A Preponderância das
C. Desenvolvimento da Pessoa nas dimensões antropológica, pedagógica, axiológica e religiosa
1. O EA no desenvolvimento integral do aluno
C. Desenvolvimento da Pessoa nas dimensões antropológica, pedagógica, axiológica e religiosa
Segundo o Ideário e Projeto Educativo do Colégio, no seguimento de Ana Maria Javouhey, as Irmãs de S. José de Cluny, herdeiras de um património tão rico e extraordinário, alicerçam a ação educativa na dimensão: Ontológica, que visa o desenvolvimento das potencialidades de caráter transcendente e humano nos alunos, pelo saber ser, saber fazer e saber estar; Axiológica, na qual os alunos são orientados para a vivência dos valores de transcendência e humanidade que dignificam a pessoa e lhe conferem autoridade moral, tais como: a verdade e justiça, autonomia, liberdade e responsabilidade, audácia e persistência, criatividade e participação, solidariedade e fraternidade, autoestima, respeito pelos outros e amor gratuito; Noológica, onde é visada uma educação para a excelência do saber, investindo na aquisição de competências que tornem o educando flexível e atuante, capaz de responder aos desafios da modernidade, bem como conduzir o aluno a uma apropriação sedimentada do conhecimento integrado numa compreensão espiritual.
1. O EA no desenvolvimento integral do aluno
O desenvolvimento integral do aluno é e sempre foi uma premissa do Colégio, missão enraizada na vontade expressa da fundadora da congregação de São José de Cluny, que considerava como prioridade uma educação plena, como forma de realização de todas as potencialidades, contribuindo para a promoção da pessoa e da sua dignidade. O Ensino Artístico contribui nesta nobre missão, possível de concretizar porque é uma “forma privilegiada de educação para a cidadania, na qual se integram e articulam experiências de aprendizagem diversificadas, (...)” (PGF, 2015, p.19) e porque “proporciona um ambiente que favorece quer o desenvolvimento afectivo quer o cognitivo.” (id. ibid., p.19).
O aluno que frequenta o EA na Escola Católica, no âmbito do Projeto Educativo que integra e que aceitou de livre vontade, deve “capacitar-se de que tem de ser dom e serviço ao outro, (...) Cultivar as relações de afabilidade, amizade, gratuidade e
entreajuda, (...) Consciencializar-se do dever moral de partilhar saberes e competências (IPE, 2015, p.12). Contribuindo para enriquecer o meio e a comunidade em que vive, usufruindo das condições proporcionadas para o seu “desenvolvimento físico, intelectual, emocional, moral, religioso, cultural e cívico, (...)” (id. ibid., p.64).
Pelo Ensino Artístico o Colégio também procura desenvolver a dimensão do amor, verdade, liberdade, justiça e paz. Nas suas concretizações o aluno deverá assumir a responsabilidade dos seus atos, “autodeterminar-se de forma consciente e livre pelos valores humanos e cristãos, (...) solidarizar-se com os grupos menos favorecidos, colaborando na sua humanização,” e “abrir o coração e a mente ao respeito profundo pelas diferenças étnicas, culturais, artísticas e religiosas de cada povo.” (IPE, 2015, p.12). A missão é grande e nobre sendo da “responsabilidade de todos os membros da Comunidade Educativa o desenvolvimento de uma cultura de cidadania capaz de fomentar os valores da pessoa humana, da democracia e do exercício responsável da liberdade individual.” (id. ibid., p.21).
1.1 Concretizações e multidisciplinariedade
As atividades promovidas no âmbito da EA têm forte pendor na concretização de visitas de estudo, entendidas como aulas exteriores, com programas educativos específicos e direcionados a temáticas de estudo, porque estas são uma oportunidade privilegiada no sentido de criar condições de aprendizagem que permitem estimular aptidões, criar e desenvolver atitudes, proporcionar a aquisição de múltiplos conhecimentos, contribuindo assim para a formação integral do aluno. As propostas contemplam a execução de atividades preparatórias, privilegiando a interdisciplinaridade, no sentido de promover e estimular no aluno o gosto pelo conhecimento, pré-requisito fundamental para a melhor fruição possível.
A formação humana integral envolve necessariamente a arte e esta desempenha um papel fundamental para a formação da personalidade. Esta missão está bem presente pela Educação Artística que se exerce e nas intensões dos professores das vertentes artísticas:
A preparação dos alunos é, sobretudo no teatro, uma preparação multidisciplinar, neste âmbito integra-se nesta ideia do desenvolvimento integral da pessoa. Os alunos
são convidados e incentivados a desenvolver a sua cultura geral e a mobilizar competências de várias ordens, quer a nível da leitura da compreensão e interpretação do texto dramático quer depois, na preparação das ditas componentes físicas do trabalho de ator; movimento, colocação da voz, verbalização das emoções, interiorização e interação de todas as emoções que os atores têm que desenvolver, (...) (EPT)
A professora de Artes Visuais salienta também que a pedagogia de proximidade favorece esta formação, refere que por via da atenção ao outro, pelo carinho e amor que se coloca nas tarefas diárias, a construção vai se realizando e o aluno vai crescendo nas múltiplas dimensões:
Sempre na aula do dia-a-dia, no carinho e amor que colocamos no trabalho e no apoio aos alunos, nas suas dificuldades, (...). Sempre com reforços positivos, transmitindo confiança para atingirem os seus objetivos, ajudamos introduzindo técnicas de diferenciação, procuramos estratégias para eles alcançarem os objetivos. (EPAV)
A importância que o EA assume na consecução desse objetivo é genericamente identificada pelos Encarregados de Educação entrevistados:
“É uma componente fundamental no saber integral da pessoa, (...) Tem por isso um papel absolutamente central no PE do Colégio. (EE1)
Reconhece-se a função primária que o EA tem na Pedagogia Cluny, radicada nas ideias de Ana Maria Javouhey:
“É um papel de extrema importância até porque está radicado nos ideias da Madre Fundadora, que dava especial importância ao ensino das artes manuais. (...) Talvez a partir dai, se tenha construído um projeto muito articulado com a dimensão artística, vista como uma fonte de desenvolvimento integral dos alunos.” (EE2) E a importância do EA nos domínios cognitivo e sócio-afectivo dos alunos: “A Educação pela arte é fundamental para o desenvolvimento a todos os níveis, quer do raciocino, quer ao nível do saber ser e estar, (...) (EE3) A opinião de um Encarregado de Educação mostra algum ceticismo e alerta para a necessidade de se fazer mais:
“Sem dúvida que pode contribuir, mas devem melhorar ainda mais.” (EE5)
2. Contributo do EA para os valores Cristãos
A EA procura contribuir na dinâmica de sentimentos e de pensamentos que se estabelecem entre Deus e os homens e portanto contributo para os valores Cristãos. Deus revela-se pela beleza da arte, na função e no significado assumido por cada objeto. Revela-se em cada manifestação artística, no dom que foi conferido a cada aluno. Constitui uma manifestação do amor e de caridade que aproxima inevitavelmente os homens de Deus.
A Arte na Igreja vive sobre a forma de aliança, manifesta-se pela dimensão simbólica que transporta, presente no Colégio nas várias vertentes. Reinventa-se constantemente, procura acompanhar as novas formas e linguagens de expressão estética no anuncio do Evangelho e numa sensibilidade a tudo o que se revele portador de beleza (Pacheco, 2012).
No Ideário e Projeto Educativo a missiva é clara: procura a “Interligação e o comprometimento entre a cultura humana e a mensagem cristã, apresentando caminhos de crescimento global para a pessoa nas dimensões, pessoal, social, religiosa, artística e académica, (...)” (IPE, 2015, p.4), à imagem da fundadora, “A visão educativa recebe o seu cunho da personalidade forte da fundadora, sempre fiel, criativa e religiosa, (...) (id. ibid., p7), onde a educação integral, “(...) Inspira-se na conceção cristã do homem, da vida e do mundo, (...) e possibilita ao aluno orientar-se pelos valores de solidariedade, do respeito, da liberdade, da autonomia, da responsabilidade, da cidadania e da ecologia. (id. ibid., p.21).
A Diretora Geral quando questionada sobre o contributo das vertentes artísticas para a Educação para os Valores Cristãos, foi perentória quanto a essa intensão:
“O artista é um criador, (...) A vertente artística forma a pessoa na interioridade e na capacidade de descobrir em si coisas diferentes daquelas que jamais teria conhecimento se não fosse formado nessa vertente. Dá-lhe a noção mais clara, da grandíssima dignidade que o habita e da presença de Deus em si.” (EDG)
Os professores das Vertentes Artísticas, quando confrontados com essa questão, têm uma visão unânime relativamente ao contributo que a EA pode dar e da