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A ocupação da zona rural por migrantes do Centro-Sul é uma característica convergente entre municípios.

Hoje, há três grandes grupos de produtores na região: (1) os pecuaristas, detentores da maior parcela de terra; (2) os denominados colonos, produtores que se

estabeleceram a partir da compra dos lotes colocados à venda pelas

empresas colonizadoras e, (3) o grupo dos assentados rurais, tanto aqueles que foram assentados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), quanto aqueles

ocupantes de assentamentos oriundos de ocupações ilegais.

27 Estão também contabilizadas as áreas dos assentamentos de N União, Ouro Verde, Conselvan, Perseverança e Pacutinga.

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Pecuaristas

Embora minoritários em relação aos outros grupos de proprietários, os pecuaristas, como de resto em boa parte do país, são os principais detentores de terra na região.

Inicialmente, o grupo adquiriu terras diretamente da colonizadora e alguns têm ampliado sua área original com a compra de áreas dos primeiros colonos e assentados. A prática repete um processo clássico na Amazônia, no qual aqueles com menor custo de oportunidade chegam antes, sofrendo as piores condições e vendendo suas

glebas no momento em que a

infraestrutura (estradas etc.) está um pouco melhor. O mesmo processo é reproduzido mais adiante.

Por promover essa lógica de deslocamento, os pecuaristas são considerados como os responsáveis pela extensão do desmatamento. Em 1999, no município de Castanheira, o grupo de produtores foi o principal responsável pela alta taxa de desmatamento observado (63% do território) (Pozo, 2003).

Detentores de propriedades com área média de 100 ha, os primeiros

ocupantes da região, em geral, seguiram e continuam seguindo o processo tradicional de ocupação descrito no início deste tópico. Nas suas glebas predominam as áreas com pastagens, culturas agrícolas

permanentes e temporárias, e poucos fragmentos florestais. Em Juruena, a taxa média de desmatamento nessas glebas está em torno de 40% (Vivan 2009). De acordo com o autor, podem

ser observadas muitas nascentes e margens de córregos desflorestadas, assim como os corpos d'água

assoreados. Dada a dificuldade para a comercialização de seus produtos, a grande maioria vende a sua força de trabalho em atividades de derrubada, roçada ou outros serviços rurais. Uma parte deles abandonou suas glebas e foi morar na cidade para trabalhar nas empresas madeireiras, trabalhando em suas áreas apenas nos fins de semana. Também em decorrência da

dificuldade de comercialização e diante do exemplo dos "bens sucedidos", a maioria dos colonos vem

transformando a antiga área de cultura em pastagens, buscando com isso a tão sonhada autossuficiência através do lote de terra.

Esse objetivo dificilmente é alcançado em função da pouca disponibilidade de área para pasto, da falta de capital, da inexperiência no manejo do gado e da degradação das pastagens (Pozo, 2002). Entre as culturas perenes, muitos têm apostado no café como alternativa. Contudo, a dependência de atravessadores locais, tem sido um desalento para os produtores.

Existe uma grande expectativa sobre outros produtos que possam ter bom desempenho comercial, mas algumas tentativas realizadas pelas prefeituras esbarram na dificuldade de agregação de valor, assistência técnica e

comercialização.

Os assentados formam outro grupo expressivo nos municípios do BRA/ 00/G31, embora sua origem seja mais recente. Os assentamentos rurais do Noroeste de Mato Grosso datam da segunda metade da década de 1990 e, do ponto de vista social, é o público que mais se beneficiaria com projetos que pudessem alavancar recursos para oferecer suporte a formas sustentáveis de produção e que pudessem gerar renda maior por

hectare. Em geral, possuem um lote de 50 ha e, por lei, devem manter 80% da área como reserva. Sobram, assim, apenas 10 ha para sua sobrevivência, quantidade de terra claramente

insuficiente, dependendo do sistema de uso adotado.

Assim como os outros atores rurais da região, os assentados desenvolvem o

Assentados

mesmo sistema extensivo de uso da

terra com monocultivos e, mais ainda do que os colonos, dependem, com raras exceções, da venda de sua mão de obra para sua estabilidade social. Durante muitos anos as agências financeiras e os programas de crédito da reforma agrária estimularam o desmatamento em assentamentos da Amazônia, com a liberação de crédito para formação de pastagens e para criação de gado bovino de corte. O entendimento das agências era de que a pecuária de corte seria a única atividade, que em curto prazo, possibilitaria o retorno do investimento.

Pela ausência de programas

governamentais que incentivassem uma mudança de atitude, nenhum dos 540 assentamentos de Mato Grosso possui atualmente Licença Ambiental Única (LAU) aprovada. Nessa condição,

uma medida provisória do Banco Central impediu a liberação de crédito financeiro para famílias que residem em assentamentos sem Reserva Legal e sem a LAU aprovada pelos órgãos ambientais estaduais.

Apenas recentemente algumas

políticas e programas governamentais tentam reverter essa situação

oferecendo recursos para a

recuperação de áreas degradadas com o uso de SAFs, mas ainda em caráter piloto, em uma escala muito pequena para o tamanho do problema a ser enfrentado.

Buscando apoiar essa lógica, o Projeto preparou em 2006 toda a

documentação do Assentamento Vale do Amanhecer (14.200 ha de área

total, com 7.100 ha de Área de Reserva Legal averbada), para aprovação da Licença Ambiental Única desta área pela Sema-MT. O processo ainda encontra-se em análise pelos técnicos do governo do estado e vem sofrendo alterações à medida em que as

normativas de licenciamento ambiental têm sido reformuladas.

Acredita-se que o novo Código Florestal, em discussão na Câmara Federal e no Senado, possa trazer avanços na busca de soluções para esse problema.

O interesse de outros setores

econômicos, porém, pode atrapalhar e dificultar ainda mais a questão,

causando aumento das taxas de desmatamento nas áreas de assentamentos.

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