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O MODO DE VIDA DO PESCADOR COMO RURALIDADE

No documento Universidade Católica do Salvador (páginas 51-59)

2. O MUNDO RURAL E A O MODO DE VIDA PESQUEIRO COMO RURALIDADE

2.3. O MODO DE VIDA DO PESCADOR COMO RURALIDADE

A porção de terras em volta do mar constitui o espaço costeiro, espaço este

composto por um ambiente diverso e que sofre ações de diversos fatores econômicos

e sociais. Para Prost (2010), esta área é considerada específica e atrativa:

“[...] pela presença de recursos pesqueiros, de ecossistemas particulares de alta riqueza ecológica (restingas, manguezais etc.), importantes em várias escalas, do local onde se situam até a vida marinha em geral, mas também como plataforma para a descoberta do mar e das terras além-mar.” (PROST, 2010, p.48).

Para Moraes (2007), a zona costeira, também pode ser definida como:

[...] uma zona de usos múltiplos, pois em sua extensão é possível encontrar variadíssimas formas de ocupação do solo e a manifestação das mais variadas atividades humanas. Defronta-se na zona costeira do Brasil, desde a presença de tribos coletoras quase isoladas até plantas industriais de última geração, desde comunidades vivendo em gêneros de vida tradicionais até metrópoles dotadas de toda a modernidade que lhe caracteriza. Enfim, trata-se de um universo marcado pela diversidade e convivência de padrões díspares. Isto redunda em uma alta conflituosidade potencial no uso do solo, onde o papel do planejamento adquire maior relevo (MORAES, 2007, p.31).

Os espaços costeiros, se configuraram por estarem com uma interação maior

com a natureza, através do mar e dos ecossistemas, que permitem a existência de

diversas atividades e modos de vida que transcendem processo de transformações

espaciais.

O rural costeiro é configurado especialmente pela presença de atividades

ligadas ao mar, como é o caso da pesca. Ao contrário dos grupos de agricultores, os

quais têm a terra como lugar onde estão expressos seus modos de vida (HERÉDIA,

1979), os pescadores além do mar possuem a terra como complementaridade de seu

território, que no caso deles é fluido e duplo (DIEGUES, 2001), e onde se reproduzem

socialmente. Nesse contexto, o espaço costeiro qualificado como rural não terá

apenas o agricultor como figura emblemática, assim como na representação do rural

imaginário (CARNEIRO, 2012, p.26), ele terá o pescador com figura característica

deste espaço, e nas localidades costeiras em geral.

Esta representação simbólica, que carrega toda a dinâmica composta pela

forma de pescar, de interagir com a natureza, interagir com o mercado, com a família,

com o espaço local, a cultura e etc., assumimos como ruralidade. Compreende-se a

pesca artesanal como ruralidade por a mesma configurar uma atividade e um modo

de vida que possui forte laço de interação com a natureza, contendo um traço cultural

específico e característico desta população.

A pesca ganha destaque por se expressar como ruralidade em transição.

Possui uma tradicionalidade e ao mesmo tempo é pressionada como atividade através

dos diversos impactos nas áreas de uso, como impactos ambientais, e as novas

dinâmicas que passam a ter os locais em que se inserem as populações que a tem

como forma de sobrevivência e modo de vida, com as novas conquistas da sociedade.

Assim, a mesma transita como tradicionalidade inserida numa modernidade.

Compreende-se assim que o espaço costeiro como lócus de um mundo rural

específico é um local constituído por diversos segmentos de ação da sociedade sob

o espaço, e dentre eles temos a atividade pesqueira.

Para Diegues (1983, p.6) a pesca é uma “[...] atividade humana de caça

realizada em grande escala [...]”, que envolve a retirada do produto pesqueiro de um

corpo d’água o que é um reflexo do conhecimento que o homem tem acerca da

natureza (MALDONADO, 1986, p7). Assim, a pesca não é só uma atividade

responsável pela captura de produtos do mar (DIEGUES, 1983, p.3), mas um sistema

dotado de várias relações que englobam a sociedade. A pesca se torna assim, uma

atividade condicionada aos processos naturais, que influenciam a relação homem e

natureza, dotado de relações objetivas e subjetivas. Vale ressaltar que, segundo

Maldonado (1986), esta atividade econômica se desenvolve por traços de adaptação

ao meio, que apontem para uma independência que vão constituir uma identidade do

pescador.

A pesca possui diversas classificações, que variam de acordo com os autores.

Para Maldonado (1986), esta atividade pode ser dividida em artesanal, industrial e

agricultores. Para o Ministério da Pesca (2014) pode ser dividida em artesanal,

amadora, e industrial, e alcança todo o litoral brasileiro (MPA, 2013). Já para Diegues

(1983), os pescadores podem ser categorizados em 5 tipos, dos quais estarão

definidos de acordo com suas formas de organização social, que por sua vez estão

sob influência de lógicas da sua forma de produção (dentro da pequena produção

mercantil ou na produção capitalista). Concordamos aqui com Diegues (1983), ao

distinguir estas categorias a partir de suas características sociais de produção,

cabendo destacar seus objetivos e relações sociais com a produção, de modo a

impactar no espaço geográfico produzido (Quando 2).

TIPOS DE PESCA OBJETIVOS DA

PRODUÇÃO PESQUEIRA

RELAÇÕES SOCIAIS

DE PRODUÇÃO

Pesca de

autossubsistência:

economia natural

Autossubsistência grupal Propriedade grupal dos

meios de produção.

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A pequena

produção familiar

dos

pescadores-lavradores.

Quantidade destinada à

produção de objetos de uso

maior que a destinada a

objetos de troca.

Propriedade familiar

dos instrumentos de

produção.

A produção dos

pescadores

artesanais

Parte da produção destinada

à produção de objetos de

troca é maior que a destinada

à produção de objetos de

uso.

Propriedade individual

dos instrumentos de

produção.

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lista

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A produção dos

armadores de

pesca e

embarcações

Produção total convertida em

mercadoria.

Propriedade dos

instrumentos de

produção nas mãos do

armador autônomo.

A produção das

empresas de

pesca.

Produção total convertida em

mercadoria.

Propriedade dos

instrumentos de

produção nas mãos de

uma empresa de pesca.

Quadro 2: Tipos de pesca e natureza econômica Fonte: Diegues, 1983, p.150. Adaptado pelo autor.

Deve-se, assim, levar em consideração as outras faces que a atividade

pesqueira desempenha nas áreas estudadas, estando ligada a um conjunto de

práticas do modo de vida e consequentemente a cultura das populações tradicionais

inseridas. Para isso, será levada em consideração a definição da cultura tradicional,

pois a atividade pesqueira local está inserida como modo de pequena produção

mercantil, assim como sua simbiose com a natureza.

As culturas tradicionais estão imersas em sociedades específicas, nas quais

desenvolvem suas atividades dentro do modo de produção da pequena produção

mercantil, não visando o lucro o que é o reflexo de um conhecimento específico, o

tradicional (DIEGUES, 2001a, p.81-82). Especificamente a cultura tradicional é

definida como:

[...] padrões de comportamento transmitidos socialmente, modelos mentais usados para perceber, relatar e interpretar o mundo, símbolos e significados socialmente compartilhados, além de seus produtos materiais, próprios do modo de produção mercantil (DIEGUES, 2001, p.86).

Os pescadores artesanais estão inseridos na categoria das sociedades

tradicionais, definidas por Diegues (2001) como:

[...] grupos humanos culturalmente diferenciados que historicamente reproduzem seu modo de vida, de forma mais ou menos isolada, com base em modos de cooperação social e formas específicas de relações com a natureza, caracterizados tradicionalmente pelo manejo sustentado do meio ambiente (DIEGUES, 2001, p. 22).

Para Diegues (2000), estas sociedades se caracterizam:

a) pela dependência frequentemente, por uma relação de simbiose entre a natureza, os ciclos naturais e os recursos naturais renováveis com os quais se constrói um modo de vida; b) pelo conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos que se reflete na elaboração de estratégias de uso e de manejo dos recursos naturais. Esse conhecimento é transferido por oralidade de geração em geração; c) pela noção de território ou espaço onde o grupo social se reproduz econômica e socialmente; d) pela moradia e ocupação desse território por várias gerações, ainda que alguns membros individuais possam ter se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra de seus antepassados; e) pela importância das atividades de subsistência, ainda que a produção de mercadorias possa estar mais ou menos desenvolvida, o que implica uma relação com o mercado; f) pela reduzida acumulação de capital; g) importância dada à unidade familiar, doméstica ou comunal e às relações de parentesco ou compadrio para o exercício das atividades econômicas, sociais e culturais; h) pela importância das simbologias, mitos e rituais associados à caça, à pesca e a atividades extrativistas; i) pela tecnologia utilizada que é relativamente simples, de impacto limitado sobre o meio ambiente. Há uma reduzida divisão técnica e social do trabalho, sobressaindo o artesanal, cujo produtor (e sua família) domina o processo de trabalho até o produto final; j) pelo fraco poder político, que em geral reside com os grupos de poder dos centros urbanos; l) pela auto-identificação ou identificação pelos outros de se pertencer a uma cultura distinta das outras (DIEGUES, 2000, p.21-22).

Estando ligados a um conjunto de práticas do modo de vida, constituindo uma

cultura tradicional, no caso de Cairu, são encontrados pescadores artesanais, uma

categoria específica de população tradicional (DIEGUES, 2000), portanto, com

práticas não capitalistas embora estejam numa sociedade capitalista, e que coincide

com o descrito por Diegues estando espalhados:

[...] pelo litoral, pelos rios e pelos lagos e tem um modo de vida baseado principalmente na pesca, ainda que exerça outras atividades econômicas complementares, como o extrativismo vegetal, o artesanato e a pequena agricultura. [...] apresentam um modo de vida peculiar, sobretudo aqueles que vivem das atividades pesqueiras marítimas. [...]praticam a pequena pesca, cuja produção em parte é consumida pela família e em parte é comercializada. A unidade de produção é, em geral, a familiar, incluindo na tripulação conhecidos e parentes mais longínquos (DIEGUES, 2000, p.58-59).

O universo da pesca compõe um conjunto de elementos que são reflexos da

relação do homem e natureza, relação esta que está condicionada ao

desenvolvimento desta prática, já que a mesma depende dos recursos marítimos

disponíveis. Nesse sentido cabe destaque aos conhecimentos adquiridos através da

transmissão de saberes entre gerações que compõem a formação identitária dos

pescadores artesanais, os quais tem a natureza como fonte de riqueza explorada a

partir do respeito (DIEGUES, 2000, p.20). Tais saberes, determinam através dos

conhecimentos dos elementos naturais, quem é bom pescador (DIEGUES, 1983,

p.98).

Esses conhecimentos também estão vinculados com o sentimento de

pertencimento dos indivíduos por sua atividade e lugar onde vivem. Os sentimentos

de pertencimento dos pescadores com a pesca são revelados através de sua relação

com o meio em sua volta, através de superstições, bem como no conhecimento do

território marítimo, que marca a expressão de uma tradição (RAMALHO, 2006,

p.147-161).

Essa correlação está ligada às experiências que proporcionaram aprendizados

ao longo do tempo. Tais experiências estão atreladas aos sentidos humanos (paladar,

olfato, tato, visão e audição), que por sua vez proporcionam aprendizado de sua

história (TUAN, 1980, p.9-10). Ainda para Tuan esse aprendizado “[...] significa atuar

sobre o dado e criar a partir dele. O dado não pode ser conhecido em sua essência.

O que pode ser conhecido é a realidade que um constructo da experiência, uma

criação de sentimento e pensamento” (TUAN, 1980, p.10). Logo, a pesca em sua

essência vai estar ligada às experiências que acompanham o pescador e envolvem

pensamento e sentimento (TUAN, 1980, p.11).

Segundo Diegues (1983, p.18) os pescadores em sua formação histórico

cultural possuem um vínculo maior com o mar, através da “[...] apropriação econômica

e sócio cultural do meio marinho, onde [...] passam uma parte considerável do seu

tempo”. Mas também desenvolvem atividades na terra, que é o ponto de apoio a estes

indivíduos, onde ficam as famílias e seus vínculos de comercialização do pescado

(MALDONADO, 1986; DIEGUES, 1983, 1998, 2001, 2000). Nesse sentido a pesca dá

a sensação ao pescador de espaciosidade, noção esta atribuída à “[...] sensação de

estar livre” (TUAN, 1983, p.59), ou seja liberdade. Essa sensação pode ser ampliada

com ajuda de instrumentos, que façam ou ajudam ele a explorar e se deslocar pelo

espaço (TUAN, 1983).

A pesca passa a ser uma atividade dotada de valores culturais, que foram

incorporadas ao longo do tempo, principalmente as formas dos pescadores se

organizarem, se relacionarem e desenvolverem suas atividades. Tais especificidades

dos pescadores, que terminam sendo transmitidos através de gerações e estudiosos

denominam de saber fazer destas populações. O saber fazer se caracteriza por um

conjunto de saberes herdados que constituem o modo de desenvolver suas práticas

de maneira mais prática e rentável na concepção de produção ou extração simples

(DIEGUES, 1986, 2000; MALDONADO, 1983).

Na pesca, o território, além de ser um importante elemento na relação destas

populações com a natureza (DIEGUES, 2001a, p.83), é o lugar da dinâmica do

dia-a-dia. Assim, é nele que acontecem as relações sociais, as reproduções econômicas,

os conflitos, bem como as representações do imaginário de tais populações

(DIEGUES, 2001b, p.21). Para os pescadores, o território além de descontínuo é

vasto, composto da terra, onde ficam as casas e aparatos construídos, e o mar onde

estabelece suas interações com a natureza e exerce sua atividade produtiva

(DIEGUES, 2001b, p.20).

Portanto, o território de tais comunidades assume mais que a essência do

poder, reflexo das ações do trabalho no espaço geográfico (RAFFESTIN, 1983,

p.144), área reflexo do espaço vivido (SANTOS, 2006), ou até mesmo um conceito

político que demonstra as ações da sociedade em um espaço geográfico (EMIDÍO,

2006, p.42). Então, chega-se à noção de território que mais se encaixa ao propósito

do estudo, definido como:

[...] uma porção da natureza e espaço sobre o qual uma sociedade determinada reivindica e garante a todos, ou a uma parte de seus membros, direitos estáveis de acesso, controle ou uso sobre a totalidade ou parte dos recursos naturais aí existentes que ela deseja ou é capaz de utilizar (GODELIER, 1984 apud DIEGUES, 2001a, p.83).

Godelier (1984), citado por Diegues (1998, p.29), afirma que as explorações na

natureza são um resultado de fatores como os elementos que a constituem, os

aspectos geográficos, além das produções sociais e simbólicas (DIEGUES, 1998,

p.29). Também, Godelier (1984 apud DIEGUES 1998, p.29), afirma que a cultura e as

capacidades produtivas possuem elemento de maior peso de uma sociedade em

determinado local (DIEGUES, 1998, p.29). Logo, percebe-se que a dimensão

econômica e suas relações, juntamente com a cultura, são motores capazes de

promover desenvolvimento.

É difícil tratar de uma atividade econômica, com bases tradicionais presentes

no sistema econômico de um município, sem levar em consideração a sua cultura,

que mantém as características locais juntamente com as influências das ações de

estudos e do setor privado. Observa-se então que a atividade pesqueira, nos moldes

tratados aqui, vai muito além de uma atividade produtiva, ela consegue reunir as

características das populações que dependem dela, bem como se torna uma atividade

responsável por aproximar o homem à natureza, configurando sua cultura e, portanto

seu modo de vida.

Para Maldonado (1986) o grau de desenvolvimento das forças produtivas

correlaciona as áreas de exploração, ou seja, os pescadores da pequena produção

mercantil normalmente utilizam pequenas áreas (MALDONADO, 1986, p,108). Dentro

das características da prática pesqueira artesanal em um molde da pequena produção

mercantil, onde não há produção e sim extração, segundo Diegues o produto desta

extração é uma dádiva. Daí a interação com a natureza apontar também os traços da

cultura religiosa que insere nessa relação, o produto como dádiva.

Embora esta pesquisa se refira à pesca artesanal numa sociedade capitalista,

sua história tem origem pré-capitalista; o local onde os pescadores têm sua base, seu

ponto fixo, a terra, com visão comunal, ou seja, de uso comum. Marx caracterizou

essa relação afirmando que:

A terra é o grande laboratório, o arsenal que proporciona tanto os meios e objetos do trabalho como a localização, a base da comunidade. As relações do homem com a terra são ingênuas: eles se consideram como seus proprietários comunais, ou sejam membros de uma comunidade que se produz e reproduz pelo trabalho vivo. Somente na medida em que o indivíduo for membro de uma comunidade como esta – literal e figurarmente – é que se considerará um proprietário [...]. Na realidade, a apropriação pelo processo de trabalho dá-se sob estas pré-condições que não são produtos do trabalho, mas parecem ser pressupostos naturais e divinos. A forma desta apropriação poderá se realizar de maneiras diversas, embora a relação básica se mantenha a mesma (MARX, 1977, p.67 – grifo do autor).

Articula-se nesse processo de trabalho a produção de um espaço e modos de

vida específicos, que têm a terra como seu ambiente de vida, sob relações de

comunidades cujos pressupostos parecem ser naturais e divinos, o que

reconhecemos também na relação com o mar.

Do mesmo modo, Diegues (1983) classifica a pesca artesanal como atividade

econômica pré-capitalista, ou seja, sua base de relações e de interação com o espaço

vai construir um espaço dotado da não acumulação de capital. Diegues (1995) afirma

que “[...] uma das características fundamentais das formas pré-capitalistas de

produção é sua articulação com outras formas que lhe são dominantes. É importante

reter que a pequena produção mercantil é uma forma subordinada, articulada a outras

formas de produção.” (DIEGUES, 1995, p.34).

Segundo Marx (1977) os tipos de produção expressavam as vidas e

consequentemente os modos de vida de uma população através das produções dos

seus meios de subsistência:

O modo pelo qual os homens produzem seus meios de subsistência depende, antes de tudo, da natureza dos meios que eles encontram e têm de reproduzir. Este modo de produção não deve ser considerado, simplesmente, como a reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se, antes, de uma forma definida de atividade destes indivíduos, uma forma definida de expressarem suas vidas, um modo de vida deles. Assim como os indivíduos expressam suas vidas, assim eles são. E o que eles são, portanto, coincide com sua produção, tanto com o que produzem quanto com o como produzem. A natureza dos indivíduos, portanto, depende das condições materiais determinantes de sua produção (MARX, 1977, p.113).

Atualizando estas assertivas tem-se que a ruralidade se dá pela expressão das

formas como as populações interagem com o meio natural. A pesca artesanal pode

ser compreendida como ruralidade a partir do momento em que podemos

compreendê-la como expressão de um segmento populacional que possui um modo

de vida característico, vinculado a um determinado espaço, o qual ainda mantém

traços identitários e também dá uma dinâmica específica ao local que se insere.

Assim, necessitamos compreender os pescadores artesanais enquanto modo de vida

que ainda interage nos espaços costeiros, espaços de vida e trabalho, “um modo de

vida deles”.

No documento Universidade Católica do Salvador (páginas 51-59)