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O governo Dilma Rousseff

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CAPÍTULO V. A POLÍTICA E MACROECONOMIA BRASILEIRA DE 1990-2015: OS

5.1. Panorama político e macroeconômico brasileiro de 1990 a 1994

5.2.3. O governo Dilma Rousseff

Ao ser eleita, ao final do ano de 2010, Dilma Rousseff, após ter sido apoiada de forma crucial na campanha eleitoral pelo presidente Lula, gerou na população uma expectativa de continuação, o que era endossada pela própria presidente.

Na esfera macroeconômica, no ano de 2013, Bresser-Pereira faz reflexões sobre os dois primeiros anos de Dilma, para tal ele inicia ressaltando a pesada herança recebida pela presidente: “uma taxa de juros elevada, e uma taxa de câmbio altamente sobreapreciada. E no início de seu governo, em janeiro de 2011, o país já não podia mais contar com aumento dos preços das commodities exportadas que haviam tanto beneficiado seu antecessor”410.

O panorama internacional também não era favorável, em 2011 a economia americana não se recuperava de forma satisfatória à crise de 2008 e o velho continente passava pela crise do euro, consequentemente, os países desenvolvidos ou apresentavam diminutas taxas de crescimento, ou até mesmo negativas, diminuindo, assim, a demanda pelos produtos brasileiros.

409 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

410 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

121 Dilma Rousseff desde o início de seu governo, propôs rever a política do tripé macroeconômico, em discurso realizado em abril de 2012, a presidente afirmou que para se desenvolver, o Brasil necessitaria: "equacionar as três amarras do país: taxa de juros alta, câmbio e impostos altos"411.

Bresser-Pereira aponta um momento relevante para as propostas desenvolvimentistas da presidente: “quando Alexandre Tombini assumiu a presidência do Banco Central, o banco voltou a se identificar com os interesses nacionais, e deixou de haver um conflito permanente com o Ministério da Fazenda, que se tornara desenvolvimentista desde que Guido Mantega passou a dirigi-lo em 2006”412, em consequência a essa congruência de interesses: “a presidente logrou

reduzir substancialmente a taxa de juros em termos nominais e reais, e esta afinal caiu para cerca de 3% ao ano, e a taxa de câmbio se depreciou de R$ 1,65 para cerca de R$ 2,05 por dólar”413.

Entretanto, no que se refere a essas medidas adotadas, o autor traz que: “essas mudanças, especialmente a relativa à taxa de câmbio, estão longe de serem suficientes. A taxa de câmbio competitiva ou "de equilíbrio industrial" no Brasil (a taxa de câmbio que torna competitivas empresas utilizando tecnologia no estado da arte mundial) é de cerca de R$ 2,75 por dólar, (...) De forma que a indústria brasileira não saiu de sua condição de crise permanente e de desindustrialização”414.

411 O Estado de S. Paulo, 21 de abril de 2012 apud BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo

, n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from

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33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

412 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

413 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

414 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

122 Bresser-Pereira, em seguida, tenta explicar os porquês dessa condição permanente de crise e desindustrialização, para isso ele reflete, sobretudo, sobre a falta de apoio por parte da sociedade civil e o peso da herança da direita liberal:

“Por quê? Essencialmente porque não tem o apoio na sociedade civil brasileira necessário para realizar essa mudança - no qual o peso de uma direita liberal e dependente é muito grande. O que se conseguiu, depois de dez anos de crítica6, foi o apoio da sociedade para a redução das absurdas taxas de juros defendidas pela ortodoxia econômica. Já em relação à taxa de câmbio, o que se logrou foi colocar o problema na agenda nacional. Mas não foi possível persuadir a sociedade quanto à necessidade e possibilidade de se adotar uma política de taxa de câmbio que faça com que o real flutue não mais em torno do equilíbrio corrente mas do equilíbrio industrial, porque os cidadãos têm dificuldade em compreender o papel da taxa de câmbio no desenvolvimento econômico, e porque a hegemonia da ortodoxia liberal é ainda muito grande, apesar da desmoralização causada pela crise financeira global de 2008. A ortodoxia naturalmente rejeita o diagnóstico novo- desenvolvimentista para o baixo crescimento do país, que o explica pela alta taxa de juros e a taxa de câmbio sobreapreciada. Em seu lugar continua afirmando que o problema do Brasil seria a baixa poupança, e, naturalmente, a falta das reformas institucionais liberalizantes "mágicas" que permitiriam tornar os mercados mais livres e todo o sistema econômico mais eficiente. Não perderei tempo em relação a esta segunda tolice. Quanto ao nível de poupança, no Brasil, de fato, ele é baixo, mas, de acordo com a lógica keynesiana, para que ele aumente é preciso que antes aumente o investimento,7 o que depende de duas providências: primeiro, que a taxa de juros seja moderada e a taxa de câmbio seja tornada competitiva, localizada no nível do equilíbrio industrial, porque as empresas só investem quando há oportunidades de investimentos lucrativos para os empresários - algo que se reduz à medida que se aprecia a taxa de câmbio e sobem os juros; segundo, que o Estado realize uma poupança pública positiva, em vez de apenas alcançar um superávit primário. Ora, não obstante o avanço realizado nos primeiros dois anos do governo Dilma, a taxa de juros real ainda continua alta quando comparada com a dos demais países. E a taxa de câmbio continua substancialmente sobreapreciada, muito distante do equilíbrio industrial de R$ 2,75415.

Também no que se refere aos dois primeiros anos do governo Dilma, na órbita macroeconômica, de acordo com os economistas Rafael Fagundes CagninI, Daniela Magalhães PratesII, Maria Cristina de Freitas, Luís Fernando Novais, podem ser identificados três períodos distintos na orientação da política da presidente.

Os autores sumarizam o que chamam de primeiro período, e abarca o primeiro semestre de 2011, com as seguintes considerações:

”No primeiro período, que abarca o primeiro semestre de 2011, as políticas monetária e fiscal tiveram um caráter restritivo, no intuito de arrefecer a

415 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal e dependente. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 95, p. 5-15, Mar. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. access on 05 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000100001.

123 atividade econômica e, assim, conter a aceleração inflacionária observada naquele momento A diretriz de política do novo governo alinhou-se, então, às iniciativas adotadas no final do governo Lula, tais como as medidas macroprudenciais no mercado de crédito de dezembro de 2010, que procuravam reduzir os riscos associados à forte expansão dos empréstimos com recursos livres às famílias, mas que também contribuíram para a desaceleração da demanda. Nesse período, novas medidas macroprudenciais no mercado de câmbio e controles de capitais foram adotados no sentido de conter a tendência de apreciação do real, resultante do maior diferencial entre os juros internos e externos”416.

Os economistas continuam sua análise, versando sobre o período que se inicia em agosto de 2011 e vai até junho de 2012, e que eles chamam de segundo período, destacando, sobretudo, o aprofundamento da crise do euro:

“O contexto do segundo período, que se inicia em agosto de 2011 e termina em junho de 2012, foi condicionado pelo aprofundamento da crise da área do euro3. Diante da acentuada desaceleração da atividade econômica, o governo adotou medidas anticíclicas, embora menos intensas que aquelas tomadas em 2008/09: redução da taxa básica de juros, estímulos creditícios e desoneração tributária. A deterioração do cenário externo e a desaceleração da inflação abriram caminho para a reorientação dos objetivos da política econômica para priorizar a diminuição do diferencial entre a taxa básica de juros brasileira (Selic) e as taxas de juros internacionais. Em contrapartida, para garantir estabilidade monetária com taxas de juros mais baixas e taxa de câmbio competitiva para o setor industrial, o governo anunciou uma contenção adicional de gastos públicos, reforçando seu compromisso com a austeridade fiscal, e ampliou os controles de capitais diante do receio de uma nova enxurrada de capitais externos após a expansão de liquidez pelo Banco Central Europeu (bce), em dezembro de 2011 e fevereiro de 2012. (...)Esse conjunto de medidas, todavia, não gerou estímulos suficientes para reativar o nível de atividade e o investimento produtivo”417.

Finalmente, eles versam sobre o segundo semestre de 2012, destacando o aprofundamento da desaceleração da atividade econômica. Esse, portanto, é o terceiro período:

“O terceiro período, que compreende o segundo semestre de 2012, foi marcado, então, pelo aprofundamento da desaceleração da atividade econômica. Com o objetivo de estimular a economia, além da redução da meta da taxa básica Selic, os bancos públicos agiram novamente de forma anticíclica (à semelhança do observado em 2008 e 2009), mitigando o efeito

416 CAGNIN, Rafael Fagundes et al . A gestão macroeconômica do governo Dilma (2011 e 2012). Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 97, p. 169-185, Nov. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

33002013000300011&lng=en&nrm=iso>. access on 07 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000300011.

417 CAGNIN, Rafael Fagundes et al . A gestão macroeconômica do governo Dilma (2011 e 2012). Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 97, p. 169-185, Nov. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

33002013000300011&lng=en&nrm=iso>. access on 07 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 33002013000300011.

124 negativo sobre a oferta de crédito da perda de ritmo do crédito concedido pelos bancos privados e assegurando que as reduções da taxa básica de juros atingissem os tomadores finais”418.

Em números, o IBGE faz um levantamento, utilizando-se de fatores como o PIB, o consumo das famílias, o consumo do governo, a formação bruta de capital fixo e as exportações líquidas, de 1999 a 2014:

TABELA 2:TAXAS DE CRESCIMENTO MÉDIAS ANUAIS DO PIB REAL (1999-2014– EM PERCENTUAL)

Ano PIB Consumo da

Famílias Consumo do Governo Formação Bruta de Capital Fixo

Exportações líquidas* 1999-2002 2.1 1.7 2.2 -2.1 13.2 2003-2006 3.5 3.2 2.5 4.3 0.6 2007-2010 4.6 5.8 3.9 10.0 -12.8 2011-2014 2.1 3.1 2.2 1.8 -2.5 199-2014 3.1 3.4 2.6 3.1 -0.1

Nota: * Diferença entre taxas de crescimento média de exportações e importações. Fonte: IBGE, Contas Trimestrais, Série encadeada a preços constantes de 1995.

André Nassif ao tentar estabelecer pressupostos para responder se, no futuro, o tripé macroeconômico trará algum resultado, elabora uma análise do primeiro mandato do governo Dilma Rousseff, verificando se esses números representariam uma “herança maldita”, para seus sucessores, para tal, ele contesta o porquê de um crescimento tão abaixo do governo Lula, utilizando-se como parâmetro, a tabela acima do IBGE:

“Antes de responder a uma pergunta central deste trabalho - a continuidade do tripé da política macroeconômica dará certo? -, seria conveniente analisar brevemente a herança deixada pelo primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Uma vez tendo saído relativamente rápido da crise global de 2008 - graças às políticas monetárias e fiscais anticíclicas, as quais, embora implementadas, ambas, com algum atraso, tornaram, pelo menos, a recessão brasileira em 2009 razoavelmente suave (o PIB real teve um declínio de - 0,2%) 7 - o Brasil apresentou uma taxa de crescimento surpreendentemente elevada em 2010 (de 7,6%), último ano do segundo mandato do governo Lula. A questão inicial a perguntar é: por que o crescimento efetivado nesse período (4,6% entre 2007 e 2010) não se sustentou, já que entre 2011 e 2014 (correspondente ao primeiro mandato de Dilma Rousseff), o PIB real brasileiro apresentou uma taxa de crescimento média anual de apenas 2,1%?”419

418 CAGNIN, Rafael Fagundes et al . A gestão macroeconômica do governo Dilma (2011 e 2012). Novos estud. - CEBRAP, São Paulo , n. 97, p. 169-185, Nov. 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

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419 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

125 Acerca dessa questão, ele afirma que a resposta oficial, antes do período eleitoral, era que “o Brasil ainda se ressentia da crise mundial, pois, afinal, os países desenvolvidos (notadamente, os Estados Unidos, os países mais ricos da Zona do Euro e o Japão) ainda mostravam baixo crescimento em 2014, passados seis anos após a eclosão da crise global”420. Entretanto, o autor problematiza esse tipo de

argumento, pois: “os países em desenvolvimento e emergentes em geral têm exibido taxas de crescimento médias anuais do PIB real próximas a 5% a partir de 2012, e os países em desenvolvimento de baixa renda têm crescido a taxas próximas a 6% em igual período”421 (...) “Ainda que o contexto de incerteza internacional persista, cabe

aqui argumentar que os principais entraves à retomada do crescimento econômico brasileiro de forma sustentada estão relacionados predominantemente a fatores de natureza doméstica”422.

No que tange ao BNDES, André Nassif se refere ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), o autor entende que, na sua criação, em 2009 o programa foi uma medida “engenhosa e notável”, entretanto perdeu a eficácia no governo Dilma Rousseff. Tratava-se, esse programa, de uma: “linha de crédito com taxas de juros subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada no auge da crise de 2009 para substituir a extrema escassez de crédito de curto e de longo prazo ao setor privado”423.

31572015000300426&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0101- 31572015v35n03a03.

420 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

31572015000300426&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0101- 31572015v35n03a03.

421 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

31572015000300426&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0101- 31572015v35n03a03.

422 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

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423 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from

126 Para os anos seguintes, no que se refere ao Tripé Macroeconômico, André Nassif deixou a seguinte análise, à guisa de conclusões:

“As primeiras medidas lançadas pela equipe econômica já sinalizam - caso sejam de fato mantidas da forma como parece que serão adotadas - que o tripé da política macroeconômica está sendo revigorado sobre bases bastante conservadoras. Dentre as medidas já anunciadas e em evolução, cabe destacar pelo menos duas: i) as metas de superávits fiscais primários da ordem de 1,2% do PIB para 2015 e 2% do PIB para 2016 e 2017; e ii) a continuidade da política de aumento da taxa de juros básica (SELIC) que, desde maio de 2013, evoluíram de 8% para 12,75% em março de 2015. Embora o Conselho de Política Monetária (COPOM) tenha anunciado o último aumento da taxa básica "sem viés", este indicador já conferia ao Brasil, mais uma vez, o status de país com a maior taxa de juros real do mundo (cerca de 5,8%)17. Com tais medidas, aliadas aos demais problemas conjunturais do país - problemas de corrupção na Petrobras, que implicaram a interrupção temporária dos investimentos que haviam sido programados para o setor (com efeitos multiplicadores deletérios em diversos outros setores correlacionados ao setor de petróleo), problemas de oferta de energia elétrica, dentre outros -, estamos diante de uma "tempestade perfeita" rumo à recessão econômica”424.

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31572015000300426&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0101- 31572015v35n03a03.

424 NASSIF, ANDRÉ. As armadilhas do tripé da política macroeconômica brasileira. Rev. Econ. Polit., São Paulo , v. 35, n. 3, p. 426-443, Sept. 2015 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-

31572015000300426&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Jan. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0101- 31572015v35n03a03.

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CAPÍTULO VI - O CAPITALISMO DE ESTADO E A ACUMULAÇÃO PRIMITIVA

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