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O Estado Social: Processos de implementação e sustentabilidade

mesmo diferenciadamente e contraditoriamente às exigências e pressões do meio ambiente, e por outro lado, pode alterar as suas configurações, adaptando-se à repercussão produzida pelos diferentes sectores da sociedade. O sistema político funciona na base da interacção entre o conflito e a integração, tendo um sistema social que o envolve, onde coexistem lógicas diferentes de articulação de democracia e mercado, condicionando as medidas de regulação social do Estado (Lourenço,2005).

A evolução de toda a estrutura política, desde o Estado direito ao Estado- Providência, pode ser um fenómeno de modernização geral das sociedades (Lourenço,2005).

No século XIX o Estado liberal capitalista pugnava por uma intervenção mínima do Estado na sociedade e por um mercado regulador (Gonçalves,2012). Verifica-se a partir deste século, um processo de mutação do trabalho em emprego, sendo que em 1920 e 1930 assiste-se à alteração do papel negativo inerente ao trabalho assalariado. Em 1970 instaura-se a sociedade salarial em que a maioria da população vivia em condição de assalariada, sendo a integração na comunidade estabelecida de acordo com o lugar que cada individuo ocupa no sistema salarial, pelo seu estatuto, identidade e posição social (Marques,2007,2008).

Estas modificações levam ao surgir de desigualdades, de sentimento de injustiça, de exploração e concorrência entre os diferentes grupos sociais (Gonçalves,2012).

No século XX a regulação passa a ser dever do estado, assumindo o topo na hierarquia, regulando a sociedade e o mercado, tendo em conta na sua acção o bem – estar social. Ainda no decorrer do século XX observa-se transformações nos sistemas sociais, transformações essa, em que o Estado é obrigado a assumir novas funções, funções produtivas e de satisfação de necessidades sociais e públicas (Gonçalves,2012). Com isto, verificou-se o aumento da despesa pública e alteração do paradigma de Estado. Ainda no século XX , assiste-se a uma crise e a uma nova redefinição do Estado

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Social que procura através da articulação entre o mercado, o social e o económico chegar ao bem estar social, factor político que leva aos atores sociais a assumir uma governança local, suportada em estruturas de interface entre a administração pública e a sociedade civil, baseadas na decisão coletiva e na responsabilização horizontal solidária, reforçando a legitimidade do sistema político através da utilização racional dos meios disponíveis (Gonçalves,2012).

O agravamento da crise em finais da década de 70 do século XX, os choques petrolíferos, a restrição do contexto económico internacional, o aumento das taxas de juro reais, o crescente número de desempregados ligado à subida das despesas sociais, colocaram em causa o equilíbrio entre crescimento económico e desenvolvimento de políticas sociais, o que tornou os compromissos base do Estado- Providência, ou seja, assumir pleno emprego, protecção social e igualdade, cada vez mais difíceis de concretizar (Marques,2007,2008).

Assiste-se nos últimos 20-25 anos a uma emergência de novos riscos sociais e reposicionamento dos agentes económicos num novo contexto social. A sociedade europeia sofre alterações sociais, económicas e culturais, alterações essas que implicam um reajustamento do papel do estado na promoção de novas politicas sociais que visam o bem- estar, politicas estas, que haviam sido uma conquista no período Pós 2ª Guerra Mundial (Carvalho,2003).

A dinâmica social que existiu neste período, levou a alterações no papel dos agentes económicos envolvidos, sendo eles: Estado, Família e Mercado. Com o aparecimento de novos riscos sociais, o Estado não assume apenas o papel de cobrir os riscos clássicos (doenças, desemprego, terceira idade), ou seja, as alterações demográficas, sociais e económicas, exigem por parte do Estado a cobertura dos novos riscos sociais, tais como o desemprego de longa duração ou riscos relacionados com as alterações nas estruturas familiares, nomeadamente o aumento das famílias monoparentais (Carvalho,2003).

As alterações demográficas, o aumento do envelhecimento da população, e consequente diminuição da população activa, pressionam o sistema de pensões, aumentando a necessidade de cuidados de saúde e de serviços de apoio e protecção social para a terceira idade (Carvalho,2003).

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Relativamente às alterações sociais verificadas, é de salientar o aumento do número de famílias monoparentais e a diminuição no tamanho das famílias. Verifica-se uma fragilidade relativamente aos lações de interajuda entre os elementos que constituem uma família, nos cuidados assegurados aos mais novos e no apoio aos mais velhos, sobretudo nos meios urbanos, onde se verifica maior incidência populacional (Carvalho,2003).

A maior participação da mulher no mercado de trabalho e relativamente a Portugal, provocou uma descida da taxa de natalidade, comprometendo a solidariedade intergeracional (Carvalho,2003).

Perante este cenário, o sistema sofreu também pressões económicas, verifica-se que sobretudo a classe jovem, as mulheres e os trabalhadores de maior idade, são afectados pelo desemprego de longa duração ou pela existência de empregos precários. O fenómeno da globalização, e do progresso tecnológico e organizacional, levam ao despoletar de mudanças que exigem uma maior flexibilidade do mercado e dos trabalhadores, coisa que a estrutura do Estado, leva a que se verifique uma demora no que concerne a respostas capazes de fazer frente às necessidades sociais. No caso da União Europeia a existência de condicionalismos orçamentais fazem-se sentir no financiamento das políticas sociais (Carvalho,2003).

Perante tal cenário, a quem defenda um colapso do Estado Providência, outros defendem a necessidade de medidas preventivas, tais como políticas que incentivem o aumento da taxa de natalidade, de modo a o saldo demográfico, ou politicas de apoio à família, dando um maior protagonismo ao Estado na resolução deste novos riscos socias, os mais liberais defendem a privatização do sistema seguindo o exemplo das economias da Grã-Bretanha e da Irlanda (Carvalho,2003).

Nos tempos de hoje, é cada vez mais frequente o uso do conceito Estado Providência. O Welfare State (Estado de bem- estar social), é um tipo de organização política e económica que coloca o Estado- nação como agente da promoção social e organizador da economia. Para Giddens (1996) citado por Mocelin (2010) “ Esta forma de organização político-social, desenvolveu-se após a Grande Depressão e consolidou- se com a aplicação do conceito de cidadania e com o fim dos governos totalitários da Europa Ocidental “. Nas palavras de Giddens, pelos princípios do Estado de bem-estar

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social, todo o individuo tem o direito, desde o seu nascimento até à sua morte, a um conjunto de bens e serviços que devem ter o seu fornecimento garantidos, seja através do Estado ou seja indirectamente pelo Estado no poder de regulamentação sobre a sociedade civil (Giddens, 1996, cit. por Mocelin, 2010). O Estado tenta em conjunto com o Mercado garantir essa provisão de bem- estar, assistindo-se também à ligação do Estado com o “terceiro- sector” também podendo ser designado como “ economia social” da Política Social.

Economia Social ou Terceiro Sector são duas designações que têm vindo a afirmar de forma crescente a importância económica e social nas nossas sociedades. Pode-se dizer que correspondem a duas distintas actividades, com diferentes tradições e filiações culturais.

Por um lado, temos aquela que nos remonta para práticas de solidariedade intraclássicas, de reação às transformações económicas e sociais da revolução industrial, sob a influência do pensamento socialista do séc. XIX, associativista, cooperativista e mutualista.

A expressão terceiro sector, abrange a designação de economia social de tradição francófona.

Nos últimos anos, tem-se assistido de forma generalizada e por toda a Europa, a transformações do Estado – Providência, transformações essas que encontram a sua justificação em alterações económicas, demográficas e sociais, no mundo laboral (Pereirinha,2003).

O Estado vê-se obrigado a intervir socialmente, uma vez que, estas transformações levam a impactos orçamentais. A par destas tendências, ocorre um crescente peso das instituições da economia social, bem como alterações nas formas de intervenção deste sector e que têm originado a designação de nova economia social ou sector de inovação

social (Pereirinha,2003).

A par destas transformações, tenta-se constituir respostas à emergência de novos riscos sociais que defrontam as sociedades modernas. Assiste-se ao aparecimento de novas concepções de política social, a necessidade de promover novas categorias de direitos, um exemplo de um risco social, é a emergência da exclusão social enquanto

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problemas social que, na sua multidimensionalidade, capta os processos sociais dinâmicos de empobrecimento ou desqualificação social e quebra de laços sociais.

2.1.2. Estado Social: Novos problemas, novos conceitos

Segundo Gonçalves (2012), a afirmação da questão social como um fenómeno das sociedades modernas - quer nas sociedades capitalistas, onde a esfera política, embora coadjuvada pela esfera privada, é sobretudo estatal, quer nas sociedades socialistas onde a esfera política foi garantindo lógicas de segurança social exclusivamente públicas - fundamenta esta reforma do paradigma de intervenção social. A par com a estratégia de reforma do próprio Estado Social, concretizada, nomeadamente, pela descentralização de competências das entidades públicas da administração central para as entidades públicas da administração local, as sociedades contemporâneas estão hoje confrontadas com problemas sociais mais complexos, que alojam dinâmicas produzidas dentro e fora dos seus limites.

É no final da década de 80 que surge no contexto europeu, o conceito de exclusão social, como uma categoria conceptual nova para discutir, a emergência de novos problemas sociais e o papel que deve ser executado pela política social dos estados membros.

Rompe-se assim, com concepções tradicionais de pobreza monetária e surge o carácter multidimensional das desvantagens sociais, quais as dimensões relacionais (e não meramente distributivas) que estas desvantagens assumem, qual o carácter dinâmico que apresentam na sua génese e condições de propagação.

Assiste-se na Europa uma concepção de exclusão social assente na ideia de que pode haver factores que condicionam, limitam ou impedem a realização de direitos de cidadania, em especial dos direitos sociais que constituem o cerne do Estado- Providência. E esses factores podem ser de natureza económica ou podem radicar no funcionamento das instituições sociais.

As alterações que se verificam nas estruturas familiares e no funcionamento do mercado de trabalho, são factores que podem pôr em causa as condições de integração social nas sociedades modernas, fortemente urbanizadas, e condicionar o exercício desses direitos. O conceito de exclusão social surge então, no discurso científico e

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político, para proporcionar a discussão destes aspectos na análise dos problemas sociais e na reflexão sobre as políticas.