No pontificado de Pio X, a Igreja se deparava com uma nova relação com o Estado que teve início nos séculos anteriores. De acordo com Vovelle (1989) a separação entre Estado e Igreja ocorrido na França com o advento da Revolução Francesa em 1789, causou prejuízos à Igreja no que diz respeito à plena liberdade de culto, o respeito e a liberdade da Igreja na escolha dos bispos e a liberdade do clero que devia obediência ao Estado. Essa situação levou Pio X a uma reação forte contra a França e o seu empenho no sentido de mudar a situação da Igreja na nação Francesa. Zagheni percebe a reação do pontífice nesse assunto indicando que,
Pio X protesta solenemente contra essa legislação anti-religiosa com a encíclica Vehementer Nos (dirigida aos bispos franceses): “Ficamos cheios de inquietação e de angústia ao pensarmos em vós. E como poderia ser diferente, depois da promulgação da lei que, quebrando violentamente os laços seculares, com os quais a vossa nação esteve ligada à Sé Apostólica, cria para a Igreja Católica na França uma situação indigna e muito lamentável? Esse é um acontecimento gravíssimo; e todas as almas boas devem deplorá-lo, porque funesto para a sociedade civil tanto quanto para a religião” (ZAGHENI, 1999, p. 238).
Dentre as mudanças ocorridas no Século XX, destaca-se o surgimento de uma nova rota das decisões políticas, econômicas, militares e ideológicas. A Europa que detinha esse controle, deixou de ser o centro referencial do mundo ocidental. Esse é um fator que causou dificuldades para a Igreja que estava fortemente inculturada6 com esse continente que lhe era referência e ao qual
pretendia ser referência, em uma espécie de retroalimentação cultural. O deslocamento desse eixo afetou todas as áreas da sociedade e da vida, incluindo as relações. Mas não foi apenas o deslocamento do eixo do poder ou a queda dos antigos impérios, muito mais que isso foi o declínio sem retorno do mundo que caracterizou o século XIX. Essa nova realidade exigiu da Igreja nova leitura do momento histórico em que se encontrava, e fez com que os seus olhos contemplassem outros eixos de seu protagonismo que não a Europa. Tendo a Europa deixado de ser o centro do mundo, era igualmente necessário incluir-se no novo eixo protagonista do cenário pós Primeira Guerra Mundial. Zagheni afirma que,
O mundo, ao final do “século breve”, era diferente do mundo do início do século. Em primeiro lugar, porque não era mais um mundo eurocêntrico, pois o século XX, levou ao declínio e à queda da Europa, a qual perdeu seu indiscutível papel de centro do poder, da riqueza, da cultura e da “civilização ocidental”. A segunda transformação estava no fato de que entre 1914 e 1989 o mundo se tornou um campo operativo unitário (muito mais do que era em 1914) nos terrenos econômico, cultural e social. Instala-se então uma tensão entre esse processo cada vez mais acelerado de globalização e a incapacidade de as instituições públicas e os comportamentos coletivos dos homens harmonizarem- se com ele. A terceira transformação está na desintegração dos velhos modelos de relações humanas e sociais, redundando também na ruptura dos laços entre as gerações, entre o passado e o presente (ZAGHENI, 1999, p. 213).
6 Aquisição gradual dos preceitos, dos hábitos, das normas e das características de uma cultura ou de um grupo por outra (cultura ou pessoa). https://www.dicio.com.br
O pontificado de Pio X terminou no ano em que a Primeira Guerra teve seu início. O mundo seria cenário de uma onda impiedosa de violência, destruição e morte que aterrorizou a sociedade. Trabalhar para restabelecer a paz tornou-se imperativo nas ações da Igreja. Embora Pio X tenha promovido inúmeras reformas na Igreja, seu pontificado foi marcado pela desconfiança e recusa às transformações trazidas pela modernidade. Exerceu o ministério petrino com um determinismo que proclamava o absolutismo dos valores cristãos e firme determinação de que a hierarquia da Igreja advém da vontade de Cristo. Um olhar mais atento verificará no pontificado de Pio X um integrismo religioso. Esse integrismo reaparecerá na Igreja depois do Concílio Vaticano II, quando alguns membros da hierarquia rejeitarão as reformas conciliares e iniciarão movimentos de reação ao Concílio. Um sentimento de grande desconfiança do homem e suas iniciativas e desenvolverão uma visão negativa da história.
O Papa Pio X vitimado de uma broncopneumonia, faleceu no dia 20 de agosto de 1914, deixando a Igreja às portas da Primeira Guerra Mundial. Momentos de grandes tensões que culminariam na guerra. Áustria-Hungria declarou guerra contra a Sérvia. Nesse mesmo período a Alemanha declarou guerra à Rússia e posteriormente à França. Enquanto a Alemanha invadia a Bélgica para atacar a França, a Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha. A Europa entrava em estado de guerra que culminou na Primeira Guerra Mundial. Nesse quadro conflituoso, com a morte de Pio X, era preciso um líder para a Igreja que tivesse a arte da diplomacia e que fosse conhecedor dos problemas de governo. Esse perfil foi encontrado no cardeal Giacomo Della Chiesa que contava com grande habilidade na diplomacia. No dia 31 de agosto o conclave elegeu Giacomo Della Chiesa ao papado, o qual assumiu o nome de Bento XV. Seu pontificado será marcado pelas terríveis dores da Primeira Guerra Mundial. Considerando a Exortação Apostólica, Do Início, datada de 1º de agosto de 1917, do referido pontífice, verifica-se seu empenho durante todo o período da guerra, na busca da paz e na reorganização justa da sociedade quando do fim dos conflitos.
Desde o início de Nosso Pontificado, em meio aos horrores da terrível guerra desencadeada na Europa, propusemos três coisas entre todas: manter uma perfeita imparcialidade em relação a todos os beligerantes, como convém a Ele. o Pai comum que ama todos os seus filhos com igual afeto; Esforçamo-nos continuamente para fazer o melhor possível, sem aceitar pessoas, sem distinção de nacionalidade ou religião, pois ditamos também a lei universal da caridade e a suprema carga espiritual que nos foi confiada por nós. Cristo; finalmente, como Nossa missão pacificadora também exige, não omitir nada, tanto quanto estava em Nosso poder, do que poderia ajudar a acelerar o fim dessa calamidade.Qualquer um que acompanhou o nosso trabalho durante esses três anos dolorosos, que acabaram de passar, poderia facilmente reconhecer que, se sempre permanecermos fiéis à nossa resolução de absoluta imparcialidade e à nossa ação de caridade, não paramos. nem instar os povos e governos beligerantes a se tornarem irmãos novamente, embora a publicidade não tenha sido dada a tudo o que fizemos para alcançar esse objetivo tão nobre (BENTO XV, 1917).
As declarações do Papa Bento XV na Exortação Apostólica, de início, marcam o modo explícito de suas denúncias à guerra e em defesa da paz. No dia 1º de agosto de 1917, quando a Primeira Guerra Mundial encontrava-se no seu momento culminante o pontífice pronunciou-se exigindo a paz no mundo. Segundo o historiador Patrick J. Houlihan Bento XV foi um papa cuja atuação foi importante no período da Primeira Guerra Mundial,
O papado de Bento XV foi um brilhante exemplo de defesa humanitária, tanto acima quanto abaixo do nível confuso e necessário da alta diplomacia. No nosso tempo, quando os políticos clamam pela frase de efeito (ou tuíte), a verdadeira liderança inspira através da humildade e da dedicação pessoais para servir às necessidades existenciais mais profundas dos outros” 7
Duas propostas para o fim dos combates e o fim da guerra e uma nova organização justa da sociedade. De um lado o Papa Bento XV e a Nota da Paz, propõe que após a grande guerra o mundo buscasse uma organização justa que resultasse em uma paz duradoura. Houlihan (2017) nos permite compreender que embora a nota do papa caracterizasse um empenho de proposta idealista, o que para muitos foi confirmado pelo fato de não ter conseguido interromper a guerra; episódio que disseminou a ideia de que a religião perdera sua força e capacidade de influenciar a sociedade. A Nota de Paz de Bento XV, na Exortação Apostólica de gosto 1917, traz a marca de sua originalidade na busca
7 (O artigo foi publicado na revista América, 03-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.) Religion e Everyday Life in Germany and Austria-.Hungary, 1914-1922.
da paz durante seu pontificado. O papa não se posicionou em defesa dos interesses de nenhuma nação em particular.
Qualquer um que acompanhou o nosso trabalho durante esses três anos dolorosos, que acabaram de passar, poderia facilmente reconhecer que, se sempre permanecermos fiéis à nossa resolução de absoluta imparcialidade e à nossa ação de caridade, não paramos. nem instar os povos e governos beligerantes a se tornarem irmãos novamente, embora a publicidade não tenha sido dada a tudo o que fizemos para alcançar esse objetivo tão nobre (BENTO XV, 1917).
Seus esforços foram sempre norteados e norteadores de uma paz mundial sem privilégios para vencedores e sem opressão para vencidos. Ao contrário propunha uma paz justa para uma estabilidade social duradoura. Em meio à guerra seria comum pensar nos interesses de nações que tradicionalmente salvaguardaram os interesses da Igreja. Essa postura de Bento XV seguramente não representava os interesses das nações que sairiam da guerra como vencedoras. John F. Pollard verifica que,
E, antes de tudo, o ponto fundamental deve ser que a força moral da lei esteja subordinada à força material das armas. Portanto, um acordo justo de todos na redução simultânea e recíproca de armamentos, de acordo com normas e garantias a serem estabelecidas, na medida necessária e suficiente para manter a ordem pública em cada Estado; e, em vez de armas, a instituição da arbitragem com sua alta função pacificadora, de acordo com as regras a serem acordadas e a sanção a ser acordada contra o Estado que recusou ou submeteu questões internacionais ao árbitro ou aceitou a decisão (BENTO XV, 1917).8
Essa imparcialidade de Bento XV lhe custará a indiferença dos líderes políticos de então. Não estava preocupado naquele momento em defender uma determinada bandeira, mas tinha convicção de que o papa devia posicionar-se pelo mundo. Isso nos parece sinalizar sua preocupação com o diálogo na busca da paz.
Quanto aos danos a serem reparados e aos custos da guerra, não vemos outra maneira de resolver a questão, exceto colocando, como princípio geral, um desconto total e recíproco, justificado, além disso, pelos imensos benefícios a serem obtidos com o desarmamento; tanto mais que ninguém entenderia a continuação de tal carnificina apenas por razões econômicas. Se, em certos casos, existem, pelo contrário,
8 Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xv/it/letters/1917/documents/hf_ben xv_let_19170801_popoli-belligeranti.html
razões particulares, que as pesamos com justiça e equidade (BENTO XV, 1917).
Ao considerar que todos os homens são filhos do mesmo Deus, deixa em segundo plano os interesses particulares da Igreja ou mesmo do cristianismo. Estava convencido de que o romano pontífice é pai para a humanidade e devia intervir no conflito entre irmãos que se destruíam por meio da guerra. Houlihan destaca a ação do papa para além dos interesses católicos indicando que,
Em momentos cruciais durante e depois da Primeira Guerra Mundial, despojado de território e fora das alianças políticas, Bento XV focou a Igreja nas preocupações humanitárias em todo o mundo – convocando explicitamente que as pessoas se ajudassem mutuamente, para além da filiação a nações ou religiões (HOULIHAN, 2017).
Isso não significa que Bento XV não fosse convicto da universalidade da fé cristã e da salvação em Jesus Cristo. Menos ainda que a Igreja Católica não fosse a legítima representante e mediadora entre os homens e a salvação. Sua atenção para uma paz justa rompeu com um paradigma que a séculos a Santa Sé adotara; estava sempre de um lado, salvaguardando determinados interesses que lhes fossem mais caros. Bento XV revelou-se voltado para os dramas da humanidade em seu pontificado e não para os interesses de alguns Estados-nação. Em sua primeira encíclica “Ad Beatissimi Apostolorum” (Para o mais feliz dos apóstolos) , datada de 1º de novembro de 1914, na qual dirigiu-se aos governantes a renunciarem à guerra, o papa não obteve sucesso. Os líderes políticos dos diversos países lançaram olhar de desconfiança aos apelos do papa, e cada lado julgava que o pontífice estivesse se posicionando pelos interesses do adversário. Assim o papa se expressou sobre o tormento da guerra,
Agora, assim que tínhamos, do cume da dignidade apostólica, abraçamos o curso dos assuntos humanos com um olhar, fomos apanhados com um sofrimento agudo, contemplando as condições deploráveis da sociedade civil. Como, de fato, se tornando o pai comum de todos os homens, não teríamos o coração violentamente destruído pelo espetáculo apresentado pela Europa e até o mundo inteiro, certamente o espetáculo mais assustador e angustiante nunca visto na memória humana? [...] Em todos os lados, domina a imagem triste da guerra, e, por assim dizer, não há outro pensamento que ocupe as mentes. As nações - as mais poderosas e as mais importantes - estão em jogo: é de admirar que, equipados com
máquinas terríveis, devido aos últimos avanços na arte militar, estão visando, por assim dizer, se destruir com refinamentos da barbárie? Não há mais limites para as ruínas e a carnificina: todos os dias, a terra, inundada por novos fluxos de sangue, está coberta de mortos e feridos. Para ver esses povos armados uns contra os outros, duvida que eles descem do mesmo Pai, que tenham a mesma natureza e façam parte da mesma sociedade humana? Nós os reconheceríamos pelos filhos do mesmo Pai que está no céu? E enquanto grandes exércitos lutam ferozmente, o sofrimento e a dor, companheiros tristes da guerra, descem nos estados, nas famílias e nos indivíduos: todos os dias o número de viúvas aumenta demais e órfãos; O comércio languishes, por falta de comunicações; os campos são abandonados, a indústria é silenciada; os ricos estão no desconforto, os pobres na miséria, todos de luto (BENTO XV, 1914).
Bento XV não se serviu do desastre da guerra como instrumento de condenação das inovações contemporâneas, atitude marcante no pontificado de Pio X, que o antecedeu. Menos ainda serviu-se desse desastroso evento da humanidade para acusar a sociedade pelas perdas do Patrimônio de São Pedro.9 Ao contrário de fechar os olhos ao mundo enclausurando-se nas
muralhas do Vaticano, o papa lança um olhar para um universo maior no qual os interesses humanos superavam os interesses da Igreja. Assim Bento XV buscou com afinco fazer-se presente ao seu momento histórico e com uma diplomacia de alto nível trabalhou pela paz no mundo. O papa propunha seis objetivos principais da Nota de Paz, a partir dos quais pretendia envolver os lados beligerantes. Podem ser assim sintetizados, a redução simultânea e recíproca de armamentos; a arbitragem internacional; a verdadeira liberdade e comunidade dos mares; a renúncia recíproca às indenizações de guerra; a evacuação e restauração recíprocas de todos os territórios ocupados; e um exame “com espírito conciliatório” das reivindicações territoriais contenciosas. Houlihan indica que,
O desejo de paz de Bento XV ressoou com a maioria da população global, mas as reações dos líderes das grandes potências não foram entusiasmadas. Os dois pontos finais referentes ao território ressaltaram as principais razões pelas quais a “Nota de Paz” de 1917 fracassou, já que os lados opostos se recusaram a se mexer. A “Nota de Paz” mencionou expressamente o território na Bélgica, no norte da França, nas colônias alemãs, na Itália e na Áustria. No entanto, o alto comando alemão, dominado pela ditadura militar de Paul von Hindenburg e de Erich Ludendorff, recusou-se a abrir mão do território na Bélgica. (HOULIHAN, 2017).
9 Territórios doados à Igreja, por parte de Pepino, o Breve, dando origem ao Estado do Vaticano. https://interna.coceducacao.com.br/ebook/glossario/583.htm Acesso em 15 de maio de 2018.
A Nota de Paz que o pontífice apresentou foi de imediato rejeitada pelo presidente Woodrow Wilson dos Estados Unidos da América, que despontava como uma grande força moral e política; via ali uma ameaça ao seu poder. Wilson argumentava que não podia confiar no governo alemão. Propondo um programa para a paz em contraposição à proposta do papa Bento XV, Wilson apresentou em 1918 os QUATORZE PONTOS para a paz. Embora tenha recusado a Nota de Paz do papa, Wilson conservou grande parte do que substancialmente estava na Nota de Paz de Bento XV. A nova ordem social estabelecida depois da Primeira Guerra Mundial, trouxe consigo muitas distorções sociais, políticas e econômicas. Ao contrário do que propunha o papa Bento XV em sua diplomacia pela paz, a nova ordem não seria duradoura. O jogo de interesses resultou em um conflito ainda pior, A Segunda Guerra Mundial.
Embora Bento XV tenha exercido um grande esforço para que a guerra acabasse e a paz fosse restabelecida, a Santa Sé foi excluída da mesa de negociações. Tanto na Conferência da Paz de Paris, como na Liga das Nações a voz da Igreja não foi incluída. Mas o pontífice deixou para a Igreja um legado de abertura e diálogo com organismos não eclesiais e não governamentais, como A Cruz Vermelha, o Fundo Save the Children.10 Bento XV não se limitou
ao ambiente católico no trato com líderes políticos ao tratar da paz. Embora a figura do pontífice tenha ficado na obscuridade, o Papa Bento XV deixou marcas profundas no tocante ao diálogo entre as diversidades de seu tempo. Isso ficou imortalizado no dia 11 de dezembro de 1921, quando uma estátua dedicada a ele foi inaugurada em uma praça pública de Constantinopla, ao pé da qual está escrito: " Ao grande Pontífice do mundo, à hora trágica, Bento XV, benfeitor dos povos sem distinção de nacionalidade e religião como sinal de gratidão, o Oriente 1914-1919 ». Bento XV tomado de pneumonia faleceu no dia 22 de
10 A Save the Children surgiu há mais de 90 anos como uma resposta humanitária após a Primeira Guerra Mundial, quando nosso fundador, Eglantyne Jebb, procurou uma equipe de especialistas para trabalhar em prol das crianças afetadas pelo conflito. Por esse motivo, nos especializamos em respostas humanitárias, concentrando nossa atenção nas necessidades especiais das crianças. Em 1919, a União Internacional Save the Children foi criada com sede em Genebra, e a presença da organização no mundo foi ampliada. Em 1923, Eglantyne Jebb elaborou a primeira Declaração dos Direitos da Criança, antecedentes históricos da Convenção sobre os Direitos da Criança e a menina, a mesma que foi adoptada pelos países membros da Organização das Nações Unidas em 1989 e que entrou em vigor em 1990.
janeiro de 1922. (Introibo ad altare Dei: Acerca do Sumo Pontífice Sua Santidade Bento XV).
Após a morte de Bento XV, em 2 de fevereiro na 14ª votação do conclave, Achille Ratti foi eleito Papa com 42 votos. Ele assumiu o nome de Pio XI e, com um gesto surpreendente transmite a tradicional bênção "Urbi et orbi" da parte externa da basílica de São Pedro, que havia sido fechada desde que em 1870 quando o Reino da Itália havia tomado o Vaticano. A partir da reflexão de Zagheni (1999), esse pontificado foi particularmente turbulento e caracterizou-se com um forte teor de autoridade do papa que alimentava uma certa desconfiança de tudo e de todos, incluindo os partidos chamados católicos. Do ponto de vista histórico a ascensão do facismo, nazismo e o totalitarismo stalinista; a experiência democrática praticamente desprezada e estrangulada pelo vigor dos regimes acima indicados, durante os quais a Igreja sofreu marcas dessa nova composição político-ideológica. A multiplicidade cultural desse momento trazia uma face comum que era a expressão da angústia, medo e drama que então se vivia. Com destaque ao expressionismo, surrealismo, existencialismo. Uma exceção, porém, nesse cenário foi a doutrina norte Americana do presidente Roosevelt dos Estados Unidos da América. Já no interior da Igreja essa intensa movimentação cultural, política e econômica promoveu certa riqueza de amadurecimento notadamente de Maritain, Mounier, Bernanos, De Lubac, Marrou. Ao abordar o pontificado de Pio XI Zagheni aponta um perfil desse