CAPÍTULO 2 -REVISÃO DA LITERATURA
2.1 ASPECTOS GERAIS DO ENVELHECIMENTO
2.1.1 O idoso
Há evidências de que existam diferentes definições da idade a partir da qual o indivíduo passa a ser considerado idoso, e isto dificulta sua proteção. A Constituição Federal considera idoso o indivíduo a partir dos 65 anos, mas para a Política Nacional do Idoso, esse limite cai para 60 anos, sendo essa a idade adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para os países em desenvolvimento como o Brasil. Já o Código Penal define a idade de 70 anos.
Diante de tantas diferenças, quando é que se considera que um indivíduo é idoso? Há uma relação desta definição com a aposentadoria? Para Moreira (2000), é usual, em demografia, estabelecer 60 ou 65 anos como o limiar que define a população idosa. Apesar de esta definição ser complexa, a idade não vem tanto ao caso. O que se faz necessário assegurar é o nível de necessidade de assistência que esse indivíduo tem e qual o grau de apoio de que ele necessita.
Também é relevante destacar que, em qualquer idade, a manutenção de sua cidadania é extremamente importante. Assim, mesmo estando ativo ou aposentado, o que vem ao caso é que ele tem o direito de ser atendido em todas as suas necessidades e ter sempre prioridade nesse atendimento.
Para Pereira (2002), a questão central do envelhecimento da população brasileira não está somente na preocupante situação da Seguridade Social, mas também na manutenção da saúde deste idoso, além do que, é essencial observar que esse idoso assumirá, ao chegar à senescência, um novo papel na sociedade a que pertence e para o qual nem sempre está preparado. Papel este que se estabelece no seio familiar, no qual o idoso, mesmo estando aposentado, necessita continuar trabalhando, muitas vezes voltando a acolher filhos, netos e, em alguns casos, sendo a única fonte de renda da família. Portanto, é mais do que necessário discutir não só sua chegada a esta fase, mas de que forma ele ingressará nela.
Ainda para Pereira (2002), a situação é bem mais preocupante do que descrevem os dados estatísticos e sua observação aponta para a necessidade de mudanças que ajustem os sistemas de produção a esta nova classe de trabalhadores, pois é comum que o idoso aposentado assuma outras funções e continue trabalhando. Considerando-se principalmente que, aos 65 anos de idade, o ritmo, a saúde mental e física e a motivação já não equivalem a de um indivíduo de 40 anos e é necessário que se pense em como subsidiar este novo trabalhador, pois neste período são notórias as mudanças que ocorrem na relação da pessoa com o mundo que a cerca.
Também segundo a autora citada, não se pode desconsiderar o novo contexto das famílias, em que se observa a existência de um grande número de casos de idosos que vivem precariamente por terem uma aposentadoria insuficiente, que não lhes garante a qualidade de vida que merecem. Além disso, não é raro tomarmos conhecimento de casos em que o idoso retoma a condição de arrimo de família, vendo-se obrigado a abrigar novamente em seu lar filhos, netos e agregados.
O IBGE (2006), na Síntese de Indicadores Sociais 2006, revelou que, no Brasil, no ano de 2005, mais de 65% da população idosa chefiava os domicílios em que viviam, sendo que o Estado do Tocantins apresentava um índice ainda maior de idosos que garantiam o sustento familiar, cerca de 70%. Os dados do IBGE revelam ainda que neste mesmo ano havia 5,6 milhões de idosos trabalhando em todo o país.
Para Zimerman (2000), o idoso tem mais experiência, mais vivência, mais anos de vida, ou seja, tudo “mais”, porém, também tem mais doenças ou mais propensão a adoecer. Tem perda gradativa dos sentidos, perda do controle físico e outras tantas perdas que já são inerentes à idade. Não obstante a esse fato, o idoso também tem mais possibilidade de viver intensamente, o que diminuiria o seu sofrimento com as perdas. Para isso, faz-se necessário manter-se ativo e sempre em busca de algo novo, que possa assegurar-lhe o equilíbrio físico e psicológico, permitindo que sua auto-estima esteja elevada e motivando-o a prosseguir.
Para a autora, o idoso que não tem uma atividade como hábito, torna-se mais propenso à depressão e fica vulnerável à frustração de estar em um corpo que não corresponde às suas expectativas e uma mente que não lhe possibilita ser útil.
Pereira (2002) deixa claro que, ao envelhecer, o indivíduo precisa manter-se ativo e, para tanto, dependerá muito de seu nível cultural e seu auto-conhecimento, evitando que se isole e permitindo que tenha uma crescente capacidade de comunicação e tranqüilidade, imprescindíveis à manutenção de sua cognição e à capacidade de aprender e a superar dificuldades. Contudo, também é preciso planejar e construir passo a passo esta caminhada rumo à Terceira Idade, pois não é provável que um indivíduo se mantenha tão despreparado que, se deparando com o momento de aposentar-se, nunca tenha pensado nela ou planejado o que faria a partir daí, mesmo que, para isso, fosse obrigado a observar outras pessoas que passaram pelo mesmo momento.
Certamente, para muitos ainda há a ilusória vontade de ter férias permanentes que, com o tempo, tornam-se fonte de suplícios, pois comumente sentem-se obsoletos, inúteis e tornam-se deprimidos e desmotivados para viver e aproveitar a vida. É como se não tivessem mais nada o que esperar.
Muito há que se construir no sentido de preparar a população para este gradativo envelhecimento e é muito preocupante a situação de miséria que a população enfrenta. Realmente as melhores oportunidades de modificar estes prognósticos se encontram na gradativa evolução da formação da população. Assim, durante a V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos – V CONFINTEA, ocorrida em julho de 1997, foi redigido um documento denominado “Declaração de Hamburgo” sobre educação de adultos e através dele fica expressa a preocupação com o crescente aumento da população idosa e a relevante contribuição dos idosos à sociedade, sendo necessário, portanto, que os mesmos tenham assegurados seus direitos de aprender e que suas habilidades sejam não só reconhecidas e respeitadas, mas também aproveitadas.
Assim, assenta-se sobre o documento a proposta de atuar urgentemente na educação de jovens e adultos, direcionando investimentos maciços em prol deste objetivo, buscando auxílio no setor privado e nas comunidades locais. A criação da “Agenda para o Futuro”, originada também na Conferência, visa à obtenção destes objetivos.
Nesse sentido, a UNESCO, órgão das Nações Unidas, deve desempenhar papel imprescindível no campo educacional, buscando apoio e parceiros para agilizar a implementação da “Agenda para o Futuro”, como os serviços internacionais mobilizados em prol deste esforço coletivo. Devendo ainda encorajar também os Estados-membros a adotar
políticas e leis que viabilizem o acesso irrestrito das pessoas à educação, independentemente da sua condição social.
Os participantes dessa Conferência entenderam a necessidade de assegurar aos indivíduos a educação continuada e estão dispostos a garantir que ela aconteça e seja oferecida a homens e mulheres ao longo de suas vidas. Espera-se que seja uma realidade concreta neste início do século XXI, principalmente porque é fato que não teremos uma população capaz e saudável sem que o acesso à escolarização e ao contínuo desenvolvimento sejam eficientemente estabelecido no decorrer de suas vidas.
Observa-se que algumas comunidades religiosas, algumas organizações não governamentais, o Banco do Brasil e outras entidades, são grandes incentivadores e patrocinadores de iniciativas de alfabetização e outros projetos que visam alcançar as metas relacionadas, direta ou indiretamente, aos idosos. De uma forma ou de outra, já existe um princípio de consciência da necessidade de preparar melhor a população, pois, seguramente, é o melhor caminho para que sejam capazes de obter uma velhice com qualidade de vida.
Para Wong e Carvalho (2006), os efeitos da Transição da Estrutura Etária (TEE), termo que, segundo os autores, foi inicialmente cunhado por Pool (2000), e “engloba as mudanças produzidas pelo declínio da fecundidade”, são sentidos em vários setores e serviços, é previsível que o cenário mundial e nacional da educação, saúde, lazer. tenda a sofrer modificações que se tornarão objeto de especulações e oportunidades.
Os autores observam também que, de um lado, decresce a taxa de jovens egressos dos assentos acadêmicos da Educação Superior, assim como diminui o número dos que concluem o nível médio, que além da dificuldade de obter formação, enfrentam atualmente muito problema para encontrar trabalho devido a falta de experiência, acabando por ficar à margem ou desempregados por longos períodos. De outro lado, encontra-se a força de trabalho dos que se situam entre 25 e 64 anos, período chamado pelos autores de “segmento sênior da força de trabalho” e que apresenta elevado índice de crescimento.
Isso demonstra que são poucos os jovens que estão conseguindo se qualificar. A nova geração que vai compor a força de trabalho necessitará de um maior investimento em formação, ou seja, de uma maior qualificação para garantir sua colocação e manutenção em um bom emprego, alcançando assim, um equilíbrio social e econômico futuro. Além disso, os profissionais que estão na ativa atualmente tenderão a permanecer trabalhando o que, certamente, ocasionará uma escassez de novos empregos.
Para os autores, o avanço da expectativa de vida da população trará muitos e maiores desafios, talvez maiores do que os que presenciamos atualmente, principalmente quanto ao
sistema previdenciário nacional e à manutenção da aposentadoria, que hoje se apresenta em crise aguda e percorre caminhos incertos. Assim, esta será uma das discussões mais emergenciais que deveriam fazer parte das preocupações dos que pensam a política nacional.
Wong e Carvalho (2006) consideram que este período que atravessamos é realmente contundente. O Brasil, assim como a grande maioria dos países localizados abaixo da linha do equador, ou seja, no hemisfério Sul, estava acostumado a pensar em políticas que garantissem a assistência à criança, principalmente objetivando diminuir a taxa de mortalidade infantil, enquanto que, nos países desenvolvidos, buscava-se diminuir a taxa de natalidade e obter um equilíbrio econômico da população, tencionando, assim, oportunizar uma maior eqüidade de oportunidades à população.
Para estes autores, historicamente, o Brasil, desde sua colonização, disseminou as desigualdades socioeconômicas e a má distribuição de terras e oportunidades. Essa regra prevaleceu e se enraizou na população, que se conformou com sua situação precária de vida, além de viver uma vida miserável, tinham inúmeros filhos buscando, pelo menos, a sobrevivência de alguns, principalmente porque o índice de mortalidade era muito elevado.
As autoras Boccucci, Ministério e Oliveira (2002) têm opinião similar à de Wong e Carvalho (2006) sobre as profundas transformações que as populações mundiais têm sofrido desde o século passado, apresentando diminuição nas taxas de mortalidade e um aumento na longevidade que, associados ao declínio da fecundidade, promovem um declínio no crescimento populacional. Estas alterações também se evidenciam em alguns países do terceiro mundo e, devido ao seu caráter irreversível, tendem a ocasionar um sensível envelhecimento da população.
A crença de que alguns estilos de vida estão mais associados à longevidade, segundo Hamilton (2002), levou muitas pessoas a acreditarem que populações rurais com vida pacata e que mantinham uma alimentação saudável poderiam indicar o caminho para a longevidade, porém essa assertiva não se concretizou, pois não há comprovação disso. Por outro lado, o autor acredita que a resposta para os que buscam descobrir o estilo de vida que lhes proporcione uma vida longa, está apenas em ter “moderação em todas as coisas”.
Partindo do princípio de que a moderação é imprescindível em qualquer época da vida, pode-se supor que seu benefício se estenderia por toda a vida, pois de sua utilização é provável que se obtenha uma vida saudável, tanto na juventude como após os 60 anos, idade na qual, segundo Hamilton (2002), a atual sociedade industrializada ocidental espera que as pessoas se comportem de “forma sossegada”, o que não significa que neste início da velhice seja o momento de aposentar-se integralmente, mas sim relaxar e diminuir o ritmo.
Não é provável que se possa estabelecer um momento ou idade para que se enquadre a velhice. Para alguns indivíduos ela chega mais cedo, para outros, mais tarde e, assim como são diferentes os momentos e as idades, também é muito diversa a forma como chegam e agem antes e durante a velhice.
De forma geral compreende-se que o ser humano tem dificuldades em defrontar-se com a idéia de envelhecer. Esse repúdio é compreensível porque é muito comum ligar velhice ao fim da vida.
Ao longo do tempo foi aculturado que velhice é algo para ser pensada de forma diferente, ou seja, como um momento que ainda demorará a chegar e para o qual nunca se está preparado. Porém, tudo indica, estaremos entre os que atingirão idade avançada e, como ressalta Messy (1993), é necessário questionar nossas noções gastas e deformadas de resistência à velhice.
Com a crescente e rápida mudança na expectativa de vida, a população longeva proporciona uma reflexão interessante sobre como os idosos são vistos e tratados, indicando que é preciso mudar alguns paradigmas e quebrar alguns preconceitos, pois este convívio enriquecerá os conhecimentos sobre a senescência e possibilitará que a velhice seja cada vez mais bem-sucedida em nossa sociedade.
Os adultos, por sua vez, parecem não perceber que chegarão lá e, vez por outra pensam na idéia de envelhecimento, mas, como destaca Messy (1993), o fazem como a maioria: compartilham da idéia que a maioria das pessoas tem de que o velho é o outro, em quem não nos reconhecemos.
Messy (1993) em seu livro “A Pessoa Idosa não Existe”, deixa claro que o envelhecimento é um processo inscrito em cada um de nós desde que nascemos, processo feito de enriquecimentos e perdas, para o qual devemos nos preparar.
Quanto a isso, concorda Reis (2002) que é essencial evoluir espiritualmente para aceitar melhor a idade, mas é preciso também que se reconheça que, como em qualquer idade, sempre há vantagens e desvantagens, e o ideal é aprender a usar as vantagens e driblar as dificuldades.
Ainda segundo a autora, a idade estabelece diferentes reações em cada indivíduo, tudo dependerá de como ele a sente. Há os que fazem 30 anos e se sentem com esta idade. Há, porém, os que fazem 30 anos e se sentem e agem como se tivessem 50 anos. Há ainda, os que só se sentirão com 30 anos ao completar 40 ou 50 anos. Isso, segundo ela, amplia ou diminui as possibilidades de cada um.
Aparentemente, as atitudes do indivíduo associadas ao equilíbrio emocional, contribuirão de forma muito acentuada para que a velhice chegue de forma cadenciada, sem afetar de forma brusca suas atividades e tampouco sua cognição. Isso indica que há grande possibilidade de continuar ativo, contribuindo com a sociedade, participando e tirando dela o melhor proveito possível.
A análise que Boccucci, Ministério e Oliveira (2002) fazem quanto à longevidade no Distrito Federal demonstra que a população teve seus primeiros registros populacionais em 1950, na época da construção da Capital do Brasil, sendo que sua formação se deu inicialmente com uma maioria de homens em idade produtiva que migravam para a região em busca de trabalho. O primeiro Censo, em 1960, registrava que moravam no Distrito Federal 139.796 indivíduos, dos quais a grande maioria, cerca de 67,7%, tinha idade entre 15 e 59 anos e basicamente compunha a força produtiva.
Ainda segundo as autoras Boccucci, Ministério e Oliveira (2002), em 1970, ou seja, uma década depois, a contagem dos habitantes do Distrito Federal chegava a 537.492 habitantes, dentre os quais 55,4% correspondiam à população com faixa etária entre 15 e 59 anos de idade. A migração continuou e, em 1980, a capital federal já contava com uma população de 1.176.935 pessoas, sendo que se assinalava um aumento da população da faixa etária entre 15 e 29 anos, o que se explica devido à elevada taxa de natalidade, ocorrida na década de 1960. Porém, também destacam as autoras, a população de jovens em idade inferior a 15 anos vem decrescendo desde então, sendo de 42,4% em 1970, passando para 37,8% em 1980 e chegando a 33,9% em 1990. Esta característica corresponde ao mesmo decréscimo que se deu no Brasil, de forma geral.
O recenseamento de 1991 encontrou 1.601.094 de indivíduos morando no Distrito Federal, sendo que destes, 32% estavam na faixa etária entre 15 e 29 anos e 58,1% estavam entre 15 e 59 anos. Esta taxa de Transição Demográfica da população do Distrito Federal demonstra que, apesar de ser caracterizada por uma população jovem, a Capital Federal tem vivenciado um gradativo crescimento da faixa etária da população, o que se deve tanto à diminuição da migração quanto à redução das taxas de mortalidade e natalidade. Isso indica que a força produtiva sofre gradativamente influências desta transição etária.
Um fator importante, também apontado pelas autoras para o crescente número de idosos entre a população do Distrito Federal, é o decréscimo da taxa de mortalidade entre a população com mais de 60 anos. Em 1960, o grupo que se encontrava entre 60 e 64 anos correspondia a 53% dos idosos, o de 65 a 79 anos a 40,7% e, o de 80 anos e mais a 6,2%. Comparado aos dados encontrados em 1996, observou-se que esses percentuais
representavam para o grupo entre 60 a 64 anos o percentual de 38,3%, para o grupo entre 65 a 79 anos correspondia a 52,4% e para o grupo com mais de 80 anos ou mais a 9,3%.
Estudo divulgado pelo IBGE (2008), denominado Tábua Completa de Mortalidade, mostra que quem mora no Distrito Federal vive em média 75,11 anos. Isto, segundo os dados, é o melhor indicador do país, ou seja, a expectativa de vida no Distrito Federal é a mais alta do país.
Ainda segundo as mesmas autoras, muitas são as situações que merecem atenção no que tange à população idosa no Brasil, e um dos fatores que mais preocupa é que, como os homens vivem menos, algumas mulheres têm dificuldades para garantir sua manutenção, principalmente porque não tiveram na juventude as mesmas oportunidades de alfabetização e letramento. Assim, muitas não têm uma formação cultural adequada para atuar no mercado de trabalho, atuando muitas vezes em trabalhos domésticos e serviços gerais. Com a viuvez, buscam a complementação de sua renda em outras fontes de renda informais e tornam-se economicamente responsáveis pelo sustento familiar, o que delineia uma nova divisão social do trabalho.
Também é relevante observar que a modernização da sociedade resultou em mudanças nas relações de trabalho e amparo à velhice, quando deveriam dar lugar à criação de novas e eficientes formas de proteção e cuidado do idoso, o que é obrigação do Estado. Também parece faltar conscientização da população e mobilização da sociedade quanto a esse quesito, pois alguns indivíduos que chegam atualmente à velhice já viveram boa parte de suas vidas em condições precárias, tanto econômica como socialmente, tendo uma alimentação deficitária, uma educação ineficaz e uma renda insuficiente. Na velhice, terão que viver com aposentadorias ínfimas que não correspondem a suas necessidades e ainda terão que se submeter à penúria de um atendimento médico precário, além de, em muitos casos, se verem abandonados e desprezados pela própria família.
Frequentemente, descreve-se o idoso como um sábio e experiente indivíduo, porém, nesta fase, o corpo e a memória parecem não corresponder a essa afirmação e, a sabedoria, que o dicionário Michaelis (2008) definiu como “Erudição, grande soma e aplicação
inteligente de conhecimentos adquiridos, discernimento adquirido pelas experiências de uma longa vida: A sabedoria dos anciões” ficará perdida. A velhice precisa combinar uma
dose de atividades que mantenham a memória e a saúde psicológica para que os conhecimentos adquiridos possam ser úteis.
Para Zimerman (2000), tanto as características físicas do envelhecimento, como as de caráter psicológico se relacionam com “a hereditariedade, com a história e com a atitude de
cada indivíduo”. Se souberem viver e manter-se saudáveis e otimistas, mais chances terão de assimilar e se adaptar às transformações inerentes ao envelhecimento, podendo encarar a velhice como algo positivo, como tempo de sentir-se livre para realizar atividades diferentes e prazerosas, que foram postergadas na mocidade, libertando-se das responsabilidades e usando a experiência e o conhecimento acumulados em prol de si mesmo, de seus familiares e da comunidade.
Moreira (2000) também corrobora a observação de Wong e Carvalho (2006), pois, segundo ele, o Brasil é um dos países que apresenta o ritmo mais acelerado de envelhecimento, sendo que, em 2025, estima-se que o índice de envelhecimento da população brasileira triplique, ao ser comparado ao que se observou em 2000. Assim, em 2025 para cada cem jovens menores de 15 anos haverá mais de 50 indivíduos com mais de 60 anos. O número de idosos ultrapassará o número de crianças em 2045, ou seja, seremos uma população de idosos, o que já ocorre em alguns países da Europa atualmente.
Segundo os mesmos autores, estes dados levam a refletir sobre as transformações do