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3. Programa de Descentralização Financeira - Prefeitura Municipal de Curitiba

3.2 Programa de Descentralização Financeira

3.2.1.1 O Funcionamento do Programa e o 1º Manual de Orientações do Programa

A partir de agora o objetivo é apresentar, de forma pormenorizada, o funcionamento do Programa de Descentralização Financeira, com os documentos que serviram de referencial. A Prefeitura Municipal de Curitiba lançou o Programa de Descentralização, por meio de um Manual de Orientações no ano de 1997. O início desta gestão (1997) coincidiu com a promulgação da Lei n° 9.394 - LDB de dezembro de 1996 e, segundo a SME, foi necessário uma adequação às novas orientações, com relação à gestão financeira dos recursos destinados à educação.

O programa objetivava:

(...) que a busca de soluções para todas as necessidades de nossas escolas passe pela deliberação conjunta entre a equipe administrativa de cada unidade e a comunidade, efetivando assim um processo de integração imprescindível ao cumprimento do papel esperado da escola na sociedade contemporânea. (CURITIBA, 1997).

O repasse de recursos públicos para as APPFs inaugurou um novo modelo de gestão, com a necessidade de novos conhecimentos de legislação tributária. No que se refere aos aspectos administrativos, antes da implantação do Programa, todas as compras e distribuição de materiais eram feitas de forma centralizada, pela Secretaria Municipal de Administração, para toda Prefeitura e nem sempre conseguia atender adequadamente as escolas. Além disto, era necessário manter uma estrutura de almoxarifado e logística para estoque e entrega dos materiais.

Com o Programa de Descentralização estavam previstas duas formas para recebimento dos recursos: ordinária – a escola recebia trimestralmente a quantia que lhe cabia, a partir do cálculo feito com base no número de alunos matriculados;

e extraordinária – onde a escola recebia recursos extras para sanar problemas pontuais, questões que surgem no cotidiano da escola, como restauração de muros, reforma de telhados, dentre outros.

Com os recursos recebidos as APPFs podiam adquirir materiais e contratar serviços, tais como: material de expediente, didático-escolar, esportivo, de limpeza, alimentos complementares, para pequenos reparos (fechaduras, lâmpadas, vidros).

E também para prestação de serviços, com a contratação de mão-de-obra para pequenos reparos e consertos em geral. A compra de material permanente e

pagamento de pessoal não eram permitidos. Todas as compras necessitavam de notas fiscais, além de consulta de preços.

O repasse de recurso obedecia a lógica de um per capita, calculado de acordo com o número de alunos matriculados, chamada de “cotas/mês”. Neste período de implantação do Programa de Descentralização foram contemplados o Ensino Regular, Pré-escolar, Classe Especial, EJA, CEIs, Ensino de 5ª a 8ª, Escolas de Educação Especial e Unidade Escolar com Farol de Saber.

TABELA 7 - NÚMERO DE COTAS/MÊS POR MODALIDADE DE ENSINO

MODALIDADE DE ENSINO NÚMERO DE

COTAS/MÊS

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 1

PRÉ-ESCOLAR E SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL - 4 HORAS 1 PRÉ-ESCOLAR E SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL - 8 HORAS 2 SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (5ª A 8ª) REGULAR E SUPLETIVO 1,5

EDUCAÇÃO ESPECIAL 2,5

FONTE: MANUAL DE ORIENTAÇÕES DO PROGRAMA DE DESCENTRALIZAÇÃO (1997)

As Escolas que possuem Farol do Saber (bibliotecas utilizadas pela escola e pela comunidade) e os Centros de Atendimento Especializados (CMAES) recebiam um adicional de 150 cotas por mês. (CURITIBA, 1997, p.9).

O número de cotas, segundo o Manual, resultou de um consenso obtido junto à Comissão de Descentralização da Secretaria Municipal de Educação.

Os recursos da Descentralização eram repassados para as escolas trimestralmente, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. O número de

“cotas/mês” que a escola recebia no ano, era obtido a partir dos dados do número de alunos matriculados no dia 31 de março de cada ano, e que constam nos documentos da SME. O problema deste cálculo é o de não considerar o número real de alunos matriculados durante o ano, pois a escola deixa de receber o valor devido no caso de aumento das matriculas, porém recebe a mais, se estas diminuírem.

A distribuição de recursos na rede municipal de educação usa o critério universalista, no cálculo da cota por aluno. Todas as escolas recebem a mesma verba, variando apenas o valor em relação à quantidade de alunos. Não são consideradas as especificidades de cada escola, pois a estrutura física das mesmas

é variável em relação ao tamanho, a idade, isto é, se é nova ou antiga, dentre outros fatores. A questão era que os recursos do Programa, conforme o Manual, eram destinados apenas “ao atendimento das necessidades cotidianas das escolas da Rede Municipal de Ensino” (Curitiba, 1997, p.8).

Percebe-se que as ideias de autonomia, parceria e otimização dos recursos estão mais em evidência que a ideia de qualidade, embora todos estes fatores possam contribuir para a qualidade. Por isso, questões como região geográfica da escola, situação socioeconômica dos alunos, bem como seus resultados em níveis de aprendizagem, não são consideradas neste Programa.

Na prestação de contas a escola necessitava elaborar, a cada três meses, um Plano de Aplicação de Recursos e submetê-lo à análise e aprovação pelo Conselho de Escola e pela própria APPF. Os relatórios do 1º e 3º trimestres do convênio deviam ser entregues ao Núcleo de Assessoramento Financeiro (NAF) e, também, semestralmente, no 2º e 4º trimestres, a prestação de contas completa.

A APPF, na prestação de contas, apresentava todas as notas fiscais, recibos e formulários, bem como extratos e saldos bancários, de acordo com o modelo do Manual de Orientações do Programa.

Nos aspectos financeiros, o valor da “cota/mês” estabelecido por aluno na implantação do Programa de Descentralização da Prefeitura, em agosto 1997, foi de R$ 1,00 (um real).

O critério da SME para o recebimento de recursos era que, para cada aluno matriculado no período regular, no turno da manhã ou tarde (4 horas), a escola recebia R$ 1,00 (um real) ao mês, totalizando R$ 12,00 (doze reais) ao ano. No final do semestre de implantação do Programa de Descentralização Financeira, segundo Santos e Alessi (2004), o posicionamento dos diretores era para que esses recursos fossem aumentados.

A base jurídica do Programa na implementação era frágil, pois não havia lei regulamentando e o respaldo acontecia apenas pelo Manual de Orientações.

Buscando facilitar a análise e o entendimento das mudanças e alterações ocorridas no Programa durante a gestão 1997/2000, elaborou-se, o Quadro 1 - Comparativo do Programa de Descentralização Financeira nas Escolas Municipais de Curitiba - 1997/2004, abordando os objetivos, bem como os principais aspectos jurídicos, administrativos e financeiros; constante da próxima página.

Financeiros às Escolas Municipais - 1997 - PDRF Financeiros às Escolas Municipais - 2000 - PDRF

PERÍODO DE ABRANGÊNCIA 1997 À 1999 2000

DATA DE PUBLICAÇÀO Agosto/1997 2000

OBJETIVOS DO PROGRAMA - Oferecer à escola progressivos graus de autonomia de gestão financeira, conforme prevê o artigo 15 da LDB (Lei 9394.96);

- Estabelecer uma parceria eficaz entre a escola e a comunidade;

- Simplificar os procedimentos administrativos, possibilitando à escola adquirir materiais e serviços com mais agilidade, mais qualidade e menos custos.

- Oferecer à escola progressivos graus de autonomia de gestão financeira, conforme prevê o artigo 15 da LDB (Lei 9394.96);

- Estabelecer uma parceria eficaz entre a escola e a comunidade;

- Simplificar os procedimentos administrativos, possibilitando à escola adquirir materiais e serviços com mais agilidade, mais qualidade, menores custos e obtendo maior adequação às suas demandas especificas.

DOCUMENTO LEGAL ORGÃO EMISSOR

Manual de Orientação do Programa – 1997

Secretaria Municipal da Educação - SME Manual de Orientação do Programa – 2000 Secretaria Municipal da Educação - SME

FORMA JURÍDICA REPASSE Por meio de convênio entre o Município de Curitiba e a APPF Por meio de convênio entre o Município de Curitiba e a APPF

JURÍDICO

RESPONSABILIDADE

JURÍDICA Presidência da APPF Presidência da APPF

PERÍODO DO REPASSE Trimestral - na implantação em agosto/1997 e outubro/1997, na

continuidade nos meses de janeiro, abril, julho e outubro Trimestral – na segunda quinzena dos meses de fevereiro, maio, agosto e novembro de cada exercício financeiro PARA QUEM: Ensino Regular, Pré-escolar, Classe Especial, EJA, CEIs,

Ensino de 5ª a 8ª, Escolas de Educação Especial e Unidade Escolar que possui Farol do Saber.

Ensino Regular, Pré-escolar, Classe Especial, EJA, CEIs, Ensino de 5ª a 8ª, Escolas de Educação Especial, Unidade Escolar que possui Farol do Saber e CMAEs.

DESTINAÇÃO RECURSOS DOS

PARA QUÊ:

Aquisição de materiais de consumo: expediente, didático-escolar, esportivo, de limpeza, para reparos, alimentos complementares e outros. Prestação de serviços (mão-de-obra) de pequenos reparos e consertos.

Aquisição de materiais de consumo: de expediente, didático-escolar, esportivo, de limpeza, de reparos, alimentos comple-mentares e outros. Prestação de serviços (mão-de-obra) para pequenos reparos, limitados a 30% do montante repassados à escola no trimestre.

CRITÉRIO PARA REPASSE DE RECURSOS

A APPF recebe em conta bancária os recursos de acordo com o número de alunos matriculados em 31 de março. Este recurso é denominado de “cotas-mês” de acordo com os critérios a seguir:

- Pré-escolar, ensino fundamental (séries iniciais) e EJA – 1 cota por aluno por mês para período de 4 horas diárias e 2 cotas por aluno por mês para período integral de 8 horas diárias;

- Ensino fundamental (séries finais) e supletivo – 1,5 cotas por aluno por mês e Educação especial – 2,5 cotas por aluno por mês

Mantidos os critérios anteriormente estabelecidos (1997), relativos às cotas-mês, alterando-se, porém, a data base de cálculo do número de alunos para o repasse financeiro:

Em 31 de março para o segundo trimestre; em 30 de junho para o terceiro trimestre e em 30 de setembro para o quarto trimestre e primeiro trimestre do ano seguinte. Estabelecido nos repasses trimestrais o valor de R$ 0,10 (dez centavos) por aluno por mês para emergências médicas nos horários de aula.

ADMINISTRATIVO

FORMA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS

Por meio de Relatório de Aplicação de Recursos no 1º e 3º trimestre do convênio e de Prestação de Contas completa no 2º e 4º trimestre do convênio, aprovadas pelo Conselho de Escola e pela APPF e entregues ao NAF da SME.

Por meio de Relatório de Aplicação de Recursos em fevereiro, maio, agosto e novembro, e Prestação de Contas completa nos meses de fevereiro e agosto, aprovadas pelo Conselho de Escola e pela APPF e entregues ao NAF da SME.

VALOR DO REPASSE PER CAPITA

O valor da cota-mês na implantação do programa em

agosto/1997 era de R$ 1,00 (um real). O valor da cota-mês no ano de 2000 era de R$ 1,18 (um real e dezoito centavos).

CATEGORIAS DE ANÁLISE FINANCEIRO

MONTANTE DO PROGRAMA O valor total foi de R$ 11.364.411,56 (onze milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e onze reais e cinqüenta e seis centavos), de agosto de 1997 a dezembro de 1999.

O valor total foi de R$ 9.031.888,95 (nove milhões, trinta e um mil, oitocentos e oitenta e oito reais e noventa e cinco centavos), no período de janeiro a dezembro de 2000.

QUADRO 1 - COMPARATIVO DO PROGRAMA DE DESCENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE CURITIBA - 1997/2000 FONTE: A AUTORA (2010)

3.2.1.2 O Funcionamento do Programa e o 2º Manual de Orientações do