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É importante relatar que os editores entrevistados são docentes e lutam por capital no campo científico, nos termos de Bourdieu (1983a). Dessa forma, eles podem ser agentes que já possuem determinado prestígio, como podem possuir menor volume de capital. Podem ter interesse em subverter ou conservar o valor dos capitais atribuídos a ele (RIVIERA; BRITO, 2015). A entrevistada 02 afirma que assumiu a revista por convite, o que, pode demonstrar um certo prestígio no campo científico.

[...] outra pesquisadora.. ah ela me convidou para ser editora da [revista] que é a revista da [instituição], que eu também ajudei a criar. Ah... e estou na.. na frente como editora-chefe dessa revista desde 2017 [...] (ENTREVISTADA 02, grifo nosso).

Assim também ocorreu com o entrevistado 04 que afirma que o capital social foi um fator importante para que o convite acontecesse.

[...] me convidaram, basicamente, [a pessoa] que era o editor tava

saindo e não só porque já tinha ficado à bastante tempo em frente.. à frente da revista [...] e me convidaram para ser o novo editor, eu

assumi, isso mais ou menos em Outubro ou Novembro a gente teve essa

decisão é.. facilita muito o fato também da.. do vice presidente e

presidente da [instituição x], né, o antigo presidente da [instituição x], o vice presidente ta aqui.. tá no meu andar na [instituição] e que efetivou o convite (ENTREVISTADO 04, grifo nosso)

O entrevistado 09 também afirma que foi convidado para ser editor. Segundo o entrevistado, “[...] ano passado eu fui convidado pela [instituição] pra ser editor chefe do.. da [revista] e eu tô.. tô como editor da [revista] desde então, maio de 2008.. 18 [...]” (ENTREVISTADO 09).

Para a editora entrevistada 10, foi realizado um convite para assumir a revista. A editora afirma que o capital intelectual foi importante.

[...] depois eu fui convidada pelo professor [...] que tava saindo da

[revista], para assumir a [revista], né. Eu já.. na epoca eu já estava fazendo concurso pra titular e tinha um pouco essa.. essa questão de você ter uma qualificação, né, maior pra você assumir a editoria de uma revista. E.. foi um pouco assim, meio natural... assim, não foi uma

coisa planejada assim “vou ser editora de revista”, né. Você acaba tendo experiência um pouco mais como autor, né, não como editor, né, quando você chega a editora a coisa é um pouco diferente, né (ENTREVISTADA 10, grifo nosso).

Nota-se, que o docentes podem ter sido convidados pelo prestígio que já possuem no campo científico. Fato que é corroborado por Rossoni (2018b) quando afirma que o prestígio do periódico pode ter relação com o peso do editor, assim a luta por capital simbólico envolve também a disputa por editores mais distintos no campo científico. Mas, o editor de prestígio também pode ter o interesse em possuir mais capital simbólico ao buscar administrar uma revista reconhecida no campo. Tanto o entrevistado 09 como a entrevistada 10 são editores de revistas classificadas como A2. A entrevistada 02 e o entevistado 04 são editores de revista B1.

Em relaçao ao entrevistado 03, o mesmo afirma que se tornou editor porque gostava, mas na revista em que ele atua foi uma rotatividade do próprio departamento, assim como existe a rotatividade para ser coordenador.

Na verdade esse negócio de editoria é.. é um negócio que eu sempre

gostei, antes de mais nada, né. [...] Então, na verdade como eu me tornei..

da [revista], especificamente, essa última? Foi na verdade uma

rotatividade natural, do departamento que eu trabalho [...], os outros editores que tavam trabalhando já haviam, né, uma jornada que tinha bem seus 6 anos, então, foi natural, né, foi uma reconfiguração natural do departamento, das revistas, que acontecem naturalmente e aí que eu comecei, especificamente, com a [revista]. Mas, falando de interesse

para virar editor, isso aí é uma coisa que sempre tive, né, avaliador, sempre tive interesse de fazer isso, então paralelamente sempre tentei fazer curso de certificação de... trabalho de editoração, de.. trabalho de avaliação, né, pra atuar como avaliador, pra atuar como editor. Então, é uma coisa que gosto de fazer especificamente, né, e esse interesse acabou ajudando aí... a juntar o interesse com a necessidade. Eu já sabia que gostava, na hora da rotatividade foi quase que natural aí (ENTREVISTADO 03, grifo nosso).

De acordo com o entrevistado 06, ele se tornou editor por necessidade do departamento, como o entrevistado 03, já que o outro editor havia saído. O mesmo aconteceu com o entrevistado 08 e 11.

A [instituição] mantém duas revistas, [...] a [revista X] e a [revista Y] [...]. Um amigo nosso, um professor que era o editor-chefe saiu da revista.. saiu da instituição em 2010, nessa, vamos dizer assim, leva de demissões um outro colega nosso assumiu. Ele assumiu e tava muito atrasado, tava muito artigo parado, tava muito coisa.. tinha muita coisa com problema na [revista Y], e a [revista X] tinha 9 artigos em avaliação, já tinha muito tempo.. aí ele pegou e pediu ajuda, pediu ajuda e ai o que foi feito.. alguns colegas fizeram a avaliação.. fizeram a avaliação dos artigos, um pré-avaliação e foi feita uma.. uma.. uma divisão de trabalho. Foi feita uma divisão de trabalho,

eu assumi a.. foi em 2012, eu assumi a [revista X] [...] (ENTREVISTADO

01, grifo nosso).

[...] lá da [revista], especificamente.. como ela é uma revista do nosso

programa de mestrado é.. é houve um.. um.. um.. não vou dizer que é um processo seletivo, mas, houve um primeiro colega que ficou como

coordenador durante 4 anos, né, como editor-chefe durante 4 anos, quer dizer.. a gente trata ela dentro do programa como um projeto, assim como outros.. outras atividades que a gente tem, né, é.. nos temos um congresso grande [...] e.. outros projetos com empresas, então, a gente trata ela como um projeto. Então, um [colega] ficou durante 4 anos à frente e aí ele,

quando tava vencendo o mandato, ele trouxe pro programa é.. pra fazer um.. ver se algum dos colegas queria assumir, ou então pra gente abrir um edital, né, pra fazer um chamamento de um editor, e aí, no caso, é.. eu me candidatei, né, assumi. Então, o processo foi bem formal,

né, ficou dentro do nosso programa (ENTREVISTADO 06, grifo nosso).

[...] quando [o editor anterior] pediu pra sair, ele queria ver alguém [da

instituição] e o nome que tinha mais interesse na época era eu. Então, assumi a editoria e fiz uma série de mudanças técnicas: implementação do

site, tentei dar mais eficiência no processo editorial, acompanhar as coisas

mais de perto. E eu tô na [revista] desde o segundo semestre de 2017, não tem muito tempo.. tem.. se tiver tem dois anos, dois anos e quebrar em um mês, não tenho exatamente a data que eu entrei, mas, não é muito tempo (ENTREVISTADO 08, grifo nosso).

[...] o periódico nosso aqui de Administração foi criado em 2011, era uma outra editora, uma.. né.. editora, ela que cuidava da revista e eu já fazia parte do Corpo Editorial dessa revista, enquanto, Bibliotecário com o papel de fazer a indexação nas bases internacionais. Eu ficava responsável por

essa parte mais técnica, né. E com a saída dela, ela foi desligada em 2015, eu assumi como editor-chefe (ENTREVISTADO 11, grifo nosso).

O entrevistado 05 também revela que se tornou editor pela necessidade e que para ser editor não foi necessário capital intelectual, mas que o conhecimento sobre o trabalho em uma revista é necessário.

[...] como todo mundo que se torna editor de periódico, não é? Tava

precisando de um editor [...], formação nenhuma, orientação nenhuma..

no máximo, o mais próximo que foi chegado disso era.. pra publicar os meus artigos, né, então.. Eu acompanhava um pouco o trabalho do editor em office, é.. alguma noção eu tinha, não é? a.. a partir disso, mas o resto foi tudo descoberto. Até hoje eu sinto enormes carências na minha

capacidade e formação como editor (ENTREVISTADO 05, grifo nosso).

Percebe-se, existe uma luta simbólica por capital, enquanto, alguns com prestígio foram convidados e aceitaram pela possibilidade de se acumular mais capital, mas também repassaram pra revista, outros assumiram a posição por interesse, ainda que de forma inconsciente (SETTON, 2002). Essa relação se torna mais perceptível quando os editores entrevistados, em sua maioria, concordam que o interesse do docente em ser editor significa a disputa por capital científico no campo, a disputa pela autoridade científica (BOURDIEU, 1983a).

Para o entrevistado 11, a vantagem é maior para o editor de instituição pública que consegue progressão através da produção no lattes, no entanto, em instituição privada é difícil encontrar alguém com interesse em ser editor. Importante mencionar que a revista em que o entrevistado é editor é classificada como B3 e não possui elevado volume de capital no campo, o que pode colaborar com a dificuldade de se conseguir editores.

Eu acho que há interesse.. é.. há interesse sim, por mais que no nosso caso chega a ser difícil a gente manter um docente [...] aqui na nossa instituição a gente utiliza o termo técnico e o termo docente, né, ou então colaboradores docentes, então, a gente sempre queria que um dos editores fosse docente também. Então, lá em 2011 a gente teve essa dificuldade de encontrar um docente e manter esse docente, em contrapartida em instituição que é

pública.. claro, que você não vai receber a mais por isso, por ser editor, né,

mesmo na instituição pública, mas ele dá um certo reconhecimento a

mais, assim, né.. de entrar no lattes, aquela coisa de produtivismo acadêmico, então, acaba pontuando um pouco a mais, assim. Na instituição privada é um pouco diferente porque não é o lattes que vai determinar a minha progressão de carreira, né, é um pouco distinto isso, então, não há tanto interesse de docentes, assim, ser.. ser editor, né. E eu acho que há cada vez menos interesse mesmo em instituição

pública, de docente querer ser editor, não sei.. essa é a impressão [...] (ENTREVISTADO 11, grifo nosso).

Concordando com o entrevistado 11, o editor entrevistado 06 afirma que o interesse do docente em ser editor envolve a progressão de carreira, no entanto, o

editor afirma não ter interesse em capital econômico. Nota-se que o editor entrevistado reconhece que o interesse do editor está no prestígio que o campo oferece.

[...] a gente tem uma.. é tem.. tem um interesse sim em termos de

progressão, né, de carreira dentro da universidade. Acho que esse é um

interesse bem pragmático, né. A gente tem a cada dois anos é um processo de progressão que aí as tuas atividades contam nisso e aí a atividade editorial é uma atividade importante, né, é.. até porque você publica, né, em

função dos editoriais, você acaba tendo é.. a possibilidade de abrir portas aí pra.. pra alunos, pra colegas, não na.. na tua revista, né, na revista que tu tá gerindo, mas em outras, né, de.. de conhecer esses meandros dos fast tracks melhor, etc. É.. acho que tem um lado, obviamente, de.. de status profissional, né, quer dizer, você ta comunicando, ta mostrando ao mercado é.. que você tem uma capacidade gerencial, que você ta.. ta.. ta.. ta jogando o jogo, que.. que as pessoas entendem, né, que outros.. quer dizer, quem ta jogando também olha você como.. como par, acho que basicamente isso. É realmente, pecuniário não tem é.. não tem nenhuma vantagem, nenhum

retorno. Não é isso que traz, pelo menos na minha.. na minha percepção, não é isso que traz ninguem pra ser.. ser editor de revista (ENTREVISTADO 06, grifo nosso).

O editor também cita que existe uma aproximação com outros editores e com os “bastidores” do campo editorial da comunicação científica, o que pode facilitar algumas conquistas. Da mesma forma, a entrevistada 10 afirma que o interesse de ser editor ocorre por causa da facilidade de conseguir algumas coisas do campo, como a bolsa produtividade e com isso ter capital científico puro, conforme Menezes, Oddone e Café (2012) explicam. Além disso, a editora aponta para o fato de conhecer novas pessoas e fazer parcerias, isto é, adquirir capital social.

[...] hã, se você olhar, por exemplo, pra conseguir bolsa produtividade,

ser editor tem.. tem.. eu acho que conta, né. Hã.. que mais? Hã.. ah eu

acho que essa coisa de conhecer o meio hã.. o meio de editoração, né. Hã.. por exemplo, [...] o fato de você estar ali nesse meio, você conhece as

revistas, conhece as pessoas, troca infomação de pesquisa, né, então, assim... essa troca de favor meio salutar assim, né, [...] assim, você vai

conhecendo as pessoas, vai abrindo um pouco pespectiva de pesquisa, você vai conhecendo o trabalho de outras pessoas, é muito bom, eu acho que é muito enriquecedor, né. Eu acho legal...(ENTREVISTADA 10, grifo nosso).

O entrevistado 01 afirma que o interesse em ser editor se dá pelo capital simbólico, não só para o agente, mas também para a instituição. Além disso, o editor entrevistado vê que o capital social também pode ser um dos interesses.

[...] eu acho que tem a questão da contribuição pra instituição. Então tem um lado que não é um lado de remuneração, né, que é um lado de.. de..

de fazer parte.. de um lado de ter a consciência da contribuição que

pode ter e..e cada um dando sua parte, cada um fazendo a sua parte pra poder manter a revista, que a revista da visibilidade. Essa visibilidade é interessante e tem que ser aproveitada, ela da visibilidade para a instituição e da visibilidade para o editor-chefe.

Então, as vezes.. é interessante manter certas redes de relacionamento, né, que não necessariamente vão facilitar sua vida, mas na maioria das vezes não irão dificultar sua vida (ENTREVISTADO 01, grifo nosso).

O entrevistado 05 também aponta para o reconhecimento como o interesse do docente querer ser editor, o que envolve disputas no campo científico, no entanto, assim como o entrevistado 11, ele afirma que por ser um trabalho de muita responsabilidade não é todo docente que busca isso.

Acho que sim, hã.. te dá uma visibilidade hã... hã.., você aprende nesse

processo, muitas vezes a instituição reconhece isso te liberando de outras

funções poderiam não te interessar tanto. Enfim, eu vejo muito retorno pro

editor. O problema é que ser editor também dá muito trabalho, é muita responsabilidade, né, você decide se um artigo vai ser publicado ou não e isso tem impacto sobre a carreira dos autores. Então, muita responsabilidade e muito trabalho. Isso é um aspecto que.. afasta, né,

mas de outra maneira eu acho muito gratificante (ENTREVISTADO 05, grifo nosso).

Para o entrevistado 08, ser editor envolve capital simbólico, envolve, em alguns casos, capital econômico e pode envolver capital social e intelectual, devido a aproximação com outros editores.

[...] simbólico isso envolve prestígio. Então, normalmente, você ter uma..

ser editor é uma posição de prestígio, e quanto melhor o periódico é posicionado no Qualis, no campo, mas é.. mais bem visto você é. Então, querendo ou não, ser editor de periódico é uma função de

status, uma função de prestígio e isso alavanca alguns capitais. As

pessoas se aproximam, as pessoas barganham com você, ten.. alguns

oferecem favores. Eu já recebi oferta de dinheiro pra publicar na [revista], não de brasileiro, de gringo, por whatsapp.. achei um absurdo! Mas, tudo bem.. e se isso aconteceu comigo com uma revista pequena, uma dessa, imagina com os demais. E querendo ou não, ser editor te dá acesso a.. a

algumas comunidades que são específicas, a gente não tem ainda isso muito disseminado, eu tenho interesse que isso seja resgatado novamente aqui no Brasil, que é a comunidade de editores falando de editores. É legal, as trocas são interessantes, os editores insistem muito em

ensinar e quando você está com eles você aprende muito no processo, e um ajuda o outro. Igual eu faço parte de vários conselhos editoriais e depois que eu me toquei que eu não sabia que eu participava de tanto já, eu sempre ajudo e eles sempre me ajudam. Quando eles precisam de alguma avaliação que ninguem tá avaliando eles falam comigo. Então, isso é legal! E, alem disso, algumas instituições pagam pro editor ser editor, então,

há também uma recompensa financeira. No meu caso não, só perco.. só

gasto tempo e é prazeroso. Você não orienta, mas, você ajuda a avaliar como editor. Isso é legal. E você aprende muito, eu aprendi muito como

editor, o processo de coordenar as coisas dentro do prazo é.. que esse tipo

projeto muito mais longo e muito mais complexo na minha vida, mas é legal você ver que o trabalho que você tá fazendo, que é um trabalho de longo prazo tá dando resultado [...] (ENTREVISTADO 08, grifo nosso).

De acordo com o entrevistado 04, o interesse do docente em ser editor está na possibilidade de repasse do capital intelectual.

Eu acho que é.. é um serviço que a gente presta à comunidade, eu acho

que faz parte.. eu acho que faz parte da job creation acadêmico dar parecer para as revistas, de ajudar em seminários, dar comentários em

seminários, de.. nas conferências, eu sou super caxias, vou nas conferências, vou na seção pôster, é.. converso com os jovens, tento passar um pouco da minha experiência e.. eu acho que a editoração.. ser

editor faz parte disso, você passar sua experiência do que é importante e do que não é importante, você guiar um pouquinho [...]

(ENTREVISTADO 04, grifo nosso).

Para o entrevistado 09, não existe interesse em capital econômico ao querer ser editor, mas sim interesse em adquirir maior conhecimento o que reverbera para a sua própria produção científica.

Pois é, deveria ter, mas.. mas eu mesmo acho.. acho é.. vamos dizer assim oh.. interesse utilitário, acho que não tem, eu pelo menos não.. não..

não consigo é... alcançar benefícios ou objetivos pra mim, né. Agora, é uma função que se a pessoa desempenha com motivação, com interesse, ela dá muito aprendizado e isso eu, certamente, valorizo e é,

basicamente, o motivo pelo qual eu assumo esse tipo de função, é o aprendizado e esse aprendizado se reflete na qualidade do meu

pensamento acadêmico e também nos artigos que eu mesmo produzo e publico (ENTREVISTADO 09, grifo nosso).

Aqui se evidencia, ainda que de forma mais simbólica, a busca por reconhecimento, pois o interesse em métodos diferenciados, em teorias e técnicas evidenciam a busca pela autoridade científica no campo científico, conforme aponta Bourdieu (1996). A busca do pesquisador é sempre por reconhecimento, segundo o autor.

A entrevistada 02 afirma que o fato do docente querer ser editor, de uma forma geral, está vinculado ao prestígio que ele pode ter no campo científico, embora, ela afirme não possuir esse tipo de interesse. Para a entrevistada, o papel do editor é relevante para o desenvolvimento científico, e concorda com o entrevistado 09 ao afirmar que não é pelo capital econômico.

Ahh.. hoje eu vejo como um papel bastante relevante na área científica. Ahh... precisa ter muita.. é um trabalho muito missionário, porque a gente não.. financeiramente, não compensa. O trabalho é intenso, a gente gasta horas... horas na semana trabalhando na revista, ahhh.. então, é muito

missionário mesmo, né, eu acho que a gente precisa querer, pelo avanço

do conhecimento da área. No caso, na área [...] a revista que eu sou

editora-chefe, é a única revista [...] de porte. Então, é um trabalho missionário, eu quero que essa área cresça no Brasil e internacionalmente também. É.. então eu vejo mui.. no meu caso específico, muito focado nesse sentido, né, de ver essa área avançar. Ahhh..eu sei que tem alguns

editores que também assumem essa... esse papel pela relevância na academia, né. É um trabalho que a gente tem um certo reconhecimento, né. Eu, particularmente não me preocupo muito com isso, mas ele não deixa de ter um papel relevante, o editor-chefe

(ENTREVISTADA 02, grifo nosso).

Dessa forma, nota-se que ser editor para o docente significa a posse de vários tipos de capitais, mesmo que alguns não reconheçam que existem benefícios materiais e simbólicos, a posiçao de destaque que o editor tem em relação ao periódico proporciona uma posição elevada em relação ao campo editorial da comunicação científica e ao campo científico. O papel do editor é realmente um papel de poder, conforme destacado por Patrus, Dantas e Shigaki (2016), e por isso, é um dos interesses de docentes.