3 CAPÍTULO II: ENSINO DE GEOMETRIA E A INCLUSÃO DE ALUNOS COM
6.7 O MATERIAL DIDÁTICO “TRANSFERIDOR ADAPTADO”
tradicional, a aluna não conseguiu resolver as atividades sozinhas, em todos os exercícios necessitou do auxilio da pesquisadora.
Figura 14 – Construção de ângulos, atividade 5 – aluna “G1”
Fonte: Acervo da pesquisadora
Segundo Brasil (1998), para que os alunos que possuem deficiência possam participar integralmente das atividades educacionais e obtenham resultados favoráveis, é necessário que os docentes se preparem para lhes dar apoio necessário durante as aulas, apresentando-lhes um ambiente rico em recursos tecnológicos, adaptados e especializados para cada deficiência.
Portanto, o uso do transferidor adaptado permitiu aos alunos medir e construir ângulos com precisão. Para a aluna “G1”, o uso desse instrumento supriu suas dificuldades e fez com que se sentisse apta a usar um transferidor, juntamente com os demais alunos.
Verificou-se que a utilização desse material conduziu a aluna com múltiplas deficiências a obter a aprendizagem necessária sobre os conceitos de medição e construção de ângulos. Portanto, o uso de materiais didáticos adaptados em sala de aula facilita o ensino e aprendizagem de alunos com deficiência.
6.7 O MATERIAL DIDÁTICO “TRANSFERIDOR ADAPTADO”
O material “Transferidor Adaptado” desenvolvido pela pesquisadora para este estudo foi confeccionado em acrílico, por se tratar de um material durável, de
pouco peso e de fácil manejo, possibilitando o uso do aluno com múltipla deficiência e também com deficiência física neuromotora. Constituído por uma placa retangular de acrílico com dimensões 30 cm x 22,5cm x 0,03mm, em uma das faces estão dois ponteiros moveis com 7 cm de comprimento em acrílico fixados ao centro a um parafuso, para que o aluno consiga girá-los até perfazer o ângulo desejado. Esses ponteiros também possuem um encaixe circular de diâmetro 0,5cm, se houver necessidade de o aluno utilizar uma caneta adaptada. A figura 15 representa os ponteiros deste material.
Figura 15- Transferidor Adaptado / ponteiros
Fonte: Acervo da pesquisadora
Um adesivo com diâmetro 17,5cm, em formato de transferidor com marcações de 0º a 360º, foi colado na parte de cima da placa de acrílico com centro nos dois ponteiros fixados. A figura 16 representa o material completo.
Figura 16- Transferidor Adaptado / ponteiros
O material Transferidor Adaptado pode ser utilizado em sala de aula com alunos que apresentem dificuldades motoras, por alunos que possuem Deficiência Física Neuromotora e também por alunos com múltiplas deficiências. Pode ser uma alternativa para o professor no ensino sobre ângulos e um facilitador para a compreensão dos conceitos de ângulos para os alunos.
Acredita-se que o uso de materiais didáticos adaptados em sala de aula facilita o ensino e aprendizagem de alunos com deficiência.
Segundo Barbosa (2015) e Tostes et. al. (2016) materiais didáticos adaptados facilitam a construção do conhecimento de cada aluno. A produção de materiais pedagógicos adaptados de acordo com a necessidade do aluno é de grande importância para possibilitar melhor resultado no que diz respeito ao ensino e aprendizagem.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O professor, ao se deparar, com um aluno com deficiência, em uma classe de ensino regular, muitas vezes, pode sentir-se preocupado em como transmitir o conhecimento a esse aluno e, ao mesmo tempo, despreparado para atender as heterogeneidades que existem em escolas regulares.
As concepções a respeito da educação inclusiva conduzem à necessidade de proporcionar a todos os alunos condições favoráveis à apropriação do conhecimento. A escola torna-se inclusiva a partir do momento em que assegura a todos o direito à igualdade, com condições necessárias para o processo de aprendizagem.
A inclusão de alunos com múltiplas deficiências, no ensino regular, necessita de um plano de aula com métodos e adaptações necessárias que atendam todos os alunos e que todos participem do processo de aprendizagem.
O ensino de conceitos geométricos, para ser incluso, depende do planejamento das aulas a serem ministradas, de uma metodologia com adaptações necessárias que possibilitem o acesso ao conhecimento do aluno.
Ao propor uma metodologia para o ensino de conceitos geométricos, como medir e construir ângulos, que incluísse alunos com múltiplas deficiências, foi possível verificar mudanças conceituais dos alunos, a partir do material elaborado, das atividades desenvolvidas e do auxílio de uma TA. Foi possível constatar, nos resultados, que o uso de uma Tecnologia Assistiva, para medir e construir ângulos possibilita a participação dos alunos com deficiência física neuromotora e múltiplas deficiências na atuação nas atividades comuns, como estratégia para promover a aprendizagem.
Uma preocupação em particular da pesquisadora é que ela esperava encontrar uma aluna em que as suas limitações eram apenas na coordenação motora e não esperava em deparar-se com uma aluna que possuía múltipla deficiência. Os conhecimentos que a pesquisadora tinha na área de Educação Inclusiva, especificamente, sobre a deficiência física neuromotora, foram importantes para concluir todas as etapas deste trabalho e para atender a aluna que apresentava outras deficiências também, além da deficiência física neuromotora.
Desta forma, se torna importante o professor ter conhecimentos em relação à inclusão, tipos de deficiências, para que possa praticar uma educação inclusiva.
Essa experiência de ensino e aprendizagem de conceitos geométricos, com a ajuda de uma TA, demonstrou a necessidade de um maior desenvolvimento de materiais adaptados nas escolas e por parte dos professores. A utilização de canudos de plástico como material pedagógico e de uma TA tornou-se um grande auxiliar para a aprendizagem dos alunos, inclusive da aluna com deficiência, sendo fundamentais para a sua aprendizagem.
O uso do “transferidor adaptado”, no andamento desta pesquisa, apresentou resultados positivos para o desenvolvimento dos conceitos geométricos de ângulos, por pessoas com deficiência física neuromotora e múltiplas deficiências no ensino regular, assim como para os demais alunos, pois pode ser utilizado por todos os estudantes, de forma que lhes sejam proporcionados condições para a elaboração desse conhecimento.
Pode-se observar que as escolas ainda têm uma carência em construir ou utilizar materiais pedagógicos adaptados, principalmente em relação ao ensino de matemática, por mais que existam inúmeros recursos que podem ser utilizados com alunos com deficiência, a demanda para as instituições de ensino ainda é pouca ou desconhecida, o material elaborado para esta pesquisa foi desenvolvido por recursos próprios da pesquisadora.
Portanto, o intuito desta pesquisa, ou seja, de contribuir para o desenvolvimento, ensino e aprendizagem de conceitos geométricos de alunos com deficiência física neuromotora e múltiplas deficiências, matriculados em escolas de ensino regular, a partir do uso de uma TA, proporcionou a inclusão e contribui para a qualidade do ensino da aluna com deficiência, uma vez que lhe ofereceu um ensino que atendesse as suas necessidades e dificuldades em medir ou construir ângulos.
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