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3. ESTRESSE OCUPACIONAL

3.4 O estresse ocupacional e os modelos teóricos explicativos

Couto (1987) considera que a superposição de agentes estressores no trabalho e a vulnerabilidade do indivíduo ao estresse são fortes determinantes para o seu aparecimento no ambiente ocupacional. Dessa forma, a inter-relação entre contexto, agentes estressores e vulnerabilidades do indivíduo pode estabelecer um ambiente propício ao aparecimento de quadros de estresse. Ainda na visão desse autor, agentes estressores do ambiente de trabalho são fenômenos que ocorrem no ambiente funcional e podem ser considerados por muitos

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como normais. Esses agentes podem ser classificados como ligados ao comportamento das pessoas, ao trabalho propriamente dito e à organização. De outro lado, o estresse pode ser considerado também um produto do contexto econômico, em que a grande competitividade do mercado obriga as empresas a exigirem maior produtividade de seus trabalhadores. O fato é que quando a relação entre a estrutura psíquica do indivíduo e as pressões psicológicas advindas do ambiente é desequilibrada, o indivíduo pode vir a manifestar um quadro de estresse, seja por sobrecarga ou por monotonia.

Para Cooper, Cooper e Eaker (1988) o estresse ocupacional é algo relacionado às características próprias do indivíduo e resultante da forma inadequada de lidar com as pressões. Para esses autores, existem seis grandes grupos de agentes estressores no ambiente de trabalho: a) fatores intrínsecos ao trabalho; b) papel do indivíduo na organização; c) relacionamento interpessoal; d) desenvolvimento na carreira; e) clima e estrutura organizacional; e f) interface casa/trabalho. Estes autores desenvolveram um modelo de estudo do estresse que abrange características organizacionais e individuais. Segundo o modelo proposto, os indivíduos, a partir de seus valores e estruturas (que correspondem ao locus de controle e ao tipo de personalidade), quando submetidos aos agentes estressores (que correspondem às fontes de pressão), desenvolvem meios singulares de defesa ou mecanismos de combate. O estresse, então, manifesta-se quando tais mecanismos não atuam de forma eficiente.

Outro modelo mundialmente utilizado para explicação do estresse ocupacional é o modelo de Karasek e Torres (1996) Tensão doTrabalho. As pesquisas realizadas por estes autores utilizando este modelo apontam que o maior risco à saúde mental e física decorrente do estresse ocorre com os trabalhadores que lidam com altas demandas psicológicas e pressão relacionadas à capacidade de usar as habilidades no trabalho e a autoridade de tomada de decisão, combinadas com baixa abrangência de controle e/ou decisão ao deparar com essas demandas. As demandas têm relação com o ato de trabalhar muito e rapidamente sem ter tempo suficiente para realizar o trabalho. Assim, o modelo apresentado por estes autores enfatiza a interação entre as demandas e os controles na causa do estresse, evidenciando ações no ambiente do trabalho e as perspectivas individuais ou ajustes no ambiente pessoal.

O modelo em referência, representado na Figura 2, considera que a combinação de altas demandas de trabalho e baixa abrangência de tomada de decisão gera resultados negativos na

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saúde física, como hipertensão e doenças cardiovasculares. Adaptação crítica para controles baixos situações de demandas baixas (trabalho passivo, na Figura 2) pode resultar em habilidades reduzidas para resolver problemas ou realizar mudanças. A falta de ajuda para aprender potencializa e pode resultar em sentimentos e comportamentos depressivos.

Inversamente, quando as altas demandas de trabalho são compatíveis com o grau de autoridade e as habilidades requeridas (estressores controláveis, ou trabalhos ativos) ocorre mais aprendizagem ativa e maior lócus interno no desenvolvimento do controle. Essa situação pode capacitar indivíduos a desenvolverem uma escala mais ampla de estratégias de

Figura 2: Modelo de tensão do trabalho

Fonte: SCHNALL, P.L. et al. Job strain and cardiovascular disease. Annual Review of Public Health: 15; 381-411, 1994.

Outro modelo importante na literatura para explicar o estresse ocupacional é apresentado por Chanlat (1990), o qual pode ser explicado por meio de seis variáveis principais: a) forma de gestão e as exigências profissionais requeridas; b) carga de trabalho (física, mental e afetiva);

c) grau de autonomia que o trabalhador possui para desenvolver as suas atividades (poder, controle e domínio); d) grau de reconhecimento que lhe é despendido (conhecimento, experiência, know-how, sabedoria de vida); e) nível de apoio social (hierarquia, pares, subordinados, grupos externos, família, amigos); e f) nível de estresse profissional, que está (Alta)

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diretamente relacionado com a saúde mental e física das pessoas. Essas variáveis que compõem o modelo se inter-relacionam, como mostra a Figura 3.

Figura 3: Modelo de estresse ocupacional

Fonte: ZILLE, L. P. Novas perspectivas para a abordagem do estresse ocupacional em gerentes: estudo em organizações brasileiras de setores diversos. Belo Horizonte: CEPEAD/FACE/UFMG, 2005 (Tese de Doutorado).

Para Goldberg (1986), o indivíduo, além de estar inserido em um mundo organizacional físico, também está em um mundo psicológico, uma vez que toda organização ostenta um ambiente psicológico próprio, que influencia os processos emocional-cognitivos gerais das pessoas que nela trabalham. Portanto, é fundamental que se considere como um dos influenciadores do estresse não somente o ambiente de trabalho no qual o indivíduo está inserido, mas também a sua vulnerabilidade individual aos fatores de pressão e às tensões existentes no ambiente. O autor ainda acrescenta que a intensidade da vulnerabilidade irá depender, principalmente, da estrutura psicofísica de cada indivíduo.

Mais recentemente, Zille (2005) desenvolveu um modelo teórico de explicação do estresse ocupacional em gerentes (MTEG), que engloba os seguintes construtos de primeira ordem:

FORMAS DE GESTÃO

CARGA DE TRABALHO

GRAU DE AUTONOMIA

NÍVEL DE APOIO SOCIAL

NÍVEL DE STRESS PROFISSIONAL

SAÚDE MENTAL E FÍSICA DO INDIVÍDUO

GRAU DE RECONHECIMENTO

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fontes de tensão no trabalho, fontes de tensão do indivíduo e do papel gerencial, mecanismos de regulação, sintomas de estresse e impactos na produtividade. Conforme mostra a Figura 4, esses construtos são explicados pelos construtos de segunda ordem relacionados e seus respectivos indicadores.

Nesse contexto, a manifestação do estresse está relacionada ao desequilíbrio acentuado entre os níveis de tensão que o indivíduo recebe do meio e à sua capacidade psíquica de suportá-lo.

Em pesquisa realizada pelo autor em 15 empresas brasileiras de setores diversos, com 550 indivíduos ocupantes de função de alta gerência, gerência intermediaria e gerência operacional, constatou-se que 63% dos gerentes pesquisados apresentavam quadro de estresse, sendo 45% com estresse leve a moderado, 15% com estresse intenso e 3% com manifestações de estresse muito intenso. Em relação ao construto fontes de tensão no trabalho, que apresenta como fatores associados os processos de trabalho, relações no trabalho, insegurança na relação de trabalho e convivência com indivíduos de personalidade difícil, os indicativos de tensão excessiva identificados que apresentaram maior intensidade foram os seguintes:

Com relação aos processos de trabalho: realização de várias atividades ao mesmo tempo, com alto grau de cobrança; filosofia de trabalho pautada pela obsessão e compulsão por resultados; muitos prazos e cronogramas apertados, gerando incômodo e tensão excessiva;

pressão excessiva no trabalho; e excesso de metas.

Com relação às relações no trabalho: orientações superiores implícitas ou explícitas no sentido de agir fora do que é considerado eticamente correto; percepção da relação de emprego como insegura/instável; e inibição da autenticidade e coerência.

Com relação à insegurança na relação de trabalho e convivência com indivíduos de personalidade difícil: conviver com indivíduos de difícil relacionamento (ansiosos, estressados e desequilibrados emocionalmente).

Já em relação ao construto fontes de tensão do indivíduo e do papel gerencial, que apresenta como fatores associados ao trabalho: responsabilidade acima dos limites; estilo e qualidade de vida; trabalho dos gerentes; e desmotivação, os indicativos identificados na pesquisa de Zille (2005) que apresentaram maior intensidade foram:

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Com relação às responsabilidades acima dos limites: compromissos muito desafiadores.

Com relação ao estilo e qualidade de vida: dificuldade de desligar-se de contextos relacionados ao trabalho e tempo muito tomado com compromissos assumidos, com pouco ou nenhum tempo livre, até mesmo após o expediente e finais de semana.

Com relação ao trabalho dos gerentes: conflitos por ter que, ao mesmo tempo, ser inovador e dotado de autonomia e estar sujeito às normas da organização; conflitos em função da sobrecarga de trabalho e a impossibilidade de questionar a situação por ocupar função gerencial; percepção dos resultados conforme o esperado, não podendo manifestar esta percepção para a organização, tendo que solicitar à equipe resultados ainda mais desafiadores;

e conviver com situações de tensão inerentes às relações humanas no trabalho.

Com relação à desmotivação: desmotivação importante com o trabalho.

Quanto aos mecanismos de regulação, explicados pelos construtos interação e prazos;

descanso regular; experiência no trabalho e atividade física é possível observar que na pesquisa do autor, com relação à interação e prazos os indicadores mais importantes são periodicidade de cobranças e canal aberto na empresa para discutir situações de dificuldade e tensão. Com relação ao descanso regular, dois indicadores são destacados nos resultados da pesquisa: não gozar férias regular e não descansar de forma regular nos finais de semana. Já quanto ao indicador experiência no trabalho e atividade física regular pode-se observar que este construto apresenta condição mediana de explicar a ocorrência de estresse nos gerentes pesquisados.

No construto sintomas de estresse têm-se os seguintes construtos de segunda ordem com seus principais indicadores apresentado a seguir.

Sintomas de hiperexitabilidade e alteração do senso de humor: nervosismo; irritabilidade fácil; perda e/ou oscilação do senso de humor; e ímpetos de raiva.

Sintomas psíquicos decorrentes do sistema nervoso simpático (SNS) e gástrico: ansiedade e angústia.

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Sintomas relacionados ao aumento de tônus muscular, tontura/vertigem, falta ou excesso de apetite e relaxamento: fadiga; dor nos músculos do pescoço e ombros por tensão; insônia; e falta ou excesso de apetite.

Por fim, quando aos impactos na produtividade, os indicadores que aparecem com mais freqüência, por ordem de importância, são: dificuldade de lembrar fatos recentes que anteriormente eram lembrados com naturalidade; dificuldade de concentração no trabalho e desgaste nos relacionamentos interpessoais no trabalho e fora dele; perda do controle em relação aos eventos da vida; e redução da eficiência no trabalho.

Para a realização deste trabalho, foi utilizado o modelo teórico e o questionário aderente proposto por Zille (2005) para explicar o estresse ocupacional em gerentes (MTGE).

A Figura 4 mostra o modelo teórico desenvolvido pelo autor.

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Figura 4 Modelo teórico para explicar o estresse ocupacional em gerentes - MTGE

Fonte: ZILLE, L. P. Novas perspectivas para a abordagem do estresse ocupacional em gerentes: estudo em organizações brasileiras de setores diversos. Belo Horizonte: CEPEAD/UFMG, 2005:191. (Tese Doutorado) Legenda: 1) As indicações dos valores entre parênteses no modelo teórico como + (0,8); + (-0,1) ... referem-se aos coeficientes de caminho estimados pelo PLS Partial Least Squares, como intervalos de confiança a 5%, para explicação dos construtos do modelo teórico. 2) A numeração relativa aos fatores dos constructos de segunda ordem constantes do modelo teórico, referem-se aos indicadores dos respectivos fatores extraídos através da Matriz Rotacionada de Componentes Final (ZILLE, 2005: 186 e 148-149).

Assumindo a utilização deste modelo para alcançar os objetivos deste estudo, será apresentada a seguir, a metodologia, a análise dos dados e as conclusões finais.

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4. METODOLOGIA DO ESTUDO EMPÍRICO

Neste capítulo serão apresentados: os aspectos metodológicos que orientaram o trabalho; a forma como a coleta de dados foi realizada e o modo como os dados coletados foram sistematizados, processados e analisados.

4.1 Aspectos gerais

Para caracterizar os aspectos gerais da pesquisa, a seguir apresenta-se o tipo e o método de pesquisa e a caracterização das unidades de análise e de observação.

4.1.1 Tipo e método de pesquisa

Considerando-se o critério de classificação de pesquisa proposto por Vergara (2006), quanto aos fins e quanto aos meios, tem-se:

a) Quanto aos fins caracteriza-se por ser uma pesquisa explicativa, cujo objetivo é identificar os fatores que contribuem, de alguma forma, para a ocorrência do fenômeno de estresse ocupacional em um grupo de gestores; e descritiva, na medida em que apresenta as características de determinada população/fenômeno ou, mesmo, estabelece relação entre as variáveis estudadas;

b) Quanto aos meios de investigação trata-se de pesquisa de campo e estudo de caso.

A pesquisa de campo está diretamente relacionada a uma investigação empírica realizada na organização onde ocorreu o fenômeno objeto de investigação. O estudo de caso buscou aprofundar a análise e a descrição considerando as transformações na função gerencial propostas pela literatura, as mudanças nas tecnologias organizacionais nas últimas décadas e as principais fontes de tensão no ambiente de trabalho que acometem os níveis gerenciais da empresa em estudo, responsáveis pelo desencadeamento de quadros de estresse no grupo ocupacional pesquisado.

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Segundo Yin (2005), a estratégia de pesquisa depende das seguintes condições: tipo de questão da pesquisa, grau de controle que o pesquisador possui sobre os eventos comportamentais, e foco em fenômenos históricos em oposição a fenômenos contemporâneos.

Segundo o autor, o estudo de caso é especialmente adequado a fenômenos complexos, uma vez que permite preservar as características globais e significativas de seus acontecimentos.

Por meio dele, investiga-se empiricamente um fenômeno contemporâneo em seu próprio contexto, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidos. Essa condição se aplica bem às práticas gerenciais da organização que são influenciadas pelo contexto no qual se inserem.

Além disso, tal estratégia se aplica às situações em que existem muitas variáveis de interesse, sendo necessário basear-se em várias fontes de evidências e orientar-se por proposições teóricas na coleta de dados. Esses fatores justificam a escolha pelo método do estudo de caso (YIN, 2005).

4.1.2 Unidades de análise e de observação

O presente trabalho teve como unidade de análise as práticas gerenciais e como unidade de observação os indivíduos que constituem os níveis gerenciais: gerentes e superintendentes de uma organização com atuação na área de prestação de serviços no setor de energia elétrica da região sudeste brasileira.

Foram considerados dois grupos gerentes e superintendentes em função de sua representação na gestão da empresa pesquisada, da proximidade da função que exercem e do fato de vivenciarem todo o processo de mudança organizacional a que a empresa foi submetida nos últimos anos e continua sendo submetida atualmente. Em termos de atuação, gerente é aquele que se responsabiliza pela gestão de um departamento específico e o superintendente, hierarquicamente superior ao gerente, é aquele que se responsabiliza pela gestão de mais de um departamento, o que, de forma geral, engloba três a quatro gerências/departamentos. Hierarquicamente acima dos superintendentes estão os diretores, que são, nesta organização, representados por cinco profissionais responsáveis por seis diretorias e um diretor-presidente, que responde por toda a empresa. Esses dois níveis hierárquicos não foram considerados para fins desta pesquisa, em função da natureza da

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função que exercem que está muito mais voltada para fins estratégicos e de planejamento do que propriamente ligados à rotina de gestão da empresa.

4.2 Coleta de dados

Para coleta de dados, utilizou-se o questionário referente ao MTEG, elaborado por Zille (2005). O instrumento buscou detectar as principais fontes de tensão presentes no ambiente de trabalho e o nível de estresse ao qual estão submetidos os gestores da organização pesquisada, medindo a exposição potencial em relação aos estressores presentes nas diversas áreas de trabalho. O instrumento de diagnóstico possibilitou identificar os níveis de estresse existentes, examinar até que ponto os gestores estão sendo afetados de forma diferenciada e identificar as principais fontes de tensão presentes no ambiente organizacional responsáveis pelos níveis de estresse ocupacional apresentados pelos gerentes.

A versão final do questionário, como apresentada por Zille (2005: 299), foi organizada em seis partes, de acordo com a estrutura apresentada a seguir:

Parte I Dados demográficos e ocupacionais: visou obter informações sobre os dados de identificação e de biografia dos respondentes. Foram coletadas informações sobre sexo, idade, órgão de lotação, data de nascimento, nível hierárquico que o gestor ocupa na estrutura organizacional, tempo de exercício na função atual, aspectos do trabalho atual, família, educação, estilo de vida, saúde e interesses específicos.

Parte II Sintomas de estresse: compõe-se por 35 questões fechadas e 1 questão aberta, em que foram pesquisados os principais sintomas de estresse e outros indicadores relacionados ao estresse, como estilo de vida, impacto na produtividade, responsabilidades assumidas e aspectos relacionados à desmotivação.

Parte III Fontes de tensão excessiva no trabalho: compõe-se por 23 questões fechadas e 2 questões abertas, cujo o objetivo foi medir os aspectos relacionados aos processos de trabalho, às relações de trabalho e à segurança no local de trabalho dos gestores.

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Parte IV Aspectos específicos do trabalho do gerente causadores de tensão excessiva:

Compõe-se de 9 questões fechadas, em que se buscou identificar os aspectos específicos do trabalho dos gestores que são causadores de tensão excessiva no ambiente ocupacional.

Parte V - Mecanismos de regulação: compõe-se de 10 questões fechadas, em que se buscou identificar o grau de intensidade dos mecanismos de regulação (utilizados pelos gestores para minimizar/atenuar níveis de tensão excessivos no trabalho).

Parte VI Outras fontes de tensão excessiva: compõe-se de 6 questões, 5 fechadas e 1 aberta, em que se analisou outras fontes de tensão excessiva que não são relacionadas ao trabalho, como as de natureza familiar e social, bem como questões de natureza própria relacionadas às características pessoais, de formação, entre outras.

O instrumento pode ser caracterizado como um questionário estruturado fechado, constituído por 111 itens que visaram mapear, diante das transformações na função gerencial propostas pela literatura, as principais fontes de tensão decorrente das relações de trabalho que o ocupante da função gerencial estabelece e os níveis de estresse associados a essas tensões. A opinião do gestor em relação à maior parte dos itens foi assinalada em uma escala tipo Likert com cinco possibilidades de resposta: Nunca, Raramente, Algumas vezes, Freqüentemente e Muito freqüentemente. Para as demais questões fechadas, foi desenvolvida uma escala de alternativas segundo o objetivo da questão.

Para a aplicação do questionário, utilizou-se o software Limesurvey. O acesso ao questionário foi feito via link http://daguer.psc.br/limesurvey/index.php?sid=72499&lang=pt-BR, em que o questionário (ANEXO A) pôde ser eletronicamente respondido pelos gerentes que participaram da pesquisa.

4.2.1. Procedimentos de amostragem da pesquisa

Para obter-se um número satisfatório de gerentes pesquisados, para o cálculo da amostra utilizou-se as orientações de Malhotra (2001). Segundo o autor, para a determinação do tamanho da amostra, aplica-se a fórmula que segue:

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n = P(1-P)Z2

D2 Em que:

P: estimativa/proporção = 0,9

Z: valor de Z para intervalo de confiança de 95%

D: margem de erro ou nível de precisão = 5,8%

n: tamanho da amostra

Entretanto, se o tamanho amostral resultante representa 10% ou mais da população, deve-se aplicar o fator de correção de população finita. O tamanho amostral exigido deve, então, ser calculado pela fórmula:

nc = n N

N+n-1 Em que:

n: tamanho da amostra = 101

nc: tamanho da amostra com fator de correção de população N: população = 160

Assim, seguindo as orientações do autor, a amostra (nc = 62) efetivada nesta pesquisa e calculada no software excel, apresenta margem de erro de 5,8% em um intervalo de confiança de 95% (P = 1,96) para uma população finita de 160 elementos.

4.2.2 Sistematização e processamento dos dados

Após a aplicação do questionário, os dados foram tratados da seguinte forma:

a) Montagem de planilha para construção da base de dados, utilizando-se o software Excel;

b) Codificação dos dados dos questionários;

c) Transferência eletrônica dos dados codificados para a planilha elaborada;

d) Execução dos cálculos estatísticos com o objetivo de fazer o diagnóstico do estresse enquadrando os dados de acordo com os seguintes parâmetros: ausência

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de estresse; estresse leve a moderado; estresse intenso; e estresse muito intenso.

A análise desses dados foi realizada com base na amostra global e por categoria de gerência (superintendente ou gerente). Posteriormente, foram identificadas as fontes de tensão que tiveram maior incidência nos indivíduos que apresentam quadro de estresse intenso, como também foram mapeados os principais sintomas associados aos quadros de estresse encontrados.

e) Análise da amostra que apresentou ausência de estresse e estresse leve a moderado e a amostra que apresentou estresse intenso e em relação aos seguintes fatores: tempo na função, idade, consumo de bebida alcoólica, carga de trabalho (número de horas trabalhadas) e questões relacionadas à saúde.

e) Análise da amostra que apresentou ausência de estresse e estresse leve a moderado e a amostra que apresentou estresse intenso e em relação aos seguintes fatores: tempo na função, idade, consumo de bebida alcoólica, carga de trabalho (número de horas trabalhadas) e questões relacionadas à saúde.