TEMA DO TRABALHO
5.3.1 O docente e as Perspectivas Gerais do processo de ensino
A utilização de práticas de ensino que já realizava indica um grau de experiências adquiridas envolvendo o ensino de História com as tecnologias digitais. A novidade, no caso, foi a intensidade das ações, a presença constante de equipamentos e de softwares à disposição dos discentes e os registros efetuados tanto pelo professor quanto pelos discentes. A partir dessas novidades foram analisadas as Perspectivas Gerais do processo das três pesquisas, tendo por base os registros do professor. Essas perspectivas gerais foram agrupadas em categorias para melhor compreendê-las e, assim, nomeadas: o papel do professor; a aula de História, as tecnologias digitais; e os “nós cegos”.
O PAPEL DO PROFESSOR:
- O professor e seus desejos: Ao longo dos meus escritos, há a apresentação dos desejos que eu esperava dos estudantes. Uma dessas expectativas está na crença de uma pesquisa diferenciada daquelas praticadas, pelos estudantes, com o livro didático. Eu gostaria que os discentes expandissem os conteúdos de pesquisa, inserindo e explorando materiais de variadas linguagens, além de contar com a conexão entre as pesquisas. Havia a vontade de ver os discentes saindo de uma passividade e assumindo uma postura de busca por informações e conhecimento. A procura por diversas fontes, as discussões geradas pelos discentes e as
postagens compartilhadas são comportamentos que, na minha compreensão, os estudantes deveriam fazer para cumprir os objetivos traçados.
- O professor orientador: As minhas anotações apontaram para um papel de orientador. Ao longo das atividades discentes, eu estava disponível em sala de aula, estimulando os estudantes a buscar soluções para os problemas estabelecidos na pesquisa. Eu, como um orientador, pensava em garantir a máxima ação discente em sala de aula. Esse auxílio é colocado nas explicações dadas à estudante que queria aula mais expositiva, sendo assim escrito: “Expliquei para a aluna sobre as aulas em que eles (estudantes) tinham que construir suas trajetórias com mais autonomia e que estava ali para auxiliá-la.”
- O professor e a sua prática: Na segunda fase das pesquisas, em minhas anotações, fiz alguns questionamentos. Várias dúvidas remetiam à minha prática docente e aos métodos escolhidos para a realização das pesquisas. Foram elas: Será que com a pressão dos exames de vestibulares se aproximando e a tensão dos conteúdos não permitem um trabalho mais autônomo por parte dos alunos? Os alunos foram mal acostumados a trabalhar com as TDICs? Os trabalhos rápidos e não tão assíduos com as TDICs podem deixar essa impressão de aprendizados superficiais ou mais específicos e de forma temerosa? Para os estudantes da 3ª série do Ensino Médio, o trabalho com as TDICs deve ser diferente? Se eu organizasse uma série de pesquisas utilizando livros didáticos, as falas da minha aluna também seriam realizadas? Interessei-me, nesses questionamentos, por pensar em minhas práticas, buscando
orientações para as situações que surgiram. Questões metodológicas poderiam ser revistas para que novas pesquisas, com abordagens diferenciadas, resultassem em sequências futuras melhores.
A AULA DE HISTÓRIA
- Questões e Conceitos: O ensino de História, para mim, deve fazer uso de referências conceituais. Em minhas solicitações de pesquisa, nas três fases desse processo, há a menção da seleção dos conceitos, para a sua significação e discussão futura. As ligações de conceitos entre os trabalhos também foram solicitadas.
- O formato das aulas: Compreendo que o formato de aula proposto traria aprendizados aos estudantes. O objetivo dessas aulas determinaria o estudo da História com o protagonismo discente, preparando-o para um aprender de forma autônoma. Os discentes organizariam materiais a partir dos resultados das pesquisas, sendo estes realizados a partir da colaboração e do compartilhamento, elementos presentes nas minhas anotações. As conexões entre os estudantes foi um fator importante pensado para estas aulas, assim como as parcerias e os compartilhamentos, aumentando o aprendizado dos jovens.
- O conteúdo de História: Há pouca referência sobre os aspectos históricos da pesquisa. São citadas questões mais ligadas ao material, como a construção de uma linha de tempo, materiais entregues, o uso de conceitos, do que as discussões estabelecidas pelos discentes com o professor. Há registros mostrando que “os conceitos e episódios históricos eram sabidos”. No segundo trabalho, preocupo-me com uma narrativa discente capaz de abarcar vários setores da sociedade brasileira. Em meus escritos sobre a Abordagem Histórica, gostaria que os estudantes não se aprofundassem em ações de natureza amorosa de Dom Pedro I, mas que suas pesquisas olhassem, além das questões mais tradicionais, realidades sociais afetadas pelas ações política e econômica do governante. Consegui perceber uma dinâmica discente buscando, nos arquivos acessados, informações em sites e em artigos científicos específicos.
AS TECNOLOGIAS DIGITAIS
- As TD e as possibilidades geradas: O docente percebe, nas tecnologias digitais, maiores possibilidades de organização dos trabalhos de pesquisa pelos discentes. As variedades, não só de layouts, mas de linguagens e de comunicação entre os grupos, poderiam trazer criações originais, com uma série de elementos históricos envolvidos. O docente ficou entusiasmado com a objetividade de um grupo de estudantes, na Pesquisa 1, ao organizar o site e vincular todos os trabalhos da turma 301 nele. O professor aponta que as aulas com as tecnologias digitais deixavam os jovens entretidos, e que algumas experiências extras, usando a colaboração, mesmo que em um pequeno grupo, conseguiram agradar aos jovens e facilitar seus aprendizados. As dificuldades no uso podem aparecer com alguns discentes menos
familiarizados com as tecnologias digitais, mas os próprios colegas organizam-se para ajudá-los.
- Problemas tecnológicos: São citados, pelo docente, momentos de falhas nos Chromebooks e
na rede, o que atrapalhou o desenvolvimento dos trabalhos.
OS “NÓS CEGOS”
- Distrações e negligências: Os trabalhos desenvolveram-se, segundo o docente, com muitas conversas improdutivas, que atrapalhavam a aula. As conversas devem existir, desde que apresentem contribuições, neste caso, para aprender História, na sala de aula. Outras anotações indicam a falta de interesse de alguns discentes com relação ao trabalho desenvolvido em sala de aula. O professor percebe que a falta de Chromebooks para todos é um fator que contribuiu para que os estudantes não desenvolvessem as atividades como deveriam.
- Pesquisas históricas: Uma das grandes preocupações do professor com as pesquisas dos estudantes foi a falta de interação entre os seus textos. As anotações revelam não só a percepção da falta de comunicação dos grupos, como a insistência nos avisos para que tais ações ocorressem.
- Aulas expositivas: O questionamento da aluna em querer o retorno das aulas expositivas foi ressaltado nas anotações docentes. Esta não estava satisfeita com as pesquisas propostas, mas gostaria de ouvir o professor, para aprender sobre os conteúdos de História que interessavam para os vestibulares. As aulas expositivas foram utilizadas, segundo os relatos do professor, em três situações diferentes: a primeira, de acordo as combinações realizadas, para ampliar as discussões dos trabalhos discentes e aprofundar os conteúdos; a segunda, em uma outra escala, como penalidade à turma, a partir de um fato de discordância (e desrespeito) por parte de uma estudante; e a terceira, devido à falta de interesse dos discentes, que levou ao encerramento das atividades e ao início das explicações orais.