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A proposta aqui defendida é a da valorização da educação pública e que esta se fortaleça dentro das próprias comunidades e, principalmente, a partir destas, por meio de processos de mobilização social e processos midiáticos de curto alcance territorial. É essencial, portanto, conhecer como esses processos podem se propagar dentro de um comportamento superficialmente previsível dos grupos que cumprem esse papel e como canalizá-los para alcançar esses objetivos.

Lyra (2009, p. 42) em seu artigo: O Papel dos Stakeholders na Sustentabilidade da Empresa: Contribuições para Construção de um Modelo de Análise propõe o uso do modelo criado por Mitchell et al em 1997, em que estes sugerem que a interferência dos stakeholders em uma organização se dá por mediação de três atributos: poder, legitimidade e urgência. A figura 12 mostra a interseção dos tipos de stakeholders, sugeridos por Mitchell et al, a partir de seus atributos, que são:

 Poder: é a habilidade daqueles que possuem poder para fazer acontecer os resultados que desejam.

 Legitimidade: é uma percepção generalizada ou uma suposição de que as ações de uma entidade são desejadas, próprias ou apropriadas dentro de algum sistema de normas, valores, crenças e definições, socialmente definidas.

 Urgência: é como algo que dirige as ações e que é imperativo, porém duas condições devem ser observadas: percepção do tempo e importância do stakeholder.

Ao possuir o poder, um ator se torna capaz de modificar a ação predisposta por outro ator, mesmo contra a vontade deste. Segundo Lettieri (s/d, s.p) sem a Legitimidade o “puro exercício do poder provocaria uma crise ou uma revolta naqueles que estão sob o julgo do poder”. A autora lembra que “uma ação urgente é imperativa, não pode esperar.” A interseção entre os atributos é que define o tipo de stakeholder.

Figura 12: Tipos de Stakeholders

Fonte: Mitchell et al. (1997, p. 874) apud Lyra25 (2009, p.42))

Os autores, Mitchell et al, apresentam esses três atributos para a identificação das diferentes classes de stakeholders. Eles sugerem que as classes de stakeholders podem ser identificadas pela “posse (real ou atribuída)” de um, dois ou todos os três atributos descritos na figura 12, segundo o alerta de Araújo Júnior (2008, s/p).

A combinação desses três atributos gera sete tipos diferentes de stakeholders que são: o Stakeholder Adormecido, o Reivindicador, o Arbitrário, o Dominante, o Definitivo, o Perigoso e o Dependente.

Desta forma é que foram categorizados os stakeholders identificados na Região do Grande Bom Jardim. A identificação dos mesmos deu-se a partir de

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LYRA, Mariana Galvão; GOMES, Ricardo Corrêa; JACOVINE, Laércio Antônio Gonçalves. O Papel dos Stakeholders na Sustentabilidade da Empresa: Contribuições para Construção de um Modelo de Análise. RAC, Curitiba, v. 13, Edição Especial, art. 3, p. 39-52, Junho 2009. Disponível em www.anpad.org.br/rac. Acesso em 15/11/2011.

sessões de brainstorming26 realizadas com a Comunidade Escolar e que serão melhor explicadas no capítulo 3.

É importante destacar as referências atribuídas às possíveis interseções que podem se configurar numa relação entre os três atributos e os sete tipos de stakeholders distribuídos na figura 12. Assim os autores do método descrevem cada tipo de stakeholder, segundo a sua concepção, no campo organizacional.

1) Stakeholder Adormecido - Tem poder para impor sua vontade na organização, porém não tem legitimidade ou urgência e, assim, seu poder fica em desuso, tendo pouca ou nenhuma interação com a empresa. A empresa deve conhecer esse stakeholder para monitorar seu potencial em conseguir um segundo atributo.

2) Stakeholder Arbitrário. Possui legitimidade, mas não tem poder de influenciar a empresa nem alega urgência. A atenção que deve ser dada a essa parte interessada diz respeito à responsabilidade social corporativa, pois tende a ser mais receptiva.

3) Stakeholder Reivindicador. Quando o atributo mais importante na administração do stakeholder for urgência, ele é reivindicador. Sem poder e sem legitimidade, não deve atrapalhar tanto a empresa; porém deve ser monitorado quanto ao potencial de obter um segundo atributo.

4) Stakeholder Dominante. Tem sua influência na empresa assegurada pelo poder e pela legitimidade. Espera e recebe muita atenção da empresa.

5) Stakeholder Perigoso. Quando há poder e urgência, porém não existe a legitimidade, o que existe é um stakeholder coercitivo e possivelmente violento para a organização, o que pode ser um perigo, literalmente.

6) Stakeholder Dependente. Tem alegações com urgência e legitimidade, porém depende do poder de outro stakeholder para ver suas reivindicações sendo levadas em consideração.

26 Brainstorming significa tempestade cerebral ou tempestade de ideias. É uma atividade que serve para testar e explorar a capacidade criativa de indivíduos ou de um determinado grupo. É formada pelos termos ingleses "brain" (cérebro) e "storm" (tempestade). O autor do método de brainstorming é o norte americano Alex Osborn e é uma técnica muito desenvolvida, principalmente em áreas de relações humanas, dinâmicas de grupo e publicidade e propaganda. Disponível em: http://www.significados.com.br/brainstorming/. Acesso em:14/06/13.

7) Stakeholder Definitivo. Quando possui poder e legitimidade, já praticamente se configura como definitivo. Quando, além disso, alega urgência, deve-se dar atenção imediata e priorizada a esse stakeholder.

No pensamento de Lettieri (2012, s/p) esse modelo pode ser esboçado da seguinte forma: da união de três círculos surgem sete zonas distintas onde, nas três primeiras zonas externas os grupos ali representados representam um único atributo. Nas três zonas seguintes, as que estão nas fronteiras entre os círculos, os grupos apresentam dois atributos. Entretanto somente na interseção total os grupos apresentam três atributos combinados.

A real classificação dos stakeholders identificados com a taxonomia ora apresentada será melhor explorada no capítulo 3.

Os termos utilizados por Mitchel et al se referem à empresas, entretanto leia- se, para esta pesquisa, o termo organização quando surgir o termo empresa.