Os principais diplomas legais que instituíram, gradativamente, a União Européia são: O Tratado da Comunidade Européia do Carvão e do Aço (TCECA), o Tratado da Comunidade Econômica Européia (TCEE), o Tratado da Comunidade Econômica Européia (TCEE), o Tratado da União Européia (TUE) e o recente Tratado de Lisboa.
Estes tratados estabelecem a base para a convivência pacífica entre os países membros, deixando clara a evolução de uma simples cooperação internacional para a integração internacional regional.
Através do TCECA possibilitou-se a experimentação de uma nova fórmula, a de integração de um setor da economia, que terminou por se espalhar por outros setores da economia. Assinado em 18 de abril de 1951, em Paris, tinha objetivo de modernizar o setor, ter uma política transparente de preços e a livre circulação de produtos e meios de produção pelos países signatários. O Tratado permitiu lançar as bases da arquitetura comunitária, instituindo uma “Alta Autoridade”, uma Assembléia
Parlamentar, um Conselho de Ministros, um Tribunal de Justiça e um Comitê Consultivo. De acordo com as intenções expressas pelos seus promotores, a criação da CECA constituía apenas uma primeira etapa na via conducente à “Federação Européia”. O mercado comum do carvão e do aço deveria permitir ensaiar uma modalidade susceptível de ser progressivamente aplicada a outros domínios econômicos, por forma a aceder, em última instância, à construção de uma Europa política.
O TCEE e o EURATOM, assinados juntos no dia 25 de março de 1957, conhecidos como os Tratados de Roma, continuaram o processo de integração, prevendo o desenvolvimento de uma industria nuclear européia no primeiro e, no segundo, o desenvolvimento de relações mais estreitas entre os Estados membros, a criação de um Banco Europeu de investimento, a construção de um fundo social, o estabelecimento de uma barreira aduaneira comum e o estabelecimento de uma política agrícola e de transportes comum. Enquanto o Tratado CECA foi concluído por um período de 50 anos (artigo 97.º), os Tratados de Roma têm "uma vigência ilimitada" (artigo 240.º do Tratado CEE e artigo 208.º do Tratado EURATOM), o que lhes conferiu uma natureza quase constitucional.
O aspecto mais importante destes tratados foi a criação de vínculos mais estreitos entre os Estados-membros, fazendo com que o processo de cooperação engrenasse para que em seguida pudesse ser substituído por um processo de integração internacional.
O artigo 8.º do Tratado de Roma previa a realização de um mercado comum ao longo de um período transitório de 12 anos, dividido em três fases, cujo final estava previsto para 31 de Dezembro de 1969. A união aduaneira, que constituía o primeiro objetivo, foi realizada mais cedo que o previsto. O período transitório consagrado ao alargamento dos contingentes e à eliminação progressiva das fronteiras internas terminou em 1 de Julho de 1968. Durante esse período, foi adotada na Europa uma tarifa externa comum, a TEC, aplicável aos países terceiros. Porém, devido à política da “cadeira vazia” francesa, este processo parece ter parado no tempo.
O Ato Único Europeu foi o documento que veio alterar esta perspectiva. O AUE refletiu a nova dimensão da integração política. Em seu artigo 1º diz ser objetivo das Comunidades Européias progredir para tornarem-se uma verdadeira União Européia. Este ato da um novo impulso à política econômica das
comunidades, sendo o primeiro de vários passos para na via de integração. Ele “reviveu o momentum da integração” que desembocará no Tratado da União Européia (CRAIG e DE BÚRCA, 2003 p. 19).
Os objetivos do AUE foram, essencialmente, a concretização do grande mercado comum interno em janeiro de 1993, o reforço do papel do Parlamento Europeu, visando paliar o déficit democrático no sistema decisório comunitário e a melhoria da capacidade de decisão do conselho.
O Tratado da União Européia (TUE), ou o Tratado de Maastricht, é um elo fundamental para a criação de uma Europa unificada. Altera o Tratado de Paris, os Tratados de Roma e Ato Único Europeu, e estabelece de maneira oficial o nome de União Européia em substituição de Comunidade Européia.
É um dos mais importantes tratados europeus, já que é nele que se pôde visualizar o que se pode chamar de “templo comunitário”. Este diz respeito aos três pilares que constituem a União, sendo dois de caráter intergovernamental e um de caráter supranacional. Assim, o templo comunitário tem como pilar supra-estatal o pilar que das Comunidades Econômicas Européias (CEE), e como pilares intergovernamentais os da Política externa e de segurança comum (Pesc) e o da Cooperação em matéria de política interna e justiça (CPIJ) (PFETSCH, 2002, p. 58). Este tratado foi severamente modificado pelo tratado de Lisboa, que por sua vez é responsável pela atual configuração da União Europeia.
O tratado de Lisboa foi desenhado como uma alternativa ao texto rejeitado na proposta de tratado constitucional europeu. Este, tinha como objetivo substituir o texto dos tratados da União e Comunidade Européias. No ano de 2001, na conferência intergovernamental de Laeken, o Conselho Europeu declarou que era necessário um esforço da União para simplificar e reestruturar seus tratados, fato que poderia possivelmente conduzir a redação de uma constituição da União.
Diz a declaração de Laeken:
Neste momento, a União Europeia tem quatro Tratados. Os objetivos, as competências e os instrumentos políticos da União encontram-se dispersos por este conjunto de Tratados. Na perspectiva de uma maior transparência, é indispensável proceder a uma simplificação.
Neste contexto, podem levantar-se quatro tipos de questões. A primeira diz respeito à simplificação dos Tratados existentes, sem alterar o seu conteúdo. Deverá ser revista a distinção entre a União e as Comunidades? E quanto à divisão em três pilares?
Em seguida, levanta-se a questão de uma possível reestruturação dos Tratados. Deverá ser estabelecida uma distinção entre um Tratado de
base e as outras disposições dos Tratados? Deverá essa separação ser levada a efeito através de uma cisão dos textos? Poderá isto conduzir a uma distinção entre os processos de alteração e ratificação do Tratado de base e as restantes disposições do Tratado?
Além disso, haverá que refletir sobre a conveniência de incluir a Carta dos Direitos Fundamentais no Tratado de base e colocar a questão da adesão da Comunidade Europeia à Convenção Europeia dos Direitos do Homem.
Por último, coloca-se a questão de saber se esta simplificação e reestruturação não deveriam conduzir, a prazo, à adoção na União de um texto constitucional. Quais deverão ser os elementos de base dessa Constituição? Os valores defendidos pela União, os direitos fundamentais e as obrigações dos cidadãos, as relações dos Estados-Membros na União?
Conclui-se devido ao texto transcrito acima que o movimento constitucional europeu teve seu primeiro momento com esta declaração, adquirindo um momentum maior com a convenção pelo futuro da Europa que a mesma chamou e com a redação de um projeto de constituição europeia que fora apresentado em julho de 2003. A versão final deste projeto foi apresentada pelo Conselho Europeu em julho de 2004, sendo assinada em Roma em outubro de 2003 e fora submetida a aprovação mediante ratificação pelos Estados membros no período de dois anos.
O projeto deste tratado fora abandonado em Junho de 2006, já que naquele momento a França e a Holanda haviam rejeitado a sua aprovação por meio de referendo, na Alemanha e na República Eslovaca o processo estava sendo contestado nos seus tribunais constitucionais e os referendos da Irlanda, Reino Unido e Polônia haviam sido adiados.
O Tratado de Lisboa, oficialmente conhecido como Tratado da União Europeia e do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, foi publicado no Jornal Oficial das comunidades em 09 de maio de 2008, após sua assinatura pelos representantes de todos os 27 Estados Membros em 13 de Dezembro de 2007. De acordo com o artigo 6o deste texto, o Tratado deveria entrar em vigor no primeiro dia do ano de 2009, contudo o processo de ratificação deste não fora tão ágil quanto se esperava, tendo entrado em vigor apenas após o depósito do último instrumento de ratificação. O anexo 03 demonstra como este processo se processaria em cada um dos estados membros da União Europeia.
Após o fracasso do projeto de tratado que estabelecia uma constituição para Europa, muito daquilo que se esperava alterar com o mesmo fora incorporado neste novo texto. Como se pode notar na tabela acima, o processo de aprovação do
tratado de Lisboa foi bem diferente daquele submetido ao projeto de constituição, já que o único pais a referendá-lo fora a Irlanda.
Não obstante às implicações de legitimidade democrática que porventura poderiam surgir deste novo processo, a supressão do termo “Constituição” do texto fora sua maior inovação.
O ministro de Estado e Negócios Estangeiros português, Luís Amado, fez publicar no sitio oficial de seu estado a versão consolidada do Tratado da União Européia, que é resultado da combinação deste texto aprovado em Lisboa com os demais textos de Roma e Maastricht. Nesta publicação o mesmo definiu em forma de prefácio uma breve síntese dos objetivos do texto aprovado em Portugal, dizendo:
O Tratado visa dotar a União Europeia de um quadro jurídico que lhe permita funcionar num mundo globalizado. Desde logo, reformando as instituições e tornando-as mais eficazes numa Europa alargada: à medida que a União muda é necessário que as suas instituições se adaptem e acompanhem essa mudança. O Tratado de Lisboa prevê também diversas disposições destinadas a aproximar a União e as suas instituições dos cidadãos, conferindo mais poder ao Parlamento Europeu, e um papel de maior relevo aos parlamentos nacionais dos Estados-Membros. Por ser hoje inegável a importância da União Europeia como actor global, foram introduzidas reformas para tornar mais eficaz e coerente o relacionamento da Europa com o mundo.43
As alterações de texto trazidas pelo Tratado de Lisboa preservaram o molde tradicional de revisão de tratados porém introduzindo por ele a substância reguladora do fracassado tratado constitucional. As mais formais destas fizeram com que os Tratados da União Europeia e das Comunidades Europeias ficassem mais claros e objetivos, transformando inclusive o nome do segundo tratado em Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.
A primeira série de alterações recai sobre o Tratado da União Européia. Nesta, dentre suas principais alterações, substitui-se a ideia de comunidade para União Europeia (que a sucede em todos os efeitos), expande-se os objetivos da União e suas competências, confirma-se a igualdade dos estados membros e atribui-se o mesmo valor jurídico a carta de Nice (que passa a ser a carta de Direitos Fundamentais da União mesmo sem estar incluída no texto oficial do Tratado da União Europeia) e novos provisões de funcionamento democrático são adotadas.
43
Texto disponível em: [http://www.eu2007.pt/NR/rdonlyres/1D96311C-F90D-4E97-B355- DFEA0DD1ABEA/0/TLconsolidado.pdf]