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O estado da arte ou estado do conhecimento

CAPÍTULO II. METODOLOGIA DA PESQUISA

2.1 O estado da arte ou estado do conhecimento

Pretendemos utilizar nesta pesquisa uma abordagem qualitativa que privilegiará os estudos do tipo Estado da Arte ou Estado do Conhecimento, por se tratar de um instrumento que busca a compreensão do conhecimento sobre determinado período de tempo, e, conseqüentemente, sua sistematização e análise.

A construção da trajetória das pesquisas do tipo “Estado da Arte” ou “Estado do Conhecimento”, tanto no Brasil como em outros países, ganhou espaço no meio acadêmico, em parceria com organismos governamentais.

O “Estado da Arte” é um tipo de pesquisa bastante recente no Brasil. Cronologicamente, pode ser contextualizado a partir da década de 1980, quando passaram a ser realizadas várias pesquisas financiadas pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) sobre diferentes temas, na área da educação. Destacam-se as pesquisas sobre Evasão e Repetência no Ensino de 1º Grau no Brasil e Pesquisas sobre a Profissionalização do Ensino de 2º Grau no Brasil –

1971-1982, os estudos sobre a Avaliação da Educação Básica, no período de 1990 a 1998, coordenados por Elba Siqueira de Sá Barreto e Regina Pahim Pinto (2001). Merecem destaque também as pesquisas apoiadas pela Rede Latino-Americana de Informação e Documentação em Educação (Reduc), abrangendo Educação e Trabalho, Livro Didático, Alfabetização e Ensino Supletivo.

Segundo Ferreira (2006), essas pesquisas, definidas como de caráter bibliográfico, parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica em diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e dimensões vêm sendo destacados e privilegiados em diferentes épocas e lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas dissertações de mestrado, teses publicações em periódicos e comunicações em anais de congressos e de seminários. Também são reconhecidas por realizarem uma metodologia de caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar, à luz de categorias e facetas que se caracterizam como tais em cada trabalho e no conjunto deles, sob os quais o fenômeno passa a ser analisado.

Podemos afirmar conforme Sá Barreto e Pahim Pinto (2001), André (2002) e Haddad (2002), que o Estado da Arte ou Estado do Conhecimento procura compreender o conhecimento elaborado, acumulado, e sistematizado sobre determinado tema, num período temporal que, além de resgatar, condensa a produção acadêmica numa área de conhecimento específico.

O estado da arte caracteriza-se como um levantamento bibliográfico, sistemático, analítico e crítico da produção acadêmica sobre o tema escolhido, a partir de categorias que irão subsidiar a análise crítica dessa produção.

Barreto (2001, p.05) justifica a relevância da organização dessas fontes:

Com os avanços da Informática, a seleção de fontes tem podido contar com os bancos de dados existentes, cuja sistematização regular de informações possibilita maior abrangência do levantamento; se, de um lado, eles ampliam o universo contemplado, de outro, armazenam os dados de forma resumida, o que deve ser levado em conta ao se utilizar tais fontes, pois nem sempre os resumos disponibilizam as informações básicas necessárias para análise. O ideal, nesses casos, seria o exame dos textos originais, ainda que se admita a dificuldade de acesso a eles. Quando não se dispõe de banco de dados, o próprio processo de elaboração dos estados do conhecimento tem levado à organização desses bancos.

A organização de pesquisas realizadas em âmbito nacional e a extensão do espaço geográfico dificultam o acesso a esses dados em tempo real. O volume cada vez maior de informações sobre determinado conhecimento e a necessidade de divulgá-lo para a sociedade fazem da opção metodológica Estado da Arte ou Estado do Conhecimento, para organizar os dados coletados, um dos incentivadores da pesquisa que:

sustentados e movidos pelo desafio de conhecer o já construído e produzido para depois buscar o que ainda não foi feito, de dedicar cada vez mais atenção a um número considerável de pesquisas realizadas de difícil acesso, de dar conta de determinado saber que se avoluma cada vez mais rapidamente e de divulgá-lo para a sociedade, todos esses pesquisadores trazem em comum a opção metodológica, por se constituírem pesquisas de levantamento e de avaliação do conhecimento sobre determinado tema (FERREIRA, 2002,p.259).

De acordo com Serrano (2003) a pesquisa bibliográfica é uma parte da pesquisa científica que nos permite aprofundar no conteúdo bibliográfico (revisão bibliográfica) e deve ser considerada, um dos primeiros momentos da pesquisa científica. Tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno.

Sobre o mesmo tema, afirma Oliveira (1999) que a pesquisa bibliográfica ainda segundo o autor não deve ser confundida com a pesquisa de documentos, pois o levantamento bibliográfico é mais amplo do que a pesquisa documental, embora possa ser realizado simultaneamente. A pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno.

Segundo Andrade Marconi (2000), a pesquisa bibliográfica propicia a análise de um assunto escrito sob novo enfoque ou abordagem, permitindo chegar a novas conclusões.

A metodologia utilizada para coletar as informações nesta pesquisa caracteriza-se como Estado da Arte ou Estado do Conhecimento enquanto levantamento e análise das concepções sobre avaliação da aprendizagem produzidas nas dissertações de Mestrado e teses de doutoramento do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCSP, da UNICAMP e da USP no período de 2000 a 2007.

É importante considerar que, para a realização da análise da produção do conhecimento sobre Avaliação da Aprendizagem, é necessário que se definam objetivos, critérios e categorias. Para Soares (1989) a análise dessas pesquisas, bem como de outros do mesmo tipo presentes na literatura estrangeira, evidencia que, embora se definam basicamente como levantamento e avaliação da produção a respeito de determinado tema, a natureza do levantamento e os critérios de avaliação dependem das características do objeto de estudo e dos objetivos que, a partir delas, a pesquisa se propõe atingir.

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