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O ECOTURISMO E A IMPORTÂNCIA DO CONTRASTE

O Ecoturismo e a importância do contraste

Cheguei hoje à Chapada Diamantina, na intenção de passar alguns meses na região. O primeiro destino, Ibicoara, a cidade mais ao Sul que faz fronteira com o Parque Nacional. Venho acompanhado de Marina, com quem divido uma grande parte de minha vida desde há mais de dois anos. Pensamos em passar por algumas cidades antes de decidir onde fixar residência nos próximos meses. Daqui pretendemos ir à Mucugê, Guiné, ao Pati, ao Capão e depois à Lençóis e Andaraí. (...) Ao chegar à Ibicoara me dirigi a uma de suas 3 associações de condutores para me informar como deveria proceder para conhecer a Cachoeira do Buracão. Me informaram que a cachoeira localizava-se dentro de um Parque Municipal, o qual só pode ser acessado pelo turista acompanhado de um guia e mediante o pagamento de uma taxa. Me juntei a um grupo de mais três pessoas e tomamos uma estrada, com o carro destes turistas, acompanhados de um guia. Ibicoara é uma cidade que vem sendo bastante visitada nos últimos anos por conta da cachoeira do Buracão, tida por muita gente como a cachoeira mais imponente da região. O turismo por aqui parece ser feito para aqueles que possuem um automóvel ou para aqueles que contratam um pacote com uma agência em outra cidade, principalmente Lençóis: é quase impossível acessar os pontos visitados pelos turistas sem um veículo próprio e encontrar algum serviço de transporte na cidade é tarefa bastante árdua; some-se a isto o fato de que as linhas de ônibus que acessam a cidade só fazem o percurso uma vez na semana (...). Após pagar a taxa o grupo com que me associara pegou uma trilha bastante pisada e caminhou por menos de uma hora até chegar à descida que dá acesso ao Buracão. No meio do caminho as paradas eram para fotos e para os três rapazes que nos acompanhavam descansarem da trilha que, segundo eles, era árdua – tiravam as fotos e diziam que iriam mostrar à sua gente como era penosa a aventura em que se meteram. (...) No Buracão, cerca de 100 turistas faziam fila para chegarem até a queda d`água e poderem tirar a tão esperada fotografia do momento que deve ter durado em média cerca de um minuto para cada um. Todos tinham de se apressar para que aqueles que esperavam sua vez pudessem também passar pela mesma experiência (...). Foi a primeira vez que fui a um `atrativo` - é assim que os espaços privilegiados pelos turistas são chamados - na Chapada Diamantina que pertencia a um Parque e tinha portaria e regras muito claras de acesso e conduta: era proibido transitar sem guia, sair dos caminhos demarcados, fumar e desnudar-se (...) De volta ao centro de Ibicoara, um cartaz da secretaria de turismo da cidade dizia algo como: promover o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável é a nossa missão. Após dormir uma noite na cidade tomei o mesmo ônibus com que chegara na região para dirigir-me à cidade de Mucugê. (...)

(Registro de Campo, Ibicoara, 23/02/2016)

Ao longo da primeira metade deste capítulo procurarei explorar algumas questões mais gerais relativas ao ecoturismo, apresentando alguns elementos de sua historicidade e algumas considerações a respeito de sua relação com os

Parques Nacionais e com o movimento do desenvolvimento sustentável de que o cartaz da Secretaria de Turismo de Ibicoara falava.

Na segunda metade do capítulo nos dedicaremos à apresentação de algumas questões relativas à experiência ecoturística no Vale do Pati, tecendo considerações a respeito da importância do contraste para esta experiência, encarada por uma boa parte das pessoas enquanto uma jornada de auto- superação e de auto-descoberta.

Ecoturismo, desenvolvimento sustentável e a economia experiencial

Era fim de tarde quando chegamos à Mucugê. A cidade possui uma arquitetura colonial imponente e relativamente bem restaurada, diferente de todas as outras em que estive na região. Me parece também que Mucugê é a cidade mais `elitizada` de todas aquelas por que passei até hoje. Restaurantes e pousadas extremamente chiques habitam o centro histórico da cidade. O público alvo também é distinto daquele que pude ver em outros cantos dessa Chapada: parece ter uma idade um pouco mais avançada e constituir-se de casais e famílias de uma classe média mais abonada do país. Não me lembro de haver cruzado com nem um estrangeiro sequer nos 3 dias em que estive pela cidade. (...) Chegamos e procuramos um camping: sem êxito pois não havia nenhum tipo de negócio como este em toda a cidade, fato que me surpreendeu bastante. Nos informaram que poderíamos acampar em uma praça próxima ao centro, mas como carregávamos nossa mudança, preferimos por hospedar-nos em uma pousada mais popular em cima da `rodoviária` da cidade. (...) Na segunda noite que passei em Mucugê, fiquei dando voltas por suas ruas de paralelepípedo e, em determinado momento, decidi entrar em uma agência de turismo e conversar com o senhor que nela se encontrava. Marcos, neto de coronel, com cerca de 50 anos de idade falava pelos cotovelos contando histórias de sua família – das mais importantes da história da cidade, segundo ele – e de suas aventuras pelo setor turístico de Mucugê ao longo das últimas décadas. Dentre as mil e uma histórias contadas por ele, descrevo aquela que me parece mais interessante para os caminhos desta pesquisa que pretendo desenvolver: era a história de um amigo seu, Carlos - médico natural de Mucugê -, que voltando de uma viagem à Santiago de Compostela, o mais visitado circuito de caminhada do mundo, localizado na Espanha, perguntou-lhe que diabos seria o Vale do Pati, lugar de que a gente não parava de falar ao longo de sua peregrinação. Marcos conta que riu feito o diabo do colega e disse que o Pati ficava ali na esquina, era parte do município de Mucugê. (...) Toda a vez que Marcos contava uma história que passava pelo Vale do Pati, ele encerrava-a com um bordão que não me saiu da memória: A gente passa a vida toda fugindo da gente mesmo. No Pati não tem jeito, o cabra tem de se encarar. O Pati é um lugar que nos convida, quer a gente queira quer não, a conhecer a gente mesmo. Lá não tem para onde fugir ...

(Registro de Campo, Mucugê, 25/02/2016)

O turismo configura-se enquanto uma das três mais importantes indústrias do mundo em termos de geração de divisas, sendo apontado por alguns

pesquisadores, como Urry e Larsen (2011), enquanto a mais importante atividade econômica da contemporaneidade.

Estimativas do World Travel and Tourism Council71 (WTTC, 2015) apontam para o fato de que o turismo seja responsável por cerca de 10% do total de volume de negócios mundiais, gerando cerca de 300 milhões de postos de emprego formais.

Desde os anos 1980, vem se observando uma tendência de diminuição do crescimento do turismo de massas e a popularização de outras modalidades de turismo, dentre elas o ecoturismo.

O ecoturismo vem se difundindo em uma velocidade cada vez mais acelerada, tendo crescido, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), mais de 20% no ano de 2015, quatro vezes mais do que o setor turístico em geral (UNWTO, 2015).

A OMT, que constitui-se enquanto uma agência vinculada à ONU, defende em sua página oficial que o ecoturismo e “as áreas de natureza protegida possuem uma ligação forte, visto que o turismo pode contribuir para os propósitos de conservação.” (UNWTO, s/d). Tendo isso em mente, a organização vem, desde 2012, encabeçando uma campanha de promoção do ecoturismo pelo mundo, defendendo seu potencial para colaborar com a conservação ambiental e com a erradicação da pobreza.

Penso que esta campanha evidencie aquilo que Comaroff e Comaroff (2001) denominam como a tendência messiânica do capitalismo milenial - a faceta salvífica do sistema que, acredita-se, uma vez incorporado por todos, pode levar o mundo à erradicação da pobreza e a melhora da qualidade de vida da população em geral.

Ao longo dos capítulos anteriores deste trabalho, quando nos referimos ao deslocamento passageiro de pessoas aos PNs, utilizamos a expressão (eco) turismo. Esta escolha de grafar o termo utilizando os parênteses se deu pela

71 Informação disponível no relatório anual de 2015 a respeito do impacto econômico do setor

turístico na economia mundial produzido em uma parceria entre a Universidade de Oxford e o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, WTTC - uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido.

percepção de que o termo ecoturismo fora cunhado apenas nos anos 1980 e de que, portanto, falar de ecoturismo para um momento anterior àquele em que o termo fora inventado ofereceria ao leitor uma visão relativamente descontextualizada da prática sobre a qual pretendemos nos debruçar com mais atenção ao longo deste capítulo.

Atribui-se ao arquiteto mexicano Hector Ceballos-Lascurain a criação do conceito ecoturismo, o qual era caracterizado por ele enquanto o ato de:

(...) viajar para áreas naturais relativamente intocadas e não contaminadas com o objetivo específico de se realizar estudos, admirar e aproveitar a paisagem e seus animais e plantas selvagens, bem como qualquer manifestação cultural (passada ou presente) que se pode encontrar nestas áreas. (Ceballos-Lascurain, 1987, p. 14).72

Noto uma influência direta do ideário da wilderness apresentado no capítulo anterior na definição do conceito proposta por Lascurain e nos elementos que são mobilizados pelas pessoas quando falam de sua prática ecoturística. Basta recorrer à citação de William Cronon (1996), apresentada na página 101, para perceber que os elementos que Cronon apresenta enquanto seu problema com a wilderness aparecem na caracterização de ecoturismo proposta pelo arquiteto e ambientalista mexicano.

Segundo Ceballos-Lascurain (1987), o termo fora cunhado por ele no ano de 1983 dois anos depois de participar da criação da ONG PRONATURA73 do

México, a qual teve um importante papel nos debates a respeito da reavaliação do modelo Mexicano de conservação e também vem realizando uma série de consultorias para outros estados nacionais. Lascurain também foi o responsável pela criação da primeira agência de ecoturismo do México.

O arquiteto conta que cunhou o termo no calor dos debates a respeito da criação de marinas no estuário de Celestun, localizado no Noroeste da península de Yucatán. Turistas, em sua maioria vindos dos EUA, vinham se deslocado com

72 Do original: “(…) travelling to relatively undisturbed or uncontaminated natural areas with the

specific objective of studying, admiring, and enjoying the scenery and its wild plants and animals, as well as any existing cultural manifestations (both past and present) found in these areas.”

73 A PRONATURA México é uma ONG criada no México em 1981 que atua na preservação da

uma boa intensidade para a região o poder público começou a planejar intervenções para a construção de obras de infraestrutura para receber estes visitantes, fato que ameaçava o habitat dos flamingos que lá viviam.

Lascurain e a PRONATURA colocaram-se contrários a esta intervenção, alegando que ela prejudicaria o ecossistema da região e traria grandes prejuízos à população local, que teria de ser reassentada. Passaram então a defender a permanência da população local como possibilidade de, ao mesmo tempo, impulsionar a economia local e preservar a ecologia da região.

O arquiteto também desenvolveu uma carreira na UICN, tendo sido responsável, dentre outras coisas, pela organização do IV Congresso Mundial

de Parques Nacionais, no ano de 1992. Foi a partir deste congresso que a

associação passou a defender oficialmente a ideia de que as populações locais poderiam contribuir para a preservação ambiental e ainda beneficiarem-se economicamente da presença do turismo em áreas de Parques, colocando-se oficialmente contrária à demoção dos grupos humanos residentes na áreas de PNs.

Desde que o termo ecoturismo fora criado, uma serie de autores, pesquisadores, agencias nacionais e internacionais vem propondo uma série de caracterizações a ele (BALLANTYNE; PACKER, 2013; HIGHAM, 2007) todas parecem trazer consigo a ideia central de Lascurain de se tratar de um deslocamento passageiro a áreas de natureza relativamente bem preservadas e onde os e as turistas poderiam conviver com as manifestações culturais nelas encontradas, gerando benefícios tanto para a economia local, quanto para a preservação ambiental.

Não pretendo, aqui, apresentar uma definição fechada daquilo que entendo ou entende-se por ecoturismo, nem mesmo discorrer a respeito das divergências entre diversos autores a respeito do que seria ou não ecoturismo e se ele contribuiria ou não para a preservação ambiental e para a erradicação da pobreza74.

74 Existe um longo e caloroso debate acadêmico a respeito dos impactos do estabelecimento da

indústria do ecoturismo ao redor do mundo. Os autores parecem concordar com fato de que, a despeito das promessas de contribuição da prática para a preservação ambiental, seus impactos

Desde que cheguei à região da Chapada Diamantina, deixei um pouco de lado este ímpeto de querer encontrar uma definição estrita do que seria o ecoturismo e de determinar quais seriam seus contornos específicos na região e passei a encara-lo enquanto uma das coisas (HENARE et al, 2007) que as pessoas que se deslocam até a Chapada Diamantina procuram vivenciar.

Questionando as pessoas que circulam pela Chapada Diamantina a respeito do que entendem por ecoturismo, as respostas são sempre muito particulares. Elas, contudo, possuem como traço bastante recorrente a ideia de se tratar de uma modalidade de turismo realizada em ambientes mais naturais, aproveitando-se de estruturas mais rústicas e produzindo um menor impacto ambiental do que aquele causado por aquilo que se costuma chamar de turismo convencional e que os autores costumam chamar de turismo de massas. Raramente as pessoas colocam a questão do benefício econômico e do empoderamento que a prática pode proporcionar às populações locais como característica marcante do ecoturismo.

Ao ler uma das entrevistas realizadas por Senilde Guanaes (2002) como substrato para sua dissertação de mestrado, me deparei com uma visão de Roy Funch, biólogo estadunidense apresentado nas páginas que compõe o primeiro capítulo deste trabalho, que se aproxima bastante da maneira como procuro enxergar o ecoturismo e suas particularidades regionais na Chapada Diamantina:

Ecoturismo, obviamente não é um conceito fixo, ecoturismo é uma palavra como democracia, é uma palavra que depende do que você quiser, pode servir para uma coisa pode servir para outra (...) parece que ecoturismo para a maioria das pessoas é o mesmo turismo do homem novo você vai num lugar bonito e faz turismo lá, talvez é o turismo no sentido mais puro, seria turismo com pouca infra estrutura, mais a pé, menos carro, menos desenvolvimento nos pontos turísticos; (...) ecoturismo deve ser mais como andar na serra, sei lá. (...) Então o ecoturismo é o ecoturismo, fica difícil impedir um empresariozinho lá embaixo ligar o som dele a toda altura, a noite toda, tirando o sono da metade da cidade, não sei como se vai nem para onde vai essa discussão, não sei dizer se isso é ou não é ecoturismo. (Roy Funch, 2001, apud. Guanaes, 2002, p. 169 – 170).

são difíceis de medir e bastante sentidos nas localidades que adaptaram-se para recebe-la A este respeito o leitor poderá consultar os trabalhos de Ballantyne e Packer (2013), de James Higham (2007) e de Rosaleen Duffy (2002), por exemplo.

Além de dar conta de apresentar a multiplicidade de caracterizações possíveis para o termo, a fala de Roy Funch nos permite perceber o ecoturismo tanto enquanto uma prática, quanto como enquanto aquilo que chamaria de um vetor de desenvolvimento e que Duffy (2002) de estratégia de desenvolvimento econômico.

Funch, que vive há mais de três décadas em uma cidade que viu sua economia florescer novamente por conta dessa prática e que, tal como pudemos perceber ao longo do primeiro capitulo deste trabalho, muito contribuiu para o desenvolvimento do setor turístico de Lençóis e da região da Chapada Diamantina, parece perceber o ecoturismo enquanto uma atividade econômica que traz consigo uma série de novas maneiras de se habitar a paisagem da Chapada, algumas delas inconvenientes, como o caso do empresário descrito na fala apresentada acima.

Desde que passou a fazer parte de nosso mundo, o ecoturismo vem crescendo em uma velocidade galopante e chegando a cada vez mais lugares. Segundo pude observar, a partir do contato com a literatura sobre a prática (DUFFY, 2002, p. ex) sua crescente difusão pelo mundo teria uma relação estreita com, pelo menos, duas tendências do capitalismo da virada do século XX para o XXI: a popularização do discurso sobre a sustentabilidade (MARTINS, 2011) e a economia experiencial (PINE; GILMORE, 1999).

A popularização dos discursos sobre a sustentabilidade foi um fenômeno que ganhou expressividade internacional desde pelo menos o final dos anos 1970. Nesta época, os debates a respeito da escassez dos recursos naturais – surgidos em um momento de crise do sistema capitalista (GUIMARÃES, 1995) - mobilizaram a formação e a popularização de movimentos sociais em defesa da ecologia e a realização de conferências internacionais organizadas pela ONU (LIMA, 2003).

Na década seguinte, este movimento ganhou força com os trabalhos do economista Ignacy Sachs (1986), que acreditava que o momento de crise pelo qual o sistema capitalista vinha passando deveria ser encarado enquanto um sinal para a necessidade de reavaliação da noção de desenvolvimento econômico dominante.

A alternativa, segundo o economista, seria a de a humanidade voltar-se para aquilo que chamou de ecodesenvolvimento, o desenvolvimento econômico voltado à solução das desigualdades entre os povos promovidas pelo capitalismo até então, orientado para um uso dos recursos que tivesse como preocupação central as necessidades das gerações futuras.

As ideias de Sachs seriam apropriadas pela comissão especial Nosso

Futuro Comum, criada pela assembleia geral da ONU no ano de 1983, que tratou

de retirar de sua pauta alguns conteúdos emancipadores do discurso de Sachs (LIMA, 2003), cunhando a noção de desenvolvimento sustentável, um modelo de desenvolvimento que atendesse às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas.

O desenvolvimento sustentável tornou-se, então, um dos corolários do sistema capitalista neoliberal e foi responsável por conferir um grande fôlego a este, unindo os quatro cantos do globo em torno de um objetivo comum e constituindo-se enquanto um dos elementos propulsores do movimento de globalização (LUCHIARI, 1998).

Desde a publicação dos trabalhos da referida Comissão, o discurso do desenvolvimento sustentável foi sendo incorporado pouco a pouco às políticas econômicas nacionais e transnacionais (ibidem). Atualmente, passados quase 30 anos da publicação do relatório Nosso Futuro Comum, resultado dos trabalhos da comissão especial da ONU, podemos perceber a força e a vitalidade que este processo teve no desenvolvimento do sistema capitalista e na vida daqueles que dele fazemos parte, tal como o cartaz da secretaria de turismo da prefeitura de Ibicoara apresentado na página 129 pode nos sugerir.

A partir de então, “a responsabilidade ambiental pass[ou], gradativamente, a ser encarada como uma necessidade de sobrevivência, constituindo um mercado promissor” (MAIMON, 1994, p. 121) que fez surgir em nosso mundo uma série de ecoprodutos75, dentre eles o ecoturismo.

75 Dália Maimon (1994) define os ecoprodutos como produtos environmental friendly, que

A demanda crescente pelo Ecoturismo, acreditam uma série de outros autores (GOSSLING; HUTMAN, 2006; DUFFY, 2002), estaria também intimamente relacionada com o advento da economia experiencial, chamada por alguns de a quarta fase da economia global76 (SUNDBO, 2013).

O surgimento dessa faceta da economia capitalista provocou uma série de efeitos na indústria do Turismo. Segundo Urry e Larsen (2011), a partir dos anos 1980, a oferta e a demanda dos produtos ou experiências turísticas passaram por uma segmentação, levando a uma diminuição da importância dos destinos mais consagrados até então e o desenvolvimento do setor em cada vez mais localidades do planeta.

Podemos definir a economia experiencial enquanto uma modalidade de negócios em que a experiência do consumidor constitui-se enquanto o valor primordial. Por ser tratada, também, de uma fase de desenvolvimento do sistema capitalista, podemos compreender a economia experiencial enquanto um momento histórico a partir do qual esta modalidade de negócios tornou-se característica expressiva da economia global.

A partir dela, tem-se a valorização da ideia de que o consumo de determinados produtos levaria ao consumidor a oportunidade de vivências individualizadas e singulares e que poderiam provocar, naqueles que a consomem, possibilidades de transformações e aprendizagens (PINE; GILMORE, 1999).

A experiência de deslocamento temporário para áreas remotas do mundo em busca de vivências únicas parece ser prática que vem fazendo parte de