Capítulo 2: Os sintagmas nominais do inglês
2.2 Elementos dos Sintagmas Nominais
2.2.1 O núcleo
Os núcleos dos SNs são geralmente substantivos ou pronomes pessoais, que podem estar acompanhados de determinantes, pré ou pós modificadores. De acordo com Leech e Svartvik (2002), a referência a um substantivo pode se dar de formas variadas. Dentre essas formas, encontramos:
Singular ou plural: ao nos referirmos a uma unidade do objeto ou a várias unidades, respectivamente. Por exemplo, a boy, one boy, a single boy, e boys, two boys etc.
Um grupo de objetos: quando nos referimos a objetos como pertencentes a um grupo, por exemplo, a number of stones.
Parte ou inteiro: ao nos referirmos a uma parte de um objeto ou substância; geralmente são usados nomes que indicam parte ou unidades. Por exemplo, a slice of bread (nome de unidade), half of the students (nome de parte).
2.2.1.1 Nomes próprios e comuns
A classificação em nomes comuns e próprios tem relevância gramatical, de acordo com Greenbaum e Quirk (1990). Esses autores justificam que essa distinção ocorre devido ao substantivo próprio ter
but also to the names of actions (swimming, laughter), abstractions (thought, experience), qualities (beauty, speed), emotions (anger, excitement) and phenomena (thunder, success), among others. Prototypical entities are those which are concrete, with well-defined outlines and relatively stable in time („person‟, rather than „weather‟).
37 referência única, não sendo possível haver contraste entre número ou determinação com artigos; por exemplo, the Indonésia* e some Indonesia*. Ainda segundo os autores, os nomes próprios designam pessoas específicas (Mary), lugares (Europe), instituições (Cambridge University), marcadores de tempo (Monday) e de estações festivas (Easter); esses nomes podem tanto ser formados por apenas um item lexical (Brazil), como por um grupo de palavras (New York).
Da mesma forma, Jacobs (1995) aponta para a singularidade dos nomes próprios e acrescenta que os nomes próprios referem-se a pessoas, lugares, tempos e outras entidades, e não ocorrem na forma plural. Para o autor, esses nomes geralmente ocorrem sozinhos, sem a presença de determinantes ou modificadores, embora haja casos em que um nome próprio pode ser pluralizado, por se tratar de substantivos contáveis, como, por exemplo, two Arabs, several Buddhists etc.
Por outro lado, Leech e Svartvik (2002) salientam que, embora os nomes próprios geralmente ocorram sozinhos, em alguns casos eles são acompanhados de artigos definido ou indefinido. Quando isso ocorre, segundo os autores, o nome próprio muda sua propriedade para nome comum. Nesse caso, ele justifica essa mudança devido à perda de sua propriedade única, quando o falante precisa distinguir uma ou mais coisas que tenham o mesmo nome, como em the Susan next door (LEECH e SVARTVIK, 2002:56).
2.2.1.2 Contáveis e não contáveis
De acordo com Carter e McCarthy (2006), os substantivos podem ser divididos em duas grandes categorias: substantivos contáveis e não contáveis (substantivos de massa). Essa divisão baseia-se no fato de que esses dois grupos diferem-se na possibilidade de expressarem número, contabilidade. Os contáveis podem ser expressos no plural, enquanto os não contáveis apenas no singular.
Greenbaum e Quirk (1990) também reconhecem a relevância gramatical e semântica da distinção entre contáveis e não contáveis na língua inglesa. Para esses autores, substantivos contáveis e substantivos de massa ocorrem com diferentes determinantes. Os autores salientam que alguns itens lexicais podem ter as duas classificações, a de contável e a de não contável. Dessa forma, são apresentadas algumas restrições de combinações com determinantes, conforme tabela 2:
38 Tabela 2: A distribuição dos determinantes em relação aos substantivos (GREENBAUM; QUIRK, 1990:70)
Nome Próprio Nome Comum
Contável Não contável Contável ou não contável
(a) Freda *book Music brick
(b) *the Freda the book the music the brick
(c) *a Freda a book *a music a brick
(d) *some Freda *some book some music some brick
(e) *Fredas books *musics bricks
As restrições com nomes próprios ocorrem devido à referência única que esses substantivos possuem, por isso, não são geralmente aceitos determinantes e contraste numéricos a eles relacionados, como the
Brazil, ou some Brazil, como, por outro lado, pode ocorrer com os nomes comuns, o que é
exemplificado por the house e some houses. Já com os nomes comuns, temos algumas restrições de ocorrência em relação aos artigos indefinidos e determinantes de quantidade indefinida. Enquanto o zero artigo ocorre com os não contáveis e os contáveis no plural, os artigos indefinidos ocorrem apenas com os contáveis no singular; os deteminantes de quantidade ocorrem com os substantivos não contáveis e com os contáveis apenas no plural. Por outro lado, conforme Greenbaum e Quirk (1990), essas restrições não se aplicam aos substantivos que ocorrem nas duas categorias (contáveis e massa).
Langaker (2008), sob uma ótica cognitiva, atenta para a diferença entre nomes contáveis e não contáveis. Segundo o autor, a relação contável e massa corresponde ao arquétipo conceitual de objeto e substância. Em uma divisão mais típica, os nomes contáveis referem-se a objetos físicos, por exemplo,
diamond, book, cup, enquanto os nomes de massa referem-se a substâncias físicas, como gold, meat, water. O autor salienta, que, para o primeiro grupo, também encontramos outras entidades, como
criaturas (cat), parte de um todo (tail) e regiões geográficas (county), e entidades nebulosas (cloud) ou abstratas (idea), tênues (air, electricity) ou não físicas (nonsense, righteousness), no segundo.
O autor argumenta, que, embora alguns gramáticos tendam a afirmar que os contáveis plurais tenham as mesmas propriedades que os substantivos de massa, esses são dois grupos com propriedades
39 distintas. Ele salienta que, embora as restrições de determinantes de substantivos contáveis plurais e de substantivos de massa sejam parecidas, um substantivo contável no plural refere-se a várias instâncias do mesmo tipo, enquanto um substantivo de massa refere-se a partículas individuais de massa. Essa diferença pode ser mais facilmente observada na Figura 1:
Figura 1: Diferença entre os tipos de substantivos (LANGAKER, 2008:5-3)
Conforme Carter e McCarthy (2006), os nomes contáveis abrangem a maior parte dos substantivos. Eles denotam entidades que são tratadas como unidade e se referem a objetos, pessoas, entidades abstratas, dentre outros. Os autores defendem que, para os substantivos, essa é a distinção mais relevante para os estudos gramaticais.
Griffiths (2006) lembra que a nomes contáveis e os de massa diferem em relação à forma como o falante escolhe retratar a realidade. Palavras como coins e money denotam a mesma coisa no mundo; porém, os contáveis referem-se a algo que consiste em inteiros individualmente distintos, enquanto os não contáveis referem-se a substâncias homogêneas.
Os nomes contáveis geralmente têm como marca de plural o morfema –s no final da palavra, porém, alguns desses nomes possuem a forma singular com significado plural (DOWNING; LOCKE, 2006), que é o caso de people, que substitui a palavra persons.
2.2.1.3 Concretos e abstratos
Muitas das gramáticas consultadas tratam da distinção entre concretos e abstratos muito breve e superficialmente. Carter e McCarthy (2006) mencionam essa distinção, porém tratam de forma detalhada apenas a distinção entre contáveis e não contáveis.
40 Greenbaum e Quirk (1990), por outro lado, apresentam a divisão dos substantivos também em concretos e abstratos, conforme Figura 2:
Figura 2: Divisão dos Substantivos
Fonte: Greenbaum e Quirk (1990:70)
Greenbaum e Quirk (1990) argumentam que essa divisão tem importância semântica. Os substantivos abstratos referem-se a qualidades, sentimentos, eventos, dentre outros. São exemplos de substativos abstratos, dificulty, friendship e departure (LEECH; SVARTVIK, 2002). Por outro lado, os nomes concretos referem-se a objetos ou substâncias físicas. Tanto os nomes concretos, quanto os abstratos podem ocorrer com elementos contáveis e não contáveis, porém Leech e Svartvik (2002) salientam que os abstratos ocorrem com mais frequência como substantivos que são ao mesmo tempo contáveis e de massa.
Ainda segundo Greenbaum e Quirk (1990), substantivos abstratos tendem a ser contáveis quando se referem a fenômenos unitários, como eventos, e, não contáveis, quando se referem a atividades, estados e qualidades. Eles também afirmam que há casos em que os substantivos abstratos são ao mesmo tempo contáveis e não contáveis.
Downing e Locke (2006) argumentam que as entidades prototípicas são as concretas, bem definidas e relativamente estáveis no tempo, como person ao invés de weather. Eles também afirmam, com base em análises de textos mais formais, que nominalizações são geralmente abstratas e derivam de verbos e outras partes do discurso, conforme exemplos abaixo:
41 (a) Without the slightest hesitation.
(b) Take a deep breath.
Em conclusão, os substantivos concretos são geralmente nomes que possuam algum referente físico no mundo e os abstratos são os substantivos que estão no âmbito das ideias, sentimentos, qualidades etc.
2.2.1.4 Pronomes
Os pronomes também podem ser núcleos de SNs. Segundo Downing e Locke (2006), os pronomes são elementos dêiticos que constituem o núcleo de um SN. Os pronomes pessoais (I, you, he, she, it, we,
they) são utilizados quando o falante retoma um referente já mencionado anteriormente. Já o pronome
impessoal one, pode ter usos não dêiticos, como no exemplo (a)
(a) One thinks about life a lot more as time goes by. (Downing; Locke,2006:411)
Os pronomes reflexivos (myself, yourself, himself, herself, itself, ourselves, yourselves, themselves) são utilizados para se fazer uma co-referência com o sujeito (DOWNING; LOCKE, 2006), para dar ênfase, sendo utilizado antes ou depois do sujeito, ou quando o verbo necessita deles. Os outros tipos de pronomes são os interrogativos (who, whose, which, what); os indefinidos, que são compostos por
some, any, no e every (somebody, someone, something anybody, anyone, anything, everybody, everyone, everything nobody, no-one, nothing). Os pronomes this e that também ocorrem como núcleo
de SN. A combinação this + BE referem a uma situação, pessoa ou objeto.
Os pronomes, apesar de centralizarem SNs, não serão objeto de estudo do presente trabalho por não ocorrerem com determinantes.