• Nenhum resultado encontrado

4 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

4.3 OS PARQUES TECNOLÓGICOS NO BRASIL

4.3.3 O longo caminho percorrido e a ainda a percorrer

O caminho para o encontro com da Bahia com o discurso de sua política de CT&I e com os resultados por ele anunciado ainda aparenta ser longo. Se o seu desenvolvimento cientifico foi elencado como sendo pioneiro no Brasil, as decisões (ou indecisões...) políticas e administrativas contribuíram para o seu retrocesso ou para um avanço mais lento que o esperado. A FAPESB, bem como algumas outras FAPs no Brasil foi regulamentada face a necessidade de órgãos de fomento para o apoio às universidades, empresas e sociedade como um todo, e mesmo com uma década de atraso conseguiu, junto à recém-criada SECTI, avançar num ritmo constante e crescente com o desafio de desenvolver a executar a política estadual de CT&I dentro de seus eixos temáticos e projetos (QUADROS, 2011). A política baiana orientada pelo referencial teórico das políticas interativas não avança conforme sua teoria, sendo marcada pela aplicação inadequadas dos instrumentos dos órgãos de fomento, reproduzindo ainda seu caráter linear, encontrando problemas em sua execução, ou seja, o descolamento da política no momento de sua operacionalização.

Após a criação do marco regulatório da inovação nacional, marcada pela Lei de Inovação Tecnológica nº 10.973 de dezembro de 2004, os estados avançaram mais que rapidamente no desdobramento em suas leis estaduais de inovação com vistas ao aproveitamento máximo de suas benesses. A Bahia publicou a sua em 2008, ano em que mais 8 estados publicavam suas leis complementares à lei federal, atualmente são 18 estados9 ao todo (MCTI, 2015). Na Bahia a lei possui mecanismos para promover o incentivo à inovação e a articulação do ambiente produtivo com a pesquisa cientifica e tecnológica, trazendo

9 No Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe; na região Norte: Amazonas e Tocantins; no Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; além de todos os estados das regiões Sudeste e Sul (MCTI, 2015; CONSECTI, 2015).

benefícios que podem se aplicar a ambientes próprios para promoção à inovação, pesquisadores, inovação nas empresas e demais instituições cientificas e tecnológicas.

Nesta moldura se enquadra a criação do parque tecnológico da Bahia, com a proposta de ser um ambiente de inovação com o objetivo de seguir a orientação mundial de desenvolvimento econômico e social por meio da inovação e seu modelo sistêmico, articulando políticas e atores para o fortalecimento dos sistemas de inovação (BAHIA, 2004).

5 METODOLOGIA

De acordo com Gil (2008) toda pesquisa cientifica dá-se início com algum tipo de problema levantado, uma questão ainda não resolvida, que se tornará objeto de discussão num domínio determinado do conhecimento, como as ciências sociais, em que este problema possa ser testável cientificamente envolvendo variáveis observáveis ou que possam ser manipuladas e verificado de que forma se relacionam entre si.

Esta pesquisa por sua vez, tem como principal problema elucidar o desempenho do parque tecnológico da Bahia, sendo a sua grande questão inicial: Qual o desempenho do parque tecnológico da Bahia a partir da percepção das empresas instaladas no parque e pelo próprio gestor do parque tecnológico?

Um dos fatores motivadores para a seleção desse problema relaciona-se à história e à atual conjuntura econômica do estado da Bahia face à economia do conhecimento. Conforme destaca Fialho e Bertoncini (2013), a Bahia apresenta uma importante economia regional, mas com uma indústria de caráter intensiva em capital e espacialmente concentrada, que convive com grandes níveis de desigualdade social, colocando as políticas públicas no foco da dinâmica regional no sentido de desenvolver novos setores dinâmicos através do desenvolvimento industrial, científico e tecnológico. Esse contexto regional ressalta, portanto,

“o caráter estratégico de que se revestem as políticas de ciência, tecnologia e inovação, e, portanto, sustentam a necessidade de constante avaliação dos critérios e impactos dessas políticas no espaço nacional ou regional” (FIALHO ; BERTONCINI, 2013)

Os parques tecnológicos são considerados como importantes instrumentos das políticas públicas direcionadas à inovação e a transferência de tecnologia; pela sua importância, questiona-se aqui o seu desempenho, haja vista a quantidade de recursos, das esferas públicas e privadas, aportados sem evidencias de sua performance (VEDOVELLO, 2000; VEDOVELLO; JUDICE ; MACULAN, 2006).

Para atender a esta relevância, esse estudo está calcado principalmente na avaliação do desempenho do parque tecnológico da Bahia, localizado no município de Salvador (capital do Estado) à luz dos conceitos de sistemas de inovação, desdobrados em um conjunto de indicadores selecionados.

Decorrente dessa avaliação, em que centraliza as ações no objeto principal, outros objetivos poderão ser alcançados visando contribuir para o modelo de avaliação de parques tecnológicos. Um dos primeiros aspectos relevantes, ainda que de forma secundária será:

Primeiro aspecto: a elaboração de um conjunto de variáveis para avaliação de parques tecnológicos. Alguns autores (ANDREEVNA, 2013; FERNANDES, 2014;

STATON, 1996; RUBIO ; HERNÁNDEZ, 2004) não descrevem quais as variáveis e indicadores são os mais adequados para cada parque ou tipo de parque. Fernandes, (2014, p.

169), destaca que a elaboração de indicadores “deve ser realizada conforme o entendimento individual de cada parque sob avaliação”. A definição de variáveis para avaliação do parque baiano é, portanto, uma contribuição secundária deste trabalho.

Segundo aspecto: manter resultados a título de comparação, a partir de novas avaliações de desempenho desse parque ou de outros parques que utilizem critérios semelhantes para comparação dos resultados obtidos;

Terceiro aspecto: apontar melhorias com base nas avaliações e obstáculos levantados durante a pesquisa realizada com as empresas e gestor do parque.