Admitindo que o processo de formulação de requisitos operacionais se desenvolve de acordo com os princípios enunciados (importância dos conceitos de emprego e de operação, pronta identificação do grupo de interessados, clareza na especificação das necessidades, impactos provocados pelas decisões iniciais, adopção de critérios fundamentados de interoperabilidade, sinergias obtidas através de soluções em cooperação, aspectos conjuntos, adopção de uma abordagem integrada entre custos e desempenho e da abordagem do ciclo de vida como forma de obter a máxima disponibilidade e valia operacionais), julgamos ter reunido as condições necessárias à apresentação do modelo que consideramos dar resposta aos objectivos e assim, depois de ter validado as hipóteses em análise, responder à QC.
Desta forma, julgamos que a resposta ao problema apresentado, ultrapassa o objectivo definido, pois além de apresentarmos um modelo macro, conforme se ilustra nas figuras 8 e 9, integramos e relacionamos os requisitos no processo de aquisição de material, destacando a sua importância na definição das plataformas mais adequadas ao cumprimento da missão e na permanente presença desde a fase de concepção, também como forma de garantir as capacidades e assegurar o máximo desempenho operacional.
Trata-se de um modelo comum às FFAA porque, como vimos, estas seguem a mesma matriz conceptual, a mesma documentação estruturante, adoptam os mesmos
aspectos enformadores (interoperabilidade, obter sinergias através de cooperação, maior preparação para operações conjuntas e combinadas, o planeamento de capacidades estar em linha com a NATO e o das outras Alianças, entre outros) e usam uma terminologia semelhante, fácil de normalizar, sendo assim recomendável seguir um modelo comum, estruturado e que permita uma harmonização mais fácil e um processo tendencialmente único.
Sendo um modelo macro, inicia-se com a identificação de uma vulnerabilidade a
priori, a que urge responder, em princípio, através de uma solução de material existente. É
um modelo independente dos ciclos de planeamento, incluindo a LPM, pois neste âmbito serve para os fundamentar. Assenta em cinco fases principais – da concepção ao abate –, relaciona os pontos de decisão com os diferentes aspectos do desenvolvimento de um programa de aquisição de material e do respectivo ciclo de vida, destacando a importância da formulação, da interpretação, do cumprimento e da actualização dos requisitos, como forma de obter as características funcionais especificadas e o máximo desempenho operacional das plataformas.
Antes de chegar ao modelo propriamente dito, resumimos na figura 8 os aspectos mais marcantes do processo de formulação de requisitos operacionais e como estes se devem articular, sublinhando a relevância da realimentação (e retorno da informação) em todos os níveis, como forma de conseguir obter um processo contínuo, integrado e válido, tendo em consideração as lições aprendidas.
Fases de avaliação ~ produção (procurement): Formulação de requisitos Fase de concepção: Fase de exploração: (emprego operacional)
Acompanhamento
Retorno
• Visão,• Definição do grupo de interessados, • Análise dos CONEMP e CONOPs, • Necessidades de desempenho, • Interoperabilidade (conjunta e
combinada) e cooperação, • Trade-offs: custo <> desempenho, • Matriz de prioridades,
• Análise custo do ciclo de vida, • Estimativa de custos, • Documentos de requisitos,
• São os requisitos claros e exequíveis? • Harmonização,
• Aprovação, • Interacção.
• Gestão & Controlo, • Interpretação requisitos,
• Tecnologias de arquitectura aberta, • Integração dos sistemas de armas, • Confirmar a sustentabilidade
através abordagem ciclo de vida, • Selecção da plataforma, • Controlo da configuração, • Fiabilidade e desempenho, • Planeamento e Produção, • Análise de risco, • Decisões de integração, • Cumpre os requisitos? • Entrega / Recepção, • Interacção. • Integração, • Treino operacional,
• Aumento da capacidade operacional, • Validação através da utilização, • Os requisitos foram atingidos? • Lições aprendidas (retorno), • O que pode ser melhorado? • Produto operacional válido? • Actualização dos requisitos … • Redução obsolescência logística, • Modernização,
• Novas capacidades operacionais, • Planeamento do fim de vida útil, • Interacção.
(Realimentação)
Tratando-se de um modelo macro, não vamos particularizar a forma e o conteúdo de cada uma das actividades, nem aí discriminar as responsabilidades de cada entidade, órgão ou serviço. No entanto, consideramos que na fase inicial a condução do processo deve ser atribuída à DGAED, em grande interacção com os ramos, pois é neles que reside o conhecimento técnico para assegurar a correcta definição das plataformas mais adequadas ao cumprimento das missões, independentemente da mobilidade. A partir da assinatura do contrato de aquisição, a condução do processo deve ficar atribuída ao ramo que na fase de exploração vier a assegurar a sustentabilidade, em interacção com os outros ramos (em particular nos programas conjuntos) e com os OSC do MDN, neste caso a DGAED.
Contrato aquisição /
procurement Entrada ao serviço
Concepção Avaliação Produção Exploração
operacional Formulação RO MLU Harmonização RO Aprovação RO Sustentabilidade Cumpre RO ?
Interpretação RO Cumprimento RO Actualização RO
Desenvolvimento Tecnologias
Selecção da plataforma
Desenvolvimento doutrina emprego
Abate
Integração Disponibilidade Operacional Grupo interessados Decisões de sustentabilidade Análise de risco Aplicação Tecnologias Caderno encargos Decisões de integração Planeamento
fim vida útil Alienação Nível Estratégico CONEMP CONOPS Treino operacional Trade-offs Máximo desempenho Restrições Financeiras Planeamento
Estimativa custo Previsão orçamento
Identificação da vulnerabilidade
Figura 9 - O modelo de formulação de requisitos comum às FFAA.
O modelo destaca três pontos de decisão principais: o inicial, com a identificação da vulnerabilidade e a consequente decisão de avançar com o programa, a adjudicação através do contrato de aquisição e a entrada ao serviço da plataforma no final da produção. A definição do grupo de interessados, os inevitáveis compromissos (trade-offs), o rigor progressivo na estimativa de custos até ao orçamento final, a harmonização e a aprovação de requisitos, marcadas por decisões que influenciam a sustentabilidade ao longo do ciclo de vida, conduzem o processo de formulação de requisitos à fase de avaliação. Nesta fase, a interpretação dos requisitos, a análise de risco e o caderno de encargos, viabilizam a
decisão de aquisição. Segue-se a fase em que o cumprimento dos requisitos assume o papel principal, compreendendo as decisões relativas à integração dos meios no ramo – estas de natureza operacional e logística, como o treino, a doutrina e a capacidade de manutenção. Na fase de exploração operacional, a plena integração e o treino de conjunto asseguram a maximização da disponibilidade e da capacidade operacionais – os verdadeiros objectivos.
Os requisitos operacionais são assim um dos elos que garante a continuidade do ciclo de vida e a sua gestão eficiente e eficaz.