3 O ESTUDO QUANTITATIVO 66
3.1 O INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 66
3.1.2 O instrumento final para coleta de dados 69
Em decorrência do estudo-piloto, foram feitas algumas alterações no conteú- do e no formato de apresentação do instrumento final de coleta de dados (ver APÊNDICE B).
Sobre os itens de identificação do respondente, tendo em vista que foi obser- vado que as respostas às questões elaboradas não estavam a contento, foram feitas as seguintes alterações no questionário:
- Elaborada uma carta introdutória com informações gerais sobre a pesquisa e orientações sobre o preenchimento do questionário;
- Alterado o item “Instituição de Ensino/Câmpus” para “Você é docente de curso de engenharia no Câmpus: ( ) Curitiba ( ) Pato Branco ( ) Ponta Grossa:” A resposta passou de texto escrito para itens a serem assinalados. Essa alteração foi feita pelo fato de alguns professores, no estudo-piloto, não terem indicado o Câmpus a que pertenciam, mas somente a instituição de ensino.
- Alterado o item “Curso (s) de engenharia em que atua como docente” para “Curso (s) de graduação em engenharia em que atua como docente atual- mente: ( ) Civil ( ) de Computação ( ) Elétrica ( ) Eletrônica ( ) Mecâ- nica”. A forma de resposta também passou de texto escrito para itens a se- rem assinalados. Essa alteração decorreu do fato de que alguns professores relatavam cursos de outros níveis de ensino em que atuavam como profes- sores, como cursos de nível médio, pós-graduação ou ainda demais cursos de graduação que não aqueles definidos para este estudo.
- Alterada a ordem de colocação das alternativas do item “Sexo” que passou a ser apresentada em ordem alfabética, assim como os demais itens;
- Alterado o enunciado dos itens relacionados à aquisição de habilidades di- dático-pedagógicas do docente. Essa mudança se deu pelo fato de que, na maneira utilizada no estudo-piloto, muitos professores assinalavam somente o item que indicava o nível da pós-graduação, sem assinalar os demais. A versão final ficou assim definida: “Quanto ao tipo da sua Graduação: ( ) Ba- charelado ( ) Tecnologia20”; “Quanto à área da sua Graduação: ( ) Na área específica do curso em que atua ( ) Em outra área” ; “Sua maior titu- lação acadêmica é: ( ) Especialização ( ) Mestrado ( ) Doutorado”. - Ampliado o texto que solicitava aos professores que relatassem as discipli-
nas ministradas nos cursos investigados que passou de “Disciplina(s) que ministra no curso” para “Disciplina(s) do núcleo de disciplinas profissionali- zantes ou do núcleo de disciplinas específicas, que ministra ATUALMENTE no(s) curso(s) de GRADUAÇÃO em ENGENHARIA”. Essa mudança também se deu pelo fato de que vários professores relatavam disciplinas ministradas em outros cursos ou em períodos passados.
As escalas também sofreram algumas alterações. A Escala de Valoração de Estratégias de Ensino (EVEE) ficou formada por dois conjuntos de variáveis. No pri- meiro, que faz referência ao planejamento das estratégias de ensino, ficaram defini- das as seguintes variáveis:
Discute o plano de ensino com os alunos no início de sua disciplina (DPENS);
Permite que os alunos opinem sobre as estratégias de ensino utilizadas (PAOPI).
No segundo conjunto, que faz referência às estratégias de ensino utilizadas pelos professores, as variáveis estabelecidas para o instrumento foram:
Anotação do último minuto (AUMIN) (o professor, faltando 2 a 5 min. para encerrar a aula, solicita aos alunos que anotem os principais pontos da aula e os que ficaram menos claros. Na aula seguinte, o professor retoma os pontos comuns que foram anotados);
20 Neste estudo, por sua especificidade e pelo fato de se ter como sujeitos do estudo somente
docentes que ministram disciplinas dos núcleos de disciplinas específicas e profissionalizantes, os tipos de graduação foram agrupados em “Bacharelado” e “Tecnologias”.
Aprendizagem baseada na solução de problemas (ABSPR) (busca de so- luções de problemas por meio de estudos de caso previamente monta- dos);
Atividades de discussão em grupo (ADGRU) (grupos de verbalização e de observação, Phillips 66, grupos de cochicho, painel integrado, grupos pa- ra a formulação de questões, aprendizagem entre pares, pense-par- compartilhe);
Aula expositiva (AEXPO) (centrada na exposição do assunto pelo profes- sor);
Aula expositiva dialogada (AEXDI) (exposição do conteúdo com a partici- pação dos alunos);
Aula prática demonstrativa (APDEM) (centrada no professor para de- monstração de conteúdos. Realizada em laboratório ou em ambientes es- pecíficos). Essa estratégia é um desdobramento da “Aula Prática”, sugeri- da pelos professores que participaram do estudo-piloto;
Aula prática executiva (APEXE) (os alunos participam ativamente, desen- volvendo atividades, sob a orientação do professor. Realizada em labora- tório ou outros ambientes específicos). Essa estratégia também é um desdobramento da “Aula Prática”, sugerida pelos professores que partici- param do estudo-piloto;
Dinâmica de grupo (DGRUP) (estudo da natureza do grupo, desenvolven- do valores individuais e coletivos);
Discussão e debate de temas (DDTEM) (reflexão sobre conhecimentos obtidos após leitura, exposição de temas, filmes a partir de atividade indi- vidual ou em grupo);
Disponibilização de material por meio de recursos informatizados21
(DMINF) (Moodle, e-mail ou outros recursos informatizados para disponi-
21 Os recursos da tecnologia da informação e da comunicação podem ser utilizados pelos professores
em suas atividades docentes de várias maneiras. Para que fosse possível identificar como estes recursos foram utilizados, as principais formas de utilização foram subdivididas no questionário em: “Disponibilização de materiais por meio de recursos informatizados”, “Lista de discussão por meios informatizados”, “Orientação extraclasse por meios informatizados” e “Avaliações feitas por meio de ambientes virtuais”. Devido a isso, apesar da “disponibilização de materiais por meio de recursos informatizados” não consistir em estratégia de ensino, ela consta na escala do questionário destinado a investigar as estratégias de ensino utilizadas.
bilização de material didático utilizado em sala de aula ou complementar. Disponibilização de vídeos, videoaulas, textos, imagens, apostilas etc.). Essa variável teve a descrição ampliada, tendo em vista sugestões de professores participantes do estudo-piloto;
Dramatização (DRAMA) (representação teatral a partir de um foco, pro- blema, tema);
Ensino com pesquisa (EPESQ) (utilização dos princípios do ensino asso- ciados aos da pesquisa);
Ensino na hora certa (EHCER) (fora da sala de aula, os alunos respon- dem a questões sobre o conteúdo de aulas que estão por vir, formuladas pelo professor. Essas questões podem estar disponibilizadas em um am- biente virtual. O professor utiliza as respostas dos alunos para preparar atividades da turma);
Ensino por projetos (EPROJ) (envolvimento dos estudantes para abordar ou resolver problemas e/ou situações reais da vida profissional. Projetos de intervenção);
Estudo de campo (ECAMP) (estudo direto em empresas ou comunidade. Estudo do meio);
Estudo de texto (ETEXT) (aula com leitura crítica e discussão de artigos, resenhas, livros etc.);
Estudo dirigido (EDIRI) (é a substituição da apresentação pelo professor, por um trabalho de pesquisa realizado pelos próprios alunos, sob a orien- tação do professor);
Estudos de caso (ECASO) (análise detalhada e objetiva de uma situação real);
Jogos (JOGOS) (utilização de jogos como recurso didático. Jogos de em- presa etc.);
Listas de discussão por meios informatizados (LDMIN) (alunos debatem à distância - facebook, chat, blogs etc., temas sobre os quais tenham reali- zado estudo prévio);
Mapa conceitual (MCONC) (construção de uma representação gráfica que indica a relação entre os conceitos);
Oficina, mesa redonda, painel, fórum, simpósio (OMPFS) (apresentações sobre determinado tema, realizadas por alunos ou especialistas. Os ou- vintes podem encaminhar perguntas);
Orientação extraclasse por meios informatizados (OEMIN) (orienta- ção/correção de trabalhos desenvolvidos pelos alunos feita via e-mail ou outros meios eletrônicos). Essa variável foi incluída tendo em vista suges- tões de professores participantes do estudo-piloto.
Portfólio (PORTF) (identificação e construção de registro, análise, seleção e reflexão sobre as produções);
Questionamento guiado entre pares (QGPAR) (os estudantes, individual- mente, elaboram questões sobre o conteúdo. Em seguida, discutem as questões em grupo. Ao final, o professor amplia a discussão das questões mais relevantes com toda a turma);
Resolução de exercícios (REXER) (em sala de aula, listas de exercícios); Resolução em voz alta de problemas em pares (RVAPR) (em pares, um
aluno é o solucionador de um problema lançado pelo professor e o outro, o questionador. O solucionador apresenta a solução passo a passo. O questionador anota erros detectados. O professor faz perguntas aos gru- pos para saber em que estágio está a solução do problema);
Seminários (SEMIN) (atividade em equipe de investigação e apresentação de um tema e discussão com a turma toda. Não somente apresentação oral de trabalhos);
Simulações (SIMUL) (simulação de algum aspecto da realidade. Júri si- mulado, simulações em equipamentos ou computacionais);
Softwares (SOFTW) (utilização de softwares educacionais para disciplinas específicas);
Tempestade cerebral (TCERE) (expressão, por palavras ou frases curtas de ideias sobre uma questão proposta);
Tomando notas cooperativamente em pares (TNCPA) (em pares, os alu- nos compartilham suas anotações de forma que todos possam melhorar suas anotações);
Visitas técnicas (VTECN) (excursões, visitas a indústrias, empresas, am- biente etc.).
A Escala de Valoração das Estratégias de Avaliação (EVEA) ficou composta por três conjuntos de variáveis. O primeiro, que se refere ao sistema de avaliação, ficou composto pelas seguintes variáveis:
Apresenta o sistema de avaliação no início da disciplina (ASAID);
Explica os critérios de aprovação/reprovação no início da disciplina (ECARI).
Explica os critérios que utilizará nos diferentes tipos de avaliação (ECDTA);
Permite que os alunos opinem nos critérios de avaliação (PAOPA);
Realiza avaliação diagnóstica sobre o conhecimento prévio dos alunos no início de suas disciplinas (RADCP);
Permite que os alunos refaçam trabalhos/provas para recuperar a nota (PARTP);
Utiliza os resultados das avaliações para realimentar a aprendizagem dos alunos (URARA);
Discute a aprovação/reprovação final com o aluno (DARFI).
O segundo conjunto, que se refere aos instrumentos e estratégias de avalia- ção, ficou composto pelas seguintes variáveis:
Apresentação oral (APORA) (apresentação de seminários ou outros, indi- vidual ou grupos);
Autoavaliação (AAVAL);
Avaliação interpares (AIPAR) (avaliação feita por colegas);
Avaliações feitas por meio de ambientes virtuais (AFAVI) (Moodle ou ou- tros);
Avaliação por portfólios (APORT);
Defesa de projetos (DPROJ) (avaliação oral, individual ou em grupo, de projetos já implementados, como a elaboração de sistemas, circuitos, pro- cessos etc.). Essa estratégia foi inserida no questionário tendo em vista a sugestão de professores participantes do estudo-piloto;
Elaboração de vídeos, softwares, hardwares, equipamentos, sistemas etc. (EVSHE). Essa estratégia também foi inserida no questionário, tendo em vista a sugestão de professores participantes do estudo-piloto;
Entrega de trabalhos individuais (ETIND);
Observação dos alunos (OALUN) (registro de incidentes, listas de verifi- cação);
Provas com perguntas fechadas/objetivas ou de múltipla escolha (PPFEC);
Provas escritas dissertativas/discursivas (PEDIS) (com perguntas abertas, desenvolvimento de um tema etc.);
Provas orais (PORAI);
Provas práticas (PPRAT) (realização de atividades em laboratório resolu- ção de problemas, abordagem de atividades etc.);
Relatório de atividades (RATIV) (decorrente de atividades desenvolvidas em laboratório, visitas técnicas, etc.).
O terceiro conjunto de variáveis, que corresponde a questões relacionadas à aprovação e reprovação, ficou assim composto:
Depende exclusivamente de provas (DEPRO);
Depende de provas e de outras estratégias de avaliação (DPOUT);
É obtida sem provas, somente por meio de outros instrumentos de avalia- ção (OSPRO).
Neste terceiro conjunto de variáveis, o item “As provas têm um peso definitivo na aprovação, apesar de o aluno realizar diferentes trabalhos teórico-práticos” foi excluído, por sugestão dos professores participantes do estudo-piloto.
As escalas EVEE, EVEA, que correspondem a itens de frequência de utiliza- ção de estratégias de ensino e de avaliação foram formadas por 5 pontos: “nunca”, “poucas vezes”, “algumas vezes”, “frequentemente” e “sempre”. Um sexto ponto foi acrescentado nestas escalas, disponibilizando a opção “não se aplica”, tendo em vista as diferentes características das várias disciplinas ministradas nos cursos de engenharia.
A terceira escala, de valoração de aquisição de habilidades didático- pedagógicas (EVDP), foi dividida em dois conjuntos de variáveis:
O primeiro conjunto se refere ao grau de importância que os professores atri- buem para atividades que poderiam contribuir para a aquisição de habilidades didá- tico-pedagógicas. Esse bloco foi formado por 5 pontos: “sem importância”, “pouco
importante”, “importante”, “muito importante” e “extremamente importante”. As variá- veis definidas foram:
A observação de professores durante o tempo que passou na graduação (OBPRO);
Formação Lato Sensu (FLSEN) (Especialização);
Formação Stricto Sensu (FSSEN) (Mestrado/Doutorado);
Estudos individuais relacionados a questões didático-pedagógicas (ES- TIN);
Cursos de formação continuada na área didático-pedagógica (CFCON); Experiência no dia a dia na sala de aula (EXDIA);
Estratégias de tentativa e erro (ETERR);
Troca de informações com outros colegas (TINCO).
O segundo conjunto foi formado por variáveis referentes à concordância dos professores sobre os conhecimentos didático-pedagógicos. Esse bloco é formado por 5 pontos: “discordo totalmente”, “discordo”, não tenho opinião”, “concordo” e “concordo totalmente”. As variáveis definidas foram:
Essencial para a sua atuação docente cotidiana (ESATU);
Suficiente para sua atuação como docente (não é necessária complemen- tação) (SUFAT);
Adequada à sua atuação como docente (está de acordo com as necessi- dades do nível de ensino/curso em que atua) (ADATD).
No questionário também constava um espaço reservado aos participantes que desejassem participar da segunda fase da pesquisa, qualitativa, para disponibi- lizarem uma forma de contato.
Juntamente ao questionário, foram entregues aos professores que participa- ram desta fase do estudo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C), por meio do qual o docente autoriza a utilização dos dados na pes- quisa e em publicações. Após as reformulações decorrentes das sugestões e obser- vações no estudo-piloto, a versão final do questionário foi aplicada à população in- vestigada.