2. Capítulo 2 A Qualidade do Crescimento Econômico
2.7. O Estado do Rio de Janeiro segundo suas regiões
O Estado do Rio é composto por 92 municípios, agrupados em 18 microrregiões e estas em 6 mesorregiões.
O mapa abaixo mostra as mesorregiões do Estado do Rio de Janeiro. A de número 1 é a das Baixadas Litorâneas, a de número 2 a do Centro Fluminense, a de número 3 a Metropolitana, a de número 4 a do Noroeste Fluminense, a de número 5 a do Norte Fluminense e a de número 6 a do Sul Fluminense.
Mapa 1: O Estado do Rio de Janeiro e suas mesorregiões
Fonte: IBGE
O presente estudo irá analisar o Estado do Rio de Janeiro a partir de suas oito grandes regiões de acordo com a proximidade geográfica, conforme dados do Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, Ipea/Pnud, 2000.
O Estado do Rio de Janeiro possui 14.391.282 habitantes, segundo dados do IBGE, distribuídos em oito grandes regiões de acordo com a proximidade geográfica dos seus 92 municípios. A região Metropolitana do Rio concentra aproximadamente 75% da população residente no Estado, onde apenas a capital possui 5.857.19904 habitantes.
Quadro 1: Composição das regiões do Estado do Rio de Janeiro
2.7.1. A evolução da pobreza segundo as regiões do Estado do Rio de Janeiro na década de 1990
Após analisar a economia brasileira e mais especificamente do Estado do Rio de Janeiro, foco do presente trabalho, cabe analisar os dados de renda, pobreza e indigência discriminados por região do Estado do Rio de Janeiro, segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, Ipea/Pnud, 2000 e Pero (2004), a fim de observar a contribuição de cada região para a conjuntura econômica do Estado na década de 1990, conforme mostra a Tabela 8 abaixo:
Tabela 8: Renda per capita, variação da renda per capita, de pobres e indigentes nas regiões do Estado do Rio de Janeiro – 1991 a 2000
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano – IPEA/PNUD 2000
A tabela mostra que ocorreu um significativo crescimento da renda per capita em todas as regiões do Estado, acompanhado pela diminuição do percentual de pobres e indigêntes, com exceção do percentual de indigentes na Região Metropolitana, que apresentou um pequeno aumento.
A Tabela 8 mostra que a Região Metropolitana é a melhor posicionada em termos de renda per capita, sendo esta igual a R$ 349 em 1991 e R$ 456 em 2000, porém foi a região que apresentou o menor crescimento no período, 31%.
Percebe-se claramente a estagnação da economia da região, uma vez que a variação do número de indigentes é a única que sofreu um aumento (3,2%) durante o período o que representa um aumento de mais de 100 mil pessoas nessa condição.
Pero (2004) acredita que esses dados apontam para o fato de que a região metropolitana caminha mais lentamente que as demais regiões. Esta constatação revela que o crescimento da
renda e a diminuição da pobreza foram muito mais um fenômeno não metropolitano, devido principalmente ao comportamento positivo da maioria dos municípios da Região das Baixadas Litorâneas.
Quanto ao percentual de pobres, a Região Metropolitana apesar de ter o segundo menor percentual de pobres em 2000 (17,8%) atrás apenas da região Serrana (17%), foi a que apresentou a menor variação no percentual de pobres (18%) no período.
A elasticidade crescimento-pobreza e principalmente crescimento-indigência foram as menores do Estado, uma vez que o crescimento da renda per capita na região foi o menos eficaz na diminuição de pobreza e menos ainda da indigência, percentual que aumentou no período.
Entre os municípios que formam a região Metropolitana, cabe ressaltar que Niterói é a cidade com o maior nível de renda per capita (R$ 809), seguida da cidade do Rio de Janeiro (R$ 597). Na Região, Niterói é o município com o menor percentual de pobres (10%) e de indigentes (4%), seguido pela cidade do Rio de Janeiro com, respectivamente, 13% e 6%, segundo análise de Pero (2004).
A tabela 8 mostra que foi registrado na região das Baixadas Litorâneas o maior crescimento da renda entre as regiões analisadas. A renda per capita nessa região cresceu 65%, ao passo que a do Estado cresceu 32%. O combate à pobreza e à indigência foi mais forte, ficando atrás somente do Noroeste Fluminense.
Percebe-se que a Região das Baixadas Litorâneas possui a maior variação de renda per capita (65%) no período, enquanto a Região Norte Fluminense teve o sexto maior aumento (37%). No entanto, a variação de indigentes foi praticamente a mesma nas duas regiões (44%) e a variação de pobres também não refletiu proporcionalmente a diferença entre a renda per capita das duas regiões.
Esse fato demonstra que na região das Baixadas Litorâneas a elasticidade crescimento- pobreza foi menor que na Região Norte Fluminense, ou seja, o crescimento da renda per capita teve um efeito menor quanto a retirar as pessoas da linha de pobreza e indigência.
A região Serrana, com 5% da população do Estado, tem a segunda maior renda per capita (R$352 – apresentando um aumento de 44,2% em relação ao ano de 1991 – R$244) e registra os menores índices de pobreza e de indigência (17% e 6% respectivamente). É o único local do Estado onde esses dois indicadores são menores do que a média do Estado.
Outra região que tem um desempenho melhor que a média do Estado é a do Médio Paraíba, onde se localizam 5% da população do Estado. Os dados mostram que, apesar de ter uma renda per capita (R$307) menor que a média do Estado e um percentual de pobres mais elevado (20% em, 2000), a indigência é relativamente menor nessa região do Estado (7%).
As regiões Norte e Noroeste Fluminense apresentam os níveis mais baixos de renda per capita (R$261 e R$240 respectivamente) e os maiores índices de pobreza (28,8% e 29,3% respectivamente) e de indigência (10,5% e 9,8% respectivamente). No entanto, foram as regiões que apresentaram a maior elasticidade crescimento-pobreza do Estado, ou seja, o crescimento da renda foi mais eficaz em diminuir o percentual de pobres e indigentes.
A análise dos dados desta seção revela que existe uma enorme disparidade no que diz respeito à renda per capita, pobreza e indigência entre as regiões do Estado do Rio de Janeiro, em particular entre a Região Metropolitana e o interior do Estado, o que será analisado na próxima seção.
2.7.2 Análise comparativa do crescimento econômico no interior do Estado do Rio de Janeiro
O resultado do Estado do Rio de Janeiro quanto à diminuição da pobreza e da indigência na década de 1990 deve-se em grande medida aos dados da Região Metropolitana, que exercem grande influência na economia do Estado.
A elasticidade crescimento-pobreza e crescimento-indigência apresentaram um desempenho positivo no interior do Estado, no entanto na Região Metropolitana o crescimento da renda per capita não foi eficaz ao se traduzir na diminuição do percentual de pobres e principalmente indigentes no período, o que prejudicou os dados do Estado.
A região é a que apresenta os maiores índices de concentração de população e de Produto Interno Bruto em relação ao Estado. A partir da década de 1990, porém ocorre uma relativa desconcentração.
Em 1991, a região metropolitana concentrava 76,63% da população fluminense, sendo 42,79% só na cidade do Rio de Janeiro. Em 2000, esses números baixaram para 75,69% e 40,70%, respectivamente.
A queda na concentração do PIB foi mais acentuada, a participação da região diminuiu de 82,36% do PIB estadual em 1990, sendo 60,29% na cidade do Rio de Janeiro, para 70,73% e 54,95%, respectivamente em 2000. (Cide, 2001 e 2002; IBGE, 2002)
A diminuição desses índices no decorrer da década de 1990 pode ser explicada, segundo Oliveira (2003), pelas estratégias do Estado e dos setores empresariais, que passaram a valorizar as organizações e instituições que se situavam ou atuavam no interior, buscando políticas e ações para impulsionar o desenvolvimento de todo o território.
Já segundo Barral Neto e Silva Neto (2006) além de ser uma tendência mundial, o processo de interiorização industrial está relacionado aos novos papéis dos Estados e dos municípios, surgidos ao final da década de 80.
A industrialização e a formação do tecido urbano no Estado do Rio de Janeiro possuem especificidades no que concerne à concentração das atividades industriais e à formação, ocupação e desenvolvimento da região metropolitana e do interior do Estado.
Os números da tabela 9 ilustram esses fatos, através da distribuição do Produto Interno Bruto (PIB). Pela tabela, percebe-se que a participação da cidade do Rio de Janeiro gira em torno
de 60%, enquanto a Região Metropolitana do Estado possui 80% do PIB. Nas demais regiões do Estado distribuem-se os menos de 20% restantes do PIB.
Pode-se observar que a região metropolitana é aonde se concentra o maior volume de investimentos e arrecadação, enquanto a participação do interior é sempre pequena. Essa concentração, no entanto diminui a partir de 1998 devido ao crescimento da participação da Bacia de Campos, ligada as atividades extrativas da região.
Tabela 9: Estimativas do Produto Interno Bruto a preços correntes, segundo as Regiões de Governo – Estado do Rio de Janeiro – 1990 – 2000 (%)
Fernandes (2007) corrobora essa questão afirmando que essa nova dinâmica está relacionada, principalmente, ao crescimento da atividade petrolífera, que apresenta forte influência sobre a economia, seja pelos ganhos obtidos diretamente da atividade extrativa e pelo seu efeito multiplicador sobre as demais cadeias produtivas, seja por seus efeitos sobre o balanço de pagamentos e as contas públicas.
A influência desse setor foi de extrema relevância para o Estado do Rio de Janeiro, na década de 1990 tanto que Silva Neto (2006) acredita que as perspectivas de retomada do processo de crescimento econômico do Estado relacionam-se, de forma estreita, com a indústria do petróleo, situada na Bacia de Campos.
Sendo assim, a região norte fluminense, base desse processo, se torna um pólo de destaque econômico apontando para uma diretriz na qual o interior ganha ainda mais relevância na economia do Estado.
Conclusão
Após a delimitação dos conceitos utilizados, a presente monografia analisou a trajetória dos indicadores sociais em face do crescimento econômico do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro na década de 1990.
Foi realizada uma comparação entre os dados do Brasil e dos Estados brasileiros, com foco no Rio de Janeiro, demonstrando que os dados do Estado em sua maioria seguiram a tendência nacional, como no crescimento do PIB, apesar deste ter sido maior no Estado.
Este crescimento se traduziu em um aumento da renda per capita, também maior no Estado que no país. O modo como esse aumento afetou a pobreza e a indigência foi diferente nas regiões observadas.
Destaca-se que a elasticidade crescimento-pobreza do Rio de Janeiro seguiu a tendência nacional, porém a eficácia do crescimento da renda em diminuir a indigência foi bem menor no Estado que no país, devido à grande influência do resultado da região metropolitana, que apresentou um aumento no percentual de indigência apesar do crescimento da renda.
Além disso, ressalta-se que houve um grande aumento na intensidade da indigência no Rio de Janeiro, ou seja, os que permaneceram nessa condição estão numa situação ainda pior.
A renda apropriada pelos 20% mais pobres diminuiu tanto no Brasil quanto no Rio de Janeiro, enquanto houve um aumento na renda média dos 10% mais ricos, apesar da participação desses ter permanecido estagnada no Rio de Janeiro e sofrido um ligeiro aumento no país.
O IDH, índice utilizado para medir o desenvolvimento humano aumentou no Brasil, e em um patamar inferior, no Estado do Rio de Janeiro, enfatizando que o IDH-Renda foi o que menos cresceu em ambos. Além disso, percebe-se através do Índice de Gini que esse desenvolvimento não diminuiu a desigualdade social, uma vez o índice aumento no país e permaneceu constante no Estado ao longo do período.
O crescimento apresentado também não se traduziu em uma melhoria na taxa de
desemprego, que cresceu na mesma proporção tanto no Estado analisado quanto no país, nem na geração de novos empregos.
Houve no período uma diminuição na proporção de trabalhadores com carteira assinada no total da ocupação no país e no Estado e um aumento no grau de informalidade em ambos, principalmente no Rio de Janeiro, onde esta apresenta-se como um “colchão” para o desemprego.
A análise realizada demonstra que não ocorreu um crescimento econômico com qualidade no Estado do Rio de Janeiro.
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