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3. O MÉTODO SMED NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO

3.2 PROCESSOS E OPERAÇÕES

3.2.1 O estudo de tempos e movimentos

As pessoas são sem dúvida um elemento importante do sucesso nos negócios de qualquer organização, pois são elas que realizam aquilo que os gestores e engenheiros idealizam como o adequado. Se as pessoas são elementos tão importantes na organização, sobre elas devem ser realizados estudos que compreendam sua eficiência e satisfação a fim de atingir os objetivos organizacionais.

Para Rocha (1995), a análise das operações visa observar os movimentos e os tempos correspondentes, enfocando o homem, ou o homem e seu equipamento, de forma que cada operação, ou seus elementos, seja devidamente questionada quanto ao modo de ser feita.

De acordo com Shingo (1996), os trabalhos realizados por Taylor no estabelecimento de tempos padrão e de Gilbreth sobre o estudo de movimentos não foram adequadamente compreendidos por muitos teóricos que não entenderam os critérios do que chamou de “engenharia humana”, muitos ignorando até as teorias sobre a fadiga.

Essa conclusão de Shingo (2000, p. 49) demonstra sua preocupação em compreender adequadamente a relação do homem e seu trabalho:

Um método extremamente efetivo é filmar toda a operação de setup e mostrar a fita aos operadores imediatamente após a sua realização. Dar-lhes a oportunidade de verem a si mesmos geralmente provoca geração de idéias surpreendentemente astutas e úteis e, com muita freqüência, de aplicação imediata. Embora alguns consultores defendam uma profunda análise contínua da produção para melhorar o setup, a verdade é que observações e discussões informais com os trabalhadores geralmente são suficientes.

De acordo com Peroni (1980), os princípios elaborados por Descartes na antiguidade, podem nortear a quem se propõe melhorar os métodos de trabalho da empresa, no estudo dos movimentos determina-se o melhor método de trabalho, e o mesmo deve ser função de todos que direta ou indiretamente estão ligados à produção.

Segundo Barnes (1963), a maior contribuição de Taylor, foi seu método científico e a substituição da forma empírica de se resolver os problemas pelo estudo sistemático e ordenado dos fatores intervenientes em cada problema particular, compreendendo que estava tratando com um problema humano, de máquinas e materiais, que o levou a considerar os aspectos psicológicos em suas investigações.

A definição de Taylor ao estudo de tempos é a seguinte: “O estudo de tempo é o elemento da administração científica que torna possível a transferência da habilidade da administração para os operários...” (BARNES, 1963, p.24).

O estudo de tempos como ilustra o quadro 3.2, pode ser divido em duas categorias:

Esses estudos conforme pode se observar nas categorias analítica e construtiva do quadro 3.2 faz uso do estudo de movimentos desenvolvido por Gilbreth, o que demonstra claramente o relacionamento entre o movimento e o tempo.

De acordo com Barnes (1963), Frank Gilbreth iniciou o estudo de movimentos a partir de 1885, quando se empregou como empreiteiro de obras e começou a observar o trabalho executado por pedreiros no canteiro de obras, constatando que os movimentos para fazer um mesmo trabalho de assentamento de tijolos eram diferente de um pedreiro para o outro.

QUADRO 3.2 - Fases do estudo de tempos - FONTE: Barnes, (1963, p. 24 e 25)

Fase analítica

1. Dividir o trabalho de um homem executando qualquer operação em movimentos elementares.

2. Selecionar todos os movimentos desnecessários e eliminá-los.

3. Observar como vários operários habilidosos executam cada movimento elementar, e com o auxílio de um cronômetro, escolher o melhor e mais rápido método de se executar cada um deles.

4. Descrever, registrar e codificar cada movimento elementar com seu respectivo tempo, de forma que possa ser facilmente identificável.

5. Estudar e registrar a porcentagem que deve ser adicionada ao tempo selecionado de um bom operário, para cobrir esperas inevitáveis, interrupções, pequenos acidentes, etc.

6. Estudar e registrar a porcentagem que deve ser adicionada ao tempo selecionado, para cobrir a inexperiência do operário nas primeiras vezes que ele executa a operação. 7. Estudar e registrar a porcentagem de tempo que deve ser tolerada para descanso e os

intervalos em que o descanso deve ser efetuado a fim de eliminar a fadiga física.

Fase construtiva

8. Combinar em vários grupos os movimentos elementares, que são usados frequentemente na mesma sequência, em operações semelhantes; registrá-los e arquivá-los de tal forma que eles possam ser facilmente encontrados.

9. Destes registros é fácil selecionar-se a sequência adequada de movimentos que devam ser usados por um operário produzindo determinado artigo, somando-se os tempos relativos a esses movimentos e adicionando-se as tolerâncias correspondentes, obteremos o tempo padrão para a execução da tarefa em estudo.

10. A análise de uma operação, quase sempre revela imperfeições nas condições que cercam esta operação, tais como: o uso de ferramentas inadequadas, o emprego de máquinas obsoletas e a existência de más condições sanitárias, etc. E o conhecimento adquirido através da análise, muitas vezes permite a padronização das ferramentas e das condições de trabalho e o desenvolvimento de melhores máquinas e métodos.

Posterior ao seu casamento, juntamente com sua esposa os Gilbreth a princípio faziam uso da fotografia para realizar seus estudos, mas foi com a máquina de filmar que foram feitas as maiores contribuições ao estudo dos movimentos, principalmente no estudo dos micromovimentos, denominação dada por eles aos movimentos pequenos e rapidamente executados.

Sobre os Gilbreth, Barnes (1963, p. 32), registrou que:

Os Gilbreth fizeram uso reduzido da cronometragem direta. Concentrando-se na melhor forma possível de executar um trabalho, eles desejavam determinar o tempo mínimo em que uma tarefa podia ser completada. Usaram dispositivos para medida de tempo de grande precisão e selecionaram os melhores operadores que podiam obter, para objeto de seus estudos.

Os micromovimentos ou Therbligs como foi registrado pelos Gilbreth são os seguintes: procurar, selecionar, agarrar, transportar vazio, transportar carregado, segurar, aliviar carga, posicionar, pré-posicionar, inspecionar, montar, desmontar, usar, atraso inevitável, atraso evitável, planejar e descansar, cada qual com o seu significado: procurar significa “caçar” um item com as mãos e/ou com os olhos; selecionar significa escolher um objeto a partir de um grupo de objetos....

A técnica de filmagem até hoje é presente nos estudos relacionados à produção, pois possibilita o registro de todos os movimentos que uma máquina fotográfica não seria capaz de captar, o que permite a construção de diagramas de análise mais adequados para a tomada de decisão.

Os movimentos estudados pelos Gilbreth e que posteriormente foram ampliados por outros autores, levaram a formulação do que foi denominado de princípios de economia dos movimentos como é demonstrado no quadro 3.3.

Os princípios da economia de movimentos são aplicáveis ao método SMED, pois os hábitos arraigados nos operários precisam de orientações objetivas, capaz de demonstrar que existe uma forma mais adequada de trabalhar, tecnicamente menos cansativa e certamente mais produtiva.

Todas as orientações acerca de tempos e movimentos permitem um retorno ao tempo que chega até a Descartes, demonstrando o quanto são antigos tais conceitos e que impõe o desafio da observação permanente e sistemática para a melhoria, infelizmente tais práticas ainda não se tornaram universais e demonstram claramente porque muitas empresas não conseguem se tornar mais competitivas.

QUADRO 3.3 - Princípios da economia de movimentos - FONTE: Martins e Laugeni, (2006, p. 104 e 105)

PRINCÍPIOS PARA USO DO CORPO HUMANO

1. As mãos devem iniciar os movimentos ao mesmo tempo.

2. As mãos não devem permanecer paradas ao mesmo tempo (a não ser em períodos de descanso).

3. Os braços devem ser movimentados simetricamente e em sentidos opostos. 4. O movimento das mãos deve ser o mais simples possível.

5. Deve-se utilizar o impulso.

6. As mãos devem utilizar movimentos suaves e contínuos.

7. Devem ser utilizados movimentos balísticos, por serem mais precisos. 8. Deve-se manter o ritmo do trabalho.

PRINCÍPIOS PARA O LOCAL DE TRABALHO

9. Deve haver um local predeterminado para todos os materiais, ferramentas e demais objetos.

10. Os materiais, as ferramentas e demais objetos devem ser dispostos obedecendo os aspectos antropométricos do operador.

11. Deve ser utilizada a alimentação de peças por gravidade.

12. Devem ser utilizados alimentadores de peças que possibilite retirada fácil da peça pelo operador.

13. Os objetos devem ser posicionados de maneira a permitir uma sequência adequada de utilização.

14. Deve haver boas condições ambientais (luz, ruído, temperatura, umidade). 15. O assento deve seguir os conceitos ergonômicos.

16. O conjunto mesa-assento deve permitir que o operador possa trabalhar alternadamente sentado e em pé.

PRINCÍPIOS PARA AS FERRAMENTAS E PARA OS EQUIPAMENTOS

17. Devem ser utilizados gabaritos e suportes para livrar as mãos de segurar objetos. 18. Duas ou mais ferramentas devem ser combinadas.

19. Os objetos devem estar disponíveis para uso.

20. Em trabalhos que utilizam a força dos dedos, a carga de trabalho de cada dedo deve ser distribuída de acordo com a força de cada um deles.

21. Os cabos das ferramentas devem seguir um projeto ergonômico.