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3. A MUDANÇA ORGANIZACIONAL

3.4 EQUIPES DE TRABALHO

3.4.2 O líder dentro das equipes

A liderança pode ser definida como habilidade de influenciar pessoas com o objetivo de alcançar resultados. Quanto à sua natureza, os líderes podem ser classificados como autocráticos, democráticos, carismáticos, visionários, e quanto à sua origem, como líderes políticos, religiosos, militares, empresariais.

Liderança é o papel de encorajar e ajudar os outros a trabalharem entusiasticamente na direção

dos objetivos. É o fator humano que ajuda um grupo a identificar para onde ele está indo e, assim, motivar-se em direção aos objetivos. Sem liderança, uma organização seria somente uma confusão de pessoas e máquinas, do mesmo modo que uma orquestra sem maestro seria somente músicos e instrumentos. A orquestra e todas as outras organizações requerem liderança, para desenvolverem ao máximo seus preciosos ativos, concluem Davis e Newstrom (1998).

Nossa visão tradicional do que é um líder ou dirigente, provém de uma visão individualista e não sistêmica. Especialmente no Ocidente, líderes são heróis – grandes homens (e ocasionalmente mulheres) que se tornam importantes em épocas de crise. Nossa idéia de liderança ainda está ligada à imagem do capitão de cavalaria liderando o ataque das tropas para salvar os colonizadores dos ataques dos índios. Enquanto prevalecer este tipo de mito, as pessoas continuarão com seu interesse voltado para eventos de curto prazo e heróis carismáticos, em vez de se interessarem pôr forças sistêmicas e aprendizagem coletiva. A idéia tradicional de liderança parte da suposição de que as pessoas são impotentes, não têm objetivos pessoais e são incapazes de controlar as forças das mudanças.

Na organização de aprendizagem , os dirigentes têm as funções de projetista, guia e professor.

Em uma organização que aprende, a liderança começa com o princípio da tensão criativa. A tensão criativa ocorre quando indivíduos estabelecem objetivos vendo-se no futuro realizando o que desejam, tomando pôr base sua realidade atual. Sem visão não existe tensão criativa. A visão do que se quer ajuda a ultrapassar as dificuldades porque, para alcançar seus objetivos, os indivíduos movem a realidade rumo às suas visões, gerando energia para promover mudanças e materializar algo que não existia. Deve-se abandonar o tradicional modo de enxergar líderes como heróis, que tudo sabem e que resolvem todos os problemas.

O líder deve apresentar traços que o distingam, como inteligência, valores e aparência, além de demonstrar sua integridade pessoal, conduta ética e autoconfiança. Deve demonstrar que nas suas características relacionadas ao trabalho, sua atenção está voltada para realizações porque aprecia perseguir objetivos. Igualmente deve demonstrar características sociais por sua habilidade em obter cooperação, obter prestígio e solucionar problemas com tato e diplomacia, além de ser capaz de antecipar-se às mudanças.

Cada mudança no ambiente implica a exigência de uma mudança dentro da organização. Até

certo ponto, essas exigências são previsíveis e podem ser programadas as reações adequadas; até certo ponto as mudanças solicitam lideranças que vão além das mencionadas reações. Os fatores adicionais que abrandam a estabilidade organizacional e criam a necessidade contínua de liderança são o desenvolvimento desigual e a dinâmica diferente dos diversos subsistemas organizacionais. Nenhum padrão de liderança é apropriado para todas as fases da vida organizacional. O líder deve reunir condições para orientar a visão e o direcionamento, colocar foco no cliente e tomar decisões.

Abaixo damos algumas das condições, que melhoram o desempenho da liderança:

Principais práticas

• Desenvolver pessoas

• Obter resultados

• Concentrar-se no cliente

• Comunicar-se

• Orientar a visão e a direção

• Cooperar/participar de equipes

• Criar equipes

• Desenvolver soluções criativas

• Criar um ambiente de alto desempenho

• Impulsionar mudanças

• Criar laços de relacionamento comercial

• Ser um modelo na sua função

• Tomar decisões

• Gerenciar a diversidade/valorizar o outro

• Gerenciar o desempenho

• Desenvolver estratégias

• Influenciar a organização

• Assumir responsabilidade pelas coisas Fonte: KLEMP (HSM Management(1999)

Um líder pode aumentar a motivação dos subordinados para atingir objetivos organizacionais e

pessoais de acordo com as características da sua personalidade, observáveis nas quatro práticas fundamentais da liderança, como coloca Klemp (1999):

Dizer (dar a direção): assumir a dianteira é condição sine qua non para a liderança. Os líderes eficientes estabelecem a direção a ser seguida, concentram-se nos resultados, tomam decisões, delegam autoridade, controlam discussões, gerenciam o desempenho e dão responsabilidades a outras pessoas. Sua autoridade é utilizada para realizar tarefas.

Vender (influenciar pessoas): são altamente persuasivos nas conversas pessoais e trabalham canais de influência formais e informais eficazmente. Criam coalizões e equipes eficazes, conseguem um ambiente de alto desempenho e suportam todas essas atividades pôr meio da comunicação habilidosa e freqüente.

Iniciar (fazer com que as coisas aconteçam): são altamente previdentes: impulsionam as mudanças, correm riscos, agitam as coisas, buscam melhorias e agem de forma decisiva em vez de deixar que as circunstâncias e os acontecimentos orientem seu comportamento.

Muitos dos líderes são também inquietos e impacientes, sempre buscando novas oportunidades para agir.

Relacionar-se (estabelecer relacionamentos): os líderes eficientes compreendem a importância de manter relacionamentos sólidos, de confiança e respeito. Esses relacionamentos acontecem em dois níveis: um fora da organização, com clientes, parceiros de negócios, comunidade e governo, e outro no âmbito da organização, com seus pares, superiores e funcionários em todos os níveis.

Para conseguir praticar todas as sistemáticas citadas, podemos citar alguns atributos que colaboram na eficácia deste desempenho:

Principais atributos

• Integridade/sinceridade/ética

• Capacidade de realização

• Habilidade de lidar com pessoas

• Orientação para o aprendizado

• Capacidade de direcionar e controlar

• Capacidade de influenciar pessoas

• Raciocínio estratégico

• Compreensão de conceitos

• Flexibilidade/adaptabilidade

• Autoconfiança/coragem

• Iniciativa/orientação para a ação

• Capacidade de comunicação

• Energia/entusiasmo

• Habilidade política

• Cooperação

• Raciocínio analítico

• Responsabilidade/comprometimento

• Capacidade de julgamento

• Capacidade de tomar decisões

• Conhecimento do negócio

Fonte: Klemp(HSM Management, 1999)

A liderança envolve o uso de influência sobre pessoas com a finalidade de produzir resultados ou atingir metas, porém se a liderança é decorrente do poder que um cargo pode conferir, há tendência em obedecer para evitar sanções e penalidades, entretanto, se a liderança é decorrente do poder pessoal, destacando o líder por características da sua personalidade, há tendência em seguir o líder em face do respeito, admiração ou afeição que é capaz de inspirar em pessoas e grupos.

Uma das práticas importantes da liderança é aquela que pode ser caracterizada como aproximação, quando o líder busca relacionamentos sociais amistosos com seus liderados, reunindo-os em atividades esportivas, recreativas e socioculturais, por exemplo. Nessas ocasiões, é capaz de tomar conhecimento de necessidades das pessoas até então mascaradas pelo trabalho diário. Isto pode facilitar a identificação de pessoas adequadas para determinadas tarefas, focando os atributos dos seus liderados para resultados mais satisfatórios.

De Pree(1989), ainda explicita que “ser um líder significa, especialmente, ter a oportunidade

de introduzir uma diferença expressiva na vida daqueles que permitem aos líderes que liderem”.

A liderança auxilia as pessoas a “desaprender” as respostas previamente estabelecidas, já que elas, não mais são capazes de dar conta da nova realidade organizacional; ou seja, enfocar as pessoas, buscando a excelência em um cenário globalizado, passa certamente por uma nova abordagem dessas pessoas, como conclui Palominos (1997).

Pode se destacar a proeza do filósofo chinês do século VI a.C., Lao-Tzu, que definiu a liderança autogerenciável há mais de vinte e quatro séculos :

‘‘Um líder é melhor quando as pessoas mal sabem quando ele existe, não é tão bom quando as pessoas o obedecem e o aclamam, e pior quando o desprezam ... Mas a respeito de um bom líder, que fale pouco, quando o seu trabalho for realizado, o seu objetivo alcançado, elas dirão: fomos nós quem fizemos isso’’.