2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1. INTRODUÇÃO À LIDERANÇA
2.2.3. O modelo da Quinta Disciplina de SENGE (1990)
2.2.3.1. O novo trabalho do líder
Senge devota um papel chave à liderança na organização que aprende.
O modelo parte do pressuposto de que os tipos de liderança praticados já não
conseguem obter comprometimento genuíno da organização:
“Nas organizações que aprendem, os líderes são projetistas, regentes e professores. Eles são responsáveis por construir organizações onde as pessoas expandem continuamente suas capacidades de entender complexidades, esclarecer visões, e aperfeiçoar modelos mentais compartilhados – ou seja, eles são responsáveis pela aprendizagem”
(Senge, 1990, p.368).
O líder como projetista significa que a sua tarefa é projetar os
processos de aprendizagem através dos quais as pessoas em toda a organização poderão
lidar produtivamente com os problemas críticos que enfrentam e desenvolver domínio
das disciplinas de aprendizagem. Como regentes, incubem-se de estar a serviço do
de professores ou guias em uma organização que aprende, eles são responsáveis por
fomentar a construção de idéias norteadoras que orientem e alinhem os indivíduos e
grupos.
A mudança de atitudes em direção a uma organização que aprende
depende de tornar-se um líder projetista, professor e regente, trabalhando sobre os
seguintes itens (Senge, 1990):
• cultivar a tensão criativa que move os indivíduos em direção ao que realmente desejam criar para si próprios (domínio pessoal);
• construir e moldar a evolução da cultura da organização que aprende;
• desenvolver o projeto organizacional - políticas, estratégias, estruturas, bem como o processo de aprimoramento destas;
• engajar as pessoas neste trabalho;
• ser um treinador, guia, facilitador e professor; • construir visão compartilhada;
• ajudar as pessoas a melhor enxergar a realidade e desafiar seus modelos mentais; • ajudar a desvendar as estruturas sistêmicas mais profundas da realidade -
encorajar o pensamento sistêmico.
Para Senge (1990, p.385-386), os líderes não são feitos sob
encomenda, eles vão se construindo. O que distingue líderes é a capacidade de ter
clareza e capacidade de persuasão de suas idéias; ter profundidade em seu
compromisso; ter abertura para aprender sempre mais; não ter resposta certa; inspirar
necessário para alcançar os resultados que realmente desejamos"; esforçar-se para
desenvolver habilidades conceituais e de comunicação; refletir valores; e aprender a
ouvir e apreciar outras pessoas e suas idéias.
2.2.3.2. Disciplinas de Liderança
É por isso que Senge (1990, p.386) afirma que as cinco disciplinas de
aprendizagem são tão importantes para os que lideram, pois elas fornecem uma
estrutura conceitual para se focalizar o esforço de desenvolvimento da capacidade de
liderança. Elas podem ser chamadas tanto de disciplinas de liderança como de
aprendizagem:
• domínio pessoal - o líder tem de conhecer para onde caminha (um líder sem rumo reflete-se numa empresa perdida), ter a abertura de espírito à realidade e viver a vida
com uma atitude criativa e não reativa;
• modelos mentais – para o líder compreender os outros e manter-se aberto a influências, tem de balancear reflexão com inquirição, sendo sempre precisos seus
valores e princípios;
• construção da visão partilhada – o líder deve defender as idéias que considera importantes, mas sempre mantendo-se aberto às perspectivas de outros, sendo muito
importante a co-criação da visão e seu compartilhamento com todos;
• aprendizagem em equipe - será a base da evolução da empresa e ele deve incentivar as equipes e usar o diálogo e discussão; e
• pensamento sistêmico - a quinta disciplina: para aplicar, na empresa, o conhecimento gerado por esta compreensão, o líder precisa de saber as inter-
relações, forças existentes e perceber que tudo está interligado e as organizações são
sistemas complexos.
O trabalho de Senge (2000, p.387) é para ajudar as pessoas a
desenvolver sua capacidade de liderança, ele salienta "as disciplinas individuais" do
pensamento sistêmico, trabalhando com o domínio mental e pessoal. Essas disciplinas
abrangem a extensão de capacidades conceituais, interpessoais e criativas vitais à
liderança. É impossível reduzir a liderança natural a um conjunto de habilidades ou
competências. As pessoas acabam seguindo quem acredita em algo e que tem a
capacidade de alcançar resultados a serviço dessas crenças. Ou, em outras palavras, os
líderes naturais nas organizações que aprendem são os aprendizes.
A opção da organização que aprende não é diferente, só através da
escolha o indivíduo pode se tornar o regente de uma visão mais ampla e praticar as
disciplinas de aprendizagem ou liderança.
As organizações que aprendem só podem ser construídas por
indivíduos que se dediquem de corpo e alma e que essa determinação seja definida por
uma escolha. Cada uma das disciplinas de aprendizagem pode ser pensada em três
níveis distintos: práticas: o que se faz; princípios: idéias orientadoras e novas idéias,
insights; essências: o estado de ser daqueles que possuem altos níveis de domínio da
disciplina.
As práticas são atividades nas quais os praticantes da disciplina
constituem o foco inicial de indivíduos ou grupos quando estes começam a seguir a
disciplina. O quadro 2.2. mostra resumidamente as disciplinas, suas práticas, seus
princípios e suas essências.
Quadro 2-1. As disciplinas, práticas, princípios e essências das organizações que aprendem
Disciplinas Práticas Princípios Essências
Domínio pessoal
- esclarecer a visão pessoal - manter a tensão criativa; - focalizar os resultados - ver a realidade atual - fazer escolhas
visão
tensão criativa x tensão emocional subconsciente
ser
conectividade interconectividade
Modelos mentais
- distinguir dados das abstrações baseadas em dados
- testar pressupostos - coluna da esquerda
teoria esposada x teoria em uso escada da inferência
equilibrar indagação e argumentação
amor pela verdade abertura
Visão compartilhada
- processo de visualização: - compartilhar visões pessoais; - ouvir os outros;
- permitir liberdade de escolha - reconhecendo a realidade atual
visão compartilhada como holograma comprometimento x aceitação propósito comum parceria Aprendizagem em equipe - suspender pressupostos - agir como colegas
- fazendo vir à tona as nossas defensividades
- praticar
diálogos
integrar diálogo e discussão rotinas defensivas inteligência coletiva alinhamento Pensamento sistêmico - Arquétipos de sistema - Simulação A estrutura influencia o comportamento Resistência à política Alavancagem Holismo interconectividade Fonte: Senge (2000, p.403-405)
2.2.3.3. Os três tipos de Liderança do modelo Quinta Disciplina
Senge (1996, p.69-80) identifica três tipos de líderes em organizações:
• líderes de linha - são aqueles que podem empreender experimentos organizacionais significativos de mudança que possam trazer resultados para o
• líderes executivos - apoiam os líderes de linha, desenvolvem infra-estruturas de aprendizado e lideram pelo exemplo no processo gradual de evolução das
normas e comportamentos de uma cultura voltada para o aprendizado; e
• líderes informais, ou intercomunicadores, construtores da comunidade - são os únicos que podem livremente mover-se pela organização, identificando aqueles
que estão genuinamente predispostos a efetuar mudanças, colaborar com
experimentos organizacionais e ajudar na difusão de novos aprendizados.
Senge (1996) acredita que cada um destes tipos de liderança tem um
papel-chave dentro da mudança, da aprendizagem e do desenvolvimento das
organizações e dos seus membros. Cada visão, de acordo com seu perfil, seu papel e
suas características, tem funções-chave na mudança, e comprometer qualquer uma delas
aumenta as chances de ineficácia da mudança.