde 1857 pelo matrimonial act. Portugal começou a admitir o divórcio a partir de 1910. No México o divórcio é regulado desde 1928. Na Itália, somente em 1970 divórcio foi implantado. Tardiamente e comprovando a força da Igreja Católica nos países da América do Sul, o divórcio foi implantado na Argentina em 1987 e no Chile somente em 2004. Hoje, apesar da reprovação da Igreja Católica 25 o divórcio está plenamente implantado em todos os países cristãos católicos, mas não foi sem enfrentar uma tenaz oposição por parte da Igreja Católica que se consagrou o divórcio nestes países. A influência exercida pela Igreja Católica fez com que o repúdio ao divórcio ficasse arraigado no espírito da população, por se tratar de um modo de ruptura do dogma da indissolubilidade do matrimônio (VIANA, 2008, p. 12-13).
Nos países ibero-americanos como o Brasil, em que a Igreja interfere e compactua com os movimentos de resistência ao casamento civil, a introdução do divórcio exigiu lutas entre os divorcistas e os seus opositores, que precisaram rever a atuação marcante e dominadora do Direito Canônico. Ainda que os articulistas brasileiros, do século XIX e do século XX, advogassem um código que abrisse “a possibilidade dos cônjuges encontrarem novos relacionamentos familiares” (COSTA, 1987, p. 481), seus argumentos resultam dos confrontos entre diferentes maneiras de pensar o casamento, em suas épocas.
Contudo, tida por muitos como o melhor remédio para as feridas familiares e por outros como o grande câncer da sociedade, a lei brasileira do divórcio chegou. Remédio ou doença, Andradina de Oliveira, em 1912, com a metáfora presente no título indagador O divórcio?, esteticamente alude às divergências e incertezas da lei, que deveria libertar os cônjuges dos laços estáveis do matrimônio.
Anterior à escritora Andradina de Oliveira, o divórcio já era alvo de discussão crítica e os que se colocassem a seu favor eram acusados de fazerem uma escolha escandalosa. A revista A Mensageira, publicada em São Paulo entre 1897 e 1900, advoga a educação moral da mulher e cumpridora de seus deveres domésticos, entre estes, os maternais. De certo modo, divulga muito mais o espírito da mulher “inteligente senhora, esposa, mãe exemplar, a melhor e natural iniciadora no limiar da vida, – a mãe!”, conforme palavras da “srª D. Julia Lopes d’Almeida”. Embora, A Mensageira imprima que, entre os embaraços criados pelo homem, encontra-se o de não conferir à mulher a entrada nas atividades da vida civil o “que a coloca em lugar inferior no casamento” (A MENSAGEIRA, 1987, v. II, p. 98)25. E prossegue em suas páginas, com uma tímida abordagem do divórcio.
A restrição ao vocábulo divórcio remonta à antiguidade ocidental, por exemplo, os hebreus26, para tratar da ação lícita de separação, curiosamente, a palavra empregada era “repúdio”. O ato era conduzido especificamente pelo homem, em caso de adultério e de esterilidade da mulher durante dez anos, a qual vivia subordinada a ele. Adriana Kivanski de Senna acrescenta que o repúdio acontecia por
25A revista literária A Mensageira circulou entre 1897 e 1900, na cidade de São
Paulo, e foi reeditada em livro, em edição fac-similar, em 1987, em dois volumes.
26Ver: História das Mulheres em vídeo. Disponível em:
“inobservância do dever conjugal, ausência prolongada e enfermidade contagiosa” (SENNA, 2006, p. 53).
Entre os povos antigos, incluindo os romanos, o repúdio27, em caso de adultério por parte da mulher, dava ao esposo o direito de manifestar-se contra o prolongamento do matrimônio, instituição em que ele permanecia o senhor absoluto. Sobre o uso da nomenclatura “repúdio” as leituras da bíblia trazem uma pluralidade de justificativas, algumas fundadas na culpa, considerando, por exemplo, o adultério como crime. Assim, a ocorrência da dissolução do vínculo decidia-se pela condenação do cônjuge como culpado. Na homilia de São Mateus, em “Quem se divorciar de sua mulher, salvo em caso de prostituição, e se casar com outra, comete adultério”, a exceção sugere a dissolubilidade do matrimônio. Como Adriana Kivanski de Senna (2006) nota, no restante do texto, a ruptura do casamento fica atrelada ao adultério, uma conduta desonrosa. A influência do Catolicismo na sociedade e nas diversas sociedades católicas associou o divórcio ao adultério de qualquer dos cônjuges; os maus-tratos morais, as injúrias graves e o abandono do lar.
No livro Ao esvoaçar da ideia, de 1910, Carmen Dolores, na crônica “Conversando...”, analisa o divórcio à luz da Bíblia nos dias de São Paulo. Ela pauta sua opinião acerca da dissolução conjugal nas condições daquele momento. Para tanto, a escritora defende a legalização do divórcio, buscando, em fatos bíblicos, repelir a indissolubilidade do casamento, reportando-se a Alexandre Dumas Filho, autor de Família e divórcio, de 188028, o qual travou campanhas políticas, como pela instituição do divórcio. A autora, com base em Dumas Filho, mostra que o divórcio vem do tempo-espaço da Bíblia, onde São Paulo, apóstolo e escritor do cristianismo primitivo, aconselhava o matrimônio como necessário. No entanto, declarou “que,
27“A palavra grega para repúdio é apoluse, do radical apoluo e a palavra grega
para divórcio é apostasion: que quer dizer ‘Carta (conta paga) de divórcio’, que dava liberdade para a mulher voltar à casa de seus pais (Lv ). Apoluo significa deixar de lado, abandonar, tomar outra atitude deixando de lado a primeira sem negociação, repudiar. O repúdio é também o tempo e estado entre a separação e o ato de receber a carta de divórcio”. Disponível em:
<https://atacadogospel.wordpress.com/.../divorcio-ou-repudio-o-que-falou...>. 28La Question du divorce, éditeur Calmann Lévy, 1880, 417 pages: Réfutation
de Famille et Divorce de l’Abbé Vidieu (édit. E. Dentu, 1879). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Dumas,_ filho>. Acesso em: 26 abr. 2016.
se o infiel (em matéria de fé) se tem de separar, separe-se, porque, nesse caso, nem o irmão nem a irmã estão mais unidos”. A crônica mencionada remete, ainda, à dama romana que foi Fabíola, do IV século, cujas virtudes são apregoadas por todos os ecos das sacristias e instituições religiosas. Divorciada do marido por adultério, uniu-se a outro esposo. Interessante atentar para o fato de que Fabíola foi absolvida por São Paulo e São Jerônimo, este hostil ao divórcio, que desculpa a moça, “em razão da sua grande mocidade e também porque antes casar do que pecar” (DOLORES, www.biblio.com.br/conteudo/CarmenDoloresX/moldura.asp?l...m=7).
Efetivamente, o valor do consentimento do clero naquele contexto e no de Carmen Dolores se equivalem. Embora o catolicismo não dominasse na segunda metade do século XIX, pois fora substituído pelo Estado, por questões relacionadas à propriedade, o temor gerado pela fé movia as pessoas no sentido de respeitar a interferência do clero que, desde o Concílio de Trento, por volta de 1562, criou regras de como seus fiéis e os clérigos deveriam perceber as relações conjugais e a família. Como se disse, a Igreja condenava, antes, e permanece condenando até os dias atuais qualquer desvio da norma católica. Mas, para manter os fiéis ligados a ela, se permite alterar cláusulas de acordo com a evolução dos valores e anseios da sociedade (CORTÊS, 2012, p. 265). Exemplificando, o papa Francisco, na terça-feira de 8 de setembro de 2015, a fim de facilitar os procedimentos de anulação do matrimônio, encaminha uma carta papal favorecendo os mais pobres. Seu objetivo é tornar o processo mais simples, rápido e gratuito. A resolução causou divergências, especialmente entre membros do clero conservador, que entendem a nulidade do matrimônio eclesiástico como um divórcio católico dissimulado29, encoberto pelo processo de anulação. O Vaticano reconhece a nulidade do casamento, a qual se caracteriza pela ausência do sacramento, o que permite aos ex-cônjuges casar novamente no religioso. Trata-se de uma contraditoriedade, uma vez que é simplificado o procedimento: de anulação matrimonial. A Igreja aceita novo enlace, mas rejeita o divórcio por entender o segundo casamento civil como uma infidelidade ao primeiro cônjuge.
De certo modo, a carta afirma a indissolubilidade do matrimônio, garantindo a continuidade do acordo regulador do pátrio poder instituído nas Constituições Primeiras de Arcebispado da Bahia de 1707. Entretanto, há uma alteração significativa, anunciada pelo Papa: ao
29Disponível em: <zh.clicrbs.com.br/.../papa-simplifica-o-procedimento-de-
assumir e manter uma política de benefícios à população mais carente, são apontadas desigualdades. A fórmula atualiza os princípios da Constituição Brasileira de 1824, que deliberou, no artigo 179, XVIII, fosse elaborado um Código Civil fundado nas sólidas bases da justiça e da equidade. Mais tarde, os princípios da Constituição Brasileira de 1891, inspirados nos ideais da Revolução Francesa, evocam os mesmos valores de igualdade, liberdade e fraternidade. Contudo, no período republicano, os valores indicados não foram ampliados a todos os cidadãos brasileiros, pois os casamentos e os processos de separação tinham altos custos, sendo um privilégio das classes mais favorecidas.
Apesar das boas intenções de “justiça e equidade” da Constituição Brasileira de 1824, no Código Civil elaborado posteriormente “as mulheres não foram incluídas” (CORTÊS, 2012, p. 261). Contemplou-se, nesta Constituição, o direito ao divórcio, mas se olvidou a conquista da liberdade para renovar outros votos matrimoniais.
Desse modo, no Brasil recém-republicano, cenário das escritoras citadas e respectivas obras, vigoram, de um lado, as regras do Catolicismo – centrado na vida e nos ensinamentos de Jesus – e, do outro, a mesma cultura patriarcal dominante no Brasil-Colônia. Em ambos os períodos históricos o casamento sempre seguiu o rito católico e reconheceu a competência do juízo eclesiástico, acima da justiça comum.
Nas áreas coloniais o casamento teve papel fundamental. No Brasil foi um instrumento de aquietação da população e de preservação da estrutura social portuguesa, assim como de implantação dos princípios cristãos entre os colonos. Apesar de sua normalização estar presente em muitos documentos oficiais como veremos adiante, como não pertencia explicitamente ao campo do político ou econômico, não consistiu, portanto, em campo de saber valorizado pela historiografia mais tradicionalista (PIMENTEL, 2005, p. 20).
O atraso na modificação do código civil, no Brasil, deve-se historicamente às imposições políticas estabelecidas pelo pátrio poder, que se manteve comodamente fundado numa concepção medieval, controlada pela Igreja. Ainda que, em face da família e do casamento, se assumisse a questão da igualdade dos cônjuges na sociedade
matrimonial dos anos oitocentos, o divórcio, na construção histórica, é concebido como símbolo da desagregação conjugal e familiar (FERREIRA, 1993, p. 32). Em Maria de Fátima da Cunha de Moura Ferreira, à lei do divórcio corresponde “ao culminar de um processo de degradação moral e familiar”, associada ao adultério e à poligamia, como também à desvalorização da mulher (FERREIRA, 1993, p. 34). Acontece então um processo consciente de insatisfação da mulher quanto ao conservadorismo, o que inevitavelmente provoca o desequilíbrio familiar. Vem daí uma maneira de perceber as rígidas opções disponíveis no âmbito doméstico e as – possivelmente – mais libertadoras para além desse espaço confinado.