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O modelo baseado em direcionadores da competitividade

2.2 ALGUNS MODELOS TEÓRICOS DE ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE

2.2.4 O modelo baseado em direcionadores da competitividade

Van Duren, Martin e Westgren (1991) apresentam um modelo de análise de competitividade no qual são considerados elementos característicos do agronegócio, tal estudo é baseado em direcionadores de competitividade. Posteriormente, Silva e Batalha (1999) adaptaram esse modelo para a realidade brasileira a fim de realizarem um estudo sobre sistema agroindustrial de carne bovina.

Segundo Batalha e Souza Filho (2009), a conjunção do impacto de uma série de fatores teria como resultado certa condição de competitividade, para uma dada cadeia agroindustrial, relacionados com a eficiência e com a eficácia das cadeias analisadas. Esses fatores podem serem vistos como direcionadores de competitividade divididos em quatro grupos:

a) Fatores controláveis pela firma (estratégia, produto, tecnologia, política de RH e P&D, etc.);

b) Fatores controláveis pelo governo (política fiscal e monetária, política educacional, leis de regulação do mercado, etc.);

c) Fatores quase controláveis (preços de insumos, condições de demanda, dentre outros);

d) Fatores não controláveis (ambientais).

Silva e Batalha (1999) incluíram ações de coordenação que visassem aumentar a competitividade da cadeia no grupo dos fatores controlados pela firma e pelo governo.

Mais importante do que se preocupar com o grupo, no qual esses fatores estarão incluídos, é garantir que eles serão considerados na análise. Tal situação é a que efetivamente se encontra na prática. Assim, esse modelo reconhece a importância de ações sistemáticas que

afetam a competitividade da cadeia como um todo e dos agentes que a integram (BATALHA & SOUZA FILHO, 2009).

Segundo esses autores, as características e a análise de segmentos que compõem uma cadeia agroindustrial revelam a existência de um variado conjunto de fatores que afetam, de maneira positiva ou negativa, o seu desempenho competitivo. Além desses fatores, específicos aos elos das cadeias agroindustriais em análise, existe outro conjunto de fatores que forma o chamado ambiente institucional e que pode impactar, significativamente, sua competitividade. O ambiente institucional, também, deve ser observado em profundidade quando da análise de uma cadeia de produção agroindustrial.

O processo de avaliação dos fatores que influenciam a competitividade das cadeias agroindustriais envolve a definição dos direcionadores de competitividade que serão utilizados e dos subfatores que os compõem. A análise pode ser feita pelo estudo de um conjunto de direcionadores. Batalha e Souza Filho (2009) propõem os seguintes direcionadores: tecnologia; insumos e infraestruturas; gestão das unidades de produção; ambiente institucional; estrutura de mercado; e estrutura de governança (Figura 5).

Figura 5 – Direcionadores de competitividade potencial e espaço de análise

A importância de cada direcionador para a competitividade do sistema agroindustrial depende da natureza do estudo e das próprias características do sistema em estudo.

a) Tecnologia – é um conjunto de conhecimentos (científicos, empíricos ou intuitivos) empregado na produção e na comercialização de bens e serviços (MATTOS & GUIMARÃES, 2005).

No Brasil, as técnicas de prospecção tecnológicas foram incorporadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), no início dos anos 90, juntamente com o planejamento estratégico. A metodologia foi aprofundada para ser utilizada como uma ferramenta e se apresenta como fator preponderante na identificação e priorização de demandas de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), associada a seu principal produto, a tecnologia (CASTRO et al., 2007). O padrão tecnológico e a capacidade de geração de inovação são fatores cruciais para a sustentação da competitividade. A geração e difusão de determinadas tecnologias chaves pode implicar na melhoria da cadeia estudada. Esse direcionador é composto por um conjunto de indicadores que podem ser subdivididos em: de difusão, de geração tecnológica e de rendimento (BATALHA & SOUZA FILHO, 2009).

b) Insumos e Infraestrutura – numa abordagem econômica a disponibilidade e o custo dos insumos são fatores que afetam diretamente a produção. Utilizados para a obtenção de bens ou serviços, destinados a satisfazer as necessidades do cliente, podendo ser: recursos naturais, recursos humanos, capital e capacidade empresarial (VARIAN, 2003).

Segundo Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1996), dentre os determinantes da infraestrutura os que mais afetam a competitividade refere-se a questões ligadas com a energia (confiável e a um custo que não comprometa o sistema), transporte (modais que viabilizem o fluxo da produção) e telecomunicação (sistemas de comunicação eficiente permitindo trocas de informação entre as partes).

c) Gestão – as organizações necessitam de ferramentas gerenciais que as capacitem e lhes deem suporte administrativo para planejar, implantar e monitorar com

eficiência os seus processos de produção (BATALHA & SOUZA FILHO, 2009).

A gestão está ligada à habilidade e capacidade que as empresas mantêm nas relações com fornecedores e cliente, a partir das trocas de informações, para desenvolver um conjunto de produtos ou um dado serviço que atenda à demanda (ARO et al. 2010).

d) Ambiente institucional – em toda a sociedade há regras que restringem o comportamento dos indivíduos. Uma das finalidades das regras é criar uma estrutura que permita a interação humana, seja no campo político, seja no social ou econômico. Este conjunto de regras — formais e informais — constituem o chamado ambiente institucional. Por conseguinte, as instituições estabelecem o ambiente no qual as transações ocorrem, formando a estrutura de incentivos e controles que induzem os indivíduos a cooperarem (SAES, 2005).

Este direcionador pode ser dividido em vários fatores de competitividade: condições macroeconômicas; políticas de comércio exterior; programas e políticas governamentais; tributação; serviços de inspeções e vigilância sanitárias; produção e consumo domésticos e comércio internacional (BATALHA & SOUZA FILHO, 2009).

e) Estrutura de mercado–as empresas estão expostas a um ambiente competitivo e são dependentes das interações entre oferta e demanda de seus produtos. Podendo estar constituído por uma estrutura relevante, ou seja, em função do nível de concentração, na econômica de escala e escopo, o grau de diferenciação dos produtos ou serviços, nas barreiras técnicas de entradas e saídas. Consequentemente, influenciando os padrões de concorrências vigentes, essa característica está ligada ao consumidor/cliente abrindo possibilidade de segmentação do mercado (FARINA, 1999).

Segundo Azevedo (2005), as empresas do agronegócio, traçam estratégias para se manterem competitivas e atuantes no mercado, entre os consolidados estão: fusões, aquisições, segmentação de mercado, diferenciação, diversificação e integralização de mercado.

f) Estrutura de governança - Uma estrutura de governança é um conjunto de instituições (regras) inter-relacionadas capazes de garantir o funcionamento adequado das transações ou sequência de transações (WILLIAMSON, 1996). Tais regras incluem mecanismos de incentivo para os membros agirem no sentido desejado pela organização e de controle de suas ações. Mecanismos de incentivo são instrumentos para conciliar o auto interesse dos membros com os objetivos da organização: ao perseguir suas próprias metas, não importam quais sejam, o membro acaba contribuindo para que a organização as atinja. Mecanismos de controle relacionam-se com o fluxo de informações concernentes ao desempenho de cada membro (SAES, 2000).