II. Das origens do emprego à criação de alternativas de realização de
2.10 Alguns conceitos e estruturas de apoio à criação de emprego
2.10.7 O Instituto de Emprego e Formação Profissional
Para além da Segurança Social, existem outros organismos de intervenção estatal em Portugal que têm repercussões na vida das populações mais vulneráveis à
18 O caso português é paradigmático nesta matéria, se pensarmos na generalização que se fez do uso dos recibos verdes, quer para a prestação de serviços eventuais (muitas vez de valor superior ao da prestação efetiva de trabalho por conta de outrem), quer para simplificação do exercício de profissões que estão longe de corresponder ao intuito inicial, que era o de remunerar trabalhos intelectuais e artesanais específicos, como o dos médicos, advogados, atores e pintores artísticos. As opiniões são contraditórias, sendo, no entanto, bastante consensual o princípio de que “o que define trabalho subordinado ou o exercício de atividade por conta de outrem é, em princípio, a existência de um poder de chefia, de dar ordens e dirigir por parte da pessoa servida […] onde tal poder exista, haverá exercício de atividade por conta de outrem e trabalho subordinado; onde não exista a atividade é exercida por conta própria, sendo, consequentemente, o contribuinte um trabalhador autónomo”, segundo Braz Teixeira (em boletim CTF nº 74, 1964), citado num parecer do CIRS, nº 51/89 de 20 de Junho.
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53 pobreza e exclusão social, como o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) que é responsável pela formação profissional e atribuição de incentivos a empresas, para criação de postos de trabalho, e à criação do autoemprego (Almeida, et al., 1994 p. 21)
O problema do desemprego, encarado numa perspetiva das sociedades assalariadas organizadas, em Portugal, é algo recente. Surge em 1930, como reflexo da crise económica. Um inquérito realizado na altura dava conta da existência de cerca de 41.000 desempregados, tendo sido criado, em 1932, o Comissariado e o Fundo de Desemprego (Dec. 21699), pensando-se, no entanto, que a sua criação teria um caráter provisório.19
Em 1962, período em que o país se encontrava num momento de grande desenvolvimento industrial e a necessitar de mão-de-obra qualificada, foi criado o Instituto de Formação Profissional Acelerada – IEPA, pelo Dec. Lei nº44538, de 23 de Agosto, com o objetivo de requalificar os trabalhadores desempregados para poderem ser integrados nas novas indústrias. Com os mesmos objetivos, de requalificação profissional e formação de trabalhadores, são criados, em 1964, o Centro de Formação Profissional Acelerada e, em janeiro 1965, o Centro Nacional de Formação de Monitores.
Apesar de todas as medidas e organismos criados, instalou-se uma crise de emprego e muitos trabalhadores desempregados tiveram de emigrar. Entendeu-se por isso que era necessário criar um organismo que estudasse as questões do funcionamento dos mercados e do emprego, organizar um Catálogo Nacional de Profissões (CNP) e organizar de acordo com as oscilações do mercado os Serviços de Colocação e Orientação Profissional.20 Neste contexto, em Dezembro de 1965, surge o Serviço Nacional do Emprego.
Após a Revolução, de 1974, o Ministério das Corporações e Previdência Social passou a designar-se Ministério do Trabalho, ficando o Fundo de Desenvolvimento da
19 Informação disponível em: http://www.iefp.pt/iefp/sobre/instituicao/Historia/Paginas/Home.aspx, página. consultada em 18/07/2011. Nota: todas as informações respeitantes a esta matéria e à da criação do Fundo de Desemprego foram obtidas no mesmo site, do IEFP, em www.iefp.pt.
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20 Interessante, como é a partir daqui que se chega à conclusão e que a formação profissional não era a mais indicada, valorizando-se antes as competências não técnicas, por serem as que dão mais flexibilidade e capacidade de adaptação e compreensão às novas exigências dos mercados. Daí resultou a desvalorização do ensino técnico e profissional.
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54 Mão-de-Obra na dependência deste ministério. Além disso, no âmbito deste Ministério, são criadas três novas Secretarias de Estado, entre as quais a do Emprego.
Nessa estrutura são criadas a Direcção Geral de Promoção do Emprego (DGPE e a Direcção Geral do Emprego (DGE), que substitui as funções do anterior SNE, que, na sequência destas transformações, é extinto. Da evolução deste quadro institucional, surge, em 1979, pelo Dec. Lei nº 519-A2/79, de 29 de dezembro, o atual Instituto do Emprego e formação Profissional – IEFP, dotado de autonomia administrativa e financeira e para o qual são transferidas as competências da DGE, a DGPE e o FDMO.
Ou seja, as políticas de emprego, formação profissional e combate ao desemprego passaram a estar dependentes de um único organismo, o IEFP, IP.
Em 1985, o IEFP é alvo de uma profunda reestruturação, introduzida com a publicação do seu Estatuto, pelo Dec.-Lei nº247/85, de 12 de junho, no sentido de a tornar uma “estrutura exemplarmente flexível e eficaz”, instituindo uma gestão tripartida, constituída por representantes da Administração Pública, das Confederações Sindicais e das Confederações Empresariais, com responsabilidades nos Conselho de Administração, Comissão de Fiscalização e Conselhos Consultivos, respetivamente.
Além disso, são criadas Delegações Regionais, onde funcionam os Centros de Emprego, de Formação Profissional de Gestão Direta, de Reabilitação e os Centros de apoio à Criação de Empresas (CACE).21
Em 2007, no sentido de aumentar os ganhos em termos de eficácia, de uma melhor gestão dos recursos e simplificação de processos, ao abrigo das orientações do Programa de Reestruturação da Administração Central do estado (PRACE), foi publicado o Lei nº213/2007, de 29 de Maio, posteriormente alterado pelo Dec.-Lei nº 157/2009, de 10 de junho, ambos introduzindo alterações significativas no funcionamento dos órgãos e da organização e estrutura orgânica dos Serviços Centrais e Regionais e das suas unidades orgânicas.
Atualmente, existem 81 Centros de Emprego, 28 Centros de Formação Profissional de Gestão Direta, 5 Centros de Emprego e Formação Profissional e 1 Centro de Reabilitação Profissional. Além destes, existem ainda vários Centros de Formação Profissional de Gestão Participada e, mais recentemente, foram criados os
21 Citação de parte do texto da introdução do Decreto-Lei nº 247/85, de 12 de Junho de 1985.
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55 Centros de Formação Profissional que integram, também, alguns de Centros Novas Oportunidades, ciados no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades
No conjunto, podemos considerar que se trata de uma imensa estrutura, de organismos e recursos, que se empenha quase exclusivamente na criação de empregos, na adequação e formação de trabalhadores e, em particular, no apoio às empresas, com vista à manutenção e melhoria da qualidade dos empregos já existentes, porém, com o objetivo principal de integrar o maior número possível de pessoas no mercado de trabalho.
2.10.8 Criação de um fundo e dos subsídios de desemprego em Portugal