2.2 Redes de cooperação empresarial
2.2.4 PARCERIAS DE EMPRESAS NA PROMOÇÃO DE UM
2.4.2.3 O estilo do líder e a maturidade dos liderados
De acordo com Hersey e Blanchard (1986), para fazer face aos diferentes tipos de maturidade, o líder eficaz deve utilizar-se de diferentes estilos de liderança. Cada nível de maturidade suscita um estilo adequado de liderança, como pode ser observado na Figura 9.
Figura 9 – Liderança situacional. Fonte: Hersey e Blanchard (1986, p. 189).
Nesta abordagem, de acordo com Queiroz (1996), os autores pregam que o comportamento o gerente deve se voltar mais à tarefa ou ao relacionamento, conforme a maturidade dos subordinados. E o gerente deve ser flexível para mudar seu estilo conforme muda a maturidade dos subordinados.
• M1: Estilo de liderança E1, onde o líder deve fornecer instruções específicas e supervisionar estritamente o cumprimento da tarefa. O estilo deve ser de determinar. A decisão deve ser tomada pelo líder.
• M2: Estilo de liderança E2, onde o líder deve explicar suas decisões e oferecer oportunidades de esclarecimento. O estilo deve ser de persuadir. A decisão deve ser tomada pelo líder com diálogo e/ou explicação.
• M3: Estilo de liderança E3, onde o líder deve apenas trocar idéias e facilitar a tomada de decisões. O estilo deve ser de compartilhar. A decisão deve ser tomada pelo líder/liderado, com incentivo pelo líder.
• M4: Estilo de liderança E4, onde o líder deve transferir para o liderado a responsabilidade das decisões e da sua execução. O estilo, neste caso, deve ser de delegar.
Cada estilo de liderança é uma combinação de comportamentos de tarefa e de relacionamento (Figura 7). As relações podem ser feitas das seguintes formas:
a) E1: Tarefa alta e relacionamento baixo. b) E2: Tarefa alta e relacionamento alto. c) E3: Tarefa baixa e relacionamento alto.
d) E4: Tarefa baixa e relacionamento baixo. (QUEIROZ, 1996)
Para promover o crescimento do indivíduo de modo que atinja o nível de maturidade mais alto (M4), não basta que o líder determine o nível de maturidade de seu liderado e aplique o estilo de liderança mais adequado. Este é um requisito necessário, mas não é o suficiente. O líder precisa conduzir um processo de amadurecimento do liderado, que deve ser gradual, e sempre no sentido M1 M2 M3 M4.
A chave da utilização da Liderança Situacional consiste em avaliar o nível de maturidade dos liderados e comportar-se de acordo com o modelo. Na Liderança Situacional está implícita a idéia de que o líder deve ajudar os liderados a amadurecer até o ponto em que sejam capazes e estejam dispostos a fazê-lo. Esse desenvolvimento dos liderados deve ser realizado ajustando-se o comportamento de liderança, ou seja, passando pelos quatro estilos [...] (HERSEY e BLANCHARD, 1986, p. 193).
Concorda-se com Queiroz (1996), que a liderança situacional baseia-se na premissa de que para pessoas com pouca capacidade e disposição (M1) é preciso mais controle e estruturação das tarefas. À medida que a pessoa vá se tornando capaz (M2), o controle deve ir diminuindo e o apoio sócio-emocional deve ir aumentando. Uma vez que a capacidade e a disposição tornam-se ainda maiores (M3), o líder deve diminuir ainda mais seu controle e também seu comportamento de
relacionamento. Finalmente, para pessoas com alta maturidade (M4), já não é mais necessário apoio sócio-emocional. Estas pessoas preferem a autonomia, sentindo- se satisfeitas quando as tarefas e as decisões são deixadas por sua conta. Porém, "isso não quer dizer que haja menos confiança mútua e amizade entre líder e liderado. Pelo contrário, a confiança e a amizade são maiores ainda, mas o líder precisa adotar menos comportamento de apoio para provar isso." (HERSEY e BLANCHARD, 1986, p. 193).
A Figura 10, a seguir, apresenta a definição de maturidade e dos quatro estilos de liderança, para os autores Hersey e Blanchard.
Figura 10 – Definição da maturidade e dos quatro estilos de liderança. Fonte: Hersey e Blanchard (1986, p. 200)
Hersey e Blanchard (1986) ressaltam que as pessoas estão sujeitas por fatores internos e externos à organização, a regredir em seu nível de maturidade. Neste caso, o líder deve reavaliar a maturidade do subordinado, voltando ao estilo de liderança adequado, a fim de fornecer-lhe apoio sócio-emocional e direção apropriada.
Desta forma, os líderes devem estar sempre atentos às situações de regressão, pois, de acordo com Hersey e Blanchard (1986), o processo de retorno a um estágio já anteriormente alcançado será tão mais dispendioso quanto o tempo decorrido entre a regressão e a efetiva intervenção de apoio.
A teoria de Hersey e Blanchard, de acordo com Limongi-França e Arellano (2002, p. 265-266), “concentra-se no estilo de liderança contigencial quanto a presteza dos seguidores. A ênfase nos seguidores reflete a realidade de que são eles que aceitam ou rejeitam o líder, e a presteza refere-se a até que ponto as pessoas tem capacidade e disposição de realizar uma tarefa especifica.”
A liderança situacional pode ser aplicada em qualquer contexto organizacional. Os conceitos são válidos em qualquer situação em que alguém pretende influenciar o comportamento de outras pessoas.
Albuquerque e Dutra (2001 apud LIMONGI-FRANÇA e ARELLANO, 2002, p 267) destacam que o momento atual é caracterizado por mudanças no ambiente externo e no organizacional como:
• Novas arquiteturas organizacionais e de negócio: poder organizacional, mais diluído e descentralizado.
• Globalização: influencia de diversos atores sociais sobre as organizações.
• Maior complexidade organizacional: aumento da qualificação e do nível de informação do trabalhador, da turbulência ambiental e da importância da liderança organizacional.
Devido a essas mudanças, o “líder empresarial tem adquirido novos perfis, deixando de ser controlador e passando a ser facilitador.” Busca uma visão estratégia do negocio, e não só solução de curto prazo. Em lugar de pretender a disciplina de seus subordinados, cultiva o comprometimento deles. O comportamento individual passou a ser focado na valorização das ações em equipe e formações de times. (LIMONGI-FRANÇA e ARELLANO, 2002, p. 267)
Concluindo, liderança é um processo no qual o líder busca, sob a influencia e aceitação do próprio grupo, o alcance de metas e objetivos específicos através de mobilização, motivação, informação e comunicação, manejo e solução de conflitos, estabelecimento de estratégias e definição de políticas. A liderança também é exercida quando há intenção de direcionar a aceitação dos seguidores em ser liderados. Não existe um líder universal, e a própria historia é exemplo dessa constatação. O líder só se mantém líder enquanto estiver atendendo as expectativas e as necessidades de seus liderados e grupos relacionados com o processo de influencia em que está inserido.