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CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5. O ICMS no Simples Nacional

2.5.1. O Estado do Rio de Janeiro

Como citado anteriormente e de acordo com o artigo 18 da Lei Complementar nº 123/06, o valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte que seja optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI da lei sobre a receita bruta auferida no mês.

Com previsão legal embasada no mesmo artigo, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios no âmbito de suas competências e nas formas definidas pelo Comitê Gestor, poderão estabelecer valores fixos mensais para o recolhimento do ICMS e também conceder isenção ou redução do mesmo imposto.

No Estado do Rio de Janeiro, tal faculdade é tratada na Lei Estadual nº 5.147 de 2007 que assegura às empresas optantes pelo regime um a redução relativa ao ICMS devido como também suas respectivas alíquotas de redução de acordo com quadro a seguir.

Quadro 5 – Alíquota de ICMS devido no Estado do Rio de Janeiro no Simples Nacional

Receita Bruta Acumulada da

Empresa nos 12 Meses Anteriores ao Período de Apuração - (em R$) Alíquotas da Lei Complementar nº 123/06 Alíquotas da Lei Estadual 5.147/07 Percentual de Redução a ser Informado no Preenchimento do PGDAS De Até 0 180.000,00 1,25% 0,70% 44,00% 180.000,01 360.000,00 1,88% 0,78% 58,06% 360.000,01 540.000,00 2,33% 0,99% 57,51% 540.000,01 720.000,00 2,56% 1,50% 41,41% 720.000,01 900.000,00 2,58% 2,50% 3,10% 900.000,01 1.080.000,00 2,82% 2,65% 6,03% 1.080.000,01 1.260.000,00 2,84% 2,75% 3,17% 1.260.000,01 1.440.000,00 2,87% 2,80% 2,44% 1.440.000,01 1620.000,00 3,07% 2,95% 3,91% 1.620.000,01 1.800.000,00 3,10% 3,05% 1,61% 1.800.000,01 1.980.000,00 3,38% 3,21% 5,03% 1.980.000,01 2.160.000,00 3,41% 3,30% 3,23% 2.160.000,01 2.340.000,00 3,45% 3,40% 1,45% 2.340.000,01 2.520.000,00 3,48% 3,48% 0% (sem redução) 2.520.000,01 2.700.000,00 3,51% 3,51% 0% (sem redução) 2.7000.000,01 2.880.000,00 3,82% 3,63% 4,97% 2.880.000,01 3.060.000,00 3,85% 3,75% 2,60% 3.060.000,01 3.240.000,00 3,88% 3,83% 1,29% 3.240.000,01 3.420.000,00 3,91% 3,91% 0% (sem redução) 3.420.000,01 3.600.000,00 3,95% 3,95% 0% (sem redução)

Fonte: Elaborado pela autora.

Tais percentuais utilizados para determinação do valor do ICMS estabelecidos no Estado do Rio de Janeiro das empresas optantes pelo Simples Nacional serão aplicados em substituição aos constantes nas tabelas dos Anexos I e II da Lei Complementar nº 123/06.

2.5.2. O ICMS Substituição Tributária

A Lei Complementar nº 123/06 não prevê tratamento diferenciado para o ICMS quando se trata da sistemática da substituição tributária, existindo assim fatos jurídicos relativos a ele que estão fora da incidência de tributação do Simples Nacional, onde deverá ser observada a legislação aplicável a cada Estado.

Tais fatos estão relacionados na referida lei em seu artigo 13, parágrafo 1º elencada abaixo:

Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições:

[...]

§ 1º O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: [...]

XIII - ICMS devido:

a) nas operações sujeitas ao regime de substituição tributária, tributação concentrada em uma única etapa (monofásica) e sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto com encerramento de tributação, envolvendo combustíveis e lubrificantes; energia elétrica; cigarros e outros produtos derivados do fumo; bebidas; óleos e azeites vegetais comestíveis; farinha de trigo e misturas de farinha de trigo; massas alimentícias; açúcares; produtos lácteos; carnes e suas preparações; preparações à base de cereais; chocolates; produtos de padaria e da indústria de bolachas e biscoitos; sorvetes e preparados para fabricação de sorvetes em máquinas; cafés e mates, seus extratos, essências e concentrados; preparações para molhos e molhos preparados; preparações de produtos vegetais; rações para animais domésticos; veículos automotivos e automotores, suas peças, componentes e acessórios; pneumáticos; câmaras de ar e protetores de borracha; medicamentos e outros produtos farmacêuticos para uso humano ou veterinário; cosméticos; produtos de perfumaria e de higiene pessoal; papéis; plásticos; canetas e malas; cimentos; cal e argamassas; produtos cerâmicos; vidros; obras de metal e plástico para construção; telhas e caixas d’água; tintas e vernizes; produtos eletrônicos, eletroeletrônicos e eletrodomésticos; fios; cabos e outros condutores; transformadores elétricos e reatores; disjuntores; interruptores e tomadas; isoladores; para-raios e lâmpadas; máquinas e aparelhos de ar-condicionado; centrifugadores de uso doméstico; aparelhos e instrumentos de pesagem de uso doméstico; extintores; aparelhos ou máquinas de barbear; máquinas de cortar o cabelo ou de tosquiar; aparelhos de depilar, com motor elétrico incorporado; aquecedores elétricos de água para uso doméstico e termômetros; ferramentas; álcool etílico; sabões em pó e líquidos para roupas; detergentes; alvejantes; esponjas; palhas de aço e amaciantes de roupas; venda de mercadorias pelo sistema porta a porta; nas operaçõessujeitas ao regime de substituição tributária pelas operações anteriores; e nas prestações de serviços sujeitas aos regimes de substituição tributária e de antecipação de recolhimento do imposto com

encerramento de tributação; (Redação dada pele Lei Complementar nº 147, de 2014).

Desse modo, as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional na condição de substitutos ou substituídos tributários deverão calcular separadamente o ICMS ST devido à parte do Simples Nacional e ainda, de acordo com a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas, estando desta forma obrigados a calcular e recolher o ICMS devido por toda cadeia comercial a se realizar até o consumidor final.

Tal situação está prevista no artigo 5º da CGSN nº94/11:

Art. 5º A ME ou EPP optante pelo Simples Nacional deverá recolher os seguintes tributos, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, nos termos da legislação aplicável às demais pessoas jurídicas, além daqueles relacionados no art. 4º: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 13, § 1º, incisos I a XV)

[...]

X ICMS devido:

a) nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária;

b) por terceiro, a que o contribuinte se ache obrigado, por força da legislação estadual ou distrital vigente;

Cabe ao Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) disciplinar a forma e as condições em que serão atribuídas a ME e EPP optantes pelo Simples Nacional na qualidade de substituta tributária de acordo com a Lei Complementar nº 123/06 em seu artigo 13, § 6º.

§ 6º O Comitê Gestor do Simples Nacional:

I disciplinará a forma e as condições em que será atribuída à microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional a qualidade de substituta tributária; e

II poderá disciplinar a forma e as condições em que será estabelecido o regime de antecipação do ICMS previsto na alínea g do inciso XIII do § 1º deste artigo.

Assim definido, o CGSN prevê no artigo 28 da Resolução nº 94 que dispõe sobre o Simples Nacional e dá outras providências ao regime, os aspectos que tratam da forma de recolhimento do ICMS das empresas que se encontram na condição de substituta tributária.

Segundo a presente resolução, o substituto tributário deverá recolher o imposto sobre a operação própria na forma do Simples Nacional, segregando a receita correspondente como

“não sujeita à substituição tributária e não sujeita ao recolhimento antecipado do ICMS” além de recolher o imposto sobre a substituição tributária, retido do substituído tributário.

Feita a segregação, a parcela devida pelo substituto tributário deverá ser recolhida diretamente ao ente detentor da respectiva competência tributária, ou seja, ao sujeito ativo da situação que, no caso do ICMS, é o Estado.

O valor do montante a ser devido pelo substituto está previsto no artigo 28, § 2º, 3º e 4º da Resolução nº 94 do CGSN transcritos abaixo:

§ 2º Em relação ao ICMS, no que tange ao disposto no § 1º, o valor do imposto devido por substituição tributária corresponderá à diferença entre:

I o valor resultante da aplicação da alíquota interna do ente a que se refere o § 1º sobre o preço máximo de venda a varejo fixado pela autoridade competente ou sugerido pelo fabricante, ou sobre o preço a consumidor usualmente praticado; e II o valor resultante da aplicação da alíquota interna ou interestadual sobre o valor da operação ou prestação própria do substituto tributário.

§ 3º Na hipótese de inexistência dos preços mencionados no inciso I do § 2º, o valor do ICMS devido por substituição tributária será calculado da seguinte forma: imposto devido = [base de cálculo x (1,00 + MVA) x alíquota interna] dedução, onde:

I "base de cálculo" é o valor da operação própria realizada pela ME ou EPP substituta tributária;

II "MVA" é a margem de valor agregado divulgada pelo ente a que se refere o § 1º; III "alíquota interna" é a do ente a que se refere o § 1º;

IV "dedução" é o valor mencionado no inciso II do § 2º.

§ 4º Para fins do caput, no cálculo dos tributos devidos no Simples Nacional não será considerado receita de venda ou revenda de mercadorias o valor dotributo devido a título de substituição tributária, calculado na forma do § 2º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 13, § 6º, inciso I).

Portanto, sobre a base de cálculo será aplicada a alíquota interna prevista para o produto no Estado de destino. O valor resultante deste cálculo corresponde ao ICMS-ST total incidente na operação do substituto, do qual deverá ser deduzido o ICMS da sua operação própria.

No caso da indústria que é substituta tributária, as receitas correspondentes à venda de mercadorias por ela industrializadas sujeitas à substituição tributária deverão ser informadas no aplicativo de cálculo como “venda de mercadorias industrializadas SEM substituição tributária”.

Desta forma, o aplicativo de cálculo gerará o valor do ICMS próprio devido naquelas saídas, que deverá ser pago dentro do Simples Nacional, por meio do DAS. O valor do ICMS devido referente à responsabilidade por substituição tributária será calculado nos termos das demais empresas não optantes pelo regime e recolhido pela indústria em Guia Nacional de Recolhimento – GNRE, ou em guia própria do estado de localização do destinatário das mercadorias.

Vale destacar que nas operações realizadas por empresas enquadradas no regime normal de tributação, o ICMS da própria operação é destacado no campo próprio da nota fiscal. Entretanto, tal destaque é vedado aos contribuintes enquadrados no Simples Nacional e, por este motivo, apenas para cálculo da retenção, o ICMS da própria operação deverá ser calculado aplicando-se a alíquota utilizada na operação pelos contribuintes optantes pelo regime normal de tributação sobre o valor total da operação.

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