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No início do ano letivo foi proposto aos professores estagiários que participassem ativamente na coadjuvação do planeamento, da avaliação e condução de uma atividade de treino de um núcleo de DE. Assim sendo, foi apresentado aos professores estagiários os vários núcleos que a escola disponha, sendo eles: o badminton, o voleibol, o basquetebol, o ténis de mesa e o futsal.

Após análise com as orientadoras, ficou definido de participar ativamente no núcleo de voleibol. No entanto, por razões de pouca adesão e permanência no núcleo de futsal, optamos pela minha integração no mesmo, de forma a tentar resolver este problema. Apesar de ter sido federado em futebol dos 10 aos 17 anos de idade e no presente momento ser treinador de futebol de uma equipa federada, encarei este desafio com o objetivo de aperfeiçoamento pessoal e da possibilidade trazer a minha experiência para o núcleo.

Deste modo, o subcapítulo que se inicia tem como propósito realizar um balanço do meu acompanhamento ao núcleo de futsal no escalão de infantil B, contando ainda com alunos pertencentes a escalões superiores que puderam participar e integrar os treinos mas não frequentar os jogos. Procuro primeiramente refletir sobre todos os aspetos e processos burocráticos existentes durante todo ano letivo, seguidamente sobre a minha participação no planeamento, na condução e na avaliação dos alunos, e por último, apresentando as considerações finais acerca desta experiência para a minha formação pessoal e profissional.

Sabendo inicialmente do valor que a escolar atribui ao DE e do bom funcionamento que teve nos anos anteriores, deu-se início a minha experiencia no DE, procurando sempre dar o meu contributo para o bom funcionamento do mesmo. Desta forma comecei com boas expetativas e com muita vontade de aprender.

Relativamente aos trabalhos burocráticos que um núcleo requer, nomeadamente, a inscrição de jogadores na plataforma do DE, o registo das presenças dos alunos, contatar com outras escolas e com o coordenador do DE para a marcação ou alteração de jogos, bem como, a elaboração de autorizações para os encarregados de educação, foram tarefas em que pode participar ativamente, conseguindo perceber e sentir o trabalho que um núcleo de DE exige. Destas mesmas tarefas, a única em que não tive a oportunidade de participar como queria, foi na alteração de alguns jogos ao longo do ano letivo. No entanto, consegui perceber os processos requerentes para a

43 concretização do mesmo. Considero que esta experiência em participar nestes processos burocráticos, foi muito positiva sendo possivelmente o que poderei encontrar no futuro enquanto profissional.

No que respeita ao planeamento para o núcleo de futsal, a professora responsável deu-me toda a liberdade para realizá-lo. No entanto, antes de começar este planeamento foi necessário realizar um projeto de acompanhamento ao DE, definindo os objetivos para o núcleo e para minha formação, bem como uma calendarização e o planeamento das várias etapas. Deste modo, foi necessário primeiramente realizar uma avaliação inicial aos alunos, correspondendo a primeira etapa do planeamento. A realização da avaliação inicial do núcleo, em comparação com a turma pela qual fiquei responsável, permitiu-me perceber algumas semelhanças e diferenças entre as mesmas. Em relação as semelhanças, uma delas é referente à avaliação, sendo sempre realizada em situação de jogo. Já as diferenças incidiram-se no restante planeamento que advém da AI, em que no treino do DE perde-se o cariz politemático das aulas de educação física. Toda a vivência destas situações foi enriquecedor para o meu desenvolvimento profissional, conseguindo perceber algumas semelhanças entre o DE e a EF.

Após concluída esta etapa, foi definido o planeamento anual das restantes etapas. Sendo este planeamento do futsal semelhante ao de futebol, aproveitei a minha experiência enquanto treinador de futebol para dar o meu contributo e ser uma mais- valia na elaboração do mesmo. Assim sendo, a professora responsável deu-me toda a liberdade para planear, demonstrando toda a confiança no meu trabalho acerca do planeamento. Esta demonstração de confiança permitiu-me estar desde cedo muito envolvido no núcleo, permitindo aumentar o meu sentido responsabilidade. Assim sendo, toda a conceção de exercícios e definição de objetivos para o núcleo foi realizado por mim com a supervisão da professora responsável.

Optei por realizar um planeamento simples em que os alunos percebessem o que era pretendido, tentando também que os mesmos apreendessem as rotinas que eu pretendia. Desta forma, defini uma estrutura base de treino para a 2ª Etapa, existindo apenas diferença nos exercícios quando o microciclo era de período específico ou competitivo. Nesta etapa, o treino começava com um momento inicial de conversa com os alunos, passando de seguida para o aquecimento e alongamentos dinâmicos, aproveitando esse momento para a realização das equipas para a situação de jogo, na reta final dos treinos eram realizados exercícios de finalização (de acordo com o

44 modelo de jogo) ou exercícios de transições ataque-defesa e defesa-ataque, sendo que estes exercícios eram definidos consoante o período específico ou competitivo. Durante esta etapa fui percebendo a dinâmica do núcleo, permitindo que o grau de exigência fosse aumentando. Conseguir aumentar a exigência e manter os alunos no núcleo foi um grande desafio.

Já na 3ª Etapa, a estrutura manteve-se similar, alterando-se apenas o sistema de jogo, introduzindo-se um mais complexo. Por fim, e na 4ª Etapa, a estrutura do treino manteve-se semelhante, introduzindo-se apenas objetivos diferentes. Em todas as etapas foram trabalhados esquemas táticos, sendo estabelecido sinais com os alunos sobre as jogadas ensaiadas. De facto, esta estratégia de estabelecer os sinais permitiu um melhor desenvolvimento do jogo, mas acima de tudo permitiu que os alunos estivessem mais concentrados, evitando a criação da imagem que o núcleo de DE era apenas para brincar. Importa ainda referir que todo o planeamento feito teve em conta a missão e os valores do DE, definidos no Programa do Desporto Escolar (2013- 2017). Deste modo, valores como a responsabilidade, o respeito, a dedicação, entre outros como o espírito de equipa, foram fundamentais para o planeamento bem como para a condução dos treinos.

Um aspeto similar dos treinos com as aulas de educação física foi a realização dos balanços de cada etapa. No caso do DE foram realizados balanços sobre os objetivos definidos, treinos e sobre a competição (caso houvesse durante essa etapa). Todo este processo de planeamento foi rigoroso, mas muito gratificante. Apesar de ser semelhante ao futebol, os sistemas de jogo trabalhados foram totalmente diferentes tendo sido desafiante este planeamento e uma mais-valia para a minha formação.

Em relação à condução foi muito semelhante ao que se sucedeu no planeamento, o facto de possuir alguma experiência no treino ajudou-me imenso, sabendo à partida que o contexto escolar era diferente do que se encontra nos clubes. Inicialmente, procurei criar uma relação com os alunos de forma a garantir que estes estariam motivados e dispostos a realizar o que eu pretendia. Esta relação próxima aos alunos permitiu que a condução do treino fosse ótima ao longo do ano, aumentando a exigência quando necessário.

Em todos os treinos procurei sempre incentivar a responsabilidade, o espírito de equipa, o respeito, entre outros valores do DE como a dedicação e coragem. Valores estes que, na minha opinião, são fundamentais para o crescimento pessoal dos atletas.

45 Ter alunos no DE com idades diferentes no mesmo treino foi uma realidade que se distanciava da minha experiência profissional, sendo à partida um aspeto muito desafiante. Este aspeto foi importante na minha intervenção durante os treinos, permitiu moderar a forma de intervir com os diferentes alunos em que determinados momentos aproveitei para benefício do núcleo, e de uma forma árida reprimir algumas atitudes de alunos mais velhos, dando exemplos positivos de atitudes de alunos mais novos. Esta forma de lidar com os alunos poderia levar à desistência dos mesmos, corrompendo com o objetivo da minha vinda para o núcleo. Contudo, este facto não se veio a verificar, conseguindo manter os alunos e aumentando o número no início do 2º período. Considero ainda que ter alunos com diferentes idades foi benéfico para o núcleo, permitindo criar uma base de alunos para dar continuidade no ano seguinte.

Tal como se sucedeu nas minhas aulas de educação física, a técnica do questionamento também foi muito solicitada durante os treinos, com o propósito de verificar se os alunos concebiam aquilo que eu pretendia.

A aprendizagem da análise do jogo foi muito importante para a minha intervenção no treino, transmitindo mais confiança aos alunos. Esta aprendizagem foi igualmente importante na observação das escolas adversárias nos dias em que tínhamos competições. Assim sendo, no que respeita às competições, tive sempre toda a liberdade para prepará-las como achasse mais pertinente, realizando a convocatória e nos dias de jogo gerir a equipa como achasse mais adequado. Apesar de não sentir dificuldades neste aspeto, foi uma experiência desafiante visto que encontrava escolas em que tinham jogadores dois anos mais velhos, aumentando a minha motivação e competitividade. Sendo treinador e na impossibilidade de encontrar este contexto num clube, foi muito desafiante e importante para a minha formação, aumentando ainda mais a minha responsabilidade para com núcleo. Em diversos momentos foi muito gratificante ver o trabalho realizado ao longo do ano, em que jogávamos contra jogadores mais velhos e conseguíamos a vitória, aproveitando esses momentos para reforçar a importância do esforço e de todo o trabalho realizado em equipa.

Enquanto profissional tive a necessidade e dever de preparar os jogos de forma semelhante ao que é realizado num clube federado. Isto deveu-se ao facto de alguns alunos do núcleo não terem possibilidades nem condições financeiras para poderem frequentar um clube deste género, que têm vários treinos semanais e jogos ao fim de semana. Desta forma, e para aumentar a motivação e envolvimento dos alunos no

46 seio do grupo, todos os processos que envolvessem a preparação inicial de um jogo, nomeadamente a palestra motivacional (apelando ao espírito de equipa e de sacrifício), o visionamento através de um papel dos sistemas táticos e das movimentações da equipa, e a utilização do quadro tático para explicar a forma de jogar da nossa equipa e da escola adversária foram estratégias que, apesar de serem processos simples, motivaram muito os alunos e proporcionaram o sentido de pertença a um grupo. Durante os intervalos dos jogos foram realizados balanços sobre a prestação da equipa/escola, permitindo aos alunos perceber o que deveriam continuar a fazer e conjuntamente o que poderiam melhorar.

A minha intervenção durante os jogos foi a mais adequada, doseando os feedbacks positivos e negativos, sempre com um propósito pedagógico de poder melhorar e superar as situações encontradas durante o jogo. Ainda no final de cada jogo foram feitos balanços em equipa, de forma a refletir sobre a prestação da escola nesses mesmos jogos e o que poderia ser melhorado no treino. Todos os processos acima mencionados fizeram com que no final do ano letivo alguns alunos fossem realizar treinos a clubes federados.

Em relação ao conhecimento sobre o futsal considero que tenha sido positivo. Permitindo melhorar em diversos aspetos, nomeadamente na observação e análise do jogo, ser mais rápido a intervir sem retirar qualidade a essa mesma intervenção quer no treino ou nas aulas de educação física. O estudo autónomo realizado foi igualmente importante para o conhecimento de novos sistemas que poderei futuramente encontrar.

No que se refere à avaliação, para além dos balanços realizados por mim, foi sempre feito em conjunto com a professora responsável.

De forma a concluir esta experiência, considero que o acompanhamento do DE foi muito trabalhoso mas muito interessante e enriquecedor, tanto a nível profissional como pessoal. A possibilidade de passar por múltiplas tarefas, passando pela inscrição dos alunos na plataforma do DE, pelo registo de presenças, entre outros aspetos anteriormente mencionados como a elaboração de todo o planeamento, a condução dos treinos e a avaliação dos alunos, fez com que todo o trabalho realizado no acompanhamento do DE fosse muito positivo. Apesar de ter experiência no âmbito do treino desportivo não fez com que a minha dedicação fosse menor, pelo contrário tentei aprender cada vez mais, dando também o meu contributo para o núcleo,

47 valorizando sempre os conselhos da professora responsável, percebendo o dever que um professor tem ao ser responsável por um núcleo de DE.

Para terminar, importa também destacar todo o trabalho cooperativo entre os colegas de estágio, permitindo partilhar diferentes aprendizagens e experiências de outras matérias, sendo úteis para as aulas de educação física.

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