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O modo de viver: contextualizando a educação

CAPÍTULO 1 : : UM MUNDO EM MUDANÇA: DESAFIOS

1.2. O modo de viver: contextualizando a educação

A educação é um processo que se desenvolve ao longo da vida e por toda a vida. Começa no nascer das crianças, passa pela infância, pela adolescência, atinge a idade adulta e

23Corresponde à redefinição dos processos de uma organização, buscando melhorias radicais. Hammer, M. e Champy, J., (1993)a denominam de "reinvenção" das organizações, tendo como foco o cliente.

24Designa a redução dos quadros de pessoal de uma empresa, achatando2a, por conseqüência da diminuição de

seus níveis hierárquicos. Afeta, principalmente, o nível tático ou gerencial.

25Significa ampliar o "poder de decisão" do pessoal atuante no nível operacional (principalmente) e também no

acompanha o ser humano enquanto viver, assumindo características distintas em cada fase do ciclo de vida.

Todo esse vertiginoso movimento de mudança, que assistimos hoje, exige um reposicionamento do homem frente ao universo e à sociedade na qual vive. Novas profissões surgem enquanto outras desaparecem e, por conta disso, é preciso estar preparado para novos desafios, não basta acumular informações se não foram desenvolvidas habilidades e competências bastante amplas para permitir a adaptação aos novos ambientes e às novas exigências do trabalho. Esse é o grande desafio para o educador: como formar pessoas, cidadãos e profissionais capazes de compreender as novas realidades sociais e buscar respostas para tantos desafios.

O modo de viver, que vem sendo configurado por influência das TIC, cria novas demandas na educação, pois a informação flui de forma cada vez mais ampla e os sistemas de comunicação assumem aspectos distintos, mais rápidos, possibilitando a ampliação dos conhecimentos, extrapolando os limites de espaço e tempo usuais. Os computadores, nos primórdios ocupando grandes salas, passaram para as estações de trabalho fixas, instaladas em mesas, e tornou2se cada vez mais comum, hoje, a utilização dos denominados “laptops”. Da mesma forma, a telefonia era fixa e, quando atendíamos ao telefone, perguntávamos: Com quem quer falar? Pergunta hoje pouco relevante, se considerarmos que, quando falamos em telefones celulares, essa identificação é imediata. E, para completar, não podemos deixar de relembrar, essas tecnologias são convergentes, conforme Meirelles (1994), já sendo possível encontrar, no mercado, telefones celulares (não sei se deve ser esse o nome) com múltiplas funções, articulando diferentes mídias, guardando arquivos digitalizados e funcionando como verdadeiros computadores.

Com essa conectividade, contribui Dowbor (2001, p.23) “ " # ”(...) “4 # 5 $ ( $ p. 24/ Segundo Valente, “0 1 # $

.” (2002, p. 35), pois, durante o período que prevalecia a produção artesanal, tivemos a educação dos dirigidos, quando os aprendizes aprendiam os ofícios com os artesãos; os filhos de camponeses, pela tradição, aprendiam com seus pais e com a família; e a educação dos dirigentes, muito cara, baseada em mentores, era privilegio exclusivo dos membros das cortes, das minorias ricas ou das famílias em condições de pagar professores particulares.

Já a Revolução Industrial, a produção em alta escala, lidando com situações mais complexas, passou a necessitar que mais pessoas fossem educadas. O ensino veio a utilizar os mesmos princípios do paradigma da produção em massa, ou seja, o da “produção empurrada” e a escola assumiu as características de uma fábrica,

[...] em que o aluno é o produto que está sendo educado ou “montado” e os professores são os montadores, que adicionam informação ao produto. Além disso, existe a estrutura de controle do processo de “produção” formada por diretores, supervisores que verificam se o “planejamento da produção”, traduzida em termos de métodos, currículo e disciplinas está sendo cumprido. A educação atual opera com base no racional em que “se tudo for realizado de acordo com o plano, a linha de montagem deve produzir alunos capacitados”. Caso contrário, existem as ações corretoras, como a recuperação ou a repetência. (ibidem, p.35)

O paradigma da produção em massa norteia a concepção curricular, no qual as disciplinas correspondem a especialidades distintas – divididas segundo o grau crescente de

complexidade – e aplicadas, dessa forma, aos alunos. A escola também serve para formar hábitos típicos das fábricas como hierarquia, ordem, limpeza e obediência ao relógio – sinais de entrada, sinais para o recreio, sinais para a saída 2, conformando o trabalhador do futuro. Ao aluno cabe, obedecendo a esse caminho para ele traçado, aproveitar todo o conjunto de informações, que lhe foi transmitido de forma fragmentada, e transformar esse conteúdo em conhecimento para poder utilizá2lo nas suas situações de vida, especialmente a profissional.

Como visto, no paradigma da produção artesanal, muito poucos tinham acesso a educação escolarizada e o modelo de educação, implantado para atender as necessidades do paradigma da produção em massa, foi muito útil ao possibilitar a ampliação do acesso a educação para outras camadas da população. Mas, esse modelo foi sofrendo esgotamento, da mesma forma que ocorrera com o sistema produtivo que lhe deu origem. Nas palavras de Dowbor (1998, p.258):

Tradicionalmente, a educação seria um instrumento destinado a adequar o futuro profissional ao mundo do trabalho, disciplinando2o, e municiando2o de certa maneira com conhecimentos técnicos, para que possa “vencer na vida”, inserindo2se de forma vantajosa no mundo como existe. Esta inserção vantajosa, por sua vez, asseguraria reconhecimento e remuneração, ou seja, “sucesso”. Este paradigma, amplamente dominante, gerou outra visão, contestadora, que tenta assegurar à educação uma autonomia que lhe permita centrar2se nos valores humanos, na formação do cidadão, na visão crítica e criativa. Virgem de relações com o mundo econômico, de certa forma, esta educação estaria livre dos moldes que este lhe quer impor. Sem os instrumentos técnicos para ser competente na linha profissionalizante, e frágil demais para ser transformadora, a educação realmente existente termina por constituir um universo relativamente ilhado dos processos de transformação econômica e social. Muitos vêem “pureza” neste isolamento, quando se trata antes de tudo de impotência, e freqüentemente de um grande atraso.

Essa proposição sugere não ser a educação que antecipa as mudanças, ao contrário, ela segue a reboque dos movimentos sociais, evidenciando sempre um “atraso cultural”.

De acordo com Valente (2002, p.37), e Moraes (1997), )& " ' # porem não fica visível, ainda, uma Proposta

Pedagógica consistente, baseada no “paradigma da produção enxuta”. Isto é, a aplicação desse paradigma emergente constitui uma utopia, está muito distante da realidade das nossas escolas.

Por outro lado, esses e muitos outros autores renovadores condicionam a viabilidade de aplicação do “paradigma emergente” à realização de mudanças profundas na escola e no trabalho docente, relacionados abaixo.

“* $ (VALENTE, 2002

p.42). A escola deverá ser o lócus da reflexão, discussão e aprimoramento de idéias, e as TIC deverão estimular o processo colaborativo de aprendizagem em contraste com o modelo atual, voltado para a reprodução antes que para a criação.

Mudanças no ensino: a “+ !

(VALENTE, 2002 p.42) apoiada na solução de problemas; os professores colocam, para os alunos, problemas, e compete a eles resolvê2los, através de pesquisas e raciocínio

6 2 7 ' %

' (ibidem, p. 43), construído

pelo professor junto com seu aluno, adequando2o às necessidades e interesses deste último, privilegiando o desenvolvimento de competências.

6 . # (ibidem, p. 43), fundamentalmente, o

facilitador, orientador da aprendizagem, com vistas ao desenvolvimento do aluno, com autonomia.

6 . (ibidem, p. 44). Caberá ao aluno acionar o sistema, “puxando” os conhecimentos e desenvolvendo autonomia na busca do aprendizado; ter atuação pró2ativa, tomando iniciativas que favoreçam a construção do conhecimento, a criatividade e o desenvolvimento de habilidades

6 8

# (ibidem, p. 44), voltada para o pedagógico, para o processo de aprendizagem dos alunos.

6 . (ibidem, p. 45). A escola não é a

única responsável pela formação dos alunos, essa responsabilidade é de toda a sociedade, portanto, a escola deverá trabalhar com as experiências de aprendizagem adquiridas nos diversos ambientes fora da escola, em colaboração com os pais e com outros membros da comunidade próxima, que tenham contribuições importantes para a formação dos estudantes..

' (ibidem, p. 45), cuja experiência e

conhecimento podem ser capitalizados para o equacionamento dos problemas e dificuldades apresentando2se no cotidiano escolar .

. (ibidem, p. 46). O r

é importante para a gestão das operações da escola, para o trabalho dos professores com outros especialistas e consultores, e como suporte para a aprendizagem dos alunos