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O MODELO ESTRUTURA-CONDUTA-DESEMPENHO (ECD

De acordo com Scherer e Ross (1990), fundamentalmente, o que a sociedade deseja de produtores de bens e serviços é um desempenho adequado, considerando-se que um

desempenho adequado possui um caráter multidimensional, englobando no mínimo os seguintes objetivos:

a) As decisões relativas a o que, quanto e como produzir devem ser eficientes com relação aos seguintes pontos: recursos escassos não devem ser desperdiçados, e decisões relativas a produção devem corresponder qualitativa e quantitativamente às demandas dos consumidores;

b) As operações dos produtores devem ser progressivas, tirando proveito das oportunidades oferecidas pela ciência e pela tecnologia, buscando o aumento dos resultados (output) por unidade de recursos (input), além de fornecer aos consumidores produtos novos superiores, em ambos os casos contribuindo para o crescimento a longo prazo da renda real por pessoa;

c) As operações dos produtores devem favorecer a utilização completa e estável dos recursos, especialmente recursos humanos. Ou no mínimo, essas operações não devem favorecer o uso continuado dos recursos, através de instrumentos de política macroeconômica extremamente complexos;

d) A distribuição de renda deve ser eqüitativa. Equidade implica pelo menos no fato de que produtores não obtêm retornos/benefícios em excesso a partir da quantidade de serviços oferecida. Uma sub-faceta deste objetivo é a busca por uma estabilidade de preços razoável, pois índices de inflação galopantes distorcem fortemente a distribuição de renda.

Esses objetivos podem não parecer completamente consistentes uns com os outros, mas ainda assim, dentro do possível, um desempenho industrial adequado implica no máximo atendimento de todos os quatro objetivos mencionados.

Medir o grau em que esses objetivos foram alcançados não é tarefa simples e fácil, mas indicadores relevantes incluem a ordem de grandeza das margens de preço-custo, as taxas de alterações em resultados (output) por hora de trabalho e níveis de preços, o tamanho das diferenças entre unidades de custos factíveis reais e mínimas, e a variação do nível de emprego dentro do ciclo de negócios.

O Fluxograma 3 apresenta um amplo modelo descritivo, contendo o conjunto de atributos ou variáveis que influenciam o desempenho econômico.

Fluxograma 3 - Paradigma Estrutura-Conduta-Desempenho Fonte: Scherer e Ross (1990)

O modelo Estrutura-Conduta-Desempenho (ECD) postulado por Scherer e Ross (1990), aponta que características estruturais condicionam as estratégias e determinam o desempenho da empresa.

O desempenho em mercados ou indústrias específicas depende da conduta dos vendedores e dos compradores em assuntos tais como políticas e práticas de preços, cooperações abertas ou tácitas inter-firmas, linhas de produtos e estratégias de propaganda, compromissos de pesquisa e desenvolvimento, investimentos em instalações de produção, táticas legais, entre outros.

Por outro lado, a conduta depende da estrutura do mercado relevante, caracterizado pelo número e pela distribuição de tamanhos dos vendedores e compradores, o grau de diferenciação física e subjetiva distinguindo produtos de vendedores concorrentes, a presença

•Taxas e subsídios •Regras de comércio internacional

•Regulamentação •Controle de preços •Anti-trust •Provisão de informações Condições básicas Política pública Oferta •Matérias-primas •Tecnologia •Sindicatos •Durabilidade do produto •Valor/peso •Atitudes de negócios •Estrutura legal Demanda •Elasticidade de preços •Substitutos •Índice de crescimento •Caráter cíclico e sazonal •Método de compra •Tipo de marketing

•Número de vendedores e compradores •Diferenciação de produtos •Barreiras à entrada •Estrutura de custos •Integração vertical •Diversificação •Comportamento de preços •Estratégia de produto e propaganda

•Pesquisa e inovação •Investimento em planta

•Tática legal

•Eficiência alocativa e de produção •Progresso

•Alto índice de emprego •Equidade

Estrutura de mercado

Conduta

Desempenho

•Taxas e subsídios •Regras de comércio internacional

•Regulamentação •Controle de preços •Anti-trust •Provisão de informações Condições básicas Política pública Oferta •Matérias-primas •Tecnologia •Sindicatos •Durabilidade do produto •Valor/peso •Atitudes de negócios •Estrutura legal Demanda •Elasticidade de preços •Substitutos •Índice de crescimento •Caráter cíclico e sazonal •Método de compra •Tipo de marketing

•Número de vendedores e compradores •Diferenciação de produtos •Barreiras à entrada •Estrutura de custos •Integração vertical •Diversificação •Comportamento de preços •Estratégia de produto e propaganda

•Pesquisa e inovação •Investimento em planta

•Tática legal

•Eficiência alocativa e de produção •Progresso

•Alto índice de emprego •Equidade Estrutura de mercado Conduta Desempenho Oferta •Matérias-primas •Tecnologia •Sindicatos •Durabilidade do produto •Valor/peso •Atitudes de negócios •Estrutura legal Demanda •Elasticidade de preços •Substitutos •Índice de crescimento •Caráter cíclico e sazonal •Método de compra •Tipo de marketing

•Número de vendedores e compradores •Diferenciação de produtos •Barreiras à entrada •Estrutura de custos •Integração vertical •Diversificação •Comportamento de preços •Estratégia de produto e propaganda

•Pesquisa e inovação •Investimento em planta

•Tática legal

•Eficiência alocativa e de produção •Progresso

•Alto índice de emprego •Equidade

Estrutura de mercado

Conduta

ou ausência de barreiras à entrada de novas firmas, os formatos das curvas de custos, o grau em que as firmas estão integradas verticalmente, desde as matérias primas necessárias para produção até o mercado final, e a extensão da diversificação das linhas de produtos das firmas (conglomerados).

A estrutura de mercado, por sua vez, é afetada por uma variedade de condições básicas no aspecto oferta (propriedade de matérias primas essenciais, natureza de tecnologias relevantes, sindicalização de mão de obra, durabilidade dos produtos, tempo de produção, custo/benefício dos produtos, entre outras); no aspecto demanda (elasticidade de preços da demanda, disponibilidade de produtos substitutos, índice de crescimento e variabilidade da demanda em um determinado período de tempo, métodos de compras utilizados pelos compradores, características mercadológicas dos produtos vendidos). Outras condições básicas são a estrutura geral legal na qual as indústrias operam e os valores socioeconômicos dominantes da comunidade de negócios.

Resende e Boff (2002) mencionam que o padrão de concorrência vigente numa determinada indústria é o resultado da ação dos produtores individuais (conduta), quando escolhem os níveis de preços ou as quantidades a serem ofertadas (variáveis estratégicas), considerando-se as características específicas dos produtos que são fabricados (substituição ou diferenciação existente entre eles, os respectivos níveis de qualidade), as preferências dos consumidores e as condições de acesso (possível existência de barreiras de mercado à entrada de novas empresas).

Complementando, o padrão de concorrência pode ainda ser balizado por fatores de ordem institucional, como aspectos legais e fiscais, que limitam ou disciplinam a atuação das empresas ou do mercado.

As tomadas de decisão são fortemente influenciadas por fatores como as taxas de preferências intertemporais dos agentes, seus graus de informação e seus coeficientes de aversão ao risco (incerteza).

O padrão concorrencial contribui para dar à indústria uma estrutura particular, como conseqüência do desempenho das empresas e dos resultados obtidos, considerando-se os recursos que são utilizados, como conseqüência da maior ou menor eficiência produtiva alcançada (menores ou maiores custos) e da maior ou menor eficiência gerencial obtida (maiores ou menores lucros).

Numa versão mais resumida, o modelo ECD pode ser apresentado como no Fluxograma 4, a seguir.

Fluxograma 4 - Modelo ECD (Estrutura-Conduta-Desempenho) Fonte: Elaborado pelo autor