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O local da pesquisa: um município do semiárido piauiense

4 METODOLOGIA

4.1 O local da pesquisa: um município do semiárido piauiense

Selecionamos para a nossa pesquisa um município central de uma das microrregiões do semiárido piauiense devido a sua representatividade para a região e devido a sua proximidade com a nossa residência e trabalho acadêmico no curso de Licenciatura em Educação do Campo. O município48 onde a pesquisa foi desenvolvida localiza-se no sudeste do Estado do Piauí e possui uma população estimada de 76.928 pessoas, segundo dados do IBGE (2017), distribuídas na sede e em mais de 30 comunidades rurais. De acordo com o Censo Demográfico de 2010, quase 21% da população (cerca de 15 mil pessoas) do município reside na área rural.

Nos aspectos físicos, o município, no Sertão Nordestino, localiza-se na bacia sedimentar do Parnaíba (BRANDÃO, 2010). O seu clima é semiárido, com médias de temperatura elevadas, em torno de 28 ºC, e chuvas escassas e irregulares. A vegetação predominante é a caatinga, havendo tanto a caatinga seca como a arbustiva, sendo comuns a jurema, o mandacaru e o xiquexique, dentre outros (ROCHA, 2010). A maior parte do solo é litólico e podzólico vermelho amarelo, apresentando cada qual vantagens e limitações para as atividades rurais (EMBRAPA, 1986). A hidrografia do município é abastecida pela bacia do rio Guaribas, através da barragem de Bocaina, e conta com um lençol freático (BRASIL, 2006b). Logo, é comum a presença de poços artesianos em muitas propriedades urbanas e rurais.

48

Por motivos éticos, conforme o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no Apêndice H, não divulgamos o nome do município, autoridades e instituições locais. Esse anonimato foi garantido ao Secretário Municipal de Educação que autorizou a coleta de dados nas escolas da rede pública municipal.

Segundo o Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2017), o município possui cerca de 3.367 estabelecimentos agropecuários, cujos produtores são na maioria proprietários individuais (17% são mulheres). Há também produtores nas condições de arrendatários, assentados, parceiros, ocupantes e produtores sem área. Esses estabelecimentos empregam quase 10 mil pessoas, entre homens e mulheres. Não encontramos registros de comunidades indígenas e quilombolas nesse município, segundo dados do IBGE (2017).

A maioria das propriedades agropecuárias (81%) possuem lavouras temporárias de cana-de-açúcar, feijão, mandioca, arroz, batata-doce, melancia, tomate e milho. Há também lavouras permanentes de banana, coco-da-baía, castanha de caju, mamão e manga, segundo o censo de 2015 (IBGE, 2017). Quanto ao extrativismo vegetal, há uma modesta extração de carnaúba.

O principal rebanho é o bovino, seguido pelos suíno e caprino. Mas há também a criação de asininos, equinos, ovinos, muares e aves. Assim, além do fornecimento de carne, há a produção de leite e ovos. O censo de 2016 (IBGE, 2017), além da produção do mel de abelhas, destacou a comercialização de peixes, como tilápias, tambaquis e alevinos (42 estabelecimentos rurais utilizam espaços para a aquicultura).

Cerca de 8% das propriedades utilizam a terra como matas e florestas naturais ou como sistemas agroflorestais. Apenas 5% dos estabelecimentos agropecuários foram considerados como terras degradadas ou inaproveitáveis para a agricultura ou pecuária.

Como a área territorial do município é relativamente pequena, com pouco mais de 577 mil quilômetros quadrados, boa parte da população rural mora relativamente próximo à área urbana. Assim, é muito comum o fluxo das pessoas do campo para a cidade e vice-versa, em busca de serviços e produtos.

Nos setores de serviços e indústria, o município possui quase 2 mil empresas atuantes, que empregam quase 16 mil pessoas. São os setores responsáveis pela maior parte do PIB municipal, segundo dados do IBGE (2017), a partir do ano de referência de 2010, conforme ilustra o gráfico a seguir:

Gráfico 2 - Produto Interno Bruto por setores econômicos* do município pesquisado, em 2014.

Fonte: IBGE (2017).

Nota: *Exclusive administração, saúde e educação públicas e seguridade social.

Encontramos registros da existência, no município, de alguns movimentos sociais, como o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDSERM), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí (SINTE-PI), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) e o Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Piauí (FETAG-PI).

No aspecto educacional, segundo o censo de 2010, quase 18% da população acima de 15 anos é analfabeta, não sabendo ler e escrever (IBGE, 2017). O município possui 175 escolas, sendo 111 escolas da rede pública municipal, 32 escolas privadas, 31 escolas da rede pública estadual e uma escola federal, atendendo do Ensino Pré-Escolar ao Ensino Médio.

O número total de alunos matriculados, com dados do IBGE (2017), baseado no censo educacional de 2015, é de quase 18 mil alunos, sendo a rede escolar municipal a que agrupa o maior número de alunos (43%). Eles estão distribuídos nas diferentes redes escolares conforme o gráfico a seguir:

Agropecuária R$ 36.301.000,00 Indústria R$ 121.504.000,00 Serviços R$ 669.343.000,00

Gráfico 2 - Quantidade dos alunos matriculados por rede escolar no município estudado, em 2015.

Fonte: IBGE (2017).

A quantidade de professores distribuídos nas redes escolares supracitadas, de acordo com dados do IBGE (2017), atendendo da pré-escola ao Ensino Médio, é de 1.388 docentes. A rede pública municipal contém 47% desses professores. A distribuição dos professores se dá do seguinte modo:

Gráfico 3 - Quantidade de professores por rede escolar do município estudado, em 2015 .

Fonte: IBGE (2017).

7.653

4.866

5.007

422

Escolas municipais Escolas estaduais Escolas particulares Instituto

federal Q u a n ti d a d e d e a lu n o s

Tipo de rede escolar

649

347

344

48

Escolas municipais Escolas estaduais Escolas particulares Instituto Federal

Q u a n ti d a d e d e p r o fe s s o r e s

Há também no município um campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI), um campus da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), um campus do Instituto Federal do Piauí (IFPI) e diversas universidades particulares. Isso indica que o município é um pólo educativo na microrregião em que está estabelecido.

Apresentamos nessa seção alguns dados gerais e específicos sobre o município do semiárido piauiense em que realizamos a análise das necessidades formativas docentes de professores de Ciências da Natureza de escolas do campo. Fizemos esse levantamento com base na ideia de que a compreensão do contexto é imprescindível para que a pesquisa possa atender a uma perspectiva dialética.

Entretanto, apesar de conceituarmos as escolas do campo como aquelas que recebem na maior parte estudantes provenientes da área rural, independente da sua localização geográfica ou situação de domicílio, consideramos como escolas do campo, nessa pesquisa, apenas aquelas localizadas na área rural, já que não obtivemos informações oficiais dos diretores escolares e da prefeitura municipal sobre a área de domícilio dos públicos atendidos nas escolas visitadas da área urbana.

Dito isso, na próxima subseção, explicaremos as nossas escolhas quanto aos instrumentos de coleta de dados e fontes de informação.

4.2 A coleta dos dados: instrumentos de coleta de dados e fontes de informação

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