O processo de construção da proposta de intervenção se iniciou em uma aula da professora Neila Osório sobre a importância de ensinar sentimentos para os acadêmicos da UMA. Nessa aula foram formados grupos entre os alunos que participavam da cadeira Tópicos Especiais em Educação Intergeracional do PPGE/UFT. Em seguida, foi solicitado que cada grupo escolhesse um livro que trabalhava os sentimentos. No grupo em que estávamos participando, foi escolhido o sentimento de confiança. A primeira instrução foi construir uma metodologia capaz de contemplar a relação intergeracional e ao mesmo tempo despertar uma reflexão sobre a importância do sentimento de confiança nessa relação. Com isso foi se desenhando a pesquisa aos poucos, em pequenas etapas que serão demonstradas a seguir.
A primeira etapa do processo de pesquisa foi uma oficina junto aos idosos que consistia em estudantes do mestrado interagir com estudantes da UMA. A partir desse encontro foram feitas perguntas aos idosos acerca de diversas temáticas do campo da gerontologia. Por meio dessa oficina foram colhidos depoimentos. As entrevistas demonstraram o impacto da educação como ferramenta de promoção de qualidade de vida, uma vez que houve uma mudança de postura dos acadêmicos após frequentar a universidade. Assim, confirma-se o objetivo principal da promoção à saúde; conforme apontam Sucupira e Mendes (2003, p. 9), “para a promoção da saúde o objetivo contínuo é buscar expandir o potencial positivo de saúde”.
Na segunda etapa, foi executada uma metodologia pedagógica que colaborasse na melhora da autoconfiança dos velhos. Com base nisso foi criado um jogo de tabuleiro intitulado jogo da confiança. Segundo Klisys e Fonseca (2008), os jogos de tabuleiro podem auxiliar os jogadores a desenvolver estratégias para a resolução de problemas, habilidade lógica, ação e reação, habilidades sociais e interativas.
Esse jogo demonstrou que as atividades exercidas na UMA estão de acordo com o plano pedagógico estabelecido no documento Universidade da Maturidade da Universidade Federal do Tocantins: uma proposta educacional para o envelhecimento digno e ativo no Tocantins, criado por Osório (2006, p. 5), que traz como diretriz o princípio da atividade: “conceber a aprendizagem como um processo de reconstrução e reapropriação de conhecimentos, de habilidades e de atitudes requer do aprendiz o envolvimento e a participação efetiva, por meio de uma ação interativa”.
O processo de coleta de dados foi realizado em dois encontros propostos pela orientadora da disciplina. Ainda nesse estudo o referencial bibliográfico foi composto por artigos científicos e livros analisados para propor os objetivos da pesquisa. A coleta de dados ocorreu da seguinte maneira: a) primeiro fez-se uma revisão da literatura sobre o tema; b) em seguida realizou-se o levantamento de dados referente ao problema da pesquisa. Os critérios para seleção das referências bibliográficas incluíram: 1) artigos referentes ao tema da pesquisa; 2) anos de publicação entre 1990 e 2018; 3) pesquisas feitas em sites seguros.
Foi realizado levantamento da literatura nas bases de dados do Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SCIELO). As palavras-chave utilizadas na busca incluíram: promoção à saúde do idoso, educação ao longo da vida, envelhecimento ativo.
Para concluir, com o avanço crescente da população idosa, tornam-se necessárias iniciativas que promovam o desenvolvimento integral, a autonomia e a participação efetiva da pessoa velha na luta por melhores condições de vida. Que no mínimo possa exercer seus
direitos, assumir papel fundamental na busca por um reconhecimento enquanto cidadã ativa e assim desviar-se de condutas cristalizadas pela cultura que vê o velho apenas como um ser senil.
Sucupira e Mendes (2003, p. 9) ressaltam que “as ações de promoção da saúde concretizam-se em diversos espaços, em órgãos de políticas, nas universidades e, sobretudo,
localmente, nos espaços sociais onde vivem as pessoas” (grifo nosso). Nesse aspecto, a UMA vem desenvolvendo atividades que influenciam os determinantes sociais que atingem o velho promovendo mudanças efetivas, exemplo disso é a fala da acadêmica Maria Lúcia: “Na UMA eu me encontrei, tive a oportunidade de aprender todos os direitos que os seres humanos têm, me curei da depressão e hoje eu sou feliz” (sic).
Assim, na busca e na análise das referências teóricas, verificou-se que os autores destacam que a educação enquanto ferramenta de promoção de qualidade de vida pode trazer para o velho: auto realização, motivação, autonomia, mudança de postura, além de melhorar os vínculos interpessoais e familiares.
Compreende-se que a proposta educacional ofertada pela UMA é essencial para a formação de uma visão específica e positiva do envelhecimento e que essa mudança de paradigma vivenciada pelo velho impacta diretamente em sua saúde física e emocional. Os conhecimentos apreendidos causam reflexão e consequentemente permitem um posicionamento na vida de forma otimizada. Fatores como a perda da capacidade física e cognitiva, o sentimento de solidão e a depressão são esquecidos e agora têm como foco a saúde e a interação saudável. Portanto, a pesquisa tornou possível a observação, a escuta dos acadêmicos velhos que integrados a UMA adotam uma nova postura, sendo cada vez mais ativos, saindo da invisibilidade social.
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3. O Plano Nacional pela Alfabetização na
Idade Certa (PNAIC) no Brasil
Sadia Azevedo Rocha Jocyléia Santana Daniela Maldonado Em meio a um contexto de renovação curricular, em especial pela ampliação do ensino fundamental para nove anos e acompanhado da necessidade de institucionalização do Ciclo de Alfabetização (BRASIL, 2014a) surgiu o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) que se delineou desde 2008.
A partir dos resultados de avaliações externas promovidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os quais indicavam melhoria acadêmica dos alunos, o MEC considerou bem sucedido o Programa Pró-Letramento3,
referência importante para a implementação do PNAIC. A melhoria se refere à apropriação de conhecimentos em língua portuguesa e matemática e promoveu um debate nacional envolvendo instituições do ensino superior e centros de pesquisas e desenvolvimento da educação na implantação de uma política centrada no currículo e “direitos de aprendizagem” por meio de reflexões que ampliassem a discussão sobre a formação continuada de professores com base nos pressupostos do Pró-Letramento (BRASIL, 2015).