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O “SEMED informa – Informação com Educação” começou a circular em

possível observar qual era a formação continuada que a Secretaria proporcionava para seus funcionários.

Começo por apresentar trechos que considero trazer o que estava entendendo como Formação Continuada para a SEMED. Para isso, selecionei as edições 3, 4 e 5

do jornalzinho, li e marquei neles os trechos que “diziam” sobre formação

continuada, os quais transcrevo a seguir:

Imagens 7, 8 e 9 – Recortes do Jornal Semestral “SEMED informa – Informação

com Educação”.

Diante do exposto, posso afirmar que a SEMED faz da formação continuada dos seus funcionários algo que acontece constantemente com cursos, palestras, capacitações, reuniões etc.

Nesses informativos, algumas atividades chamaram atenção por terem acontecido no dentrofora dos muros escolares e por fazerem parte da formação cotidiana dos funcionários da rede. Cursos de Grafia Negra oferecidos pela UFV; curso on-line de educação para o trânsito; oficina de confecção de livros; cursos de

danças folclóricas; curso de teatro; visitas monitoradas ao parque ecológico da região; seminário de educação sem homofobia; oficina de arte digital; capacitação para professor@s da cultura afro; etc.

Para alguns autores, como Alves (2010), Barbosa de Oliveira (2013), Ferraço (2012), entre outros que estudam, pesquisam e escrevem em perspectivas cotidianas, a formação continuada de professor@s se dá por meio das redes que se tecem no cotidiano de todos os sujeitos escolares. E, independentemente de ser em espaçostempos escolares ou não, a formação acontece com diferentes experiências, práticas e teorias. E isso parece acontecer na Rede Municipal de Ponte Nova, já que houve a constituição de diferentes tipos de formação.

Esses e muitos outros acontecimentos descritos no jornal ocorreram como processos de formação continuada, com o intuito de construir coletivamente os conhecimentos dos sujeitos que transitam na rede municipal de ensino. Mas, mesmo tendo essas atividades como parte da formação, como apresenta no “SEMED

informa”, não é possível concluir aqui se essas têm surtido efeito na formação d@s

professor@s que participaram, e não é esse o objetivo desta dissertação.

Além desse informativo, outro meio para registrar as ações de formação foi o caderno de práticas exitosas40 que cada escola possui e que era apresentado em reuniões dos funcionários da rede de educação. Nesse caderno, chamado também de

“Registro de Boas Práticas Pedagógicas”, eram descritas as experiências de

atividades as quais @s professor@s realizavam com seus alunos, além das fotografias tiradas para registrar cada momento.

As “boas práticas” registradas nos cadernos de cada escola foram de

atividades que deram certo e promoveram um bom resultado almejado pela Secretaria Municipal de Educação de Ponte Nova (SEMED). Para isso, tanto os professores quanto os alunos tiveram que se adequar aos critérios que SEMED acreditava.

Comparando essas “boas práticas” com a ideia de disciplina de Foucault

(1987), entendi que para se ter um bom resultado que seja digno de ser compartilhado com um grupo específico é necessário disciplina:

40 Caderno que cada escola da rede municipal de Ponte Nova, MG, possui para registrar atividades feitas durante o período letivo.

Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impões uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as “disciplinas” (FOUCAULT, 1987, p. 110)

Elas que manipulam, modelam, treinam, tornam o corpo hábil. Enfim, a disciplina cria corpos que não apresentam resistência ao modelo proposto ao qual eles devem adequar-se.

Dessa forma, as atividades descritas no “Caderno de Boas práticas” são atividades que não fugiram do esperado. Atividades que atenderam aos olhares que vigiavam e coordenavam os movimentos das escolas municipais de Ponte Nova.

Imagens 10 e 11 – Fotos do Caderno de Práticas Exitosas.

O processo da reunião em que os diretores apresentavam as “boas” práticas que deram certo na escola também era compreendido por Júlia como um momento de formação continuada, já que havia conversas e trocas de conhecimentos entre diretor@s, supervisor@s e professor@s, os quais poderiam aprender com os relatos práticas novas para levar às suas escolas. De acordo com Júlia, a SEMED sempre se preocupou com a formação por meio de trocas de experiências, em que todos os sujeitos escolares estivessem envolvidos, ou seja:

Nós sempre tivemos uma preocupação. Mesmo antes de 2014 de promover momentos de trocas de saberes, experiências... e, principalmente experiências exitosas. Então, nas reuniões pedagógicas, tanto do infantil quanto do fundamental, tinha esses espaços. Voluntariamente as escolas de inscreviam, antes da reunião que era agendada para vir dissertar pros colegas uma experiência exitosa (Júlia).

Júlia fala sobre suas experiências como acúmulo de conhecimentos e saberes que considera ser o que a levou ao cargo de Secretária de Educação. No contexto da escola e d@s professor@s municipais de Ponte Nova, esse acúmulo de experiência se torna importante para tornar funcionário da rede, uma vez que o tempo de serviço na área de Educação conta para obter contratos anuais e mensais nas escolas.

Essa importância de experiência e de seguir carreira fica explícita no texto a seguir, quando eu e Júlia falávamos de experiência profissional:

Eu falo que é um chavão essa frase..., mas eu vim do chão de fábrica. Eu fiz aquele magistério da década de 1980. Não fui imediatamente pra área de educação. Trabalhei em outras coisas. Então, quando a gente atende um professor, atende um supervisor, uma diretora, eu consigo, não querendo dizer que eu sou completa, mas eu consigo entender perfeitamente um anseio, uma angústia, o problema de cada um. Por que todos eu já vivi, né? (Júlia).

Carvalho (2011) diz que o saber da experiência nos torna disponíveis para novas outras experiências que nos provocam e nos convidam a conhecer coisas inovadoras. No caso da Júlia, o tempo de trabalho e a experiência na carreira contribuíram para que ela chegasse ao cargo comissionado de secretária de Educação.

No caso da SEMED, quando se trata da experiência que convida a conhecer coisas novas, a utilização da rede virtual para fazer conectar as experiências que antes eram circuladas por meio de informativos e cadernos de práticas pode ser considerada inovação, em que se utiliza da tecnologia a serviço de uma formação.

Formação esta que, ao observar o “Grupo Educação Municipal em Rede – PN”,

parecia ser uma formação de práticas que deram certo e que poderiam ser publicadas nas redes.