O conceito de “PEPs” se estende às pessoas politicamente expostas, como sendo autoridades de alto escalão, atuais ou passadas, do executivo, legislativo ou judiciário do governo de um país; pessoas que ocupem função ou cargo elevado em um partido político importante; ou, o que é de maior importância e interesse para os eleitores. PEP pode ser um familiar, amigo íntimo ou sócio de negócios de uma autoridade pública, inclusive o advogado, contador, consultor financeiro, corretor ou banqueiro. Além do mais, esta não é uma lista exaustiva de quem pode ser considerado PEP. Na verdade, é basicamente qualquer pessoa considerada como consultor de confiança ou confidente da autoridade pública. PEPs também incluem indivíduos que ocupam cargos em instituições controladas por governos, entre elas bancos ou companhias de petróleo e seus respectivos associados mais próximos, familiares e consultores.
O Brasil é participante do GAFI e signatário da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, aprovada pelo Decreto Legislativo 348, de 2005 e promulgada pelo decreto executivo 5.687 de 31 de dezembro de 2006. No artigo 52 desta convenção, está prevista a adoção das PEPs. A administração federal deveria, sobre a Controladoria Geral da União, definir até março de 2006, quem são as pessoas expostas politicamente, no Brasil.
A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, no seu artigo 52º, diz que:
Prevenção e detecção de transferências de produto de delito
1. Sem prejuízo ao disposto no Artigo 14 da presente Convenção, cada Estado Parte adotará as medidas que sejam necessárias, em conformidade com sua legislação interna, para exigir das instituições financeiras que funcionam em seu território que verifiquem a identidade
dos clientes, adotem medidas razoáveis para determinar a identidade dos beneficiários finais dos fundos depositados em contas vultosas, e
intensifiquem seu escrutínio de toda conta solicitada ou mantida ou pelo nome de pessoas que desempenhem ou tenham desempenhado funções
públicas eminentes e de seus familiares e estreitos colaboradores. Esse
escrutínio intensificado dar-se-á estruturado razoavelmente de modo que permita descobrir transações suspeitas com objetivo de informar às autoridades competentes e não deverá ser concebido de forma que atrapalhe ou impeça o curso normal do negócio das instituições financeiras com sua legítima clientela. (Grifo nosso)
2. A fim de facilitar a aplicação das medidas previstas no parágrafo 1 do presente Artigo, cada Estado Parte, em conformidade com sua legislação interna e inspirando-se nas iniciativas pertinentes de suas organizações regionais, interregionais e multilaterais de luta contra a lavagem de dinheiro, deverá:
a) Estabelecer diretrizes sobre o tipo de pessoas físicas ou jurídicas cujas contas as instituições financeiras que funcionam em seu território deverão submeter a um maior escrutínio, os tipos de contas e transações às quais deverão prestar particular atenção e a maneira apropriada de abrir contas e de levar registros ou expedientes relativos a elas; e...(Grifo Nosso)63
Assim, o conceito de Pessoas Politicamente Expostas refere-se àquelas que exercem cargos eletivos ou na alta administração dos poderes legislativo, executivo, judiciário e seus parentes.
Não existe, ainda, um conceito de PEPs na literatura jurídica brasileira. Porém, encontramos alguns conceitos nos textos levantados64.
Conceituar PEPs significa identificar políticos, altos funcionários públicos, seus parentes e sócios, que poderão ser alvo de estrita investigação em relação à origem da riqueza e à movimentação bancária. Não há na legislação nacional algo que se compatibilize com tal prática. A Lei de Lavagem de Dinheiro e a Lei do Colarinho Branco são silentes no assunto. O Órgão Nacional encarregado de comunicação de operações
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Disponível em Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) MINISTÉRIO DA JUSTIÇA < www.mj.gov.br/drci > visitado em14/10/2006.
64 1 - Texto "projeto de parecer” da Comissão dos Assuntos Econômicos e Monetários destinado à Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos sobre a proposta do Parlamento Europeu relativa à prevenção da utilização do sistema financeiro para efeitos de branqueamento de capitais, incluindo o financiamento do terrorismo. O que nos interessa no aludido texto é a alteração 13, artigo 3, ponto 10 que reza ín verbís:10) "Pessoas politicamente expostas". 2 - Artigo – PEPs, Política e Lei Patriota – artigo do escritório de advocacia DIAZ-KAISER..(Assunto será abordado a seguir). 3 - Artigo – Wolsberg FAQ´s in Politically Exposed Persons. 4 - Artigo – Diretrizes Globais de Prevenção aos Crimes de Lavagem de Dinheiro para Private Banking. (the wolsfberg group). 5 - Artigos – BSA Compliance and Politically Expose Persons; Comments on Review of the FAFT Forty Recommendantions Consultation Paper(transparency international). 6 - Artigo - Os Princípios de Prevenção aos Crimes de Lavagem de Dinheiro para Bancos Correspondentes ( the wolfsberg group).7 – Governo quer que os bancos monitorem contas de políticos- Valor Econômico
suspeitas – O COAF, também não traz em seu corpo de normas algo a respeito de tal conceito.
Vale ressaltar, ainda, que os sistemas bancários da Suíça e do México já tratam do assunto PEPs. Como exemplo pode-se citar o Banco UBS (Suíça) que pressionou os clientes PEPs a fecharem suas contas e mudar de Banco, tendo em vista que os mesmos estavam numa lista de Pessoas tidas como Politicamente Expostas. No caso do México alguns bancos utilizam uma identificação e algumas normativas para os PEPs, como o Banco Azteca.
O risco de adoção pela lei brasileira do conceito de PEPs, seria a vulnerabilidade do núcleo de segurança dos bancos envolvidos, e possivelmente a quebra poderia ferir o principio constitucional (CF inciso 10 art. 5) da quebra do sigilo bancário. Tal fato constitui-se numa barreira para a investigação do crime organizado.
Assim, o GAFI e os Organismos Internacionais produzem reflexos no ordenamento jurídico e econômico brasileiro, ao formular diretrizes para o sistema bancário com o objetivo de efetivar normas de atendimento ao cliente sendo nelas inseridos instrumentos que identifiquem, segmentem e monitorem as operações de pessoas com perfil PEPs. Para o Brasil inserir-se no contexto internacional dos países que buscam cumprir as recomendações do GAFI deverá normatizar a matéria, e criar mecanismos para identificar PEPs.
No final de novembro de 2005, foi realizada reunião em Pirinópolis (GO) sobre PEPs, cujo tema foi objeto de uma reportagem do jornal Valor Econômico de 28/11/2005.
“O governo quer que as instituições financeiras passem a monitorar as contas de ministros, parlamentares, funcionários públicos, dirigentes de empresas estatais e partidos políticos, e de seus familiares e associados. O objetivo é prevenir desvios de recursos públicos em casos de corrupção. Com o monitoramento, toda vez que uma pessoa ligada ao Estado tentar fazer uma movimentação financeira considerada atípica, os bancos avisarão as autoridades, que, assim, poderão bloquear as contas e cobrar explicações.
Esse tipo de monitoramento já é feito em vários países. A idéia, formulada inicialmente pelo Ministério da Justiça, é introduzir, no Brasil, o conceito de "Pessoas Expostas Politicament" (PEPs). "Trata-se de uma importante ferramenta de prevenção à corrupção [ ...]
O GAFI introduziu uma série de reflexos no sistema jurídico brasileiro, contudo tal análise será feita no ultimo capítulo deste trabalho.