PARTE I – NARRATIVA DE FICÇÃO BRASILEIRA E O CONTEXTO
CAPÍTULO 2 – O SISTEMA LITERÁRIO RECEPTOR
2.5 O interesse brasileiro pela literatura estadunidense
Com o início da guerra e o bloqueio do Atlântico, as negociações do Brasil com a França e a Inglaterra foram interrompidas, impulsionando a venda de livros ‘americanos’, entre 1939 e 1943. Em 1942, o aumento foi dez vezes maior em comparação a 1938, apesar dos preços mais elevados do que os praticados pelos europeus. Antonio Ribeiro Bertrand, da Livraria Civilização Brasileira, anunciou que, caso se reestabelecessem as comunicações marítimas com a Europa, haveria uma queda nas vendas de quase 50% dos títulos ‘americanos’ se eles não melhorassem os preços.66
O pretexto de conhecer os vizinhos latino-americanos rendeu um lucro muito além das expectativas, além da construção de um imaginário sobre o progresso e a prosperidade por meio de um estilo de vida utópico da crescente classe média (SADLIER, 2012). Tudo registrado, estampado, empacotado e disseminado nas revistas de circulação popular, duas das quais foram traduzidas para o português com os nomes ‘Em Guarda’ e ‘Seleções’. As publicações incluíam artigos de interesses diversos, inclusive científicos, resumidos e muitas vezes simplificados para o consumo do grande público. ‘Em Guarda’ e o ‘Boletim Semanal’ das atividades do CIAA eram enviados gratuitamente para as divisões regionais, onde cada qual se encarregava de distribui-los para as instituições de interesse, dentre as quais estavam os institutos e as associações culturais, as universidades e as bibliotecas públicas.
Quanto à tradução, paralelamente às ações do CIAA, o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, dedicou-se com afinco à tarefa. O cônsul Cecil M. P. Cross apostava na tradução como uma ferramenta muito útil para o programa de relações culturais, por meio da qual se fazia conhecer a ‘história e a civilização dos Estados Unidos’ nas ‘outras Américas’. Em uma das salas do consulado em São Paulo, havia uma coleção de livros ‘americanos’ traduzidos para o português, que os brasileiros interessados nos Estados Unidos
66 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1320. Correspondência de Antonio Ribeiro Bertrand, da Livraria Civilização Brasileira, do Rio de Janeiro, para Mr. W. S. Hall, c/o Henry M. Snyder & Co. Rio de Janeiro, 12 de maio de 1943.
poderiam consultar ou tomar como empréstimo. Havia um problema, porém:
O maior problema em relação aos livros talvez esteja na qualidade da tradução,
geralmente não muito boa. A Divisão de Relações Culturais em São Paulo está
analisando os livros americanos à medida que eles são publicados em português (quatro ou cinco intelectuais de peso estão ajudando no projeto) e espera-se que os
livros mal traduzidos sejam revisados ou mesmo tirados de circulação.67
(tradução e grifos meus)
Visando à solução desse aparente problema, o consulado pretendia ter acesso a todos os ‘livros americanos traduzidos para o português’, aproximadamente 400 (quatrocentos) ou 500 (quinhentos) volumes disponíveis no mercado. A metade encontrava-se na Divisão de Relações Culturais do consulado, e a outra metade teria que ser ainda adquirida para a continuidade do trabalho. Porém, a rubrica destinada à compra de livros no valor de US$60,00 (sessenta dólares) anuais não era o suficiente. Cross solicitou, assim, um aumento de pelo menos dez vezes sobre esse valor.68 Afinal de contas, não poderiam poupar esforços para disseminar o modo de vida, a filosofia e a ciência estadunidenses por meio do veículo mais eficiente entre as elites latino-americanas. Se por um lado Cross mostrou-se preocupado com a qualidade da tradução dos livros estadunidenses disponibilizados no mercado, por outro, a história do caixeiro viajante a seguir, que embarcaria com as malas cheias de produtos e pretendia esvaziá-las pela América Latina, aponta para a importância da quantidade das negociações que conseguiria realizar.
Em um dos projetos executados pelo CIAA, Dr. Lewis Hanke, diretor da Fundação Hispânica, recebeu US$5.000,00 (cinco mil dólares) para uma viagem pela América Latina, que se concretizou no final de 1941 (ESPINOSA, 1976, p. 172). O objetivo dessa missão era estabelecer contatos com pessoas ligadas ao mercado editorial, para viabilizar melhores condições comerciais para a exportação dos livros produzidos nos Estados Unidos. Finalizada a viagem, Hanke havia cumprido parte do seu papel estabelecendo contatos com importantes jornais e revistas latino-americanas para futuras transações comerciais.69 Sua outra incumbência era apresentar uma lista de duzentos títulos estadunidenses recomendados pela
67 “Perhaps the chief problem in the book field is the standard of translation, not usually very high. The Cultural
Relations Division in São Paulo is analysing American books as they appear in Portuguese (four or five prominent intellectuals helping in the project) and it is hoped that those which are too badly done may be revised or even withdrawn from circulation.”
68 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1330. Correspondência de Cecil M. P. Cross ao Secretário de Estado. São Paulo, 6 de novembro de 1944.
69 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1310. Relatório semanal número 13. 26 de setembro a 3 de outubro de 1941.
comissão para serem traduzidos para o espanhol e o português. De acordo com o registro na ata da sexagésima quarta reunião, realizada em 4 de fevereiro de 1944, vinte e oito títulos da lista, entre os técnicos e os acadêmicos, encontravam-se em fase de tradução e publicação no Brasil. Quanto aos livros de ficção, aproximadamente quarenta deles, representativos da ‘literatura de primeira classe’, haviam sido traduzidos e colocados no mercado. As traduções estavam sendo publicadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Porto Alegre, nessa última pela ‘Livraria O Globo’. Eram compradas por uma editora, a ‘Agência Rosy’, e depois revendidas para as livrarias, que disponibilizavam cada exemplar a Cr$ 20,00 (vinte cruzeiros) cada. Apesar de haver demanda por esses títulos, o preço de revenda inibia a expansão do comércio de livros estadunidenses.
Octales Marcondes Ferreira, dono da Companhia Editora Nacional, a maior e a mais importante editora no Brasil (segundo as palavras de Cecil M. P Cross), sugeriu royalties de 7% e 5% para a publicação de livros traduzidos para o português. A porcentagem menor, 5%, seria paga para um livro que não representasse valor comercial real, a exemplo dos clássicos. Embora tivessem um padrão literário maior, não podiam competir com os best-sellers mais modernos.
Os livros de ficção estadunidense traduzidos pela Companhia Editora Nacional, de janeiro a setembro de 1943 foram: Inconstant star, de Adelaida Humphries (Estrela inconstante, traduzido por Maslowa Gomes Venturi) – 7.000 cópias (fez parte da coleção ‘Biblioteca das moças’, especializada em romances para o público feminino); The moon is down, de John Steinbeck (Noite sem lua, Monteiro Lobato) – 5000 cópias; Nurse e Susan Merton Army spy, de Louise Logan (respectivamente Mulher de coragem, traduzido por João Busili e Amor entre as nuvens, por Gulmara de Morais Lobato) – 7.000 cópias (fizeram parte de uma coleção de romances de aventuras que tem como personagem principal a enfermeira Susan Merton que trabalhava também como uma espiã para os Aliados); e Oliver Wiswell, de Kenneth Roberts (Cara ou coroa, Gulmara de Morais Lobato) – 5.000 cópias (um romance histórico). Os livros seguintes estavam no prelo: And now tomorrow (adaptado para o cinema por Raymond Chandler, em 1944), de Rachel Field, que seria vertido por Lígia Junqueira Smith; e Lonely parade, de Fannie Hurst, a ser traduzido por Esther Mesquita.70
A condensação de The moon is down, de Steinbeck, apresentada e aprovada por unanimidade, foi publicada na revista Seleções Reader’s Digest, sendo considerada de
70 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1330. Correspondência de Cecil M. P. Cross ao Secretário de Estado. São Paulo, 22 de outubro de 1943.
excelente qualidade. Caso a editoria da revista tivesse rejeitado a publicação, a comissão já havia delineado um plano para unir esforços visando obter os direitos de tradução e editar o texto em forma seriada nos jornais brasileiros.71 A insistência por essa publicação é motivada pelo fato de ele representar uma alegoria do regime nazista na Alemanha e uma crítica ao regime totalitário que avançava rapidamente pelos países europeus. A publicação nos jornais atingiria um público maior e serviria como alerta para as consequências do nazismo, contra o qual lutavam os países Aliados. Apesar de Steinbeck ser membro do ‘The league of American writers’, uma associação de escritores lançada pelo Partido Comunista dos Estados Unidos, e, portanto, uma personae non grata, a alegoria em The moon is down representando o discurso do medo, da falta de liberdade e dos abusos do nazismo poderia servir como bom panfleto contra o avanço alemão.
A tradução de livros para o público infantil representou a menor fatia do mercado geral das traduções. No entanto, os livros de Walt Disney conquistaram imediatamente o público brasileiro, pois eram reproduzidos também em desenhos animados. Em 1942, Cesar Civita, Representante Especial da Walt Disney Productions na América do Sul,72 enviou para o CIAA regional, uma cópia da versão em português do mais recente livro da Walt Disney lançado na América do Sul, impresso na Argentina por razões econômicas, embora outras edições mais baratas estivessem sendo produzidas no Brasil. Civita encerrou o comunicado esperançoso de que “o CIAA apreciasse o esforço empenhado em trazer melhores livros infantis para o Brasil tirados das melhores edições publicadas nos Estados Unidos.”73.
Da mesma maneira que o público estadunidense teria que se familiarizar com as culturas da América Latina, para poder apreciar melhor a sua literatura, o brasileiro pouco conhecia e estimava os textos do vizinho ao norte. Portanto, o plano para divulgar a literatura estadunidense precisaria ser ativado. Em 1943, o CIAA regional brasileiro começou a receber os suplementos de resenhas literárias de jornais como o New York Times Sunday Times, Weekly Magazine,74 New York Times Sunday Magazine e Book Review Section, para a
71 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
minutes of meetings, 1941-1945, Box 1351. Ata da trigésima oitava reunião. Rio de Janeiro, 16 de julho de 1942.
72 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1320. Correspondência de Cesar Civita a Berent Friele. Rio de janeiro, 29 de abril de 1942.
73 Minha tradução de: “I hope you will appreciate this effort to provide Brazil with better children books taken
from the best editions published in the USA.”
74 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1297. Memorando BD-3761, da Divisão Brasileira a Harry W. Frantz. 19 de junho de 1944.
disseminação não só de livros técnicos e acadêmicos, mas também da ficção estadunidense.75 Dentre os professores que trabalharam para aprimorar o conhecimento sobre os vários aspectos da cultura dos Estados Unidos no Brasil estavam: William Rex Crawford, professor da Pennsylvania University, na Filadélfia, e adido cultural da Embaixada dos Estados Unidos no Rio de Janeiro; Professor Carleton Sprague Smith, diretor da Divisão de Música da Biblioteca de Nova York, e professor visitante de História Social dos Estados Unidos na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo; e Dr. Morton Deuwen Zabel, professor de ‘Literatura norte-americana contemporânea’, da University of Chicago.
Crawford proferiu conferências variadas também sobre a literatura dos Estados Unidos: ‘A literatura estadunidense’, ‘Clima intelectual nos Estados Unidos da América’ e ‘A geografia dos Estados Unidos da América’.76 Smith palestrou sobre o tema ‘A Biblioteca pública de Nova York’ na Escola de Biblioteconomia, anexa à Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo.77 E Zabel realizou um ciclo de conferências intituladas ‘Literatura norte-americana contemporânea’, ‘Henry James – seus romances, sua crítica, e seu lugar na literatura moderna’ e ‘Mark Twain – o humor e o realismo da folk experiência’. As palestras seguintes trataram de escritores modernos dos Estados Unidos tais como Theodore Dreiser, Edith Wharton, George Santayana, Henry Adams, Edwin Arlington Robinson, Willa Cather, Sinclair Lewis, Eugene O’Neill, T. S. Eliot, John Dos Passos, Ernest Hemingway, Carl Sandburg e Hart Crane.78 Em São Paulo, Zabel fez conferências sobre ‘Washington Irving and James Fenimore Cooper – from romanticism to realism in the literature of the United States’, ‘Walt Whitman’, ‘Emily Dickinson’, ‘Edgar Allan Poe’ e ‘Herman Melville and Moby Dick’.79 O Professor Zabel recebeu uma bolsa para ocupar a primeira cadeira da Universidade do Brasil, onde ficou por dois anos, sendo sucedido por W. J. Griffin, da St Cloud State University of Minnesota (ESPINOSA, 1976, p. 303).80
75 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1297. Memorando BD-3718, da Divisão Brasileira a Francis Jamieson. 12 de junho de 1944.
76 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1310. Clippings dos jornais: O Estado de SP, Diário de SP, A
Gazeta, Correio Paulistano, Folha da Manhã, Folha da Noite, O dia e Diário da Noite.
77 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1310. Clippings dos jornais: O Estado de SP, Diário de SP, A
Gazeta, Correio Paulistano, Folha da Manhã, Folha da Noite, O dia e Diário da Noite.
78 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1311. Correspondência recebida em 6 de setembro de 1944.
79 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1330. Correspondência de Cecil M. P. Cross ao Secretário de Estado. São Paulo, 28 de julho de 1944.
80 Em 1943, Vargas assinou uma lei estabelecendo uma cadeira de literatura estadunidense na Universidade do
Em entrevista concedida à Rádio Gazeta, transmitida às 19.35hs de 23 de junho de 1944, Brenno Silveira81, assistente do Prof. Carleton Sprague Smith, da Escola Livre de Sociologia e Política, em São Paulo, citou a presença de escritores e pensadores estadunidenses clássicos que de alguma forma influenciaram as letras brasileiras. Em sua opinião, o melhor escritor ‘norte-americano’ na literatura moderna, dentre Steinbeck, Willa Cather, John Dos Passos e Ernest Hemingway, sua preferência era pelo último, e na literatura filosófica, por Santayana.
Outros escritores também mereceram destaque para Silveira: na novela, Faulkner, a internacionalista Pearl Buck, Ednar Ferber, que canta a saga do Mississipi e Saroyan, o enfant terrible das letras americanas; na prosa de não-ficção, Louis Munford, o crítico da civilização moderna; na dramaturgia, Eugene O’Neil; na poesia, Sandburg, o cantor do povo, Frost, o bardo da Nova Inglaterra, Eliot, o católico internacional, Archibald MacLeish, o cantor da liberdade e autor do conhecido poema épico Conquistador.
Silveira versou também sobre o interesse dos críticos e estudiosos brasileiros pela literatura ‘norte-americana’ e listou, por exemplo, o excelente livro de ensaios de Almiro Rolmes Barbosa, Escritores norte-americanos e outros, e monografias como Viagem através da literatura americana, de Erico Verissimo, História literária dos Estados Unidos, de Carolina Nabuco, Ensaio de interpretação da literatura americana, de Lúcia Miguel Pereira, e Influências americanas nas letras do Brasil, de Pedro Calmon.82
Depois da visita aos Estados Unidos, Erico Verissimo escreveu sobre suas experiências, em Gato preto em campo de neve (dedicado a Thornton Wilder), publicado em 1941, já na sua décima edição em 1976. O escritor gaúcho criticou um dos clichês sobre os Estados Unidos que estava arraigado no imaginário latino-americano, o de um país materialista e sem cultura. Era “um erro pensar que as pessoas dos Estados Unidos não possuíam uma arte e uma literatura de real importância” (ESPINOSA, 1976, p. 284).
A Política da Boa Vizinhança nem sempre foi vista com bons olhos por alguns brasileiros. Na coluna literária da Folha Carioca, Valdemar Cavalcanti escreveu sobre a coleção de livros sobre a vida inglesa, especialmente a cultural, traduzidas para o português por intelectuais brasileiros residentes em Londres. 83
81 Silveira colaborou alguns anos na A Cigarra, Fon-fon e Folha da manhã, exerceu também o cargo de redator-
social do Correio Paulistano, e publicou em dezembro de 1943 o livro Pequena história da literatura norte-
americana.
82 NARA II. RG229, Office of Inter-American Affairs. Regional division, Coordination committee for Brazil:
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1329. Correspondência de Arnold Tschudy, do escritório de São Paulo, para Berent Friele. 27 de junho de 1944. Anexo: Transcrição da entrevista.
[...] uma coleção de livros em português com o objetivo de difusão. Repito, difusão, não propaganda. Os ingleses não querem ganhar a nossa admiração por meio de adjetivos e fotografias. Eles nos suprem de livros com informações completas e acuradas, concisas, mas cheias de senso crítico. Os vários aspectos da vida inglesa – especialmente a cultural – são estudados objetivamente... traduzidos para o nosso idioma por intelectuais brasileiros residentes em Londres... disponíveis nas livrarias por preços razoáveis... verdadeiras perfeições da arte impressa... eles nos fazem pensar o que poderia ser feito nessa mesma direção... se houvesse um esquema de publicação, poderíamos dispor dos recursos materiais e da boa vontade... para divulgar o Brasil no exterior – ou mesmo entre os brasileiros.84.
A antipatia pelos projetos culturais que traziam a literatura estadunidense ao conhecimento do público brasileiro mostra também preocupação quanto ao elemento político manipulador dos textos. A suspeita de propaganda política subjacente a esses intercâmbios não era bem vista pela crítica estadunidense e a brasileira. Ademais, devido aos fortes laços da elite intelectual brasileira com a Europa, principalmente a Inglaterra e a França, a produção cultural vinda dos vizinhos não era legitimada.
general records, 1941-1945. Legal Archives, Box 1297. Memorando (BD-4756) da Divisão brasileira para Francis Jamieson e Harry Frantz. 17 de outubro de 1944. Anexo: Folha Carioca, Rio de Janeiro. 12 out. 1944. (Clipping)
84 Minha tradução de: “... a collection of books in Portuguese for the purpose of diffusion. I repeat diffusion, not
propaganda. The English do not wish to acquire our admiration through adjectives and photographs. They
supply us with books complete with accurate information, briefly written, but full of critical sense. The various aspects of English life – especially cultural – are studied objectively… translated into our idiom by Brazilian intellectuals now living in London… are available at bookstores at very reasonable prices… are veritable perfections of the printing art… these books make us think what could be done on similar lines… a vast publishing scheme provided we could afford material resources and the good will… to make Brazil known abroad – or even among Brazilians.”
PARTE II – NORMAS DE TRADUÇÃO E A SINGULARIDADE DAS