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4 PERCURSO TEÓRICO-METODOLÓGICO

4.1 O locus da pesquisa e suas características

Sediada na Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos, localizada no Jardim Rosa Elze, município de São Cristóvão, a UFS foi criada em “[...] em 1967, através do Decreto – Lei nº 269, de 1967, sendo integrada ao Sistema Federal de Ensino superior Brasileiro com a incorporação dos cursos superiores até então existentes no estado” (SERGIPE, 2016. p. 14). Teve sua instalação efetivada em 15 de maio de 1968. Como única universidade pública do estado é mantida com recursos da União e tem desempenhado importante papel e influência para o desenvolvimento da sociedade sergipana.

Diante das transformações dos meios de produção que desencadeiam mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais na sociedade, gerando conflitos e desigualdades sociais, têm-se exigido que as instituições nacionais invistam em processos de resolutividade para, se não solucionar, minimizar os problemas social, contribuindo para o desenvolvimento das sociedades e a melhoria da qualidade de vida da população.

As instituições que promovem e difundem o conhecimento são essenciais nesse processo. Em relação à UFS a sua visão estratégica “[...] tem contribuído não apenas para geração e difusão do conhecimento, mas, também, para formação de capital humano fundamental na construção de uma sociedade moderna, sustentável, e mais justa” (SERGIPE, 2016, p 14). Assim, as maiores contribuições da UFS para o estado de Sergipe têm sido no sentido de, entre outros aspectos, garantir o que se pretende como missão, visão e objetivos gerais descritos no quadro 9.

Quadro 09 - Missão, Visão e Objetivos Gerais da UFS

MISSÃO

 Contribuir para o progresso da sociedade por meio da geração de conhecimento e da formação de cidadãos críticos, éticos e comprometidos com o desenvolvimento sustentável.

VISÃO

 Ser uma instituição pública e gratuita que se destaque pelo seu padrão de excelência, no cumprimento de sua missão.

OBJETIVOS GERAIS

 Formar profissionais cidadãos, produzir, difundir e conservar conhecimentos de forma interativa com a sociedade, visando contribuir, assim, para o fortalecimento da democracia e a melhoria da qualidade de vida da população.

 Cultivar o saber em suas várias formas de conhecimento puro e/ou aplicado, propondo-se a:

 Formar recursos humanos de nível superior, em graduação e pós-graduação, para atender às necessidades locais, regionais e nacionais;

 Realizar pesquisas e incentivar atividades criadoras nos campos do conhecimento filosófico, científico, técnico e artístico;

 Estender à comunidade, com a qual deverá manter permanente intercâmbio, os programas de ensino e pesquisa, através de cursos ou atividades similares, e da prestação de serviços especiais;

 Investigar e oferecer soluções para os problemas relacionados com o desenvolvimento socioeconômico e cultural do estado, da região Nordeste e do país;

 Manter a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão;

 Estimular a elevação do desempenho institucional, alocando e valorizando recursos humanos e viabilizando recursos materiais para isso necessários;

 Ser instrumento de equidade social, ofertando vagas indistintamente às diferentes camadas da população.

Fonte: Sergipe (2016, p. 15).

Segundo o PDI (SERGIPE, 2016), foi notório o impulso que a criação da universidade trouxe para o ensino superior no estado de Sergipe. O panorama evolutivo mostra o processo de ampliação e reestruturação vivido pela UFS, principalmente, nos últimos dez anos decorrente da sua adesão ao Reuni36. Entendendo a educação de nível superior, pública e gratuita como forma de “[...] propiciar maior inserção social, estimulando o desenvolvimento socioeconômico das regiões interioranas contempladas nesse processo, assim como o das regiões circunvizinhas,

36 Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, criado pelo governo Federal em 2007 (BRASIL, 2007).

a UFS deu prosseguimento ao seu processo de expansão” (SERGIPE, 2016, p. 15). As seis unidades educativas com 10 cursos que inicialmente constituíram a universidade, em 1968, desdobraram-se, ao longo do processo, totalizando na última década, além do campus de São Cristóvão fundado na sua origem, o total de cinco campi, entre eles:

Campus da Saúde Prof. João Cardoso do Nascimento Júnior (Aracaju), instalado em 1989; Campus Prof. Alberto Carvalho (Itabaiana), instalado em 14 de agosto de 2006; Campus de Laranjeiras (Laranjeiras), instalado em 28 de março de 2007; Campus. Prof. Antônio Garcia Filho (Lagarto), instalado em 14 de março de 2011 e o Campus do Sertão (N. Sra. da Glória), instalado em 23 de novembro de 2015. Há, também, outros espaços fora da sede e destes campi onde são desenvolvidas atividades acadêmicas, a exemplo do Campus Rural, utilizado pelos cursos da área de Ciências Agrárias, no município de São Cristóvão (SERGIPE, 2016, p. 16).

Esse processo culminou com o aumento do número de cursos, passando de 43 para 117 entre 2004 e 2015, dos quais 32 são ofertados nos campi do interior. Nesse mesmo período, o número de alunos da graduação na modalidade presencial passou de 10.498 para 25.280, sendo 5.905 estudantes matriculados nos campi interioranos e no de Aracaju. De forma semelhante, o quantitativo do corpo decente passou de 461 para 1.445, contando ainda com 1.486 técnicos administrativos em educação (SERGIPE, 2016).

Na modalidade da Educação à Distância (EaD) 11 cursos de licenciatura e bacharelado são oferecidos, totalizando 3.868 matriculados distribuídos nos 15 polos existentes no interior do estado.

Quanto à pós-graduação stricto sensu, a UFS contabiliza “1.954 matriculados, distribuídos em 48 cursos de mestrados, sendo: 42 de mestrados acadêmicos e 6 de mestrados profissionais; e 14 de doutorados. Tem ainda 137 matriculados em residência médica” (SERGIPE, 2016, p. 17).

Como consequência de sua expansão, a universidade contribui para a promoção do desenvolvimento educacional, político, cultural, econômico, social e regional provendo, inclusive, meios para que os cidadãos sejam atendidos em suas necessidades básicas, nos limites do estado, na medida em que

[...] forma jovens socialmente conscientes, críticos e lúcidos, fator decisivo de mudança da realidade educacional, científica, tecnológica, social e econômica de sua região; São criados empregos diretos e indiretos, surgindo consequentemente novos empreendedores e importante revitalização econômica e social e; O desenvolvimento das regiões decorre do investimento em infraestrutura e no próprio fator dinamizador do funcionamento regular de uma unidade universitária federal (SERGIPE, 2016, p. 42).

Em relação ao contexto de implantação do Campus UFS/Lagarto, pode-se entendê-lo como fruto direto da adesão da UFS ao Reuni (BRASIL, 2007) e indireto dos movimentos e programas que propagaram a transformação para o ensino nos cursos de graduação em saúde a partir da segunda metade do século XX. Sendo um dos principais objetivos do Reuni a expansão universitária, ao aderir ao mesmo a UFS apresentou no seu Plano de Reestruturação e Expansão para o período 2008-2012 uma proposta na qual, por meio de processos

[...] seletivos regulares, a oferta mínima de 4.070 vagas anuais nos cursos de graduação, correspondendo, em relação às 2.915 vagas do ano-base de 2006, a uma ampliação de 1.155 vagas, ou seja, um crescimento de 39,62 %. [...] elevar o número de matrículas projetadas nos cursos de graduação presenciais de 13.839, em 2006, para, no mínimo, 19.414 no final do período de execução do REUNI-UFS, correspondendo a um aumento de 5.575 matrículas, ou seja, uma ampliação de 40,28% (UFS, 2007, p. 02).

Foi nesse contexto de ampliação do acesso à universidade que a UFS, dando continuidade ao processo de interiorização, autoriza a criação do Centro de Ciências da Saúde em Lagarto, na região Centro-Sul do Estado.

A cidade de Lagarto está localizada na região centro-sul do estado de Sergipe, situada a 78 quilômetros da capital Aracaju, tem aproximadamente 969 km² de área territorial e população estimada em 2015 de 102.257 habitantes (BRASIL, 2016). Compõem a base econômica do município o setor agropecuário, o da indústria e o de serviços, sendo que este cresce significativamente nos últimos anos em decorrência da chegada de indústrias e da implantação do Campus da UFS.

Sediado na Av. Governador Marcelo Déda, 13, Centro Lagarto/Sergipe, o campus teve sua criação decretada em 2009 pela Resolução nº 36/2009/CONSU. Oferta regularmente 50 vagas anuais para os cursos 37 de bacharel em Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Medicina, Odontologia e Terapia Ocupacional (UFS, 2009). Posteriormente, o nome foi alterado para Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho,

37 Inicialmente os cursos funcionaram como Núcleos de graduação, tornando-se posteriormente Departamentos, respectivamente, através das seguintes resoluções: Resolução nº 25/2013/CONSU. Cria o Departamento de Educação em Saúde do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 05/2014/CONSU. Cria o Departamento de Odontologia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 09/2014/CONSU. Cria o Departamento de Enfermagem do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 27/2014/CONSU. Cria o Departamento de Fonoaudiologia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 28/2014/CONSU. Cria o Departamento de Farmácia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 30/2014/CONSU. Cria o Departamento de Nutrição do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 02/2015/CONSU. Cria o Departamento de Medicina do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 03/2015/CONSU. Cria o Departamento de Fisioterapia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho; Resolução nº 28/2015/CONSU. Cria o Departamento de Terapia Ocupacional do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho.

homenageando ao emérito cidadão sergipano que celebrizou por sua contribuição à educação e à medicina no Estado. A homenagem é justificada devido aos “[...] relevantes serviços que o professor prestou à UFS e ao Estado através de uma exemplar atuação profissional e expressiva inserção nas discussões sobre política de saúde” (UFS, 2011, p. 1).

De acordo com o Regimento Interno, o objetivo do campus é promover “[...] o desenvolvimento cultural, científico e tecnológico da região Centro Sul do estado de Sergipe a que pertence como cidade polo Lagarto” (UFS, 2011, p. 2). Após dois anos de sua aprovação e de encaminhamentos para a implementação, em 15 de março de 2011 as atividades de ensino, pesquisa e extensão foram iniciadas visando atender estudantes que preencheram as 300 vagas para os cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição e Terapia Ocupacional. Os cursos de Medicina e Odontologia iniciaram suas atividades em 2012, oferecendo 100 vagas. Além dos cursos de graduação, no ano de 2014, teve início o Programa de Pós-graduação stricto sensu do campus com o Curso de Mestrado em Ciências aplicadas à Saúde.

Em conformidade com os PPC, observando o disposto no Parecer nº 0104/2002 do CNE/CES, que define objeto e o objetivo das DCN dos Cursos de Graduação da Saúde o campus almeja

[...] que os currículos propostos possam construir perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e conteúdos, dentro de perspectivas e abordagens contemporâneas de formação pertinentes e compatíveis com referências nacionais e internacionais, capazes de atuar com qualidade, eficiência e resolutividade, no Sistema Único de Saúde (SUS), considerando o proesso da Reforma Sanitária Brasileira; Que os alunos dos cursos de graduação em saúde possam aprender a aprender que engloba aprender a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a conhecer, garantindo a capacitação de profissionais com autonomia e discernimento para assegurar a integralidade da atenção e a qualidade e humanização do atendimento prestado aos indivíduos, famílias e comunidades (BRASIL, 2002, p. 04).

As propostas curriculares são fundamentadas nos princípios estabelecidos nas DCN dos cursos ofertados no campus, segundo as quais os projetos pedagógicos devem ser construídos de forma coletiva, considerando o aluno como sujeito ativo de aprendizagem e o professor como mediador dos processos de ensino, utilizando metodologias ativas que promovam a autonomia do estudante para aprender a aprender. Deve-se primar pela formação integral e adequada para o profissional que se pretende formar, conforme previsto nas próprias diretrizes, garantindo uma perfeita articulação entre ensino, pesquisa e extensão numa perspectiva de assistência à comunidade (BRASIL, 2014).

Quanto aos recursos humanos que formam o Campus, atualmente, conta-se com 199 professores, 154 técnicos administrativos e 2.015 estudantes distribuídos pelos oito cursos ofertados, conforme consta nos dados do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), no site da UFS.