NEUROCIÊNCIA E A APRENDIZAGEM MATEMÁTICA
3. O ENSINO-APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA E A NEUROCIÊNCIAS
Como abordamos acima, a matemática é uma ciência elementar em toda a existência humana, mesmo o indivíduo não escolarizado, faz uso no seu cotidiano de elementos cabíveis à matemática, seja uma situação com apresentação numérica, uma questão ou problema de cálculo complexo, ou no raciocínio simples do cotidiano como pagar a passagem de ônibus, realizar uma compra, receber o troco, etc.
Sabe-se, que historicamente muitos alunos não conseguem assimilar o conteúdo da matemática, que se sentem “incompetentes” para a absorção da matéria, e alguns são levados a passar de série/ano, como se aprovados tivessem, para que metas estabelecidas pela unidade escolar, sejam atingidas. Todavia, o discente embora tenha sido ‘aprovado’, continua sem o aprendizado do conteúdo necessário e que poderá até ser pré-requisito para outros assuntos mais completos.
No que tange à criança, no mundo contemporâneo, assegura-se que desde a mais tenra idade, a matemática pode ser introduzida de forma gradual no seu repertório de aprendizagem e comportamental, à medida que assimila alguns conteúdos. Diz-se que a apresentação da referida ciência é realizada paulatinamente, porque leva-se em consideração o estágio do desenvolvimento infantil, ou seja, as informações não devem ser como uma enxurrada conteudista, nem de natureza muito complexa, pelo contrário, devem ser repassadas à criança, conforme a compatibilidade de sua maturação, de seu desenvolvimento intelectual, observando-se inclusive os princípios da neurociência. Em contrapartida existe clara evidência de que o cérebro é plástico o suficiente para que sejam justificados esforços de instrução e intervenção permanentes e sistemáticas para alunos que enfrentam dificuldades persistentes no que se refere ao aprendizado da matemática.
Com relação à docência, Cosenza & Guerra (2011), asseguram que o educador pode se beneficiar dos conhecimentos neurocientíficos, planejando suas práticas pedagógicas no desenvolvimento de atividades que fortaleçam os circuitos neuronais, permitindo a exploração das potencialidades destes de forma criativa e autônoma. É nesse momento que o conhecimento científico aliado à educação, interferem de maneira positiva e eficaz nos processos de ensino e aprendizagem.
Para Brousseau (2008), à adaptação dos alunos a diferentes situações permite verificar que é inerente ao ser humano a adequação de aprendizagem, ou seja, o mesmo ensino, apesar de único chega de maneira diferente para cada indivíduo. Por isso, é de suma importância que as atividades em sala de aula sejam bem planejadas e busquem na maioria serem realizadas em grupo, para que o aluno verifique os diversos pontos de vista e maneiras que a resolução de uma certa atividade pode ter.
A tarefa de lidar com números exige uma capacidade de abstração, requer uma desenvoltura, e fazer esta abstração ocorrer não é um papel tão fácil. Segundo Dieudonné (1968):
[...] a Matemática tem dividido com a Metafísica o caráter de ser um campo de abstrações, longe da realidade e experiências concretas, o que torna muitas pessoas “obstinadamente rebeldes a todo pensamento abstrato, por isso retrocedem diante do menor raciocínio matemático”.
(DIEUDONNÉ, 1968, p. 42).
Nogueira (2017), traduz literalmente as ideias de Piaget et al. (1968), onde o docente precisa ter o conhecimento de que o lado emocional e psicológico do aprendiz
deverá ser observado antes mesmo do ensino ser recebido, ou seja, é analisar as características psicológicas de cada fase de aprendizagem do ser humano:
[...] Precisamos conhecer o aluno e ter ideia do que fazemos para ensiná-lo
antes de abordar os refinamentos técnicos. Por esta razão, o capítulo psicológico é o primeiro e o pedagógico é o último. Entre a forma e a possibilidade de fazer, condicionadas pelo professor e o aluno está matéria, que é a substância do diálogo. (Piaget et al (1968) apud Nogueira (2017).
Neste sentido defendemos o processo de ensino-aprendizagem como um processo dinâmico, de relacionamento, de interação entre professor e aluno, em uma comunicação constante que dê conta de se enfrentar as dificuldades. Nessa interação constata-se, que não podemos deixar de levar em consideração o estado emocional, a cultura, a comunidade, todos esses elementos têm implicações no comportamento de crianças e adolescentes, e contribuem de maneira positiva ou negativa no aprendizado, uma vez que o problema da Matemática também é cultural. Inclusive pode se notar o quanto ainda é insuficiente o incentivo dado pelas famílias brasileiras em geral, à criança e aos adolescentes até mesmo no que se refere à educação financeira, à economia e a outros assuntos e situações que envolvem a matemática, assuntos que o acompanharão por toda a sua vida adulta.
4.CONCLUSÃO
Assim neste trabalho refletimos sobre a importância do ensino-aprendizagem da matemática com o suporte da neurociência. Demos ênfase a ideias e conteúdos com o objetivo de encorajar o docente em sua prática de ensino junto ao aluno que apresenta dificuldade de aprendizado matemático, bem como em sua missão de desenrolar o imbróglio que o ensino da matemática vem sofrendo durante décadas; por outro lado, fomentamos com isso, o resgate da aula de matemática mais atrativa, onde o aluno tenha uma experiência instigante, seja incentivado em sua autonomia para a busca de mais conhecimento sobre o assunto ministrado em sala de aula, e sua aplicabilidade no cotidiano.
Compreendemos que em se tratando de docência, não há uma forma única, nem um único modelo de educação a ser seguido, todavia, a vontade, o comprometimento, o conhecimento da disciplina e a empatia são fatores preponderantes em uma formação
educacional, seja ela para o público infantil, adolescente ou adulto. Finalmente, para preenchimento das variadas lacunas no processo ensino-aprendizagem, entendemos que, a prática educacional pode ser muito mais exitosa quando está de mãos atreladas, à neurociência.
REFERÊNCIAS
BROUSSEAU, Guy. Introdução ao Estudo das Situações Didáticas: Conteúdos e métodos de ensino. São Paulo: Ática, 2008. 128p.
COSENZA, Ramon; GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende.
Porto Alegre: Artmed. 2011.
MALLOY-DINIZ, Leandro Fernandes; JARDIM DE PAULA, Jonas; SEDO, Manuel A;
FUENTES, Daniel. Neuropsicologia das Funções Executivas e da atenção. In book:
Neuropsicologia: Teoria e Prática 2ed. pp.115-138. Edition: 2 Chapter: Artmed. 2014.