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5 O SISTEMA SUB-REGIONAL: DIFICULDADES PARA A SUA IMPLANTAÇÃO

6.2 O BRASIL E A INTEGRAÇÃO REGIONAL

6.2.1 O Exemplo que Vem da Europa

Diante de tamanho desafio, apresenta-se como salutar a busca por exemplos de sucesso nessa seara de tão complexas atividades diplomáticas, econômico-financeiras e técnicas, conforme acenada acima. Assim, observar como a Comunidade Europeia desenvolveu seus projetos integracionistas ao longo de mais de cinquenta anos de construção do bloco e união dos seus Estados, é algo imprescindível aos governos sul-americanos. Nesse contexto, cabe ser citada a

iniciativa comunitária relativa à cooperação transeuropeia destinada a incentivar o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do território europeu, lançada por meio da Comunicação da Comissão Europeia aos Estados membros, em 2 de setembro de 2004, e denominada de “Interreg” (COMISSÃO EUROPEIA, 2004).

A criação dessa iniciativa foi decidida pela Comissão das Comunidades Europeias em 28 de abril de 2000. Por intermédio da mesma, a Comunidade apóia financeiramente medidas e regiões que estejam abrangidas pelos programas de iniciativa comunitária, apresentados pelos Estados membros e aprovados pela Comissão. O objetivo geral da iniciativa é garantir que as fronteiras nacionais não constituam um obstáculo ao desenvolvimento equilibrado e à integração do território europeu como um todo. O isolamento representado pelas zonas fronteiriças europeias revelou uma dupla e indesejada realidade:

ƒ Fronteiras que separam comunidades fronteiriças, segregando em nível econômico, social e cultural, impedem a coerente gestão dos ecossistemas; e

ƒ Políticas nacionais que frequentemente negligenciam as zonas fronteiriças contribuem para que as respectivas economias tendam a tornar-se periféricas dentro das fronteiras nacionais.

Assim, o mercado único e a União Econômica e Monetária desempenham uma importante função catalisadora no sentido de mudar esta situação. Todavia, segundo a COMISSÃO EUROPEIA (2004), continua a existir um vasto campo de ação para ser desenvolvida uma cooperação nas zonas fronteiriças, capaz de gerar benefícios mútuos para os Estados adjacentes. Tal posicionamento mostra ao Mercosul o quão complexo e extenso é o desenvolvimento de uma região integrada social, cultural e economicamente, redundando, porém, em benefícios extensíveis a toda a região, inclusive às sub-regiões mais afastadas dos maiores pólos administrativos, comerciais e industriais de cada Estado membro.

Para que um projeto com a envergadura da iniciativa Interreg alcance os objetivos desejados, há que se contar com investimentos e o necessário financiamento. O apoio financeiro para a iniciativa tem sido constituído não só para o desenvolvimento da necessária integração física, mas também para a promoção da educação, formação profissional e intercâmbios culturais.

No mesmo sentido, constam recursos para solucionar os problemas de saúde nas zonas

fronteiriças, proteção e melhoria do meio ambiente, fomento a sistemas de gestão conjunta e de organismos transnacionais e transfronteiriços (COMISSÃO EUROPEIA, 2004).

Seguindo a referida orientação, foram conseguidos avanços significativos no sentido de uma programação transfronteiriça comum e de uma gestão conjunta dos programas. No entanto, segundo a COMISSÃO EUROPEIA (2004), em alguns casos foram gerados efeitos considerados perversos, em função do desenvolvimento de projetos paralelos em cada lado da fronteira, impedindo que as zonas fronteiriças e os Estados membros se beneficiassem plenamente da cooperação. No que se refere às fronteiras externas e à cooperação com países terceiros, surgiram problemas adicionais decorrentes, sobretudo, das deficientes estruturas administrativas desses países e de dificuldades de coordenação dos instrumentos de política externa da União, devido a diferenças nas regras de financiamento e de funcionamento.

A iniciativa Interreg prevê duas linhas básicas de ação: uma para a cooperação transnacional e outra para a cooperação transfronteiriça. A cooperação transnacional entre autoridades nacionais, regionais e locais tem como finalidade promover um maior grau de integração territorial em grandes agrupamentos de regiões européias. Objetiva alcançar um desenvolvimento sustentável, harmonioso e equilibrado na Comunidade e uma maior integração territorial em relação aos países candidatos e a outros países vizinhos. Para os seus domínios prioritários, dada a limitação dos recursos financeiros e a vastidão dos territórios abrangidos, importa evitar a dispersão de esforços e privilegiar a concentração dos objetivos.

Entre outras prioridades e medidas para a cooperação transnacional, encontra-se a previsão de apoio ao desenvolvimento de sistemas de transporte eficientes e sustentáveis.

Quanto à cooperação transfronteiriça entre autoridades vizinhas, a qual guarda forte relação com os fundamentos que nortearam a criação do Sistema Sub-regional sul-americano, cabe citar que é um tipo de iniciativa que visa desenvolver centros econômicos e sociais transfronteiriços através de estratégias comuns para um desenvolvimento territorial sustentável. Entre seus domínios prioritários está contemplado o incentivo da capacidade empresarial e do desenvolvimento de pequenas empresas (incluindo no setor turístico), bem como de iniciativas locais de emprego. Quanto às medidas elegíveis para o turismo, destacam-se:

ƒ O desenvolvimento de um turismo de qualidade e alinhado às questões ambientais, mediante projetos de investimento, concepção e introdução de novos produtos turísticos, suscetíveis de criar postos de trabalho sustentáveis; e

ƒ A adoção de medidas promocionais, tais como estudos de mercado e criação de sistemas de reserva comuns.

Complementarmente à proposta turística, somadas ainda à intenção de elevação do bem-estar das comunidades fronteiriças, há também as medidas elegíveis para os melhoramentos no setor dos transportes, as quais são:

ƒ Eliminação de obstáculos ao transporte público, sobretudo entre localidades próximas das fronteiras;

ƒ Fomento de meios de transporte não agressores ao meio ambiente; e

ƒ Supressão de pontos de congestionamento em todos os tipos modais.

O processo para o financiamento pela iniciativa comunitária se dá com base nas dotações financeiras indicativas por Estado e fixadas pela Comissão, com especificação das margens de flexibilidade entre vertentes transfronteiriça e transnacional. Assim, os Estados procedem a uma repartição das dotações financeiras por vertente, e nessa repartição devem assegurar um adequado equilíbrio ao financiamento disponível para os dois lados fronteiriços. As propostas são preparadas por comitês transfronteiriços ou transnacionais conjuntos ou por outros organismos constituídos pelas autoridades regionais, locais e/ou nacionais competentes e, se for caso, por parceiros não governamentais competentes. É importante salientar que todas as regiões passíveis de serem contempladas pelos programas de cooperação já foram relacionadas pela Comissão Europeia (COMISSÃO EUROPEIA, 2004).