3 Revisão da Literatura
3.4 O Efeito de Pesquisa e Desenvolvimento no
De acordo com Araújo e Teixeira (2003) os principais benefícios que um país tem ao participar do comércio internacional é o acesso ao conhecimento internacional. Nesse contexto, o comércio exterior é um dos canais para a disseminação tecnológica. Com a absorção de conhecimento tecnológico, os países subdesenvolvidos podem atingir a fronteira tecnológica. Baseado na concepção acima, eles afirmam que a difusão e absorção do progresso técnico estão sujeitas a diferenças econômicas estruturais para economias desenvolvidas e em desenvolvimento.
No entendimento dos autores destes, numa estrutura de um setor, a única barreira para a difusão de tecnologia dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento é o custo de reprodução e adaptação, que são mais baratos que os gastos com P&D.
Teixeira e Rocha (2003), a respeito da vantagem comparativa [apud Pasinetti (1981,
pp.263-6)] chamaram o "princípio geral da vantagem comparativa de mudança de produtividade". O fato de aprender uma técnica é o principal canal de absorver os efeitos dinâmicos do progresso técnico do exterior.
A importação de tecnologia requer um estágio de desenvolvimento relativo, o qual inclui base e infra estrutura industrial.
Importação de tecnologia pode acontecer de várias maneiras: i) através de licença de patentes; ii) através de contratos de transferência de tecnologia; e iii) através da criação de joint-ventures com companhias que possuem tecnologia-específica.
Assim, ciência e tecnologia (C&T), surge como uma força complementar e acelerativa do setor produtivo.
O processo de desenvolvimento de inovação está vinculado com o conceito de inovação teorizado e adotado em economias centrais. Isto reflete o poder da competição tecnológica mundial, permitindo a criação de bens e serviços os quais estão na fronteira tecnológica, determinando alto lucro e acumulação de capital que será reinvestido em C&T, criando-se um circulo virtuoso.
Ao abordar o conceito de “aprender fazendo” Teixeira e Rocha busca o trabalho de
Arrow, Wan (1971) - "A presença do fenômeno de aprender fazendo possibilita investimento
para influenciar a produção de três maneiras: fornece insumo capital; incorpora avanços tecnológicos anteriores; estimula o processo de inovação."
Tecnologia da Informação e Comunicação - TIC é representada em outros bens de capital que não são TIC, como por exemplo, semicondutores são peças de linha de produção. TIC representa um papel de insumo intermediário na produção de bens de capital, conforme a abordagem de Colecchia e Schreyer (2002).
No intuito de entender se a aceleração da produtividade é devida a TIC e qual a explicação do crescimento da produção nos setores que a utilizam, verifica-se que TIC explica
alguma ou todas as acelarações medidas em TFP-total factor productivity. Basu et al (2003)
dizem que o principal papel da GPT (General Purpose Technology) é propiciar mudanças
fundamentais no processo produtivo. A disponibilidade de capital barato via TIC é capaz de realizar grandes mudanças no processo produtivo apenas se a empresa consegue obter insumos extremamente produtivos. Assim, computadores de baixo custo e equipamentos de telecomunicações estimulam um crescimento contínuo de uma série de invenções complementares nas indústrias que utilizam TIC, modificando a curva de demanda para Capital de TIC, e dessa forma, inovações na produção de TIC podem ter efeito substancial de longo prazo.
Para Blanchard (2004) grande parte do progresso tecnológico alcançado pelas economias modernas é conseqüência de um processo rotineiro: o resultado das atividades de P&D das empresas.
As empresas gastam com P&D pela mesma razão por que compram novas máquinas ou constroem novas fábricas: para elevar os lucros.
O segundo determinante do nível de P&D e do progresso tecnológico é o grau de apropriabilidade dos resultados da pesquisa. O equilíbrio de uma lei de patentes é difícil pois, proteção insuficiente levará a pouca P&D, proteção em excesso dificultará que a nova P&D seja
construída sobre os resultados da P&D passada, podendo também levar a pouca P&D. Esse dilema é conhecido como ‘inconsistência temporal’.
Aurea & Galvão (1998) afirmam que a partir do pós-Guerra, a expansão da P&D realizada dentro das grandes corporações, por equipes de pesquisadores com sólida formação acadêmica, tornou mais claras as vinculações que se foram estabelecendo entre a pesquisa básica e aplicada, de cunho científico, e a geração de inovações. Cada vez mais as grandes inovações surgem das próprias empresas e de seus centros de P&D, e não de inventores isolados.
Meliciani (2002) explora o efeito da especialização tecnológica no crescimento econômico dentro de um modelo de crescimento de restrição de balanço de pagamentos. A razão para o perfil tecnológico dos países afetar sua perfomance nos mercados doméstico e internacional envolve ambos os mecanismos, do lado da oferta e do lado da demanda.
Países com baixa elasticidade renda de importação e alta elasticidade renda de exportação podem beneficiar-se mais de um aumento na demanda internacional e podem experimentar altas taxas de crescimento, que são consistentes com o equilíbrio em conta corrente do balanço de pagamentos.
A contribuição do trabalho de Meliciani (2002) é estender o modelo desenvolvido por
Fagerberg4 levando em consideração o papel das diferenças entre os países com especialização
tecnológica.
O artigo estima um modelo de crescimento limitado do balanço de pagamentos, numa amostra de 18 países da OECD, para o período de 1963-95. Os resultados sustentam a hipótese que inovação e uma especialização técnica favorável tem um impacto positivo no crescimento econômico via balanço de pagamentos.
4
Apud do texto original de Meliciani p.104, (2002).
Neste tópico foi abordada a influência da pesquisa e desenvolvimento no progresso tecnológico, sendo conseqüência de investimentos efetuados pelas empresas, que estão sempre almejando elevar seus lucros. A seguir será apresentado um relato do progresso tecnológico no crescimento econômico brasileiro.