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4. Caso de Estudo: Cadeia de Deposição dos Veículos em Fim de Vida

4.2 A problemática dos VF

4.2.2 O impacto ambiental e a problemática dos VF

Com o gradual aumento da produção de automóveis e consequente aumento de circulação dos mesmos, foram surgindo e tornando-se cada vez mais evidentes as consequências negativas que advêm da sua utilização. O aparecimento do primeiro veículo movido a energia solar em 1978, ainda que permitisse apenas uma velocidade máxima de 13 km/h, demonstra bem como desde cedo o Homem se apercebeu da necessidade de procurar fontes de energia alternativas e menos poluentes, e dos inevitáveis efeitos negativos gerados durante a fase de utilização dos automóveis.

Ao mesmo tempo, à medida que a geração de automóveis produzidos nas primeiras linhas de produção em massa foram chegando ao seu fim de vida útil, uma outra preocupação começou a surgir. De facto, não é apenas na fase de utilização que as preocupações com os efeitos negativos no ambiente se devem verificar, mas também após o fim de vida útil do automóvel. Esta preocupação surge com maior dimensão a partir do final do século XX, muito por culpa do aumento do número de automóveis que chegaram ao seu fim de vida.

Uma análise à figura 12 mostra que o número de automóveis em circulação no mundo inteiro tem mantido a sua tendência para aumentar nos últimos anos, facto que permite concluir que o número de VFV dentro de 10 a 15 anos será também naturalmente maior.

Figura 12 – Evolução do Parque Automóvel Mundial (adaptado de Motorsat)

Outro factor que terá agravado a problemática dos VFV tem a ver com o crescente número de plásticos envolvidos na produção de um automóvel não tão susceptíveis de serem reciclados. A esta maior preocupação com o efeito poluente dos VFV não pode também deixar de estar associada a crescente sensibilização da sociedade de uma forma genérica, para as questões relacionadas com a preservação e protecção ambiental.

Constituindo os VFV uma importante fonte de resíduos com efeitos poluentes directos sobre o ambiente, e tendo em conta que o número anual de VFV tem vindo a aumentar à medida que

as sucessivas gerações de automóveis produzidos vão chegando ao seu fim de vida útil, torna- se urgente procurar identificar problemas e estudar soluções.

Apesar da escassez de dados concretos em relação ao número de veículos postos fora de circulação todos os anos na UE e mesmo assumindo que esse número possa ter vindo a aumentar nos últimos anos em virtude da renovação do parque automóvel, de que o caso português é um exemplo, é de crer que o número de veículos novos registrados seja manifestamente superior.

Os gráficos seguintes realizados com base nos dados do European Shredder Group, relativos aos veículos em circulação desde 1995 a 1999, permitem concluir isso mesmo. O gráfico da figura 13 ilustra o número total de veículos em circulação no espaço da UE, que como facilmente pode ser percebido aumentou em todos os países membros.

Figura 13 – Nº total de veículos em circulação nos países membros entre 1995 e 1999 (adaptado de European Shredder Group)

Este aumento generalizado dos veículos em circulação na UE está representado de forma mais evidente na figura 14, que diz respeito às variações percentuais desse aumento em relação aos valores de 1995.

Uma rápida análise deste gráfico permite concluir que na maioria dos países o aumento de veículos em circulação situou-se nos 10%, o que para um período comparativo tão curto como 5 anos não pode deixar de ser registado como considerável. Alguns países no entanto,

registam aumentos percentuais bem acima dos 20% como é o caso da Irlanda, da Grécia e de Portugal que regista aliás o maior aumento com um valor de cerca de 35%.

Figura 14 - Variação do nº de veículos em circulação nos países da EU (adaptado de European Shredder Group)

A conjugação deste evidente aumento generalizado do número de automóveis com os outros factores já referidos neste capítulo, tornam clara a necessidade de conjugar esforços em torno das questões relacionadas com o processamento dos VFV.

Deste modo, surge assim a problemática dos VFV que, viu reconhecida a sua dimensão e importância, ao suscitar a publicação de uma Directiva por parte da União Europeia no sentido de se procurar alinhar estratégias e metodologias e lançar soluções para o futuro. Esta Directiva foi entretanto transposta para a Legislação Nacional em Agosto de 2003, através da publicação do Decreto-Lei nº 196/2003.

4.3 Legislação

4.3.1 Introdução

Na sequência da resolução de 7 de Maio de 1990 relativa à política de gestão dos resíduos, a Comissão Europeia propôs diversas medidas destinadas a lutar contra certas categorias de resíduos.

A abordagem comunitária relativa à gestão dos resíduos baseia-se em duas estratégias complementares: por um lado, prevenir a criação de resíduos através de um maior cuidado e melhoria na concepção dos produtos e, por outro lado, desenvolver a reciclagem e a reutilização dos resíduos.

Na resolução de 14 de Novembro de 1996, o Parlamento Europeu convidou a Comissão Europeia a legislar em matéria de fluxos de resíduos em especial sobre veículos em fim de vida. A Comissão Europeia considerou que seria necessário, uma directiva específica tendo em conta este tipo de resíduos, uma vez que até à data, as propostas apresentadas sobre veículos incidiam especialmente sobre controlo de emissões e acções empreendidas para combate à poluição atmosférica (as propostas encorajam inclusive, o uso de materiais mais leves como o plástico a fim de reduzir o consumo de combustível). Esta nova acção iria recair sobre a reutilização e reciclagem dos materiais dos veículos após o seu uso.