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Conteudista: Giuseppe Rinaldi

3.3 - O INICIO DA ADOLESCÊNCIA E O PROCESSO EDUCACIONAL

No trato com o filho adolescente, além da continuidade com a escolarização dos filhos, os pais devem conscientizar-se a respeito dos seguintes aspectos:

. Necessidade da "falta":

- As pessoas que obtém facilmente tudo o que desejam, sem se esforçar, não adquirem espírito de busca e capacidade de luta. Todo espaço vazio (que corresponderia à falta) tende a ser preenchido.

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Sabemos que a abundância traz a banalidade, a vulgarização, o desprestígio, enquanto que a falta traz a valorização, o empenho, o desejo da busca. É preciso que os pais estimulem os filhos adolescentes a desenvolverem suas habilidades para obterem o que desejam.

. O "não" adequado:

Os pais devem atender aos pedidos do filho, quando eles são importantes e essenciais para a vida dele, e não estejam a seu alcance realizá-los. Aqueles pedidos que o filho faz, ou porque está com preguiça de realizar suas próprias tarefas, ou porque não devem ser permitidos por razões religiosas, morais ou sociais, os pais não devem atender.

O não adequado é salutar. Além de tudo, age como um incentivador, obrigando o indivíduo surdo a buscar novos recursos, fazendo-o sair da passividade para a luta. O sim tem um significado de responsabilidade que

nem sempre o adolescente tem condições de assumir. . Sexualidade:

Saber sobre sexo e reprodução humana é fundamental para a compreensão da própria vida. Toda criança deve ter a oportunidade de aprender a respeito de uma das experiências mais fundamentais da vida de seus pais, que apesar de se tornarem ansiosos, são as pessoas mais indicadas para lhe exporem os fatos.

A educação sexual é preocupação da maioria dos pais, dada à importância do sexo na vida do indivíduo e à dificuldade que os próprios pais têm em orientar seus filhos sobre o assunto. Falarem sexo termina sendo um tabu.

Como resultado, vêem-se crianças e adolescentes com informações deformadas, cheios de curiosidade, insatisfação, intranqüilidade e malícia. As informações, via de regra, são obtidas de amigos e leituras pornográficas.

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É importante esclarecer a diferença entre educação sexual e orientação sexual.

Educação sexual - ué o aprendizado automático, constante e inconsciente de atitudes, gestos e idéias que se inicia a partir do nascimento".

Orientação sexual - "é o conjunto de esclarecimentos e

noções dados deliberadamente, intencionalmente à criança por outras pessoas, além dos pais".

A educação sexual inicia-se em casa, por meio do exemplo vivo e cotidiano da vida familiar. Isso se aplica às famílias em geral, independentemente da existência de um membro portador de deficiência. Não há, portanto, uma educação sexual para o surdo. As diferenças entre o ouvinte e o surdo surgem em função das experiências individuais. O importante é fornecer esclarecimentos sobre sexualidade para facilitar a tarefa de orientar sexualmente o surdo.

Considerando que o sexo está ligado a emoção - não é somente algo do campo do saber, é acima de tudo algo do sentir - fica claro que os pais são as pessoas mais indicadas para orientar os filhos sobre o assunto.

Os pais de crianças surdas têm que assumir a responsabilidade de se informar e de informar seus filhos a respeito de sexo.

Tal tarefa não é fácil, e aqueles que não se sentem suficientemente prontos para ela devem buscar ajuda de profissionais especializados.

A escola pode ser a grande aliada dos pais, nesse momento, numa ação desenvolvida em estreita colaboração com a família. Nas fases

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iniciais, os pais devem ser esclarecidos em como proceder com relação à orientação sexual de seus filhos.

Quando a escola pensar em algo planejado a ser desenvolvido junto a seus alunos, deve cuidar para que os pais saibam o que está sendo feito e como devem proceder para ajudar a consolidar a formação dos filhos.

A maioria das famílias são extremamente carentes, inclusive de conhecimentos básicos a respeito de sexo ou da própria reprodução humana. Somem-se a isso suas próprias experiências traumatizantes, as idéias confusas originárias de informações erradas, os medos e a ansiedade de não saberem como proceder com seus filhos.

A orientação sexual ao surdo traz alguma dificuldade a mais para a família e profissionais em geral, devido a sua limitação da linguagem, que exige informações objetivas, explicadas com simplicidade e riqueza de detalhes. Não se deve esquecer de que a criança surda detém uma maior percepção visual e apóia-se, portanto, no comportamento não-verbal.

Os pais de surdo, levados por grande preocupação, sempre perguntam: "Como explicar sexo a meu filho?"

A curiosidade sexual é natural a todos. A sua ausência deve preocupar mais do que a sua existência. As perguntas também surgirão naturalmente. Quando a criança faz uma pergunta sobre sexo, o que ela deseja é uma resposta objetiva. Tudo o que se deve fazer é responder à pergunta logo após ser formulada.

É comum que as primeiras curiosidades ou perguntas deixem os pais embaraçados. O importante é ser honesto e ter a coragem para responder ou confessar o que não sabe, caso seja necessário. A perturbação emocional,

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a irritação, o constrangimento moral e as mudanças de expressão com que os adultos acolhem as perguntas infantis sobre sexo intrigam as crianças, fazendo-as fixarem-se no que estão vendo. A criança se perturba também, evitando novas perguntas e desenvolve a idéia de que sexo é assunto melindroso e vergonhoso.

Para o surdo, a maneira de explicar vale mais do que a própria explicação. Grande parte da informação não é compreendida. Entretanto, a criança fixará atitudes assumidas pelo adulto no momento da explicação, desenvolverá em sua imaginação infantil idéias fantasiosas e absurdas a respeito das questões ligadas ao sexo. O fato de evitar perguntar aos pais não significa que a criança deixará de preocupar-se com assuntos sexuais, certamente irá procurar outras fontes em busca de esclarecimentos. Geralmente, irá procurar informações com outras crianças ou pessoas que tenham menor autoridade sobre ela.

As crianças buscam informações fora de casa porque os colegas são muito mais naturais e realmente explicam tudo (mesmo que expliquem errado). Eles falam seriamente, pensativos, discutem e não ficam constrangidos.

Crianças mal preparadas em casa ficam desprotegidas contra "as informações inadequadas" de outras fontes. Não se deve esquecer de que a criança entra em contato com outras pessoas, TV, etc, e que recebe informações a respeito de sexo. Isso possibilita que ela compare as informações já recebidas com as dos pais.

Ao responder perguntas, a honestidade é fundamental, pois a confiança que a criança deposita nos pais não deve ser traída nem sofrer desapontamentos.

Os livros são ajuda importante para os pais, dão base para os conhecimentos que poderão ser interpretados para as crianças. Na adolescência, a orientação sexual é quase sempre oferecida por meio da

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leitura de livros. No entanto, as informações obtidas nos 1ivros também podem trazer dificuldades de compreensão ao surdo, pois o vocabulário, na maioria das vezes, é técnico ou não faz parte do seu cotidiano.

Deve-se explicai-, detalhar, simplificar as informações. Eles querem fatos concretos sobre o funcionamento do corpo, o que faz, quando e como faz.

Os pais devem saber que as crianças e jovens com alguma deficiência apresentam as mesmas manifestações sexuais observadas nas crianças e jovens considerados normais. A diferença está no fato de que os portadores de deficiência, muitas vezes, não têm noção de quando,

onde e como devem ser manifestadas as atividades sexuais, como a

masturbação, por exemplo.

Além das informações, deve-se falar sobre as sensações físicas que podem sentir. Isso irá prepará-los a entender essas reações como naturais. A harmonização da sexualidade do surdo pode ser dificultada, ainda, devido a fatores ligados a própria deficiência como: nível de comunicação, curiosidade não satisfeita, perguntas sem respostas, percepção visual acurada, dificuldade em compreender e explicar sentimentos e dificuldades no controle do ambiente.

O que se observa com freqüência no comportamento do surdo é o aumento da fantasia e a aparente exacerbação do interesse sexual, provocado por curiosidade intelectual de compreender melhor o mundo e de se autoconhecer.

Em suma, as atitudes dos pais em relação à orientação sexual da criança surda devem ter como base os seguintes pontos:

• dar respostas simples ecom naturalidade; • ser verdadeiro;

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• usar linguagem acessível e inteligível para a idade; • não insistir no assunto;

• evitar excesso de ensinamento;

• começar por qualquer tema, conforme o interesse da criança; • ambos os pais podem ensinar;

• respeitar a intimidade e privacidade do filho;

• informar sobre o seu comportamento sexual, com o objetivo de facilitar a adequação.

O interesse por temas dessa natureza surge da compreensão que preparar sexualmente a criança é fundamental para a formação de uma personalidade sadia e equilibrada.

Os pais devem ter consciência de que não se determina idade para o início da orientação sexual. No lar, a confiança é a sua base, unida ao respeito e ao carinho.

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