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2. OS PRINCIPAIS IMPACTOS NA ZONA COSTEIRA E SEUS MECANISMOS DE

2.6. O Gerenciamento da Zona Costeira no Brasil

2.6.2. O Gerenciamento Costeiro no Rio de Janeiro

2.6.2.3. O Gerenciamento Costeiro na Região dos Lagos

O Gerenciamento Costeiro na Região dos Lagos, onde se encontra a área de estudo deste trabalho, a Laguna de Araruama, iniciou a partir de 2003, com a fundação da Organização Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (OADS), uma Organização Não Governamental (ONG) técnica e que vem atuando nos quatro sub-comitês do Consórcio Intermunicipal Lagos São João: GELA- Sub-comitê da Laguna de Araruama e Rio Una; GERSA – Sub-comitê das Bacias do Rio São João e de Rio das Ostras; GELSA- Sub-comitê das Lagoas de Jaconé, Saquarema e Jacarepiá e do GEICO- Sub- comitê de Gerenciamento Costeiro.

Neste mesmo ano na tentativa de equacionar os impactos causados pelo crescimento desordenado, um grave problema da Região, o Município de Cabo Frio realizou duas oficinas de capacitação do Projeto Orla e elaborou o seu Plano de Intervenção na Orla (VOIVODIC, 2007).

O Plano de Intervenção é o produto final da etapa de capacitação do Projeto Orla. O seu

conteúdo é definido de acordo com a realidade e o interesse de cada Município. Assim, o conjunto dos documentos revela as diferenças de perfil das equipes gestoras local, a diversidade

7 O Projeto Orla introduz uma ação sistemática de planejamento da ação local visando repassar atribuições da gestão deste espaço, atualmente alocadas no governo federal, para a esfera do município, incorporando normas ambientais na política de regulamentação dos usos dos terrenos e acrescidos de marinha, buscando aumentar a dinâmica de mobilização social neste processo.

Trata-se, portanto, de uma estratégia de descentralização de políticas públicas, enfocando um espaço de alta peculiaridade natural e jurídica: a Orla Marítima.

da capacidade instalada para o planejamento e gestão, a maturidade dos arranjos institucionais e o grau de organização da sociedade civil, assim como as prioridades conferidas para a intervenção.

As ações e medidas propostas nos Planos de Intervenção podem ser divididas segundo os

AÇÕES e MEDIDAS OBJETO das AÇÕES e

MEDIDAS CARACTERÍSTICAS das AÇÕES e MEDIDAS

A. Planejamento e gestão Normativas Capacitação Organização administrativa Controle Articulação interinstitucional Patrimoniais/ Fundiárias Sistema de Governo envolvendo as três esferas (federal, estadual,municipal) e as articulações necessárias para a integração. Foco nas ações do Governo local naquilo que diz respeito à sua autonomia e capacidade de formular políticas e leis.

Ações de gestão formais, de fortalecimento institucional, segundo competências legais e atribuições exclusivas de Governo.

Ações voltadas para a

integração e intersetorialidade

B. Intervenção Física Meio natural e/ou construído

da orla.

Ação direta preventiva ou corretiva, sobre o meio físico da orla C. Sensibilização/ Legitimação . Sensibilização/ Educação ambiental .Comunicação Fortalecimento das organizações sociais

Sociedade civil, seu sistema de organizações e população em geral.

Setor privado e oportunidades de negócio com

responsabilidade ambiental e social.

Ações focadas ou difusas sobre o comportamento, a atitude cidadã e o

protagonismo social

interessado na preservação do meio ambiente, visando à utilização sustentável dos recursos da orla do Município.

Quadro 3: Principais Ações e Medidas Identificadas no Âmbito do Projeto Orla Fonte: Projeto Orla - Relatório Final das Atividades Realizadas. IBAM – Outubro de 2004

Destacam-se, dentre o conjunto de ações propostas, quatro linhas principais de ações que são adotadas pela maioria dos municípios. São elas:

1. Ações normativas – relacionadas à elaboração ou revisão do Plano Diretor através de

recomendações e subsídios para adequação das leis de uso do solo, de parcelamento e de posturas na faixa de orla. Observa-se, também, uma concentração nas propostas de criação de unidades de conservação ambiental na orla e de implantação de planos de manejo.

2. Ações de controle – voltadas para a fiscalização das atividades desenvolvidas na orla que, embora sejam rotina dos Municípios, muitas vezes se confundem e até se sobrepõem a atribuições de outras esferas. O controle é, às vezes, uma tarefa de grande complexidade para Municípios que possuem orlas extensas ou para aqueles com corpo técnico muito reduzido e sem os meios necessários para essa tarefa. A fiscalização também está relacionada ao fato de que, muitas vezes, existe um conflito de caráter econômico – atividades que geram empregos e movimentam a economia municipal, com o uso sustentável ou de proteção da área de orla – existindo a necessidade de geração de alternativas que possam viabilizar o uso desejável, sem as quais a fiscalização de forma isolada não terá sucesso.

3. Articulação interinstitucional – especialmente entre o Município e os diferentes órgãos

das três esferas de Governo. Esse aspecto está fortemente relacionado com a necessidade de fiscalização mencionada acima – é entendimento que, com o suporte de órgãos de outras esferas, os eventuais conflitos locais são passíveis de serem enfrentados com maiores possibilidades de sucesso.

4. Ações de intervenção física – O foco é em projetos de urbanização, paisagismo e ações

corretivas, tais como ordenamento e padronização de quiosques, de contenção de erosões e obras de engenharia ambiental em geral. Essas ações têm como objetivo principal valorizar o potencial turístico da orla assegurando conforto, acessibilidade e padrão estético, e garantir uma ocupação não predatória das áreas escolhidas. Em outros casos, são parques ou Unidades de Conservação que demandam instalações para atendimento aos visitantes, trilhas e sinalização. Há necessidade generalizada de implantação de infra-estrutura de esgotamento sanitário nas frentes de ocupação urbana das orlas, apesar de esse tema não ser objeto do Projeto Orla (IBAM, 2004).

3. O MONITORAMENTO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO

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