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2 EDUCAÇÃO JURÍDICA E CONSTRUÇÃO DO ESTADO NACIONAL: O BRASIL

3.3 As luzes da razão na província de Pernambuco: o Seminário de Olinda

3.3.2 O Iluminismo no contexto dos debates da Assembleia Geral de 1826

A Assembleia de 1826 representou o espaço dos debates que deveriam resultar em leis para o Brasil independente. Após a dissolução da Assembleia Constituinte em 1823 o clima entre os deputados era de desconfiança em relação ao Imperador D. Pedro I, já que temiam atitude semelhante a que ocorreu com a Constituinte caso sua vontade não fosse atendida nas normas que estavam sendo elaboradas. Apesar disso, as discussões ocorreram acaloradas e mais uma vez os cursos jurídicos e seu currículo ocuparam destaque entre os principais assuntos dos debates dos deputados gerais, prova de que o curso de Direito continuava sendo visto como elemento estratégico e indispensável para a construção da nação no Brasil.

Na ocasião, o desejo do imperador era de que o curso jurídico fosse criado no Rio de Janeiro, visto que, como sede da corte teria as melhores condições estruturais para abrigá- lo e inclusive para atrair maior número de estudantes e professores, no entanto, a vontade de D. Pedro foi questionada por muitos deputados, já que a escolha pelo local de funcionamento do curso jurídico trazia em seu bojo a questão da unidade territorial e as disputas internas entre as províncias que ainda não pareciam se enxergar como corpo único integrante de uma nação, razão pela qual a escolha dos locais dos cursos jurídicos representa um dos principais elementos estratégicos para a formação da nação no Brasil.

A Assembleia Geral foi instalada em sessão solene no dia 06 de maio de 1826 e apenas seis dias após o início de seus trabalhos a criação de uma universidade e de cursos jurídicos já foi trazida para o debate. Assim, no dia 12 de maio de 1826 o deputado Lúcio Soares Teixeira Gouvêa propôs que o assunto sobre a criação de cursos jurídicos fosse retomado a partir do projeto de lei que havia sido aprovado pela Assembleia Constituinte em 1823. O projeto, como sabido, previa a instalação de duas Academias de Direito, uma na cidade de São Paulo e outra em Olinda. Nas palavras do deputado:

Sr. Presidente, eu proponho que a commisão de instrucção pública, revendo os trabalhos da assembléia constituinte, apresente á camara um projeto de lei, que foi discutido, e sanccionado por aquella assembléa sobre instrucção publica, e que fazendo-lhe as addicções, e emendas que julgar convenientes, o proponha á consideração desta camara, quanto antes, por ser objetcto de muitas urgencia: porque da instrucção da nossa mocidade depende em grande parte a consolidação do systema constitucional (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 12 de maio de 1826, p.60).

A fé do deputado na instrução pública demonstra sintonia com os preceitos da filosofia da ilustração, especialmente a portuguesa, pelo utilitarismo com que trata o conhecimento para o progresso e desenvolvimento do Estado. No caso de Teixeira Gouvêa, sua esperança era tanta na formação jurídica que ele atribuiu a mesma a imensa missão de consolidar o sistema constitucional recém-inaugurado no Brasil com a Constituição de 1824. A importância do curso jurídico no imaginário dos deputados que discutiam os cursos jurídicos em 1824 parece estar atrelada diretamente à possibilidade do Brasil tornar-se um país efetivamente independente, por isso o tema foi objeto de muitos debates, dos quais merece destaque os referentes à sua localização. Para Marcos Antônio Sousa, por exemplo, o curso deveria ser instalado no Rio de Janeiro, já que

É muito mais facil, que os habitantes das provincias deste Imperio, mandem seus filhos para esta capital, onde desenvolvendo seus talentos, e adquirindo luzes, que os habilitassem para os cargos publicos, formem um caráter nacional, resultado da unidade de estudos, e habitos: caracter de grande importancia a um povo, que acaba de constituir-se em nação livre, e independente (ANAIS DA ASSEMBLEIA Geral, sessão de 12 de maio de 1826, p.60).

A fala do deputado é emblemática em vários sentidos. Primeiro porque mais uma vez se observa o uso do vocábulo “luzes” associado ao conjunto de conhecimentos indispensáveis para a formação do Estado. Depois porque é explícito o desejo do deputado de que a formação jurídica garantisse à consolidação de uma elite uniforme que deveria ocupar os cargos e funções mais importantes do Estado, tal como ocorreu desde o período colonial, como já explicitado por Carvalho (2013) para o qual a formação jurídica na Universidade de Coimbra resultou na homogeneidade ideológica da elite que participou do processo de independência do Brasil em 1822 e teve grande importância no exercício das funções legislativas, executivas e judiciárias em todo o I reinado. Neste ponto, se percebe que se desejava para o curso jurídico do Brasil papel semelhante ao que foi desenvolvido pelo curso coimbrão quanto à formação dos empregados do Estado a partir de uma visão uniforme e elitista de nação. Os cursos jurídicos que seriam criados teriam, portanto, muito mais um papel de continuidade da pedagogia coimbrã após as reformas iluministas do que de ruptura ou inovação em relação ao mesmo.

Teixeira Gouvêa reagiu a proposta de Marcos Antônio, defendendo que os cursos jurídicos deveriam ser localizados em Olinda e Recife como previsto no projeto da Assembleia Constituinte. O assunto acabou sendo encaminhado à Comissão de Instrução

Pública para que elaborasse um projeto de lei sobre o assunto da criação dos cursos jurídicos. O requerimento foi feito por Manuel José Sousa França que na oportunidade afirmou que

Eu creio que se deverá remetter esta proposta á commissão respectiva, para dar o seu parecer. Com effeito este objecto deve preferir a todos os outros, e a razão é tão clara, que parece exemptal-o da discussão. Como havemos nós ter cidadãos instruídos sem escolas públicas? Quem poderá negar a nossa obrigação de promover a instrucção da mocidade? Julgo por tanto que o primeiro passo que ha a dar é o de submetter-se já este negocio ao exame da commissão de instrucção pública (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 12 de maio de 1826, p.61).

Tendo em vista que a Assembleia Geral adotou o mesmo Regimento da Assembleia Constituinte de 1823, o funcionamento da Comissão de Instrução Pública estava garantido apenas com a alteração de que passaria a ter três novos integrantes: Januário da Cunha Barboza, José Cardoso Pereira de Melo e Antônio Ferreira França. A respeito do trabalho que deveria realizar, o deputado Cornélio Ferreira França defendeu que a Comissão deveria dedicar-se a promover a educação primária da mocidade, garantindo que os jovens soubessem ler e escrever. Para o deputado esta era a prioridade do Brasil e apenas posteriormente deveriam buscar as condições de realizar o ensino universitário. Em suas palavras:

Parece-me que o primeiro cuidado da commissão deverá ser o de propôr a maneira de promover a primaria instrucção da mocidade, qual é o ler, escrever, contar, medir commumente, etc. Este deverá ser o trabalho mais importante da commissão, pois o que mais convém é saber-se como esta primeira instrucção póde ser adquirida, devendo-se dar mais attenção ao ensino das primeiras letras e das artes grosseiras e communs necessárias, e indispensaveis a todos do que ao estudo das sciencias mais elevadas e sublimes que deve ter o ultimo lugar. A commissão se ocupará primeiros dos objectos, que a camara designar; mas o meu parecer é este; deve-se dar preferência à primeira instrucção (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 17 de maio de 1826, p.61).

A necessidade de educar os jovens e garantir-lhes a mínima alfabetização, a depender do nível social a que pertencesse foi também um projeto do iluminismo português, defendido por Ribeiro Sanches, que considerava, como já visto, indispensável à preparação dos jovens das classes altas da sociedade para a assunção dos empregos públicos do Estado, razão pela qual sua educação era vista como elemento estratégico para o fortalecimento da nação portuguesa. No caso do Brasil, as escolas primárias existiam desde antes da independência e concentravam-se especialmente nas mãos da igreja católica, como foi o caso do Seminário de Olinda na província de Pernambuco. Um dos principais papéis destas escolas

foi justamente o de preparar os estudantes, filhos das elites locais, para submeter-se ao ingresso na Universidade de Coimbra. O fato de que existissem algumas poucas instituições como esta na imensidão territorial do novo país foi o principal argumento dos demais deputados que viam com maior urgência a criação da universidade no Brasil, visto que não tinha nenhuma, enquanto que as escolas primárias em alguma medida já existiam. Foi assim que se posicionou o deputado Teixeira Gouveia afirmando ainda que se um curso jurídico não fosse criado o Brasil continuaria na dependência dos países estrangeiros onde os estudantes teriam que ir mendigar as luzes. Nas palavras do deputado:

Quando propuz que com preferencia se tratasse do estabelecimento de uma universidade, entendi que não estávamos já tão desprovidos destas aulas elementares. Temos escolas de primeiras letras, grammatica, philosophia, etc., por consequencia não isnta tanto a necessidade de estabelecimentos deste genero, do que de uma universidade, e sobre tudo de um curso jurídico (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 17 de maio de 1826, p.61).

Vale ressaltar que após as reformas realizadas pelo Marquês de Pombal o ensino primário realizado no Brasil, que até então havia se concentrado nas mãos dos jesuítas, passou a ser realizado através das chamadas “aulas régias” que deveriam ser ministradas por professores leigos. Tudo isto em consonância com o projeto iluminista pombalino de enfraquecer a importância da igreja católica em Portugal e fortalecer o Estado. Assim, na visão do deputado desde o período colonial o ensino primário já existia no Brasil, devendo-se dar prioridade à criação de uma universidade, especialmente a um curso jurídico, pois

Na falta em que nos achamos de uma escola de Direito, nós em breve seremos reduzidos á alternativa de não termos homens para a magistratura e para o foro, ou de estarmos na dependencia dos paizes estrangeiros, aonde irá a nossa mocidade mendigar as sciencias e pagar grosso tributo (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 12 de maio de 1826, p.61).

Como pode ser observada na fala do deputado, a universidade era uma questão secundária diante da urgência com que encaravam a necessidade de criação dos cursos de Direito no Brasil, pela importância que teriam para a consolidação da independência. A importância dos magistrados neste processo de estabelecimento da ordem, já identificada por Carvalho (2013) foi notória ao longo de todo o primeiro reinado e como pode ser observado seu papel de destaque resultou de um planejamento anterior à própria criação dos cursos jurídicos no Brasil, visto que os deputados responsáveis pela criação dos cursos de Direito já reconheciam os magistrados como indispensáveis a construção da nação. Assim, parece que a

discussão não tratava de um projeto de construção do ensino superior no Brasil, mas sim de espaços de treinamento e difusão das luzes para a ocupação dos cargos e funções políticas do Brasil.

Alijado de todo este processo estava o povo incapaz de participar formalmente do projeto das elites de construção da nação, visto que um precedente indispensável a esta função seria a aquisição das luzes, especialmente por meio da formação jurídica. Os cursos de Direito, no entanto, eram planejados apenas para um grupo privilegiado e minoritário com acesso à educação. A maior parte da população do Brasil, majoritariamente analfabeta, nem era vista como alvo do processo educativo, tanto que o deputado Manuel José de Sousa França considerava que existiam escolas de primeiras letras e “que em qualquer parte do Brazil, ou bem ou mal sabe-se lêr e escrever.” Porém, possivelmente apenas os filhos das elites tinham acesso a estas escolas e somente a estes ela serviria.

O deputado José Lino dos Santos Coutinho fez oposição a fala do deputado Manuel José de Sousa França e defendeu a instrução do povo como caminho para a felicidade, lembrando muito em seu discurso os ideais dos iluministas portugueses Ribeiro Sanches e Verney, já que para o deputado assim como para estes a felicidade do Estado estaria diretamente dependente da instrução de todas as classes, razão pela qual teceu críticas ao fato da maioria das escolas primárias estarem no Rio de Janeiro e defendeu que fossem disseminadas a todas as províncias do Império. Segundo o deputado,

Não se póde duvidar da precisão, que temos no imperio de aulas maiores; de facto nós nos vemos obrigados a mendigar estas sciencias a paizes estrangeiros, como acaba de dizer o honrado membro. Com tudo é uma verdade, de que se não póde duvidar, que a instrucção da classe, chamada povo, é um elemento de que se depende a felicidade do estado; e talvez se possa avançar esta proposição que do saber lêr e escrever depende a prosperidade da nação; porque este é o princípio de toda a educação moral e política , que se póde dar. Temos não há dúvida, aulas de primeiras letras, latim, rethorica, etc. Mas pergunto eu: ha em todos os lugares onde se precisa deste ensino? Não estão accumuladas nesta corte, e nas grandes cidades? Demais esta primeira instrucção de que tanto precizamos, está muito atrasada, há muita gente que não sabe lêr, nem escrever; o methodo de ensinar é péssimo. Logo este é que deve ser um dos grandes objectos de que devemos tratar: a primeira instucção. Podemos igualmente occupar-nos das aulas maiores, mas sempre como de objetcto sencundario. Nós seremos mais felizes com a instrução do povo, do que com o grande numero de doutores. Portanto declaro que devemos dar a principal attenção á instrução elementar, sem nos esquecermos dos estudos maiores (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 17 de maio de 1826, p.61-62).

Pelo exposto na fala de todos os deputados até o momento restam divergências de posição que se encontram numa mesma certeza: a disseminação de conhecimentos por meio do processo de educação formal era de extrema necessidade para a construção de um Estado

forte e capaz de gerar o progresso. A fé destes homens na educação é indiscutível e por isso mostram-se bastante alinhados à filosofia de seu tempo que encontrava na razão o caminho para a solução de todos os problemas da humanidade. Não restam dúvidas de que, tanto na Assembleia de 1823 quanto na de 1826 os deputados constituintes e gerais desejavam que a independência do Brasil fosse consolidada por meio do uso das “luzes” e, embora tenham reconhecido a importância dos estudos menores para o atendimento deste propósito, foi nos cursos de Direito que realizaram sua maior aposta para a execução do projeto de construção da nação no Brasil, por esta razão já na sessão de 05 de julho de 1826 a Comissão de Instrução Pública apresentou a proposta para a criação dos cursos de Direito, os quais deveriam ser regidos pelos Estatutos reformados da Universidade de Coimbra.

As discussões para a aprovação deste projeto ocorreram entre 01 e 31 de agosto de 1826 e tiveram como mote a visão unânime entre os deputados gerais de que os bacharéis em Direito do Brasil não deveriam mais ser formados no estrangeiro, especialmente em Portugal, que para alguns representava agora a herança colonial de que desejavam se desvincular para afirmar o Brasil como nação independente. Na ocasião dos debates acerca do projeto de criação dos cursos jurídicos o deputado José Custódio Dias defendeu a criação de um fundo de manutenção para eles afirmando que

Não haverá pai de famílias, que recuse dar a proporção das suas posses para que os seus filhos não vão buscar além mar as luzes e sciencias, e não venhão depois metamorphoseados em allemães, russos, inglezes e francezes, e não sei que mais, pois emquanto assim for, não teremos espírito patriótico, não seremos brasileiros (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 01 de agosto de 1826, p.11).

A posição do deputado representa a que saiu majoritária da Assembleia, de que os cursos jurídicos eram mais urgentes e necessários do que uma universidade e mais uma vez associava a possibilidade de transformar o Brasil em nação por meio das luzes, a partir das quais se promoveria progresso. A maior parte dos debates que ocorreram durante todo o mês de agosto se dedicaram a duas temáticas: a localização dos cursos e as disciplinas que deveriam compor seus currículos. A primeira é muito importante para a compreensão que os deputados tinham acerca da ideia de nação e de como viam o Brasil naquele momento como um país ainda muito fragmentado e necessitado de maior unidade entre as províncias. Tendo em vista que neste capítulo se pretende tratar apenas da influência da filosofia da Ilustração para a construção dos cursos jurídicos no Brasil e de que no próximo se irá iniciar a discussão acerca da construção do ideal de nação no Brasil os discursos sobre as possíveis localidades dos cursos serão analisados no capítulo seguinte.

Por ora, para continuar verificando a influência da ilustração, especialmente a portuguesa nos cursos jurídicos do Brasil dá-se destaque aos debates acerca das disciplinas que deveriam ser ofertadas pelos cursos. Na sessão do dia 08 de agosto finalmente restou decidido que os locais que abrigariam os cursos jurídicos seriam São Paulo e Olinda, conforme previsão da redação do projeto original e a partir de então os conteúdos das disciplinas que deveriam ser ministradas passou a ser o assunto de maior preocupação para os deputados. Interessante perceber nestes discursos o ensino realizado em Portugal por meio da Universidade de Coimbra foi duramente criticado por alguns deputados nesta Assembleia de 1826, o que diverge da Constituinte de 1823 em que os Estatutos reformados da Universidade de Coimbra foram bastante elogiados. O fato é curioso por demonstrar um possível maior amadurecimento na tentativa de criação de uma identidade nacional no Brasil, o que possivelmente pode ter motivado os deputados a rechaçar tudo aquilo que fosse estrangeiro.

Tendo em vista que muitos dos deputados gerais eram egressos da Universidade de Coimbra foi comum que compartilhassem suas próprias experiências quando iam tratar do curso jurídico português. Foi este o caso do deputado José Teixeira da Fonseca Vasconcelos que tecendo duras críticas ao curso de direito da universidade coimbrã afirmou “estudei direito público naquela universidade e por fim sahi um bárbaro: foi-me preciso até desaprender” (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 07 de agosto de 1826, p.11). Enquanto isso o deputado Joaquim Baptista Pereira corroborando as críticas do colega destacou que a universidade de Coimbra era um espaço envolto em trevas e fanatismo. Em suas palavras “a universidade de Coimbra era o que o governo portuguez queria que fossem. Doutrinas erradas, mysterios, terror, inquisição, trevas, fanatismo, eis o que no meu tempo reinava na universidade de Coimbra” (ANAIS DA ASSEMBLEIA GERAL, sessão de 07 de agosto de 1826, p.66).

Curioso que as críticas realizadas pelo deputado à universidade são bastante semelhantes as que os estrangeirados já mencionados neste capítulo também realizaram e que serviram de base para a realização das reformas iluministas que culminaram com a mudança de seus Estatutos em 1772. Nisto, é possível que as mudanças que se tentou implementar na universidade não tenham tido efeitos imediatos e assim, mesmo após a reforma dos seus Estatutos, algumas práticas pedagógicas não tenham sido alteradas. A visão de uma universidade plenamente moderna e reformada após o período pombalino mostra-se, portanto, passível de investigação a fim de que se possa avaliar o quão o iluminismo que se pretendeu difundir nela a partir de então efetivamente pôde se realizar. Isto porque, o atraso na

disseminação das luzes na universidade portuguesa pode ter impactos no ensino realizado nos cursos jurídicos do Brasil, visto que foi seu principal modelo.

Diante disso, houve objeção por alguns membros da Assembleia Geral de que se adotassem os Estatutos portugueses da Universidade de Coimbra pelos cursos jurídicos do Brasil. O projeto de Lei que estavam discutindo previa que os cursos seriam regidos temporariamente pelos Estatutos de Coimbra até que os lentes dos cursos elaborassem seus estatutos, no entanto, o deputado José Clemente Pereira, propôs uma emenda que visou substituir os estatutos portugueses pelos do Visconde da Cachoeira, elaborados para o curso jurídico do Rio de Janeiro de 1825 que nunca chegou a funcionar. O deputado Antônio Francisco de Paula Hollanda Cavalcanti de Albuquerque discordou da emenda proposta e